quarta-feira, 6 de maio de 2026

Todas e cada uma




Ao longo dos anos tive diversas câmaras fotográficas. Confesso que já lhes perdi a conta, ainda que, se fizer um esforço de memória, conseguirei saber quantas com rigor.

Tive-as de quase todos os formatos, de 18x24 a 110, de dispendiosas e complexas a simples e baratinhas.

Cada uma delas cumpriu a sua função, satisfazendo os motivos para que foram compradas. Ainda que algumas me tenham sido oferecidas, por este ou aquele motivo. Cheguei mesmo ao ponto de construir uma, que se vê na imagem. Tal como construi uma objectiva.

Algumas já não possuo. Ou foram-se, vendidas nalgum momento de aperto económico, ou foram negociadas por troca de melhores, ou ainda oferecidas a quem não possuía e necessitava. Outras estão apenas guardadas porque, por este ou aquele motivo, deixaram de funcionar. Avarias ou falta de consumíveis, as mais das vezes. Outras ainda por uma questão de coleção. Recordo mesmo uma Polaroid que se desfez porque lhe caiu em cima um pesado martelo, num triste acidente.

De cada uma delas tenho memória de momentos, actos fotográficos. E com cada uma delas, quando lhes pego de novo, as minhas mãos sabem fazer aquilo que o cérebro pensava ter esquecido.

Mas há coisas que aprendi com cada uma e com todas:

Por um lado, não é a posse ou o uso desta ou daquela que me transforma em melhor ou pior fotógrafo. Eventualmente poderei dizer que com umas não poderei fazer fotografias que faço com outras.

Por outro lado, todas elas provocaram momentos únicos, irrepetíveis. E prazer. Ou satisfação. A ambos os lados da objectiva. Sem importar a sua complexidade ou preço. Ou mesmo fabricante.

Volta e meia pego numa das que estão guardadas e dou-lhe uso. Película ou electrónica. Isto porque o carinho e intimidade que tenho por cada uma faz com que não as queira “mortas” numa qualquer caixa ou estojo. Dar-lhes uso é dar-lhes vida.

Mas também para me recordar daquilo que não esqueço em momento algum: A câmara fotográfica é apenas aquilo que medeia entre aquilo que vejo e aquilo que mostro.

Na imagem, uma fotografia não “programada”, feita no decorrer do meu projecto “À-Lá-Minuta”, num jardim de Lisboa.

 

Pentax K100D, Pentax 18-55


By me

domingo, 3 de maio de 2026

Viva quem faz - Tânia




Era uma festinha!

Com bonecos feitos com balões, castelo insuflável, prendas e lanche. Abrilhantado pelo “Sr. Lino”, que cantou Kuduro e Kizomba com letra adequada aos presentes. Talvez deva dizer, em rigor da palavra e do género, das presentes.

Que a festa era promovida pela organização “Ajuda de mãe”, entidade particular de apoio a jovens adolescentes, e adultas como me foi explicitado, mães solteiras. Com fortes dificuldades económicas ou sociais.

E o público era em consonância: mulheres de todas as idades e cores, algumas absurdamente novas, todas com crianças de colo ou pela mão. Alguns dos pequenotes com pouco mais que uns dias de vida. Aliás, e como comentou uma decana Caboverdiana com quem conversei, tão pequenos e novinhos que havia de que ter cuidado em não os pisar, espalhados que estavam pelas poucas cadeiras de plástico e pelo relvado contíguo.

Soube do que se passava porque o perguntei, abelhudo que sou. E quando, um pouco depois, um dos sócios do quiosque de gelados foi até lá, também movido pela curiosidade, lá lhe expliquei, acrescentando que era uma causa meritória.

Passada que foi uma meia hora, mais coisa, menos coisa, eis que vejo dirigir-se àquelas que pareciam ser as organizadoras a sócia do quiosque. Com um caixote de tamanho médio que segurava com ambas as mãos.

Falou o que tinha a falar, deixou o caixote e afastou-se. Com um sorriso para mim e a afirmação, a uns bons dez metros de distância: “A minha boa acção do dia!”

Não sei se tinha gelados (talvez não que o calor era muito e pouco durariam), se qualquer outra guloseima. Mas valeu a pena ver e saber que aconteceu. No Jardim da Estrela.

Viva quem faz e que possui estes olhos!

 

Pentax K100D, Sigma 70-300


By me

sábado, 2 de maio de 2026

Mensagens




De todos os que vi este foi o mais sério, o mais profundo e, talvez, o mais pensado.

