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quarta-feira, 8 de abril de 2020

Uma por dia




A imagem de cima foi feita com uma objectiva por mim construída.
Montada numa câmara digital, é composta por um tubo de extensão variável (dos usados para macrofotografia), uma lupa fixada numa tampa de corpo de câmara que sacrifiquei.
Na segunda imagem usei o mesmo conjunto com a adição de um disco de cartolina preta com um orifício circular ao centro, com cerca de 1,5cm de diâmetro.
A terceira fotografia foi feita com uma objectiva zoom convencional. As medições de luz foi feita usando os próprios meios da câmara.
Nenhum tratamento posterior que não a justaposição das três fotografias.
Para além da definição óbvia, em que a do meio reproduz aquilo a que alguns chamam de “boquet”, repare-se na ligeira mudança de rendimento cromático, resultado da existência, ou não, do tratamento feito nas superfícies de vidro.
Para quem quiser fotografar e dizer que a objectiva foi feita por si. Ou para quem quiser fotografar com métodos antigos: objectivas de fraca qualidade mas ajustável em função da abertura de diafragma ou, se preferirem, se se aproveita integralmente a luz que atravessa os vidros ou apenas a que passa pela zona central.
Se está confinado em casa e não sabe o que ou como fotografar, eis um exemplo para os mais curiosos.

By me

domingo, 5 de abril de 2020

Uma por dia




As molas de roupa são particularmente uteis, e não apenas para ajudar a segurar a roupa a secar.
Neste caso, uma de plástico para segurar o cigarro, sem o vincar ou estragar. Com a vantagem de o material plástico ser sensível ao calor, o que permite fazer um orifício com um prego quente (ou semelhante) para que possa ser fixado algures. Parafuso com duas porcas, uma de cada lado, fizeram a festa para que fosse fixado num tripé. Mas poderia ter sido um prego no topo de um pau de vassoira, ou qualquer outro sistema que se invente.
Por fundo uma cortina que, para ter a opacidade requeria, suporta um pano preto. Novamente molas de roupa.
O único “truque”, que aqui não se vê, foi o uso da minha mão. Para evitar que a luz vinda da janela, na altura aberta para maior rendimento luminosa, incidisse na frente da objectiva e “velasse” a imagem (o termo técnico é “criar um flare”). É para evitar essas luzes parasitas que o pára-sol é importante, se bem que em situações limite não seja suficientemente comprido.
E nunca me digam que em casa, durante um confinamento forçado, não se pode criar imagens.

Fotografem e sejam felizes


By me

segunda-feira, 30 de março de 2020

Uma por dia




Volta e meia há que fotografar um livro. Ou porque não temos um scanner por perto ou porque o que queremos reproduzir é maior que o scanner.
E raramente temos um vidro para colocar sobre o livro, o que acaba por, não apenas por alterar a geometria do que queremos mostrar, como ter uma ou as duas páginas levemente abauladas.
O que nos levanta um problema, as mais das vezes não constatado no momento da fotografia por menos experientes e preocupados com isso: brilhos na superfície das folhas.
E estes brilhos, para além de pouco bonitos, conseguem ofuscar detalhes da imagem. Como é o caso do exemplo junto, em que não se vê a data impressa pelo autor da fotografia – 1902.
Basta mudar um pouco a posição da fonte de luz, ou rodar um pouco o livro, para que o problema desapareça ou fique quase anulado.

Fotografem e sejam felizes
By me

domingo, 29 de março de 2020

Uma por dia




Esta fotografia foi feita para mostrar uma ampulheta e a passagem do tempo.
Como fonte de luz, um candeeiro de lâmpada nua atrás do papel vegetal.
Tem um ligeiro tratamento de edição: um pequeno aumento de contraste, possível de fazer com qualquer editor de imagem, mesmo no telemóvel.
A forma de suportar o papel vegetal encontra-se aqui:



