Aparentemente as entidades governativas e as forças
policiais estão de acordo:
Não se pode montar tendas no espaço público.
E barraca, pode? É que ali para os lados de São Bento as
barradas são mais que muitas!
Pentax K7, Tamron 18-200
Aparentemente as entidades governativas e as forças
policiais estão de acordo:
Não se pode montar tendas no espaço público.
E barraca, pode? É que ali para os lados de São Bento as
barradas são mais que muitas!
Pentax K7, Tamron 18-200
Duro mesmo é ver como as diversas organizações sociais e
políticas que vão emergindo defendem mais do mesmo.
Formais ou informais, com aspirações legislativas ou com
actividades no terreno, defendendo esta ou aquela metodologia, o certo é que os
ideais de sociedade que defendem passam por uma organização estratificada, em
que alguns têm direito e acesso a muito e muitos quase não têm direito a muito
pouco.
Os cuidados médicos, a alimentação, a educação, a justiça, a
habitação, não devem ser em função de uma classe social, com mais ou com menos
posses.
Ou há diferença no valor humano entre quem recolhe o lixo
dos contentores e quem produz esse mesmo lixo?
Ou há diferença no valor humano entre quem pastoreia as
cabras e quem lhes come o queijo?
Ou há diferença no valor humano entre quem tece a seda e
quem dorme nos respectivos lençóis?
Enquanto os objectivos forem os mesmos – a manutenção de uma
sociedade estratificada, com uns a existirem para servirem os outros -, bem que
podem mudar de estratégias, discursos ou fatiotas: não me convencem!
Pentax K100D, Pentax 18-55
Podem chamar de arruaceiros. Tal como podem chamar de
fascistas, de esquerdalha, de radicais, de carneirada, de provocadores, de ...
Aquilo que não podem tirar é o desejo e o direito de ter uma
vida digna, de um tecto para si e para os seus filhos, de comida na mesa, de
...
Demorou quase meio século e uma cadeira partida, mas os que
queriam impedir de a isso aceder acabaram por cair. Ficaram os saudosistas, mas
esses irão ter o mesmo fim.
Porque há muitas cadeiras em portugal. Tal como há muitos candeeiros onde colocar os
exemplos!
Pentax K7, Pentax 18-55
Duas da minha família Pentax, vestidas de preto.
Repare-se como cresceu a mais nova, à esquerda: Cinquenta
anos e o dobro do peso as separam.
E sim, esta é forma que mais gosto de iluminar: considerar
que a fonte de luz principal vem do lado de lá do assunto. Tudo o mais que
coloque é para controlar contrastes ou sombras.
Pentax K50,
Tamron SP Adaptal2 90mm 1:2,5
By me
Vários têm sido os que me questionam sobre os motivos que me
levaram a partir para e manter este projecto “Oldfashion”. E o que pretendi com
ele.
Sobre as perguntas originais, as que entretanto sobrevieram
e as respostas que tenho ou virei a encontrar, mantenho alguma discrição. Se e
quando chegar a um fim definido, e se valer a pena a sua divulgação, cá estarei
então para isso.
Mas posso dizer que as referências exteriores passaram e
passam pelos trabalhos de diversos autores, nem todos directamente ligados à
fotografia.
Pese embora possa parecer alguma imodéstia, aqui ficam
alguns dos que, pelo que fizeram ou pensaram, me impulsionaram a partir nesta
viagem:
August
Sander,
A exposição
“The family of Man”,
Susan
Sontag,
Roland
Barthes,
John
Berger,
Antoni Tàpies,
Roussado Pinto.
Esta lista, que muito peca por defeito, deixa de fora
inúmeros nomes da fotografia ou do pensamento ligado às artes ou ao conhecimento
do Homem e do seu comportamento que, de uma forma ou de outra, me foram
provocando e questionando.
Tal como aqueles que, não tendo nome sonante ou obra
publicada, me fizeram ou fazem pensar, em tertúlias ou conversas em volta de
uns copos.
E uma enorme dose de rebeldia ou contestação, já que este
trabalho, do ponto de vista estritamente fotográfico, é a antítese da
reportagem ou do caçador de imagens que, com a sua inquietude e itenerância,
persegue assuntos e luzes.
Já quanto às questões estéticas, não são, neste caso, uma
prioridade que me inquiete.
Olympus C3030Z
By me
Há momentos na vida em que o melhor é ficar quieto e calado. É uma arte, o saber quando.
Mas há outros em que essa é a pior opção!
Daqui por uns tempos, olhando olhos nos olhos e em falando dos dias de hoje e de então, que dirás tu quando te perguntarem:
“E tu, que fizeste?”
Samsun S-60
Faltavam 25 minutos para me encontrar com um desconhecido
que me iria vender mais uns itens para a minha colecção. Nada de muito
dispendioso, mas fazia-me falta.
Apesar de ter a câmara no saco, não estava lá com muita
vontade de a tirar, pelo que, para matar o tempo, entrei naquela livraria. Fica
num centro comercial e só lá vai quem for à sua procura. Fui.
Passei pelo balcão, onde confirmei a localização dos livros
de fotografia, e fui sózinho pois já sabia o caminho. A secção era pequena,
isso já eu esperava, mas acabei por ficar com um na mão. E um ensaio de uma
autora portuguêsa, veja-se lá a coisa.