Porque que futuro pode imaginar um jovem casal quando não consegue um local a que chame lar, por muito modesto que seja? Que futuro pode imaginar para os filhos, que ainda não tem, quando mal consegue sutentar-se? Que futuro pode imaginar uma sociedade que a cada lei imposta vê aperterem-se as grilhetas da escravidão, ainda que sem ferro?

 

Pentax K7, Tamron 18-200


By me

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Empatias




“Pedimos a vossa compreensão para os incómodos causados”

Esta é a frase com que a CP nos brinda ao informar-nos que o comboio que aguardamos está atrasado.

Frase estafada, que todo o utente da ferrovia nacional está cansado de ouvir, e que em bom português quer dizer “Estão tramados e nada iremos fazer.” Ou, ainda mais agressivamente, “Aguenta que doi menos!”

Eis que surge uma nova versão, num contexto diferente mas com o mesmo significado. Diz-nos Luis Montenegro que o governo tem empatia e compreensão face a aumento do custo de vida.

 

Se ele fosse ter empatia nos quintos do inferno, nós teríamos toda a compreensão do mundo!

 

Pentax K7, Sigma 70-300


By me 

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Alegoria




Boa amiga fez-me saber da existência deste livro. E se o conhecimento não tem fronteiras nem limites, também não tem caminhos definidos previamente. Pelo menos p’ra mim. Tratei de o encontrar e trazer para casa.

Ao fim de dez páginas, apenas, dou com esta preciosidade.

Pergunto-me o que escreveria ou citaria a autora, Françoise Choay, se em vez de ter publicado o livro em 1992 o tivesse feito hoje mesmo. Que o conhecimento impresso está em decadência em benefício do conhecimento on-line. Com tudo o que de bom e de mau isso tem.

“…

O perspicaz Charles Perrault encanta-se por ver desaparecer, devido à multiplicação dos livros, os constrangimentos que pesavam sobre a memória: “hoje”, não se aprende quase nada de cor, porque se tem naturalmente em casa os livros que se lê, a que se pode recorrer quando se tem necessidade, de que se cita mais seguramente as suas passagens copiando-as do que fazendo fé na memória, como se fazia antigamente.

…“

Num estudo que li, há uns tempos, feito na Grã Bretanha, um conjunto de estudantes universitários foi confrontado com conhecimento novo em livros que procuraria numa biblioteca. Outro conjunto de estudantes universitários foi confrontado com o mesmo conhecimento, mas pesquisado na web.

Constatou-se que o primeiro grupo retinha melhor o que havia lido que o segundo grupo, que retinha melhor os locais onde o tinha encontrado.

Tenho para mim que o grave do conhecimento adquirido na net, apesar de mais rápido e pese embora a questão da fiabilidade das fontes, está na sua falência.

Em havendo quem queira fechar a rede (censura, guerra, questões económicas ou culturais) já não se tem acesso ao conhecimento porque restrito a este meio. Já os livros… bem, não é fácil de destruir toda a existência, mesmo considerando o espaço ocupado.

O dia do livro foi celebrado um destes dias. Mas, embora seja um utilizador intensivo da web e do conhecimento que ela propicia, não creio que alguma vez prescinda do papel, do prazer de ler um livro, de o folhear, de procurar na estante a lombada certa…

Mania minha, desde há muito tempo: em comprando um livro, escrevo logo na primeira página o preço, a data e o local onde o comprei. Interessante de constatar, as livrarias por onde fomos criando os nossos hábitos.

 

Pentax K7, Tamron 18-200


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quarta-feira, 29 de abril de 2026

As 5 perguntas




É a luz, é sempre a luz!

Das cinco perguntas básicas do jornalismo – quem, como, quando, onde, porquê – nenhuma importa. É a luz!

 

Pentax K7, Sigma 70-300


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terça-feira, 28 de abril de 2026

Será que...?




Há meia dúzia de anos, disse-me um jovem em início de carreira:

“O 25 de Abril pode ter sido tudo isso, mas o certo é que me deu a possibilidade de hoje estar a trabalhar e receber a dobrar.”

 

Quando as liberdades são entendidas apenas como uma forma de ganhar dinheiro, mais dinheiro, pergunto-me se valeu a pena terem-se posto cravos nas pontas dos canos ou se não teria sido preferível deixar que o chumbo quente cumprisse a sua função.

Ou se não estará agora na altura de o fazer.


By me

Sorriso




Quando vi este sorriso não resisti: veio comigo.

