quinta-feira, 21 de maio de 2015

Liberdade de escolha





Conheci em tempos uma senhora que, tendo nascido e vivido na sua infância na Rússia, foi levada pelos pais para Israel e acabou por migrar já adulta para os EUA, onde casou e vive.

Era divertido e confuso conversar via texto com ela, que o seu teclado estava configurado para os três tipos de caracteres que dominava (cirílico, hebraico e latino) e nem sempre escolhia o certo para teclar comigo.  

Uma ocasião lançou ela um apelo aos seus amigos e conhecidos na net: Ia ter o primeiro filho, que já sabia ser um rapaz, e queria escolher o respectivo nome.

O problema era que esse nome deveria começar por uma letra (não recordo já qual), as pessoas que o tivessem usado teriam que ter sido ilustres e não terem sido conhecidas por actos nefastos ou maldosos, deveria ter um determinado número mínimo de letras… todo um conjunto de condições um pouco estranhas para nós.

Todas estas condicionantes advinham da sua cultura, onde o nome escolhido deveria ser indicativo ou origem de boa-sorte e auguro de uma vida boa e honrada.

Faz sentido esta preocupação de uma futura mãe sobre o advir do filho.

Não faz é sentido algum que ela se preocupe com tudo isto e nem um nico sobre se a criança viria ou não a gostar do nome.

O nome dado a um recém-nascido é um carimbo que o acompanhará para o resto da vida, goste-se ou não dele. É uma decisão imposta por terceiros que condiciona o indivíduo. Toda a vida e após ela.



Serei dos poucos, talvez, que recusou esta tirania.

Assumi há muito como meu um fonema, composto apenas por duas letras, e recuso os pontinhos indicadores de iniciais. O fonema transformou-se no meu nome, escolhido por mim e a ele respondo.

O que surgiu quase que por acaso, devido a uma questão política e de verdade factual, acabou por ser um grito de independência e autonomia.

Que não sou o que outros querem que seja mas o que quero ser, tudo fazendo por isso. Mesmo o nome.

Liberdade também é isso.



(Nota extra fotográfica - A imagem já tem uns anitos. Mas serve para ilustrar a tal luz de que gosto e o conceito que defendo: definir num espaço ou acção um ponto como origem da luz de cena. O restante que possa usar apenas serve para controlo de contraste ou modelação de sombras.)

By me

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