Regressei ao balcão para pagar e dou comigo numa fila de
gente com o mesmo fito, bem como para encomendar obras de outros lados. Quatro
pessoas.
Dá gosto ver fila de gente para pagar numa livraria. Ainda
por cima num centro comercial, num recanto de uma esquina. É bom indicador,
ainda que as idades fossem de meio para cima.
A minha impaciência agudizou-se, vendo o tempo a passar e a
hora do negócio a aproximar-se.
Tentando distrair-me, fui vendo que obras estavam ali perto,
na secção das compras por impulso. Sim, por uma livraria também tem disso, não
são apenas os supermercados.
Dou com os meus olhos nisto e pensei demasiado alto, a ponto
de vocalizar o pensamento: “Há muito que não leio Kafka. Nos tempos que correm
faz falta um pouco de lucidêz”.
Quem estava à minha frente, já com o cartão na mão para
pagar, olhou a tempo de me ver pegar nele e juntar ao outro. Não sei o que
aquele cota como eu pensou, mas gostei de ver o discreto sorriso antes de se
voltar para a frente.
Juntei os dois na mão, para não perder tempo a abrir o saco,
e cheguei mesmo na hora combinada para o negócio cá fora.
Será a terceira obra a que me vou dedicar, que a vida não
pode ser só fotografia.
Mas sempre com aquela dúvida: “Que escreveria ele, se
vivesse hoje?”
Pentax K1
mkII, smc Pentax-M macro 100 1:4
By me
Numa tarde agitada, com um simples telemovel, num centro comercial.
As luzes misturavam-se de uma forma incrível, com as
temperaturas de cor entre o muito baixo e muito alto. E por uma questão de
princípio fiz questão de não mudar de mesa onde estava a lanchar. De onde e o
que via havia de ficar no boneco.
Foi que me saíu.
Esta câmara, que me veio parar às mãos de uma forma meio
rocambolesca que já contei, acabou hoje o seu teste. Os tempos de fotografar
com uma câmara de rolo são completamente diferentes dos de usar uma câmara com
registo digital. Haverá que escolher, haverá que pensar, haverá que tomar
notas, mesmo que mentalmente.
E haverá agora que enviar para o laboratório, coisa que
também leva tempo. O seu tempo.
Para já, fica o registo no último dia, regressando ela ao
conforto de uma prateleira dentro do estojo de origem, aguardando ela, tal como
um doente, o diagnóstico final.
Samsung SM-A515F
Enquanto em França é o que as imagens nos mostram, com os
jovens ou não tanto na rua a enfrentar a polícia por melhores condições de
ensino;
Enquanto que em Espanha é o que as imagens nos contam, com
milhares acampados nas ruas contra a desumanização das regras de arrendamento e
o primeiro-ministro dá o peito às balas pela suavização das rendas;
Por cá...
Por cá continuamos com as Lajes escancaradas, de os braços
abertos para receber Marco Rubio que afirma que Portugal é um forte aliado, as
leis piorar o arrendamento são aprovadas, o ensino/aprendizagem bem como a
saúde estão como estão, assim como as etiquetas nas lojas de alimentação, e os
portugueses estão, neste jardim à beira-mar plantado, em frente ao computador,
a ver as séries e a protestar nas mesas de café.
O tanto mar está cheio de lixo!
Pentax K7, Tamron 18-200
By me
Numa época em que se consideram mais verossímeis vídeos
encontrados on line que os livros, sinto-me um nico demodée.
Atrás de mim, para além de estantes dedicadas à imagem em
geral e à fotografia em particular, tenho uma secção dedicada a a dicionários,
de todo o género, dos convencionais aos insólitos. Que, além de me terem
proporcionado bons momentos por consulta ou outros motivos, são recurso que
mantenho no activo.
Mas noutras estantes mantenho outros géneros de livros. De muitas
temáticas. Entre os quais este, que pertence a um grupo específico, ainda que
desorganizado no espaço.
Herdei-o faz tempo. Li parte dele e passei para outros, como
quem passa de uma página web para outra. Não por dificuldade na língua,
felizmente, mas porque dando prioridade a outros. Tal como na net.
Tem , para além do texto traduzido do alemão (que não domino
de todo), três acrescentos intersantes: uma assinatura, uma data e um preço.
A primeira recorda-me dos interesses quem o comprou; a
segunda marca no tempo os interesses aquando da compra, fruto de uma recomendação
ou semelhante; a terceira na relativação do tempo e das alterações do valores
neste.
1972, 40 escudos.
Conseguem calcular o valor deste preço neste ano? Bastante caro.
Mesmo muito caro. Será que o seu conteúdo reflete este valor hoje? Ainda que
siga uma linha de pensamento específica e que a ciência dos comportamentos
tenha mudado um pouco, fruto da mudança de abordagens e de metodologias, não
deixa de ser algo que devamos conhecer.
Principalmente nós, os produtores de conteúdos (fotográficos
ou outros) na área da comunicação.
Setenta e quase cinco anos é bastante. Mas não lhe retira
valor nem utilidade.