By me

sábado, 28 de março de 2020

Uma por dia




Dizem as regras de composição de imagem que a câmara ou objectiva deverão estar à mesma altura que o ponto de vista a olho nu.
Ou ainda que a objectiva deverá estar ao nível dos olhos da pessoa fotografada.
Em termos gerais isto estará certo. Queremos, as mais da vezes, colocar em pé de igualdade observador e fotografado, não dando superioridade ou inferioridade a nenhum deles, só pelo facto de estar a ser visto de cima ou de baixo.
Claro que poderemos sempre fazer o oposto, propositadamente e com esse objectivo.
Mas… e quando se trata de assuntos que não envolvam pessoas e, por conseguinte, não se põe a questão de igualdade?
Os pontos de vista (ou perspectivas) diferentes do habitual podem dar dinamismo à imagem. E colocar o espectador num local diferente, com as consequentes diferentes sensações.
Se na imagem da esquerda se mostra algo de um ponto de vista mais convencional, a da direita mostra-nos que se veria se estivéssemos sentados no chão. Ou como vê uma criança um ecrã.
Saber provocar emoções ou sentimentos em quem vê, entendendo a sua forma de pensar e sentir, é tão vital quanto o saber usar o diafragma ou calibrar o balanço de brancos.

Fotografem e sejam felizes
By me

sexta-feira, 27 de março de 2020

Uma por dia




Nestes dias de confinamento uma das coisas que muitos mostram é o que conseguem ver pela janela.
O seu mundo circundante, o horizonte de que podem usufruir.
No entanto as mais das vezes aquilo que conseguimos ver é esse mesmo horizonte e nada mais. Uma imagem mais subida ou nem tanto, podendo referir-se a qualquer lugar ou qualquer circunstância.
Por vezes o incluir algo em primeiro plano que mostre, efectivamente, onde estamos pode redefinir toda a história contada.
Não apenas o “confinamento” como dará profundidade. Para além de mostrar algo menos “belo” acrescenta algo de mais “íntimo”.

Fotografem e sejam felizes
By me

quinta-feira, 26 de março de 2020

Uma por dia




Nesta série “Uma por dia” vou tentado mostrar o como é fácil fotografar em casa sem questões elaboradas ou materiais dispendiosos.
E sendo que a luz é aquilo de que dependemos para fotografar, não é complicado encontrar soluções simples. Por vezes apenas a janela “faz a festa”.
E se a luz provoca sombras e com elas evidencia textura e volumes, também provoca brilhos nas superfícies que o permitem. O que pode ser particularmente desagradável ou especialmente desejável.
A cobertura de um bolo caseiro tem, em regra, brilhos. É o caso deste. Difícil seria evitá-los. E indesejável, já que lhe tiraria parte ou a totalidade do aspecto apetitoso.
Dosear esse brilho, bastando para isso escolher o ângulo certo, faz parte do trabalho do fotógrafo e, em condições profissionais, pode levar muitas horas a conseguir. Ou não, como é este o caso.

By me

quarta-feira, 25 de março de 2020

Uma por dia




Fotografar em casa pode ser resultado de uma ideia tida e construída a situação ou apenas o saltar o olhar sobre algo que temos à nossa frente. Claro que pode também ser a conjugação de ambas.
O certo é que é frequente a quantidade de luz não ser a suficiente para efeitos fotográficos e temos que reforçar. Com uma fonte adicional, com a substituição da lâmpada, com um jogo de luz de todo inovado.
Se pretendermos recriar algo verosímil, haverá que ter algum cuidado com alguns pormenores. Um deles o lado de onde vem a luz.
Em boa verdade, quando se concebe um “desenho de luz”, essa é a primeira preocupação: de onde vem a luz, onde está a sua fonte. Candeeiro, janela, sol…?
Mas também é verdade que, ao recrearmos uma situação nos devemos preocupar em ser fiel ao tipo ou origem de luz que existiria se fosse casual.
Numa mesa de refeições a regra é ser de cima. Equitativa para os diversos lugares ocupados, não criando sombras que nos atrapalhem ao escolher as espinhas de peixe, por exemplo.
Numa mesa de trabalho, onde escrevemos ou manipulamos objectos, o ideal é esta vir do lado oposto à mão útil. Do lado esquerdo se somos destros, do lado direito se somos canhotos.
Suponho que a maioria de vós sejam destros. É o que dizem as estatísticas.
Destas duas fotografias, em quase tudo idênticas, qual a que menos vos faz sentir confortável: a que tem a luz vinda da esquerda ou a que tem a luz vinda da direita?
Quando colocarem uma fonte de luz para fazerem uma fotografia, considerem este aspecto.
Também podem considerar que a luz vem do lado de lá do assunto, no lugar de estar colocada atrás e ao lado da câmara. Mas esta é uma abordagem diferente e bem mais elaborada. No conceito e na técnica.

