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quarta-feira, 22 de julho de 2015

Long time ago



Há uma valente quantidade de anos tive um desaguisado profissional. Um dos sérios.
No decurso de uma gravação de uma peça de teatro, a realizadora pediu-me que fizesse um conjunto de imagens truncando todas elas uma fotografia. Não me recordo já que imagem seria nem de que autor, mas sei que era conhecida e de um conceituado.
Perguntei se havia permissão para usar a fotografia e se ela, a permissão, incluía aquelas alterações ao trabalho original. A resposta foi que não, que não havia.
Tal como a minha resposta foi não: “Não vou truncar a obra de um fotógrafo, sem que ele saiba que está ser usada e como.”
A discussão foi séria, interrompendo os trabalhos e fazendo subir o tom de voz. A tal ponto que, ao fim de um pedaço, veio um companheiro de trabalho substituir-me naquele onde eu estava. E fez o que a minha consciência me impedia.
Não me foi aplicada nenhuma sanção formal, até porque não teriam bases legais para tal, mas durante mais de um ano estive afastado daquele local, que era onde se faziam os trabalhos mais satisfatórios e de responsabilidade.

Faz muito que a ética rege o meu comportamento no que concerne à captação de imagem. Seja qual for o suporte e a forma de divulgação.
E o respeitar a imagem de terceiros, seja a imagem do seu corpo, seja imagens que produziram, implicando sempre a autorização para a fazer ou usar, faz parte dos conceitos éticos de que não abdico por preço algum.
E não me considero colega de ofício ou companheiro de quem o não respeitar também.
Tal como, sendo certo que nunca entendi a antiguidade como posto, não aceito que um fedelho, que ainda nem descobriu a diferença entre profundidade de campo e profundidade de foco, me venha tentar dar lições de moral e de ética, quando ele mesmo está a captar imagens bem individualizadas de desconhecidos para uma campanha publicitária e sem autorização dos próprios.
Chamar-me ele “colega de ofício” foi dos piores insultos que me fizeram nos últimos anos.


Quanto à fotografia, não corresponde aos facto relatados, mas é contemporânea dos primeiros.

By me

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Comprei, sim senhor!




Dando algumas voltas pela cidade, em que a bílis foi marcando presença, dou comigo junto à praça do Campo Pequeno. Confesso que não previ a coisa, mas tentei tirar o melhor do inevitável.
Já que no meio desta maralha enlouquecia, tentei fazer algum registo, o possível, considerando o que penso da loucura específica. E comprei.
Comprei esta maldita corneta, pela módica quantia de 3 aerios. Dei e dou de boa vontade semelhante quantia para ter a certeza que, pelo menos esta, não irá azucrinar os ouvidos de ninguém os meus incuídos.
Em chegando a casa, irá fazer companhia a uma vuvuzela de má memória, que também foi motivo de vendas inopinadas de aspirinas e afins. E, tal como esta buzina, também foi comprada com o mesmo fito: ter a certeza que garanto um nico, por pequeno que seja, de tranquilidade.
Devo acrescentar, em abono da verdade, que quando a vendedeira me disse o preço, bem no meio da maralha, pensei em comprar-lhe todo o stock, que já só tinha umas sete ou oito, que lho perguntei.
Mas entendi que a minha tranquilidade valia bem mais que isso, e fiquei-me pelo simbolismo do gesto.