Sairá da estante e irá para a pilha de livros a ler, bem no
topo, mantendo-se ali à tona dos que forem chegando até que faça parte dos que
foram lidos.
Pentax K1
mkII, smc Pentax-M macro 100 1:4
É verdade que sim: tenho uma opinião muito pouco lisonjeira
sobre a chamada “fotografia de rua”. Há todo um conjunto de questões éticas que
me levam a tal.
Em qualquer dos casos, de quando em vez há que pensar e
repensar sobre os nossos conceitos. Colocá-los em causa, rever argumentos,
aceitar como válidas outras perspectivas. Pode sempre acontecer que o que temos
por certo desde há muito acabe por se demonstrar errado.
Por isso mesmo estive este fim de semana numa palestra onde
o tema era Fotografia de Rua, defendido por quem a pratica. Tentei estar de
mente tão aberta e tão ausente de preconceitos quanto o possível.
O que fui ouvindo até parecia lógico e aceitável, com
algumas abordagens técnicas e éticas válidas e algum tipo de separação entre a
satisfação do fotógrafo e o respeito pelo fotografado. Quase me convenceu.
E digo quase porque o orador “borrou a pintura” com uma das
fotografias que exibiu: um homem barbudo e com cara de zangado, numa bicicleta
e acompanhado por dois cães, fazendo um inequívoco e bem visível pirete para a
câmara. A grande angular usada e perspectiva próxima e baixa usada não
permitiam não ver o gesto de protesto para com o fotógrafo e o que fazia.
Interrompi o discurso e questionei porque motivo, sendo bem
notório o protesto contra o fazer daquela fotografia, se ignorava a vontade do
fotografado e se a exibia.
A resposta esteve bem em linha com o que eu pensava antes de
entrar naquela sala: “Sim, mas eu gosto tanto dela...”! “E”, acrescentou alguém
que estava presente aquando do fazer da imagem, “o homem não voltou atrás para
protestar.”
Toda a capa protectora que eu tinha a envolver os meus
preconceitos e opiniões se esbroou. Que estava ali bem plasmada a relatividade
de importâncias entre a vontade do fotografado e a vontade do fotógrafo. E a
ausência de escrúpulos deste perante aquele.
É interessante pensarmos que o acto de premir o obturador da
câmara fotográfica é conhecido por “disparar”. Como quem dispara a caçadeira
sobre a sua presa. Cujo troféu se pendura na galeria, real ou virtual,
demonstrando a habilidade ou saber do caçador.
Pentax MX,
Pentax-M 28 1:2,8, TriX, 24/12/1979
Conseguem imaginar um mundo utópico onde o dinheiro não
existe?
A Time Out Market está a tratar disso.
Nem comer, nem beber, nem mesmo comprar um livro numa
livraria!
Conseguem adivinhar onde não tenciono voltar a pôr os pés?
Lumix DCM TZ60
By me
É uma daquelas brincadeiras inocentes sobre comportamentos
que qualquer um pode fazer:
Em vendo alguém consultar um aparelho de medida de tempo (de
pulso, de bolso, de parede ou num telemóvel), assim que for de novo guardado
perguntar de imediato “Que horas são?”.
Constatarão que a esmagadora maioria das pessoas olhará de
novo para o relógio, porque não o sabe de cor.
Na verdade, quando olhamos para um relógio, aquilo que
queremos saber ou aquilatar não é o valor nele indicado mas sim a sua
relativização. Quanto tempo falta para ou quanto tempo já passou desde que. É
cedo ou tarde.
O valor real, em horas, minutos ou segundos de pouca monta
é. Que no momento seguinte estará alterado, pertencendo ao passado.
Assim, não fiquei de todo surpreendido ou incomodado quando
fiz esta fotografia.
Olhando para o que este relógio de sol me indicava e comparando
isso com o meu relógio de pulso, o telemóvel e a indicação da câmara
fotográfica, obtive quatro informações diferentes. Mas pouco relevantes, já que
estava exactamente na hora de fazer uma fotografia. Ou, em o preferindo,
faltava pouco para dali a um pedaço.
Em última análise, e para os cépticos ou cientistas, será a
demonstração prática de uma das leis de Murphy: aparelhos de medida iguais, nas
mesmas condições, mostram resultados diferentes.
Pentax K7, smc Pentax-M 50 1:1,2
By me
Há uma boa quantidade de anos, no meu deambular pela cidade,
tirava partido do segundo mosquetão preso na minha mochila. Estava na alça
direita e, as mais das vezes, estava vazio.
Mas em dias de manifestações de rua (havia-as amiúde) ou em
estando para aí virado, vinha aí pendurado o meu monopé, tendo na ponta uma
cabeça de encaixe rápido.
Servia ele para suportar uma câmara de bolso que tinha (e
tenho), guardada na mochila e retirada quando as condições se proporcionavam. Não
era a minha forma habitual de fotografar, mas permitiam pontos de vista incomum,
num progecto a que chamava pomposamente “If I were taler”.
Colocava a câmara no monopé, esticava-o no seu comprimento máximo,
activava o seu temporizador e levantava o conjunto tão alto quanto conseguia.
O resultado era “à zona”, já que não conseguia enquadrar nem
o momento certo. Mas com a prática, fruto do conhecimento que tinha da
objectiva e do eu contar o tempo do retardador, permitia-me fazer uns “bonecos”
interessantes.