Claro que um sorriso não funciona sozinho, pelo que veio onde estava instalado: um chassi ou porta-negativos formato 6,5x9 (2 1/4x31/4) que encontrei à venda numa loja da especialidade.

O interesse no chassis é simples: em tempos trabalhei com uma Linhoff Tecnika 70 e um dos formatos que suportava era este. Com o qual me entretive a “brincar” aos Ansel Adams e o seu Zone System. Cada negativo exposto e revelado individualmente para total controlo de contraste.

A dificuldade, em meados dos anos ’80 era encontrar película rígida com este formato. Havia apenas duas casas que o disponibilizavam, da marca Orwo, uma de porta aberta, a outra o seu representante, um escritório em Lisboa. ISO 125 (na altura a identificação era ASA) e já era muito bom.

Acrescente-se que esta fotografia foi feita com um smartphone, cujo ecrã é quase do tamanho destes negativos. E que todo o chassis, já agora.

Neste momento é meio-dia e pouco. Se ainda não sorriu ou fez alguém sorrir hoje, ainda tem metade do dia para o fazer. Tal como amanhã, depois, depois...


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domingo, 26 de abril de 2026

Imagem




No constante fazer de imagens do quotidiano, as que são normais, regulares, habituais, vão-se desvanecendo, como papel fotográfico mal fixado, restando delas contornos vagos e imprecisos.

Do que recordo de há 52 anos, para além da festa da revolução por si mesma (o fim da guerra, da censura, da ditadura, da polícia política...) ficam as imagens da festa do quotidiano!

Cada dia era um dia, razoavelmente imprevisivel e em que as suas consequências dependiam, em boa parte, do que fizessemos. Não deixávamos o futuro em mãos alheias e intervinhamos, a cada passo, nos que a nós dizia respeito e no que ao colectivo tocava.

Construíamos! Debatiamos! Sonhavamos! Faziamos!

É esse espírito de construção permanente, de almejar mais e melhor e de fazermos por isso (sem esperarmos que outros o fizessem por nós nem para eles passassemos as responsabilidades de tal) que recordo com mais força. São fotografias perfeitamente impressas e fixadas que jamais se desvanecerão. Apesar dos aspectos negativos (que os houve) que aconteceram então e que ainda hoje marcam parte da nossa vida.

No espelho do tempo vejo aquilo que agora faço porque aconteça: intervir na sociedade, estando lá de corpo e alma, melhorando o que de menos bom vamos tendo e celebrando o que de alegre e positivo existe.

Mas quando olho para trás e para o lado, lamento sinceramente que esta atitude interventiva, que então grassava, se tenha desvanecido, qual imagem velha e mal cuidada.

Quando, daqui por 52 anos, olharmos para as imagens deste tempo que vivemos, o que sobrará serão imagens cinzentas ou amareladas, mal fixadas e amarfanhadas.

Por que nesta sociedade, a alegria de ser passou a alegria de ter. E o consumismo dos tempos que correm transforma de um dia para o outro a novidade em velharia, pouco restando para recordar.

As fotografias que então fizemos com a alma repassam no tempo. As que hoje vamos fazendo, porque virtuais e efémeras, não sobreviverão à vertigem das novas novidades para consumir!

 

Nikon Coolpix P7000


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sábado, 25 de abril de 2026

sexta-feira, 24 de abril de 2026

52 anos




Boa parte da população portuguesa pouco sabe sobre o que se comemora no próximo dia vinte e cinco.

Sabe que se trata da revolução de Abril, que foi em 1974, que terminou com o regime ditatorial e com a guerra e com a censura e com a polícia política e que permitiu pensar e dizer… Mas sabe-o por ouvir contar a quem o viveu. Não tem culpa de tal, já que seriam muito novos, se acaso fossem nascidos. Porque, afinal, 52 anos é uma vida, mais que uma vida para muitos.

Mas aquilo que as artes e as letras, bem como os historiadores e demais investigadores, não têm contado é o espírito dos tempos que se lhe seguiram!

Com muitas asneiras e erros pelo caminho, com faltas de alguns bens essenciais, com aproveitamentos de toda a ordem e pressões não muito claras ainda hoje, a verdade é que os cidadãos queriam construir o seu futuro. Com as suas mãos!

E no meio das vicissitudes de então, havia uma alegria no ar, uma vontade de fazer, um constante ouvir “Então e se fizéssemos isto? Bora lá!” e as mangas arregaçavam-se e algo acontecia. E, apesar das dificuldades endócrinas e exógenas, encontravam-se sorrisos e alegria a cada esquina. O entusiasmo era a tónica dominante!