Fotografem e sejam felizes
By me

terça-feira, 24 de março de 2020

Uma por dia




Questão frequentemente esquecida pelos menos experientes é o fundo onde o assunto principal se insere.
Quer seja por perspectiva, por contraste de cor ou luz, por texturas… As mais das vezes concentram-se no principal motivo de querer fazer a fotografia, menosprezando o resto.
E, no entanto, é esse mesmo “resto” que pode evidenciar ou anular o objecto ou pessoa que estamos a fotografar.
Prestar atenção aos brilhos, às texturas, às cores, às formas, o como se conjugam ou anulam, o como ambos – assunto e fundo – se adequam ao que queremos contar…
Por vezes, basta mudar um pouco de eixo em relação à luz – no caso uma simples janela – para que tudo mude. Mesmo que as posições relativas assunto/fundo não se alterem.



By me

segunda-feira, 23 de março de 2020

Uma por dia




As regras mais básicas, para os mais inexperientes, dizem que se deve fotografar com o sol nas costas do fotógrafo. Ou a janela.
Isto garante imagens medianamente bem expostas, garantindo que não se perde nenhuma por mal feita.
Mas, convenhamos, são imagens “chatas”, sem volume, sem texturas, sem graça.
O truque, se algum, é ter a fonte de luz (neste caso uma janela sem que o sol entrasse directamente) com alguma angulação em relação ao eixo câmara/assunto.
Haverá sempre que observar os tamanhos das sombras, tanto no assunto quanto as que se projectam no fundo, e optar pelas que nos parecem mais agradáveis. Ou, se preferirem, que tipo de sombra mais de adequa ao que queremos contar.
É que, não nos enganemos, fotografar é contar algo, é contar uma história ou estória.
E se ao escrevermos no papel usamos palavras como em fotografia usamos o assunto, usamos pontuação como em fotografia usamos sombras e perspectiva.



By me

domingo, 22 de março de 2020

Uma por dia




São as sombras que nos ajudam a definir volumes. Tal como estados de espírito.
Algumas podem ser bem marcadas, outras muito suaves.
As primeiras acontecem com uma só fonte de luz e tão pontual quanto possível, natural ou artificial.
As segundas com uma fonte de luz tão difusa quanto possível. Um céu encoberto é um bom exemplo. Mas em casa, sem grandes complicações ou custos, também se conseguem. Um Candeeiro e uma folha de papel vegetal (neste caso uma de cozinha, daqueles de ir ao forno) fazem a festa.

Fotografem e sejam felizes
By me

sábado, 21 de março de 2020

Uma por dia




Fotografar é registar a luz. E nem sempre é fácil termos a luz que queremos.
Mas podemos sempre fazer o possível sem dispêndios ou complexidades.
Qualquer candeeiro de mola (ou leve) pode ser colocado em quase qualquer lugar ou altura. Para tal, basta atarmos uma vassoira às costas de uma cadeira e pronto: um suporte facilmente ajustável em altura, colocável em quase qualquer lugar.
Isto conjugado com o cartão/embalagem metalizado de que já falei e conseguimos criar uma ambiência mais consentânea com o que pensamos ou imaginamos.
Mesmo usando uma simples mesa sem mais enfeites por fundo.

Fotografem e sejam felizes.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Uma por dia




Por vezes haverá que usar apenas uma fonte de luz ao fotografar.
Porque é uma opção de quem fotografa, porque não há outra fonte disponível, quer se trate de um candeeiro, quer se trate do sol a entrar pela janela.
A verdade é que a luz crua do sol ou de um candeeiro pode provocar sombras intensas, duras, que fazem da imagem resultante mais agressiva. Ou não corresponder ao que desejamos.
Não é, de todo, difícil resolver o problema, sem recorrer a tratamentos no computador.
Uma qualquer embalagem de líquido em que o seu interior seja metalizado (leite, vinho ou sumos) ou caixa de bombons, lavada, aberta e espalmada faz um excelente reflector. Os topos, dobrados para um lado e para outro, servem sem problemas, como forma de manter o cartão metalizado na posição desejada, com ajuda de qualquer coisa que faça peso sobre eles. No caso, usou-se um saleiro e um pimenteiro. Por vezes uso um cinzeiro.