O habitual era fazê-los aquando grandes massas de gente, com
ou sem primeiro plano. Era um mar de cabeças e faixas que davam a verdadeira
dimensão da quantidade de gente presente.
Mas também quando tal mole não se juntava, permitindo
imagens como esta, uma espécie de “voo de pássaro” baixinho, como se estivesse
numa janela ou espreitando por cima do mobiliário urbano.
A taxa de aproveitamento era de cerca de 50%, o que não é
mau, se pensarmos que o “momento decisivo” não acontecia nem havia um olho
colado no visor da ocular.
Não posso dizer que seria o único a usar este método, mas
nunca o vi em prática por cá, durante uns bons tempos. Depois vulgarizou-se, na
medida do possível. Mais monopés no mercado, a introdução dos drones de pequeno
tamanho (antes da legislação que os gere) fizeram com que esta novidade o
deixasse de ser. E a imagem animada ganha espaço à imagem estática nos media,
pessoais ou públicos.
Mas recordo que de uns militares sem uniforme que desfilaram
em Lisboa ouvi o seguinte comentário: “Este deve ser da marinha, que veio com o
periscópio”.
Acho que vou retomar a ideia, assim que reparar a alça do
monopé, danificado do uso. Outros voos com os pés na terra.
Samsung S1060
By me
Estive hoje na exposição que decorre na Faculdade de Belas
de Lisboa. Não a visitei toda!
Para já chateei-me logo à entrada:
Tratando-se de um evento que acontece em Lisboa, que até é a
capital de Portugal e onde a língua materna e oficial é o Português, logo à
entrada sou confrontado com cartazes, indicações e disticos em Inglês. Não
bilingues. Em Inglês!
Um raio que os parta. E fi-lo saber a quem estava por ali,
seja os voluntários, que tinham uma camisola vestida escrita em Inglês, como
junto de um dos organizadores.
Fiquei logo com os azeites!
Mas vi a primeira exposição, que estava patente numa das
salas do piso térreo. E gostei do que vi, pelo menos de algumas.
Mas a porca torceu o rabo quando me dirigi para a segunda.
Estava num lugar magnifíco, mas antecedido de escadas. De muitas escadas.
Antigas, de pedra e irregulares, num espaço que terá sido a cisterna do palácio
onde a faculdade está instalada.
O lance exterior ainda me arrisquei a percorrer, apoiado na
parede. Mas a receio. Mas quando vi o interior, longo e com poucos e frageis apoios,
todo o meu ser se recusou. Não apenas a minha artrose de anca protestou contra
o descer e o posterior subir sem apoio fiável como a minha visão mono-ocular
não conseguia assegurar-me das alturas dos degraus. Todo o meu corpo disse não!
Uma exposição fotográfica em Lisboa, onde o Português não é
a língua principal e onde não há acessibilidade a pessoas com mobilidade
condicionada...!
Eu quero que a Fujifilme, patrocinadora do evento, vá dar
banho ao cão!
Salvou a tarde o facto de ter feito três ou quatro
fotografias com a minha câmara de bolso, incluindo este túnel que conduz a uns
sanitários, de acordo com as indicações. Bem como com o velho caixote que está ainda
em teste.
A isto junte-se o ter regressado a casa com mais um exemplar
para a minha colecção de câmaras Pentax. Os cromos difíceis são isso mesmo:
difíceis.
Apesar de ter começado mal – muito mal mesmo – acabou bem a
tarde.
Lumix DCM TZ60
Apareceram já a luz definhava e eu pensava em abandonar o
jardim. Um grupo com bandeiras, exibindo o símbolo do seu partido sobre fundo
branco (que estas coisas das campanhas eleitorais custam dinheiro!) Iam de
banco em banco, tentando “impingir” os panfletos que traziam. E, para que não
houvesse qualquer dúvida, a frente do opúsculo tinha a fotografia da mais alta
figura do partido, sorrindo, justamente aquela que, em ganhando as eleições,
poderá vir a ocupar o lugar de primeiro-ministro.
O facto de eu estar ali plantado, deambulando em torno da
minha câmara e com outra pendurada no ombro, faz com que, por vezes, seja
invisível. O que é uma sorte nestes casos. Mas não neste dia, nem para mim, nem
para eles.
Depois dos velhotes, solitários ou não, nos bancos e do
bando de garotos que ali festejava o primeiro dia de aulas e, consequentemente,
o primeiro dia em que faltavam às aulas, foi a minha vez.
A cara dela não me era estranha e acredito que já a tivesse
tido em frente da minha câmara, em estúdio de TV. Mas foi ele que fez as
despesas da conversa e da função: Estendeu-me o folheto e perguntou-me “Quer
ficar informado?”
A resposta já eu a tinha pronta, desde que os havia visto lá
ao fundo: “Com isto ao peito, acha que iria votar em vocês?”
Estacaram, surpresos, e ela exibiu um sorriso amarelo quando
viu aquilo que eu apontava. Já ele corou um pouco. Mas, se como disse antes, a
cara dela me não era estranha, a dele não conhecia mas não esquecerei pela
certa. Que a sua resposta, pronta, esteve ao nível.