Hoje, quem quer que se passeie em Portugal, vê semblantes carregados, olhares postos no chão, cores escuras e uniformes. E os comportamentos centrados nas actividades e vidas de cada um, ignorando ou fazendo por ignorar o que acontece fora do circulo mais fechado das suas vivências. Poucos são os que dão de si e do seu tempo para construir o amanhã da sociedade e, no lugar de se ouvir “Vamos fazer!” ouvimos tão só “Eles têm que fazer!”

É um muro de indiferença, é um alijar de responsabilidades, é um comprar resultados feitos. E as culpas caiem sempre em cima dos outros, esquecendo-se cada um de cumprir a parte que lhes cabe no colectivo que somos.

Porque se “O povo é quem mais ordena!”, é também ele quem constrói! Quando não, continuaremos num cinzentismo emparedado, numa mera antecipação da tumba que nos espera!

 

Pentax K7, Sigma 70-300


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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Livres




Seja qual forma como tentemos abordar o tema, a verdade é que estamos sempre e eternamente presos.

Confinados a uma cela ou na superfície do planeta, com horários, cartões identificativos e códigos de conduta.

A qualidade da prisão é que varia. Alguns vêem no abrir da fechadura a sua liberdade, outros no vencer a atracção terrestre. Uma chave uns, asas outros. Há quem vá mais longe e não possua relógio ou recuse o bilhete de identidade.

Mas depois de cada fronteira, depois de cada quebrar de grilhetas, apenas constatamos que continuamos presos. Por outras grades, por outros conceitos, por outras obrigações.

Quando, há uns anos largos, conversava com um Argentino, logo a seguir à guerra das Malvinas ou Faulkland, dizia-me ele: “Nós? Somos livres! Podemos sair à noite e tudo!”

Ou ainda aquele outro jovem que dizia: “Esta semana estou livre. Os meus pais vão de férias para fora.”

Mas a liberdade não é um estado legal ou material. É um estado de espírito!

O exercício da liberdade começa, antes de mais, dentro de nós. Por aceitarmos ou não por limite o que nos impõem. O deixarmos ou não a nossa mente vogar e decidir o que fazemos. O termos ou não uma verdadeira consciência de nós mesmos e do que nos cerca.

A nossa verdadeira prisão somos nós próprios, na nossa condição de seres humanos de carne, osso e sangue. Pensantes e conscientes.

Quando formos capazes de saber e não apenas dizer, “eu posso”, com toda a plenitude do que isso significa, então seremos realmente livres.

Até lá, enquanto nos sentimos limitados por um planeta, regulamentos ou grades, mais não seremos que sempre prisioneiros daquilo que os nossos sentidos nos transmitem.

E tanto assim é que somos obrigados a comunicar codificando e descodificando estas letras e imagens, presos que estamos a estas convenções.

E enquanto você o faz, vou ali dar corda ao relógio e trancar a porta.

 

Pentax K7, smc Pentax-M Macro 100 1:4


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terça-feira, 21 de abril de 2026

Soluções inusitadas




Entrada recente na minha coleção é este fotómetro. Que tem uma história interessante, para além do objecto propriamente dito.

Fui a uma feira de rua, de velharias e outras não tanto. Sabia que por lá estaria um vendedor habitual, neste e noutras equivalentes, especializado em artigos fotográficos usados ou mais para além disso. Conhecemo-nos há muito.

Depois das banalidades habituais e do meu varrer com o olhar o que ele havia escolhido levar para este dia, diz-me ele: “Tenho aqui algo que o vai interessar”. E, de meio escondido no meio do resto, este fotómetro.

“Estava a guardá-lo para quem sei que lhe dá valor e estima.”, continuou ele, na conversa mole de querer prender um cliente.

Eu já estava preso antes de ele falar. Este Sekonic L38 Auto Leader, de 1960, era-me desconhecido e menos comum por um detalhe técnico:

Para ser mais reactivo em situações de pouca luz, possui incorporado um painel adicional de células que se somam às habituais.

Tenho um aparelho semelhante, da Leica, mas o painel extra é peça separada. Incorporado não conhecia.

As soluções técnicas de meados do séc XX, ou anteriores, para solucionarem limitações são engenhosas e nunca deixam de me surpreender.

Claro que veio para casa, depois de uma pequena troca de argumentos sobre o valor do negócio.

Como adicional sempre digo que deu luta o fotografá-lo, obrigando-me a recorrer a truques ou técnicas pouco convencionais para obter o efeito desejado.

