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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

era uma vez... (5)



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Claro está que, por muito experiente que o nosso Chico fosse, o seu barco sem vela, sem popa e sem proa se afundou. Mesmo ali, à beirinha da praia.
E aos rebolões nas ondas, que a tempestade assustava o mais valente, bebendo uns valentes litros de água bem salgada, lá conseguiu ele ir nadando e chegar a terra firme.
Já sentado na areia seca, olhou o mar que lhe tinha roubado o seu lindo barquinho. E ficou triste. Muito triste. É que ele, o Chico marinheiro, sem barco ficava sem nada. Nadica que fosse!

Bem, sem nada é uma força de expressão, que sempre ficou com o roupinha que trazia no corpo!

Era uma vez...(4)



...
Nesta altura o nosso Chico ficou mesmo assustado!
Sem vela e sem popa, com o seu barquinho a meter água e a tempestade bem feia, só pensava ele em como chegar a terra, desse por onde desse.
Mas a sua experiência, e as muitas tempestades que já tinha enfrentado, não o faziam desistir e, ainda que quase a afundar, lá foi orientando o seu barquito para terra.
Acontece que, com o sobe-e-desce das ondas, altas como montanhas, não viu que umas pontas de rochedos estavam no seu caminho, já pertinho da praia. E, com uma pancada terrível, embateu e perdeu a proa.

(Continua)

Era uma vez... (2)



...
E o Chico, olhando para o mar tormentoso, pensou:
“Bem, isto hoje vai dar luta e disso é que eu gosto!”
E saiu a barra, fazendo-se ao mar alto.
Acontece que o Chico, nesse dia, não fora previdente. Não olhara para o cais nem vira as previsões do tempo. Que se tivesse olhado, veria que todos os outros barcos estavam atracados e que as previsões falavam de uma muito grande tempestade que se aproximava da costa.
E o vento rugia, e as ondas batiam, e o barquito dançava qual casca de noz. E, numa rajada de vento ainda mais violenta, o mastro partiu-se e a vela foi levada como se de papel fosse feita.

(Continua)

Era uma vez... (1)



Era uma vez…
Era uma vez o Chico.
Podia chamar-lhe João ou Zé, ou Tó, ou Pedro, mas qualquer um destes nomes me recorda figuras públicas e isso eu não quero.
Que fique Chico!
Pois o nosso Chico nas horas vagas era marinheiro. Não marinheiro de água doce, daqueles que vão lavar o casco do barco aos fins-de-semana, e só se estiver bom tempo. Não! O Chico era marinheiro experimentado, daqueles que gostam mesmo de velejar, que precisam de vento para andar e que não os assusta quaisquer ondinhas.
Pois o Chico, um dia, fez-se ao mar. Não foi num belo dia, que o céu estava pesado e as ondas faziam-se sentir com força, mas nada que o assustasse.

(Continua)