“Já tivemos alguns a votar em nós. Já foram mais, mas já
tivemos alguns e bons a votar em nós!”
E, estendendo-me a mão, afastaram-se, não sem antes ele
acrescentar:
“Continue a querer mudar a coisa. O truque é esse: não
desistir!”
O que ele não sabe é que, bem mais que “Querer mudar a
coisa”, faço por isso todos os dias e vou-a mudando: Com o preço das minhas
fotos, com os alertas sobre os actuais Big Brothers, com as intervenções
sociais, com as conversas com os miúdos e graúdos que vou encontrando.
A revolução faz-se todos os dias, em todas as
circunstâncias. Não apenas em campanha eleitoral!
Samsung S1060
By me
Saí de casa com duas câmaras fotográficas: Uma Brownie, nas
costas e dentro da caixa de couro; uma câmara de bolso Pentax I-10, guardada no
bolso.
O dia prometia ser duro (foi-o) e não quis arriscar muito
peso. Mesmo assim, junto com o calor (escolhi mal o dia), foi um dia duro.
A Brownie porque está em testes (e eu com ela), a Pentax
porque alguma outra coisa tinha que levar.
Regressei depois de almoçar mal e porcamente e com uma única
fototografia: esta. Felizmente as fotografias pesam menos que o cimento destes
arcos, que já conhecia, embora a distância.
Do bolso para as mãos, um clic, de novo para o bolso, que é
a vantagem das câmaras de bolso. A perspectiva compunha-se à medida que me
aproximava, qual dançarino nas táboas, à espera que o cérebro aceitasse o que
os olhos viam. Aceitaram. Uma vez. Uma única vez, que não adiantava fazer mais.
Qualquer outra coisa seria chover no molhado, apesar do calor que fazia.
Aprendi com um
mestre, ao vivo e a cores, a ver antes de usar a ferramenta. Não importa qual. Passeava-se,
de mãos atrás das costas, olhando, olhando, até dizer “É daqui”! E era.
Não lhe chego aos calcanhares, mas esforço-me por isso.
Os meus respeitos, Zé Castelhano.
Pentax I-10
By me
O maior receio de um político não é a derrota eleitoral. Que
essa faz parte do jogo!
O seu maior medo é que o poder, a gestão da coisa pública,
deixe de ser feito por políticos e passe para as ruas. Que passe a ser feito e
gerido pelo povo, do mais anónimo ao mais ilustre.
Que, nessa mudança de organização da sociedade, se constata
da utilidade (ou o seu oposto) daqueles que constituem a chamada “classe
política”.
E não há nada pior para o amor-próprio de um político que a
demonstração da sua inutilidade!
Pentax K7, Tamron 18-200
By me
Quando se fala em “fotografia” fala-se ou pensa-se no
registo da luz. E quando se pensa no registo da luz, pensa-se em aquilatar a
luz.
Podemos medi-la incidente ou reflectida, continua ou instantânea,
na câmara ou fora dela, quando é na câmara pode ser integral, ponderada ou
centro, pontual...
Há várias formas de medir a luz, cada uma funcional desde
que a dominemos.
Desde há muitos anos que possuo este medidor de luz.
Externo, pontual, continua, reflectida. Comprado bem em conta num mecânico de
fotografia.
Trata-se de um Pentax Digital Spotmeter e, durante anos e
anos, foi e é uma ferramenta fiel e um ponto de orgulho a sua posse.
Não tinha tampa e encontrei; não tinha borracha da ocular
mas encontrei uma equivalente; não tinha parassol, não tem de origem, mas
tratei de encontrar um com essa medida de rosca que usei mas sem gostar dele.
Agora está “encostado”, numa vitrine e num lugar de eleição,
visto que encontrei um outro, de outra marca e multi funcional.
O problema deste tipo de aparelhos é que são rigorosos que é
fácil fazer-se asneira: ou bem que se confunde isto com um fotómetro normal, ou
bem que não se sabe dar uso ás leituras feitas. O conhecimento do seu
funcionamento (ou de qualquer outro equivalente), a leitura do seu manual de
instruções bem como de literatura sobre o tema é altamente recomendável.
Quem conhecer o trabalho de Ansel Adams e da sua “escola” de
trabalho sabe bem do que falo.
Quanto ao resto, tenho muito orgulho em o possuir.
Pentax K1 mkII, smc Pentax-M 100 1:4
By me
Com tanta divulgação do “11 de setembro” e do seu 25º
aniversário por parte dos media, caiu quase no olvido generalizado o 11 de
setembro chileno, há uma cinquentena de anos.
Quase ninguem recorda o golpe de estado que esteve na origem
de uma ditadura sangrenta nem ninguém lembra o forte apoio norte americano a
tudo isto.
Não é politicamente correcto. E ensombra o papel de “polícia
mundial” que os americanos reclamam para si. E os media vão atrás deles como
gato atrás de bofe.
Claro que também é neste dia que se celebra o Diada, mas
menos ainda sabem o que é.
Nikon Coolpix P7000
By me
E pronto: chegou o roubo autorizado!
A partir de 15 de Outubro as viagens de taxi a partir do
aeroporto são de valor fixo.
Por outras palavras, a vigarice que grassava nas chegadas e
abrangia mais de metade dos taxis passa a ser total e legal.