 

Pentax K1 mkII, smc Pentax-M Macro 100 1:4

 

By me

Novo lar




A minha coleção de câmaras, objectivas e etc baseia-se na marca Pentax.

Vários motivos me levaram e levam a mantê-la, mas para o caso, de momento, pouco importam.

No entanto, não sou fanático e diversas outras marcas por aqui existem. Umas porque as herdei, outras porque mas ofereceram, algumas porque as comprei. SLR, compactas, de bolso, 120, 620, 110, 16mm, 18x24, point and shot... há de tudo um pouco por aqui. E se algumas foram escolha minha, outras há que aqui entraram porque “o meu nome do meio é caixote do lixo”. Por outras palavras, se alguém tem algo de que se quer desfazer porque velho, sem “préstimo”, apenas a ocupar espaço, ofereço-me para a isso dar um lar, com estima e cuidado.

Foi o caso desta câmara de 2008 e 10 Mp. Um amigo ficou com ela de alguém que a havia herdado. E ofereceu-ma, de permeio com diversos outros objectos relacionados com fotografia.

Na altura verifiquei apenas se funcionava, mas não tinha cartão de memória para ela, um xD. E ali tem ficado, arrumada e protegida da poeira, aguardando melhores dias e usos.

Acontece que um rapaz, filho de alguém que conheço, quer entrar no mundo da fotografia. Mas não há recursos para a compra de uma câmara e a que possui, de bolso, não funciona e sem recuperação.

Que melhor uso para uma câmara que as mãos de alguém que com ela irá fotografar?

Encontrado um cartão na web (nas lojas nem sabem o que seja), verificados todos os parâmetros, encontrada a solução possível para um pequeno problema mecânico, e feito o download do manual de instruções, será por estes dias ofertada a um jovem de 17 anos.

Com votos de boas fotografias e que seja ela o início de uma longa e feliz paixão pela actividade.

 

Samsung A51


By me

 

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Ideias em cadeia




Isto é terrível!

Acabo de ver uma publicação vinda do norte do país, contendo a fotografia de uma mulher com a afirmação de ser a directora pedagógica de uma creche e que escondia a droga que traficava dentro da creche. Está detida.

O que é terrível é que a minha primeira reação foi tentar saber se seria militante do tal partido.

 

Pentax K7, Tamron SP 90 1:2,5

 

By me

domingo, 19 de abril de 2026

Fosforeira nacional




Não! Por muito que insistam, não consigo gostar deste tipo de edifícios.

Destes assim, relativamente pequenos, ou dos outros, monstros na vertical em  algumas superpopuladas cidades do mundo.

Em olhando para os esquiços dos autores, para as maquetas dos promotores ou bem à distância, parecem casinhas de bonecas, arranjadinhos, cores suaves, tão imaculados quanto prédios feitos com peças do lego.

Mas depois, em nos aproximando, essa beleza inicial transfigura-se, dando lugar à desumanização do local. Não se encontram diferenças entre eles, todos iguais entre si ou dentro de si, não se encontrando vestigios de serem habitados. Janelas iguais, varandas iguais, portas iguais, telhados iguais, habitados por humanos iguais, sem sombra de individualidade. Residentes em prédios tão iguais quanto os tijolos que os construiram. Tão isentos de manchas ou grafitis grupais ou territoriais quanto uma caixa de pregos, que primam pela ausência de personalidade.

Olhando para estes prédios ou bairros, informes na sua uniformidade, tão ausentes de personalidade quanto os corredores de uma penitenciária, pergunto-me se quem aqui está preso tem a noção de assim estar condenado, algemado a um número de porta, reduzido a um número de cidadão, tão autónomo ou livre quanto uma formiga num carreiro.

Não! Estas caixas de fósforos sobrepostas, todas da mesma fábrica, todas com 40 amorfos, desagradam-me fenomenalmente. Tal como me desagrada residir numa delas como resido.

 

Olympus SP-570UZ

 

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sábado, 18 de abril de 2026

Ideologias e leis




Parece que passou a ser proibido colocar bandeiras ideológicas nos edifícios públicos. Apenas as oficiais do local e país.

Foi pena não haver esta lei quando Ventura e seus acólitos colocaram pendões ideológicos nas janelas da Assembleia da República.

 

Samsung S1060


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sexta-feira, 17 de abril de 2026

Tântrico




Pentax K100D, Sigma 70-300


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quinta-feira, 16 de abril de 2026

Ok, tudo fixe




Algumas pessoas vivem num mundo muito seu, tentando sobreviver na fina linha que os separa do nosso normal.

