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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

The dog!


During these more than three years of my “Oldfashion Project”, (here or here) I’ve being able to photograph all kinds of persons: from judges and ambassadors to beggars and garbage collectors, from famous writers and singers to anonymous clerks and bartenders, from just born babies to over 90 years old. The park is as rich of life as that and even more.
But the oddest picture I was asked to do is this one: not the owner and the dog but jut the dog!
Of course it would be better if he would stand a bit on the left or closer; of course it would be better if the sun would hit it to create a nice back light; of course it would be better if I’ve used a lower perspective; o course it would be better if…
But photographing with a fake old camera, a kind of view camera, with no viewfinder but my head in it, shooting standing beside it and with a cable release, having over than a second of delay, is not easy. Even worse if the subject is a young dog, with lots of other dogs hanging around with their owners.
Never the less, the owner liked it, so did I and I hope the same happened with the model.
Thank you, Oscar, for your patience!

Texto e imagem: by me

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Insólitos Oldfashion


Atrás deste simpático casal e desta vetusta câmara fica uma aprazível zona de sombra, fornecida por uma frondosa árvore, onde esteve por mais de uma hora um carro patrulha da PSP, fugindo assim ao sol abrasador que hoje se fez sentir.
Ambos os agentes, um homem e uma mulher, são meus conhecidos desde o início das minhas idas regulares ao Jardim da Estrela e são elementos do programa “Escola Segura”. Ambos simpáticos e agradáveis no trato. Em havendo possibilidade, de parte a parte, damos um pouco à língua.
Pois estávamos, ele e eu, à conversa junto ao carro, quando surge uma avó. Pelo menos tinha idade para isso. E uma energia de movimentos que explicava a agilidade com que abordou o carro patrulha. Mas com uma mentalidade que parecia ser bem mais antiga que a idade que aparentava. Algures bem atrás, em meados do século passado.
Vinha ela queixar-se que na relva, naquela zona aqui meio escondida e ao sol atrás das árvores, estavam duas raparigas deitadas, uma em cima da outra, aos beijos na boca e outros maneios.
Pelo que me foi dado ver, pois que ouvi a queixa, não havia um centímetro de pele visível a mais que o que se espera ver em gente daquela idade e com o calor deste dia. Aliás, tinham mais pele tapada que muitas dondocas, algumas da idade da queixosa, quando vão a festas muito in, muito jet-set.
Pois a avozinha queixava-se que aquilo era uma pouca-vergonha, que não havia direito nenhum, como iria explicar aquilo às suas netas que estavam a ver…
A agente que estava no carro, a tratar de papelada, lá se levantou e, com bastante calma, foi falar com as mocinhas em questão. Esteve uns minutos por lá, numa conversa que àquela distância me pareceu afável, e regressou com um sorriso na cara. Enquanto que as garotas, que não teriam mais que 15 ou 16 anos, se juntavam a amigas que por ali estavam.
Ficou a conversa sobre a homossexualidade e a sua liberdade, bem como se a avozinha teria apresentado queixa se se tratassem de um rapaz e uma rapariga. O que, aliás, é comum ali ver, como em muitos outros jardins por este mundo fora.
Desta história o que retiro é que, apesar de estar extinta há muito a polícia de costumes, que fiscalizava o bom comportamento moral dos portugueses, basta haver uma queixa sobre um eventual atentado à moral pública e as forças de segurança actuam. Ainda que a moral em causa seja a de uma avozinha que, a bem da população e da paz social, não deveria ser autorizada a sair de casa para que não pudesse incomodar os demais cidadãos. A bem da liberdade de pensamento e de acção!