By me

terça-feira, 26 de junho de 2012

A tarraxa




Leio num jornal diário, que na Hungria o revivalismo histórico e Nazi está a ganhar força, com o apoio explícito das forças governamentais.
Leio também que a selecção de futebol Alemã foi multada por os seus adeptos terem exibido uma bandeira neo-nazi durante um jogo.
Ainda não há muito tempo que ouvíamos e líamos sobre as medidas proteccionistas francesas sobre imigrantes, bem como de que forma a extrema-direita vai ganhando força nesse país.
Também na Suíça, uma nação supostamente neutra e que gosta imenso de ter imigrantes a fazer o que os nativos não querem – como todos os demais países, de resto – vão aumentado as discriminações sobre as nacionalidades de quem aceitam como imigrantes.
A Itália, um país que não o era ainda não há tanto tempo quanto isso, está igualmente a braços com segregações nacionalistas em que, naturalmente, os de fora são os alvos preferenciais.
Mesmo aqui ao lado, em Espanha, vimos os resultados das últimas eleições, vamos vendo o que vai acontecendo em manifestações, mas não nos vai sendo contado o que acontece com os “sem papeis”, de que forma as autoridades vão lidando com os migrantes que procuram fazer da península Ibérica uma porta de entrada para um tal utópico “EL dourado” europeu.
Por cá… por cá vamos assistindo a uma mistura entre o querermos que os estrangeiros por cá estejam, que trabalhem, tenham filhos e paguem impostos, e à redução de migrantes em território nacional que a eles são dados os trabalhos mais penosos ou desagradáveis e a eles se paga menos e sem contratos legais.
Assusta-me ver estes pequenos grandes sintomas de extremismo, em parte motivados pelas crises económicas que vamos vivendo, em parte alimentados pelos nacionalismos radicais, em parte satisfazendo uns quantos de títeres ainda encapotados.
A história tem-nos contado o que sucede às civilizações quando as posições se extremam, quando o trabalho, ou mesmo a comida, começam a escassear.
As euforias provocadas pelos confrontos desportivos, com as respectivas frustrações dos perdedores que abordam as derrotas como se de tragédias se tratassem não são apaziguadores de ânimos.
Que, após cada jogo, se se apercebe que a tarraxa está cada vez mais apertada. E as bílis se manifestam sempre para o mesmo lado.

By me

sábado, 23 de junho de 2012

Pois




No fim desse dia talvez o tenham feito

By me

sexta-feira, 22 de junho de 2012

É triste




Muito se vai falando de “crise”. E muitos são os apartamentos posta à venda, a maioria por os seus donos não suportarem aquilo que por eles deveriam pagar.
É triste!
Mas bem mais triste é ver que, por estes dias, há bem mais bandeiras que cartazes de “vende-se”.
Talvez que o cartaz verde e vermelho adejando ao vento seja sinónimo de “vende-se o país”.
É triste!

By me

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Também em versão veloz




O nacionalismo rectangular em torno do redondo

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domingo, 17 de junho de 2012

Panem et circenses




Oito e pouco da noite.
A rua fazia lembrar uma cidade fantasma, não fora eu próprio lá estar, assim como mães Ucranianas que, a esta hora, costumam vir passear os seus bebés nos respectivos carrinhos e manter viva a língua materna.
Apenas uma muito ligeira brisa fazia baloiçar ligeiramente a bandeira, que nem chegava para abanar as toalhas estendidas a secar. Aliás, bandeiras e roupa a secar, a meias com alguma antena, eram as únicas coisas que se viam nas janelas.
Um deserto quase completo, na horizontal e na vertical.
Suspeitando do que se passava, fui até ao café.
Um silêncio quase sepulcral, apenas entrecortado com o ruído das loiças e talheres onde, furiosamente, sardinhas eram retalhadas e comidas. As cervejas estavam lá, bebidas pelo gargalo, que é como se bebem cervejas nestas ocasiões, mas pouco se movimentavam.
De quando em vez lá se ouviam uns impropérios bem pouco civilizados, usando de todos os Fs e Rs de que o léxico português é rico.
Olhei para um dos vários ecrãs ali colocados e percebi tudo: a relação numérica no cantinho superior bem falava dos motivos do desânimo instalado.
Dei conta da minha bica e saí, com intuitos bem definidos: fotografar, antes que recolhidos, uns sapatos que havia visto. E sair dali antes que, eventualmente, uma coisa redonda fizesse a sua entrada numa coisa rectangular e provocasse um coro de alegria histérica. Ali e no resto da rua. Talvez mesmo no país.
Ouvi a primeira rajada de gritos quando me entretinha com uma bota. A segunda aconteceu já comigo em casa, e protegido com música a gosto.
Que dirão todos estes machos e fêmeas quando acordarem amanhã e virei que de um dia para o outro, mesmo com vitórias lá longe, nada mudou para melhor?

Panem et circenses [ludos] é a forma acusativa da expressão latina panis et circenses [ludi], que significa "pão e jogos circenses", mais popularmente citada como pão e circo. Esta foi uma política criada pelo imperador Octávio Augusto, que previa o provimento de comida e diversão ao povo, com o objectivo de atenuar a insatisfação popular contra os governantes. (Wikipédia)

By me

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Rigores numéricos (ou quase)




Nesta rua do bairro dos Olivais, em Lisboa, este quarteirão tem quarenta e quatro apartamentos. Ou casas. Ou fogos. O que lhe quiserem chamar.
Certo é que nas suas varandas contei treze (13) bandeiras nacionais. O que está completamente certo!
É que, e de acordo com os dados das audiências televisivas, o último jogo da selecção nacional foi visto por cerca de 25% dos cidadãos nacionais em território nacional.