Ou ainda: ir de taxi para a freguesia de Alvalade custará
tanto quanto ir para as freguesias de Avenidas Novas ou Lumiar, que ficam a
mais do dobro da distância. Para não falar nas corridas que impliquem sair do
concelho.
No lugar de penalizarem seriamente os infractores, penalizam
muito seriamente o incauto turista que não conhece a geografia nem os caminhos.
Os Portugueses que vão de Metro, que sempre é mais barato e pitoresco.
Pentax K7, Sigma 70-300
By me
Rondavam a mesma idade: vinte anitos, mais coisa, menos
coisa.
Ambas sentadas à minha frente, no comboio, contrastavam
entre si como azeite e água.
Uma, dita “gótica”, era toda preto e branco. Preto no
vestuário, em que o branco aparecia apenas na sola das sapatilhas. E no tom de
pele, que não deveria saber o que é sol há bem meio século.
A outra, também morena, mas com um ar rural, vestida com um
vestido estampado em tons de rosa e verde pálidos.
Tinha esta, por enfeites, um par de brincos metálicos, com
uns brilhantes, que me pareceram mais pechisbeque que outra coisa. Cara lavada,
unhas não pintadas.
A de preto, sentada à minha frente, também de cara e unhas
virgens, tinha tatuado no peito, que o decote em barco bem deixava ver, um
morcego preto, com olhos vermelhos. Simétricos, no lábio de baixo, dois
piercings metálicos. Nos lóbulos, brincos pretos, de massa.
Na mão de cada uma, um aparelhómetro de comunicação
portátil. Um preto, como seria de esperar, estava ligado aos ouvidos e deveria
ir jorrando música. Suficientemente baixo para que não a ouvisse eu.
O outro era cor-de-rosa, parecido com o do vestido, e estava
a ser usado para ler mensagens.
A outra mão de cada uma segurava uma mala. Uma, uma mala ou
saco, de pano preto, de alça bem comprida, decorado com caveiras em branco e
vermelho.
A outra, se bem que tivesse a sua malinha no colo, segurava
uma mala de viagem na coxia, não fosse tombar com os solavancos.
Saiu esta numa estação, na cidade. Ao levantar-se,
endireitou o vestido atrás e, pela velocidade e decisão com que caminhou no
cais, não teria muito tempo até ao autocarro de longo curso que supus que iria
apanhar.
A outra levantou-se na estação seguinte. Mesmo que o saco
fosse bem descido, a bater-lhe no joelho, o cós das calças de ganga preta fora
subidos atrás, tapando pudicamente o elástico das cuecas, azul-bebé. Que
contrastava com as rendinhas pretas que exibia de um lado e do outro das asas
do morcego. O seu passo era de quem caminha para onde é obrigada, quiçá um
emprego.
O que ambas tinham em comum era a dificuldade em tirarem os
olhos da minha barba, branca, e do que trago na lapela, um Azinho em preto e
branco. Estive vai-não-vai para lhes explicar o seu significado, mas não sei se
aceitariam a conversa ou se o entenderiam.
É por estas, e por todas as outras, que gosto tanto de andar
de comboio, suburbano ou longo curso. Que o mundo está ali, na lombriga
metálica, com todas as suas diversidades e contrastes, partilhando bancos e
coxias.
Pentax K7, Pentax 18-55
By me
Quando vejo estes sacos repletos na beira de uma intervenção
nas ruas alfacinhas, não posso deixar de pensar em munições.
Talvez sabendo disso, mudaram o piso pedonal da confluência
da Rua de São Bento com a Caçada da Estrela e com a Avenida Dom Carlos I.
Nikon Coolpix P7000
By me
Façamos um pequeno exercício de imaginação.
Imaginemos que contrato uma empresa para fazer a limpeza e pintura exterior de um prédio: paredes e telhado. Andaimes, mão-de-obra, tintas e demais consumíveis, responsabilidade civil, prazos e orçamento.
Acontece que a empresa não cumpre. Não faz o trabalho de limpeza, instala os andaimes mas não há gente neles a trabalhar, bloqueia portas e janelas, ninguém consegue dormir descansado ou mesmo sair de casa em segurança.
Junto com isso, os andaimes estragaram o jardim do prédio, caíram peças em cima de automóveis sem que houvesse tempestade, duas janelas ficaram danificadas, o telhado ficou sem telhas e os algerozes entupidos.
Que se faria a uma empresa destas? Que opinião teriam os moradores e os dos demais prédios da rua, que impropérios e correspondência seria feita? Por quanto tempo se aguentaria esta situação? Com que consequências?
Certo!
E se for um governo para gerir a coisa pública? Educação, segurança, justiça, legislação, redes viárias, saúde…
Por quanto tempo? Com que consequências?
Pentax MX, smc Pentax-M 75-150, Kodak TriX
By me
Hoje chegou pelo correio um livro, aliás, um catálogo de uma
exposição acontecida há muito tempo. Comprado num leilão on-line, veio
satisfazer a minha curiosidade, mas seu tempo falarei disso.
Enquanto via as fotografias e nelas pensava, veio-me à
memória um episódio, que até foi longo, acontecido faz muitos anos.