E nós, na nossa intolerância ao que sai do nosso normal, chamamos-lhes loucos ou outro piropo equivalente.

Quando viu a fotografia no ecrã da câmara, abriu bem os olhos e comentou sorrindo francamente: “Olha! Este sou eu.”

 

Obrigado pelo retrato, srº Lima.

 

Pentx Kx, Pentax DAL 18-55mm



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terça-feira, 14 de abril de 2026

Um assunto que a quase ninguém interessa




Qualquer um que use uma câmara fotográfica digital sabe que um dos parâmetros que pode ajustar em seu proveito é o “ISO”.

Sabe que corresponde à sensibilidade da câmara e que pode ser aumentado ou diminuído. Coisa que não sucede com a película, excepto em circunstâncias especiais e com consequências na qualidade da imagem.

Aquilo que a maioria desconhece é que nem sempre se usou esta escala.

Sendo que é uma evolução de “ASA”, significa o mesmo e é obtido de forma muito equivalente. Mas não era a única.

Os que começaram a fotografar em película talvez se recordem de um outro nome para a classificação da sensibilidade: “DIN”. E com valores distintos e por vezes confusos. Que se a escala ISO/ASA é uma escala aritmética, já a escala DIN é logarítmica, menos fácil de entender. O padrão ou escala ASA é de origem Norte Americana, tendo-se imposto nesse mercado tal como no europeu e no japonês. Já o padrão ou escala DIN é de origem Alemã e poucos fabricantes a usavam.

Mas não foram as únicas ao longos dos tempos. Cada país ou círculo industrial usava a sua: Weston no Reino Unido, Gost na Rússia, e até dois padrões diferentes com o mesmo nome (Scheiner), um na Alemanha, outro nos EUA, existentes assim porque as unidades métricas usadas localmente são diferentes.

Uma confusão como se imagina! Levando a que os fotógrafos usassem tabelas de conversão e a que os fabricantes de equipamentos pelo menos duplicassem a indicação das escalas usadas. Vejam-se as câmaras fotográficas SLR com fotómetro e mostrando os valores em ASA e DIN.

Vem isto a propósito de “me ter caído no colo” este lindíssimo fotómetro.

De marca Bertram modelo Chronostar, fabricado na Alemanha é datado de 1950. Foi concebido com o diâmetro de um relógio de bolso e para assim ser usado, no colete. Com tampa e tudo. Claro que, sendo a sua célula de selénio, está hoje irremediavelmente não funcional como seria de esperar.

Mas o que torna este aparelho fora de série, para além do formato e da sua beleza, é que contém na sua régua de cálculo de exposição todas as escalas de sensibilidade em vigor então: ASA, DIN, Weston e Scheiner (suponho que a versão alemã). Prima pela ausência o padrão soviético (Gost), mas nos anos ’50 já os blocos existiam e não se contaria vender para o bloco de leste. Ou usar material foto sensível com essa origem. Uma jogada de mestre no mundo que começava a ser global.

Irá este aparelhinho que cabe na palma da mão para lugar de destaque na minha coleção, para juntar a outras peças pouco comuns que por cá tenho.

Porque se a fotografia é a escrita da luz, temos que saber dosear a “tinta”.

 

Pentax K1 mkII, smc Pentax-M 100 1:4


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Moto continuo




O Moto Continuo, ou Movimento Perpétuo, é algo que o Homem procura há muito.

Um movimento ininterrupto, sem necessidade de usar energia externa ou combustível, e que esse movimento seja passível de ser usado como forma de energia para uso em prol do Homem.

Claro está que a Ciência tem demonstrado através daquilo que sabe, e de que faz lei, que o Moto Continuo é impossível. Atritos, perdas térmicas e outras minudências técnicas impedem que a energia produzida seja maior que a energia aplicada.

Aquilo que conhecemos de mais próximo ao Movimento Perpétuo será o movimento dos astros e as forças de atracção e repulsão entre eles.

No entanto, julgamos saber que mesmo isso é finito, já que presumimos que toda as estrelas (ou corpos celestes emissores de luz ou outras formas de energia) cedo ou tarde se esgotam e se apagam ou explodem.

Portanto, perpétuo coisa nenhuma. Não há movimentos, e consequentes energias, perpétuos!

Claro que podemos sempre tentar definir o conceito de ”perpétuo”: À escala da vida de um ser humano? À escala da existência da humanidade? À escala, calculada, da idade da Via Láctea e do que dela podemos prever que ainda existirá?