Fotografem e sejam felizes.



By me

quinta-feira, 19 de março de 2020

Uma por dia




Um dos aspectos que muitos descuram ao fotografar um objecto é o que o circunda: o fundo.
Se se tratar de um objecto relativamente pequeno, fundos confusos podem fazer “morrer” o assunto principal. Por outro lado, um fundo sem nenhum detalhe (neutro) pode tornar a imagem “chata”. Algum tipo de contraste de cor, luz ou detalhe pode fazer a diferença.
Em casa o que não falta são fundos diversificados: na sala, no quarto, na cozinha, na casa de banho, na escada…
De igual forma, não é de todo difícil criar um fundo neutro, recorrendo a um tecido que, de algum modo, contraste com o assunto ou o faça sobressair. Uma prateleira, as costas de uma cadeira, o topo de uma porta… dependendo do peso do tecido e de onde está pendurado, molas, fita adesiva, grampos de carpinteiro… muitas são as formas de o suster.
Usem a imaginação e explorem o espaço de que dispõem.

Fotografem e sejam felizes
By me

quarta-feira, 18 de março de 2020

Uma por dia




Há sempre forma de fotografar e assuntos para fotografar, mesmo que confinados em casa.
Estas fotografias foram feitas há pouquinho aqui em casa. Propositadamente com o telemóvel e sem qualquer tratamento posterior que não a justaposição de ambas para aqui as exibir.
Não estão bem expostas. Não mandei o automatismo fazer a medição de luz no mesmo ponto.
Não estão iguais no que se refere a cor. Não calibrei o telemóvel para um dado tipo de luz e automatismo fez isto.
A imagem da esquerda foi feita para ilustrar uma historinha das minhas. Nada mais haveria que mostrar que não o que lá está. Mas repare-se como, com objectos mais que banais em qualquer casa, o lápis foi fixado.

Fotografem e sejam felizes.



By me

terça-feira, 17 de março de 2020

Uma por dia




Ser positivo ou proactivo é uma das chaves para ultrapassar as situações de crise. Esta é uma situação de crise.
E se é certo que a contaminação é algo de garantido para muitos de nós, a maioria, contaminado ou não, vai ficar confinado em casa por uns tempos. Com tudo aquilo que isso implica. Material e emocionalmente.
Que a casa (ou residência, ou lar) é algo de que gostamos e onde queremos estar mas, dias a fio poderá ser bem mais que entediante. Pela repetição do que vemos nas quatro paredes, pelas conversas repetidas sempre com as mesmas pessoas, pela sensação de clausura…
Saber viver com isso é uma arte ou uma técnica. E várias serão as abordagens para uma sobrevivência saudável a tal provação.
Sugiro, para os que gostam de fotografia, que a usem como forma de escapismo.
É que, e ao contrário do que muitos pensam, não é preciso ir longe para fotografar. Nem paisagens paradisíacas. Nem modelos de sonho. A nossa casa, repleta que está de objectos e recantos, é um manancial quase inesgotável de assuntos a fotografar, bastando para isso querer e usar de um nico de imaginação.
Para este quebrar de rotina forçada nem sequer se necessita de usar grandes meios, dispendiosos equipamentos, amplos espaços. Basta, por exemplo, reservar por duas horas a mesa comunitária e usá-la como base de trabalho.
A partir daqui, e usando todas aquelas coisas que todos tempos por casa, usar da imaginação e fotografar.
Molas de roupa, vassoiras, cadeiras, lençois, tolhas de banho, candeeiros de mesa, cordel, cartolina, camisas, calças, feijões… há todo um manancial de objectos banais que, bem usados, podem fazer a diferença.
A clausura “forçada” pode ser mortal na rotina. Cabe a cada um, para além de se proteger do tal vírus, se proteger do desânimo, da rotina, da irritação quanto à situação.
Para todos aqueles que gostam de fotografia, sejam “experts” ou nem pouco mais ou menos, com um montão de “tralha” ou um telemóvel, virei aqui deixar diariamente e à medida que o meu trabalho permita (sim, não estarei confinado que o ofício não permite e ainda não estou infectado) algumas dicas e sugestões de como quebrar a rotina diária a custo zero e com as banalidades que possuímos.
Divirtam-se e sejam felizes.



By me