Estávamos numa fase de transição: enquanto na área de
produção já se trabalhava em “pal plus”, um formato de imagem que, para além
das características técnicas que implicava, tinha detalhes estéticos a
considerar, na área de informação onde eu estava estávamos bem nos inícios.
Por ser assumidamente rectangular, no lugar do quase
quadrado 3x4, tudo mudava: desde a forma como se enquadrava objectos e pessoas,
passando pelas distâncias de trabalho e respectivas perspectivas e relações de
primeiro plano com os fundos, até à velocidade com que se faz os movimentos
(entrada, saída e espaço intermédio), com tempos diferenciados.
Bative-me seriamente com as chefias para termos uma acção de
formação neste campo, nem que fosse sob o formato de “worshop” ou “learning on
the job”. Para pensarmos no assunto, para trocarmos ideias, para uniformizar
abordagens. Porque estava cada um de nós a descobrir métodos, sendo o resultado
uma manta de retalhos, fruto apenas do nosso desconhecimento e falta de
prática.
Há batalhas que se perdem e esta foi uma delas: nunca isso
sucedeu! E nota-se!
Não há uma “escola” de trabalho, não há critérios uniformes,
não há coesão na imagem. A manta de retalhos que antecipava e via então é
grande e evidente. Tanto do ponto de vista de quem capta e gere a imagem como
de quem concebe os espaços e os seus conteúdos. E é tanto pior quanto as
diferenças nas origens formativas de quem pega na rabicha do arado (só os bem
antigos conhecem a expressão, aos novos deixo o desafio de a descobrirem).
Enquanto trabalhamos solitários, como é o caso da esmagadora
maioria dos fotógrafos, cada um usa e concebe os seus próprios conceitos e
estéticas. Não há comparações!
Mas quando se trabalha numa equipa de imagem, estática ou
animada, é importante que esta seja definida e uniforme. O espectador não pode
ou não deve andar aos saltos, sendo a sequência de imagens fruto de uma linha
comum e de todos os intervenientes conhecida e aceite. Mesmo a “falta de coerência”
deve ser coerente.
Por mim, que faz muito tempo que deixei de lutar contra
todos os moinhos e que agora só o faço com os que seleciono, apenas fico
incomodado com essa ausência de linha de pensamento. Aprendo por mim já que não há “escola”, penso por mim já que não há uniformidade, evito os produtos de imagem
de consumo massivo para evitar os incómodos.
Felizmente existe a fotografia para não estar frustrado
durante todo o dia.
Pentax K100D, Sigma 400 1:5,6
By me
Porque mo lembraram, aqui fica um exemplar que, não sendo
uma raridade mundial, não será das peças mais comuns.
Trata-se de uma Novoflex 600mm f:8, uma focal longa (e não
uma teleobjectiva) concebida para fotografar natureza selvagem.
Infelizmente não possuo o apoio de ombro, o que a torna num
conjunto não particularmente prático de usar senão com recurso a um tripé ou
monopé.
Mas o seu sistema de focagem por gatilho, com prática, é
particularmente útil para acompanhar com rigor objectos em movimento sem
grandes amplitudes de movimentos.
Claro que, nos tempos que correm, isto é obsoleto. As
teleobjectivas vieram encurtar tamanhos e diminuir pesos, os sistemas
motorizados de focagem minimizar esforços e, se bem empregues, muito eficazes.
Além de permitirem fotografar aviões, por exemplo, sem se correr o risco de ter
uma brigada de intervenção rápida da polícia ao nosso lado ainda antes de
conseguirmos fazer uma imagem de jeito.
Em qualquer dos casos, trata-se de um objecto interessante para
a arqueologia da fotografia, em perfeito estado de funcionamento.
Não está à venda.
Pentax K7, Pentax 18-50
By me
Por vezes a fotografia vale por si mesma, sem mais
explicações. Outras, há que contextualizar o fotografado para que faça algum
sentido. Outras ainda será um texto ou uma ideia que necessita de uma
ilustração. E é frequente considerar-se a ilustração fotográfica um género
menor. Foi o que me saiu.
Num Setembro, há uns anos
A noite fora curta. Muito curta.
Somado a isso, um dia passado em andanças que me fizeram
recordar outros tempos, que tinha prometido não voltarem. Mas as promessas foram
criadas para se quebrarem.
Em cima de tudo isto, um almoço particularmente tardio, uma
tarde de muito calor e o suave embalar do comboio, acabaram com as minhas
resistências: quando dei por mim, tinha acabado de passar a minha estação.
Saí na seguinte e, no largo que lhe é fronteiro, parei um
pouco. À sombra. E fiquei, sem pressas, a ver o que acontecia no lago da
estação de um bairro suburbano num fim de tarde domingueira que, sendo Setembro,
bem que podia ser Agosto.
Uma moça, em idade de terceiro ciclo escolar, e com trajes a
condizer, esperava impacientemente por algo ou alguém. Não era da zona, que foi
confirmar com funcionários dos autocarros locais se estaria onde pensava. P’lo
semblante, pareceu-me que sim.
Eis que pára um carro, com um rapazola já bem crescidote ao
volante e que, p’la forma como abordou os incomuns sentidos rodoviários, também
não seria dali.