Donde, o Moto Continuo ou Movimento Perpétuo não pode existir porque o próprio conceito de “Perpétuo” não passa de um sonho teorizado, derrubado pela especulação científica.

Mas devo confessar que me agrada a impossibilidade da existência do Movimento Perpétuo. Porque se assim é quando aplicado a dois ou mais pedaços de matéria, quiçá energia também, nos referentes espaço/tempo, então o Movimento Perpétuo também não é aplicável ao Homem, porque parte integrante, e não excepção, do universo que conhecemos e especulamos.

E haver movimentos criados pelo Homem que sejam perpétuos é algo que me assusta para além do terror.

Que um movimento que seja perpétuo, seja ele científico, esotérico ou estético, acaba por se tornar numa sensaboria, num conservadorismo atroz, numa situação que, pareça embora uma contradição, não o é: um movimento intelectual perpétuo acaba por se tornar imóvel e imutável, deixando de ser movimento, ainda que perpétuo.

Agrada-me assim, de sobremaneira, que o Movimento Perpétuo não exista. Que o Homem se sinta tentado em quebrar os rumos e impulsos do passado e procurar novas fronteiras, dentro e fora de si, que procure inovar contra todos os que se acomodaram aos pseudo Moto Contínuos criados no pensamento.

Abaixo o Movimento Perpétuo! Acima o fim das coisas e o nascimento de novas ideias. Eu mesmo e o universo incluídos!

 

Pentax K7, Sigma 70-300


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segunda-feira, 13 de abril de 2026

Ignorância




Eu ignorante me confesso: não sei o que seja “Fotografia fine art”!

Vejo on-line (e em alguns livros) a classificação mas, olhando com atenção, não vejo nada de excepcional no que me é mostrado.

Nem do ponto de vista estético, nem do ponto de vista técnico, nem do ponto de vista semiotico, nem do ponto de vista conceptual.

Por outro lado, vejo nos mesmos meios fotografias de excepção, sob um ou mais conceitos, daquelas que me prendem o olhar, que me dão vontade de continuar a ver, daquelas que falam comigo e que me provocam emoções. E que não levam esse carimbo. Nem as fotografias nem os fotógrafos.

Talvez que seja eu o ignorante nestas coisa de fotografia e que melhor seria dedicar-me à pesca ou ao cultivo de hortícolas.

 

Pentax K7, Pentax 18-55


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domingo, 12 de abril de 2026

Ferramentas




A importância de uma ferramenta está na proporção directa daquilo que se é capaz de fazer com ela.

É por isso que eu, em tendo acesso a uma ferramenta que não conheço mas sobre a qual só posso deduzir as suas potencialidades, trato de ir praticando e fazendo experiências com ela até que me seja “natural” o seu uso. Tentando perder a lógica e hábitos de outras ferramentas e procurando adaptar-me a novas lógicas e métodos.

No caso de objectivas, haverá que “ver” com o seu ângulo de visão, com as suas distâncias de trabalho, focagem e profundidades de campo. Haverá que antever as perspectivas que permitem, o como evidenciar centros de interesse pertinentes e anular conteúdos impertinentes.

E perceber quais as potencialidades e limitações que cada uma tem e decidir se é aquele ângulo de visão (vulgo distância focal ou potência) é ou não útil para materializar aquilo que vimos e imaginámos.

Admito que é um desafio pessoal e muito intimista o olhar para algo e decidir qual a objectiva certa para o que quero. Claro que o uso das objectivas zoom facilita o trabalho, mas quero mesmo é dizer-me “Para isto é uma XXmm”. E sinto-me realizado se a minha escolha, com mais ou menos algum ajuste, é a certa.

Tal como é um desfio pessoal encontrar soluções técnicas e estéticas para contar o que quero dispondo apenas de uma objectiva: perspectiva e enquadramento. E é aqui que recorro à objectiva zoom mais antiga que conheço e que funciona a dois tempos: pé direito e pé esquerdo. Porque, e como costumo dizer, se a luz é a minha matéria-prima, a perspectiva é a minha ferramenta.

 

Pentax K1 mkII, smc Pentax-M 24 1:2,8



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Abris




Já não há fascismo. Já não há PIDE. Já não há censura. Já não há guerra colonial. Já não há caciques. Já não há bufos.

Não é verdade!

Ainda há censura, embora encapotada.

Ainda há caciques, embora com vários cartões.

Ainda há bufos, mas não ideológicos: ambições de carreira, actualmente.

As revoluções são momentos específicos no tempo. As mais das vezes, o mais notório que dá origem aos actos revolucionários extingue-se de um modo ou de outro.