Agora, contada a história, podem perguntar o que esta imagem tem a ver com o relatado.
Com toda a certeza que não estavam à espera que eu fotografasse, e menos ainda que exibisse, os intervenientes no sucedido. Não apenas não o autorizariam como seria uma intromissão da minha parte.
Mas esta fotografia foi feita uma meia hora depois do contado, por um passante e a pedido, e é tão surpreendente como o atrás descrito.
Quem esperará ver, em pleno coração de Lisboa, Portugal, uma estudante Tailandesa? Menos ainda que se queira fazer fotografar por uma caixa de madeira com objectiva. E muito menos que queira ficar com uma outra imagem, desta feita junto com o fotógrafo. E eu, aproveitando o ensejo do passante, quis fazer uma com a câmara de bolso, que por acaso até anda no meu cinto. Esta!
Duas situações insólitas em meia hora e sem sair do meu lugar, entre o portão e o coreto.



Texto: by me
Imagem: by um estranho

terça-feira, 12 de maio de 2009

On photography - 800th


Most photographers walk around the world. And the world can be earth or his home town.
They look for the right situation to photograph. And it can be light or subject.
And they want to show what they got with their camera, what they felt. They want to communicate and, some times, use their work to make some difference. Being that difference of aesthetic, political or social order.
As for me, some of my work is quite different.
Instead of walking around the world, I choose a single spot.
Instead of looking for subjects or light, I wait for them, on that very same spot. The sun and the leafs on the trees will change through the day or year. So does shadows and brightness. As well as the people who stands in front of my camera. I just have to stay there and wait.
And I don’t care a bit about the communication factor on this project. At least, the communication that, usually, can be found on photographs. Is the interaction between photographer and poser that is important. The talks, the stories, the smiles, themselves.
Technically and aesthetic, those photographs done with the “Oldfashion” camera aren’t good at all. But I must say that it isn’t a priority on my project.
The idea is older than 25 years. It has been growing through time, having several influences like the “Family of the Man” exhibit, the work of August Sander, the Catalan “Vidiotron” and many, many others.
And my main objective was to find some answers on sociologic or anthropologic issues. But, with the variety of situations and conversations, the course of this journey had change. The original questions are still to be answered, but new questions came up, at least as important as the original ones.
And this project, build to last two years, is now on its third one and, for sure, it will celebrate its fourth. As long as the weather helps, my legs keep its strength and the equipment, home made as it is, don’t fail.
Not just for my curiosity about the mankind. That was my goal and I do not give up on it. But is the pleasure of being there, the pleasure of listen those stories and, some times, confidences, the pleasure of provoking those smiles, those so many smiles, all those pleasures… I don’t know if I want to stop them.
As for the picture above, it’s the 800th done on this project.


Texto e imagem: by me

sábado, 29 de março de 2008

Uma fotografia


A fotografia que aqui vedes constou, até perto das 16 horas, no meu mostruário.
Pendurada de um dos lados do artefacto “Odfashion”, é da minha predilecção, bem como da maioria dos passantes e observantes. De há um ano a esta parte.
O que me faz gostar dela em particular não é apenas a fotografia por si mesma mas também, e principalmente e cada vez mais, as histórias e estórias que lhe estão associadas.
Pois hoje, a meio da tarde, vi-me na obrigação de a retirar, com mil cuidados, do escaparate lateral, descolando-a com a ponta da navalha da fita doble-face que a suportava dentro da mica de plástico. E, depois de verificar que nenhum dano constava, ofertá-la.
É que tinha visto algumas lágrimas rolarem na face de uma mulher de uns quarenta e poucos. E misturou o sódio dessa água com a humidade dos beijos com que cobriu o plástico que a preservada.
O facto de eu nada falar de Romeno e de ela nada falar de Português não foi entrave para perceber que se tratava da mãe e avó das retratadas, que elas estavam na sua terra natal e que fazia muito que não as via.
A mesma água com o mesmo sal rolou pelas suas faces, mas desta vez a iluminar ainda mais o sorriso que se lhe rasgou de orelha a orelha.
E foi com recomendações a um qualquer deus da sua preferência (não faz falta a língua falada para o fazer entender), e com beijos repenicados no icone que guardava religiosamente que se afastou.

A tarde rendeu pouco (três fotografias e algumas mais conversas). Mas que nem uma só tivesse feito, teria valido a pena a ida ao Jardim da Estrela.