Toca o telemóvel dela, que atende: era ele. E não se
conheciam.
Aguardava ela, e trazia ele, um manual escolar. Que ela
reconheceu de imediato com um “É mesmo este, obrigado!”
Volta ele p’ro carro e ela p’ra carrinha de onde saíra, onde
uma mulher, ao volante, aguardava com mais duas garotas atrás.
Seguiram os dois veículos e eu fiquei a vê-los afastarem-se.
E pensando com os meus botões que aquilo terá sido uma cedência gratuita de
manuais usados. É bom ver tal coisa ao vivo.
E estou eu a pensar e a sorrir sobre isto, quando sou
abordado.
Um velhote, andrajoso e com um olho inchado e fechado, vinha
pedir-me um cigarro. “Mas só se puder ser e não lhe fizer falta”, disse-me.
“Claro!” e tirei a cigarreira do bolso, abrindo-a e
estendendo-lha. “Sirva-se”.
Olhou para ela, olhou para a sua mão suja e calejada e
deixou-me de boca aberta: “Se não se importa, tire o senhor.”
Dei-lhe quatro.
Por vezes, compensa adormecer no comboio!
Nikon Coolpix P7000
By me
Não tenho pressa. Nem cliente, nem prazos, nem encomenda.
Não tenho urgências, portanto vou com calma.
Quando estou para aí virado, vou para o estúdio e viro mais
algumas fotografias. Com tudo o que isso implica de preparação técnica, de
preparação e verificação dos assuntos, de tratamento de imagem e de pesquisa
posterior com o respectivo arquivamento. Uma hora cada, se tudo correr muito
bem. Bem mais, se tudo correr muito mal.
Refiro-me à criação de uma espécie de catálogo das peças
fotográficas que por aqui há. Para minha organização e organização de quem
nisso pegar.
Desta feita estou de volta dos aparelhos de medição de luz,
a que toda a gente chama de fotómetros. De tantos géneros e modos de utilização
que são que, genericamente lhes podem chamar de “fotómetros”, ainda que tenham
nomes específicos, em função da idade, do método e tecnologia, e da região do
globo de onde são originários.
Hoje calhou que, de entre os que tirei da gaveta para
fotografar viesse este. Um Quantum de sua marca, “calcu-flash-II” de seu nome.
Foi o meu terceiro aparelho de medida no campo fotográfico e
não me recordo onde o comprei. Sei, antes sim, que tinha uma necessidade
tremenda de aquilatar as luz emitida pelas unidades de luz instantânea:
quantidades e qualidades, zonas iluminadas e zonas sombreadas. Não havendo
lâmpadas piloto, isto é vital.
Acontece que de tanto usar e medir, de bem conhecer as fontes
de luz, fui deixando de necessitar do aparelho, passando a confiar mais na
minha experiência e colocando o “flashmeter” primeiro no saco, depois mesmo em
casa. Dei-me mal algumas vezes, que a arrogância do “eu sei fazer” nem sempre
resulta. Medir e ter certezas é importante.
Há anos que não lhe pegava, até porque uso outro, mais
moderno e multifuncional.
Mas hoje, depois de ter verificado a ausência de baterias,
ter limpo os contactos e colocado baterias novas, as minhas mãos sabiam o que
fazer e o que procurar, mesmo antes de a minha mente se aperceber do que estava
a fazer. Incluindo a escala adicional que lhe tinha acrescentado então e que
permite ler as relações de contraste no quadrante de leitura.
Foi com carinho que o usei, foi com gentileza que o fotografei
pensando na utilização da imagem, e foi com amor que decidi que, em terminando
esta sequência que tenho entre mãos, merecerá uma abordagem mais cuidada e
desligada de um catálogo.
Afinal, uma ferramenta como esta, com bem mais de quarenta
anos, em perfeito estado de conservação estético e funcional, e sendo a primeira
do seu género nas minhas mãos, merece um tratamento especial.
É que, digam o que disserem, não há amor como o primeiro!
Pentax K1
mkII, smc Pentax 100-M macro 1:4
By me
“As conversas são como as cerejas: umas atrás das outras”,
diz-se.
Pois não sei qual a cereja anterior, apenas sei que dei
connosco a conversar sobre fotografia (eu e quem trabalha atrás do balcão do
café aqui da rua), e de como há pequenas coisas, tão simples, e que podem
melhorar em muito as fotografias que fazemos. Isto sem se querer ser um
“artista”, apenas querendo obter satisfação do que se possui nas festas e
férias. Mesmo com um telemóvel.
A horizontalidade versus a verticalidade em função do
assunto e da contextualização; o espaço próprio do ser humano e dos objectos e
de como isso corresponde à nossa própria forma de estar e viver; o centro de
interesse e os centros da imagem; o uso de primeiros planos;…
A certa altura tinha mais dois vizinhos aqui da rua a
ouvirem e a experimentarem as minhas dicas com os seus telemóveis mesmo ali
encostados ao balcão, a meu lado.
Foram uns vinte minutos proveitosos para todos, entre cafés
e boletins de totoloto.
Pouco me importa o que dizem os lentes e catedráticos: tudo
na vida é fácil, desde que nos dispúnhamos a aprender e nos ajudem ao nosso
nível.
LG D405
By me