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domingo, 19 de janeiro de 2020
segunda-feira, 6 de janeiro de 2020
Mistérios inter-municipais
Haverá sempre algo que me surpreenda nesta coisa de prestar
atenção às tampas que encontramos colocadas no chão.
Sabemos serem de tamanhos padronizado, o que faz sentido se
pensarmos no preço de custo e facilidade de acessos e manutenção. No entanto, e
quem andar com os olhos postos no chão, aperceber-se-á que algumas de acesso a
esgotos têm uns bons vinte centímetros de diâmetro que a maioria. Suponho que
se tratem de condutas especiais, aplicadas a locais de grandes caudais, pluviais
ou domésticos. Esta é standard no seu tamanho.
Por outro lado, uma grande maioria contem indicações codificadas quanto
à sua capacidade se suportar peso. 12, 25, 40 toneladas é o habitual de
encontrar. Suponho que isso será algum tipo de obrigatoriedade para que se
saiba em que locais se poderão usar em função do que se espera que lhes passe
por cima. Esta, pese embora estar datada apenas de 1998, nada mostra.
Também é comum encontrar a indicação do fabricante ou
fundição. Eu diria que um pouco mais de metade das que vou encontrando têm essa
referência. Esta terá sido fabricada pela Fundição Dois Portos e ostenta o respectivo
logotipo. O que acaba por ter graça é o facto de na zona onde resido encontrar
muitas da mesma fundição que, no lugar do nome e logotipo, apenas nos mostra as
iniciais: FDP. Isso já deu azo a piadas e chistes.
Igualmente comum é ter inscrito o nome do seu proprietário,
regra geral um município e/ou organismo. Definição de propriedade ou promotor
da obra, calculo eu.
O que torna esta tampa verdadeiramente excepcional é ter ela
inscrita a sigla SMASVFX, referindo-se ao município de Vila Franca de Xira e
vir a encontrá-la no município da Amadora. Que nem sequer são contíguos.
Mistérios de negócios e relações inter-municipais que se me escapam.
By me
domingo, 29 de dezembro de 2019
Tampas raras
Isto de ir recolhendo, fotograficamente, as tampas que todos
pisamos e às quais ninguém presta atenção, pode levar-nos e encontrar pequenas preciosidades.
Algumas, como em Lisboa, contêm o clássico logotipo da
cidade: a caravela com os corvos. Outras estão identificadas com o nome da
empresa sob cuja tampa estão instalados equipamentos ou condutas: comunicações,
líquidos ou gás, energia…
Em regra, letras e poucos desenhos, o que caracteriza a
maioria dos logotipos de grandes empresas ou instituições. Simplicidade e
rapidez de identificação, aliadas à facilidade de impressão ou apresentação em
diversos suportes e mono ou pluricromáticos. Aqueles que se dedicam a artes
gráficas sabem do que estou a falar.
Este exemplar reúne o insólito a dois níveis: um logotipo
muito elaborado e com muitas curvas e a sua inscrição numa tampa, com o que
isso implica de complexidade e custo de produção.
Não falo ideia de quanto tempo vigorou o logotipo até ser
transformado em algo mais simples. Dele restarão os impressos não usados, as
cartas enviadas e esta tampa, numa rua da Amadora.
By me
segunda-feira, 9 de setembro de 2019
Tampas e cronologia
Este projecto acaba por me levar bem mais fundo do que eu
esperaria, mesmo tratando-se de fotografar tampas de acesso ao subsolo.
Acaba por ter graça prestar atenção às variantes dos
relevos, mesmo da mesma empresa.
E se algumas tampas exibem orgulhosamente a fundição que as
fabricou, outras são particularmente discretas, ou mesmo omissas, sobre tal.
Se algumas incluem o ano de fabrico, pista interessante para
algum estudioso, outras primam por nada dizer sobre tal.
Mesmo a indicação do dono da peça, a empresa que gere o que
lhe está por baixo, varia com o tempo, não apenas com o seu nome como com o
logotipo.
No caso presente, o logotipo está em fase de transição,
possuindo em evidência aquele que seria o novo na altura mas mantendo o
anterior em tamanho reduzido.
Fica-me uma dúvida entre várias, a esclarecer se e quando
tiver oportunidade e energia para pesquisar: Quando terá sido decidido que as
tampas de acesso ao subsolo deveriam ter códigos indicativos das características
técnicas do material e respectiva capacidade se suportar carga.
By me
domingo, 18 de agosto de 2019
25 ton
Pelo menos nesta tampa dizem-nos, sem codificações difíceis de
entender, qual a carga máxima possível.
By me
Singelo
Este projecto ou colectânea de fotografias das tampas que
pisamos tem duas origens:
Por um lado porque acho que devemos prestar atenção ao que
nos cerca, incluindo onde pomos os pés. Tanto por questão de óbvia segurança,
como por percebermos o mundo em que nos inserimos e prestarmos a devida
homenagem a quem, de algum modo, embeleza o quotidiano.
O segundo motivo é mais divertido:
Um dia um colega veio perguntar-me se eu já teria reparado
que as tampas de esgoto têm gravado a referência da estrada a que pertencem.
Nunca tinha dado por tal e achei estranha a coisa. Insistiu mesmo, que tinha
encontrado tampas com a inscrição EN124, aludindo, certamente, à estrada
nacional 124.
Fui investigar, que não gosto de pontos de interrogação
flutuando por cima da cabeça, e fiquei sabendo que se trata de uma referência
às características técnicas da tampa, entre outras a sua robustez e capacidade
de carga.
E, com esta dúvida esclarecida, comecei a prestar atenção a
elas, às tampas, e a ver como algumas são bonitas, nos desenhos que possuem,
enquanto outras, não sendo feias, são singelas nos relevos que possuem, cuja
função será o garantir alguma tração a quem passa, a pé ou sobre rodas.
Esta, estou em crer, será a campeã de singeleza.
By me
domingo, 11 de agosto de 2019
Tampas
São aquelas coisas a que não prestamos atenção.
Tal como as pedras da calçada, não olhamos para as tampas
que pisamos ao caminhar ou conduzir. E só damos por elas quando primam pela
ausência ou quando estão mal assentes, ameaçando um trambolhão.
Acho interessante, para além do que está por baixo de cada
uma, o que de cada uma vemos.
É que, sabe quem conduz, o ferro liso é escorregadio. Mais
ainda quando molhado. Por isso, quem encomenda deve pedir que a superfície seja
rugosa. De algum modo rugosa. A ponto de evitar acidentes.
O que torna a coisa interessante é ver os diversos padrões,
decididos ou propostos pelas fundições, ou pedidos por quem encomenda. Isto e
as indicações nelas gravadas: desde a identificação daquilo que está tapado, ao
fabricante, às especificações técnicas, expressas por códigos… Nalguns casos,
as datas de fabrico.
Sugiro que prestem atenção ao local onde põem os pés. Para
evitar acidentes e para se divertirem com os detalhes anónimos e ignorados que
a civilização produz. Por vezes, pequenas obras de arte, literalmente espezinhadas.
By me
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