By me

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Lá em cima




Apesar da greve dos comboios, ou por causa dela, consegui chegar a casa bem mais cedo que o habitual. Valeu-me a simpática boleia de um colega, como eu irmanado num horário insano.
Pois querendo aproveitar deste tempinho extra, bem como de toda a radiação do sol de que estou, em tempo de trabalho, privado, dou um passeio pelo bairro.
E, nesta voltinha dou comigo numa rua próxima da minha, sem saída, onde constato não haver as malditas bandeiras penduradas nas janelas. Estranhei e procurei com mais afinco. E entristeci.
Naquela janelinha, lá em cima à direita, meio envergonhado estava o tal estandarte nacional. Quase não dava por ele, não fora ir em busca de uma perspectiva menos habitual.
Ainda assim, tenho que dar os parabéns às centenas de residentes nesta pequena rua, que todos, menos uma família, resistiram a esta moda idiotante.

By me 

terça-feira, 12 de junho de 2012

Do campeonato passado




Futebol, sardinhas, casamentos de Santo António, desfiles na avenida…
Dá um geitaço tudo isso, enquanto o garrote vai apertando um niquinho mais…

By me

sábado, 9 de junho de 2012

Tuguisses




Não há dinheiro p’ra bandeiras? Nem mesmo daquelas do chinês, com pagodes e tudo? Não tem problema!
Um Tuga, um bom Tuga, nunca se atrapalha.  

By me

À janela




Roupa, vasos, bandeiras.
Para mal de todos nós, ganham as bandeiras!

By me 

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Gaita!



Ao menos pendurem-na como deve ser!

By me

Socorro!




Entra um tipo numa estação de correios para tratar do óbvio de uma estação de correios – o envio de correspondência – e não só tem que ficar numa fila longa, não só tem que entreter o olhar nas variadas ofertas de jogos e livros, não só tem que ouvir a solícita funcionária a propor-nos a compra de uma cautela de lotaria ou mesmo um brinquedo da UNICEF, como constata que os próprios correios alimentam a mania das bandeiras!
Todo um expositor dedicado ao tema, com bandeiras e cachecóis, talvez que à dúzia mais baratos, completado com os mesmos orgulhosamente exibidos desembrulhados e exibidos nas paredes.
Socorro!

A única coisa que valeu realmente a pena de viver aqui dentro foi o ter tido à minha frente um casal de velhotes, mesmo velhotes, que se revezavam no estar de pé na fila ou o descansarem os velhos ossos e demais órgãos numa das poucas cadeiras disponíveis. Mais agradável ainda de ver foi que não era o que estava de pé que pedia para ser rendido na espera e esforço mas antes o que estava sentado que se oferecia para a troca e sacrifício.
Bonito de ver!

y me

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Cada um é como cada qual!




Há quem pendure à janela a roupa lavada, a secar. Há quem pendure à janela o Pai Natal, na altura própria. Há quem pendure à janela a bandeira nacional, em alturas de jogos da selecção de futebol. Eu também tenho a minha panca!

Em vendo as bandeiras nacionais, trato de içar uma de duas da minha predilecção. Alterno, enfim.
Ou exibo a bandeira da Catalunha, lugar onde viveria se pudesse, ou hasteio a bandeira negra, em sinal de luto p’los meus concidadãos.
Que só se pode estar de luto ao ver tantos entusiastas pela nacionalidade apenas pela bola, esquecendo todas as outras ocasiões em que o país necessita, e com mais empenho, dos actos dos seus cidadãos – eleições, manifestações, solidariedade para com os menos favorecidos, o seu próprio futuro.
E enquanto eu for vendo as cores nacionais idioticamente colorindo as janelas do meu bairro, enluto a minha.

By me

terça-feira, 5 de junho de 2012

O nacionalismo rectangular em torno do redondo




A uma bandeira assim chama-se “desfraldada”.
E quando assim as vejo lembro-me sempre da ausência de fralda e das suas consequências. Para quem as pendura e para quem goza à brava com a mania de as pendurar.

By me 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

domingo, 3 de junho de 2012

Nacionalismo rectangular em torno do redondo





E pronto!
Já cá faltavam as bandeiras, que se penduram a torto e a direito, à mistura com a roupa lavada.
Se este fervor pelo País se manifestasse em outras coisas bem mais úteis…
Na minha rua, felizmente, só há (ainda) duas.

By me