Mas aquilo que é inerente ao ser Humano mantém-se. Por cultura ou por genética.

Mais de meio século passou sobre Abril. E festeja-se a data com alegria. Mesmo que a maioria dos cidadãos não saiba, na pele, o que foi o “antes de”. Saberão por aquilo que leram, por aquilo que ouviram aos antigos, pelos filmes e séries, por aquilo que romancearam.

Mas quando alguém é afastado de funções porque a chefia não gostou do olhar que recebeu; quanto se ouve “cala-te, que falas e escreves demais”; quando se “inventa um caso” para esconder outro; quando há figuras que são alvo de notícia, várias vezes ao dia, em detrimento de outras; quando os representantes representam os seus próprios interesses ou ideias, em detrimento dos representados; quando os ideais políticos e partidários semelhantes aos de antigamente ganham força entre os cidadãos...

Abril acabou há mais de meio século. Hoje estamos em Maio, ou Outubro, ou Fevereiro. O mês é outro, os ingredientes e métodos são outros, as guerras fazem-se com petro-dolares ou petro-rublos.

Se não estivermos alerta para o regresso daquilo que não quisémos, se não nos acautelarmos para novas ditaduras e métodos repressivos, se não escutarmos com espírito crítico os discursos castrantes, mais ou menos inflamados, se não afastarmos os candidatos a não democratas no poder...

De nada servirá descermos a avenida dando vivas ao que foi. O que será virá igual com outras roupagens e outras formas de servidão famélica.

 

Festeje-se a revolução. Mas acautele-se o futuro. Todos os dias.

 

Pentax K7, Tamron 18-200


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sábado, 11 de abril de 2026

Iconógrafo




Não mais sou fotógrafo!

Doravante considero-me, e assim gostarei de ser tratado, como iconógrafo, um fazedor de ícones.

Porquê esta mudança? Substancialmente devido às discussões que proliferam em tudo quanto é lado sobre se determinada imagem é ou não fotografia. As confusões sobre este tema são tantas que decidi colocar-me à margem delas.

 

Para todos os efeitos, as imagens são ícones.

Produzidas por meios foto-mecânico-quimico-eléctronicos, são o substituto de uma realidade, imagens representativas, ícones daquilo visto ou sentido pelo seu autor e como tal interpretado pelos que as vêem.

A alguns destes ícones é dada a categoria de fidedigno, por serem fiéis aos acontecimentos descritos. Fidedignos?!

Como pode uma imagem ou ícone ser fidedigno se apenas mostra duas de quatro dimensões?

Como pode ser cópia da realidade se deixa de fora quatro dos cinco sentidos?

Como pode ser fiel representação de um acontecimento se os bordos do seu enquadramento são como guilhotinas afiadas truncando do todo o visível apenas uma parte?

 

Por fotografia encontro num dicionário esta definição:

“do Gr. Phôs, photós, luz + graph, r de graphein, desenhar

s. f. arte de fixar numa chapa sensível, por meio da luz, a imagem dos objectos;

fig. Cópia fiel; retrato”

 

Eu ponho em causa quase tudo o que aqui se afirma, no que ao meu trabalho concerne:

- Não sabendo eu o que é uma “fotografia artística”, como já aqui o afirmei, não posso dizer que o que faço seja “arte”;

- Não uso chapas! Já as usei, nos tempos em que trabalhava com grandes formatos (saudades, caramba!). Agora uso película e flexível, em rolos ou, e é o que mais disso se aproxima, suportes digitais, em que o CCD se poderá comparar a uma chapa, mas não mais que isso;

- Cópia fiel não o é! Eventualmente uma fotocópia sê-lo-á, mas não aquilo que faço com a minha câmara.

O único aspecto com o qual concordo é a definição de “retrato”.

Efectivamente aquilo que faço (e entendo que todos os que usam câmaras fotográficas fazem) são retratos daquilo que vêem. Imagens subjectivas e interpretativas daquilo que vêem, sentem, pensam sobre o que está em frente da sua objectiva.

E depois do acto fotográfico, da captura da luz (essa efémera), é tudo trabalhado, subvertido, adulterado. Quer seja com químicos, com electrões, com a nobre prata ou os menos nobres corantes. Embutidos ou projectados sobre papel ou pedaços fosfóricos excitados por electrões.

Seja qual for a técnica usada, não são nunca, por nunca o serem, cópias fiéis da realidade mas tão só a minha interpretação dela. Da minha actividade resultam ícones do que vi, senti ou pensei!

E se até agora me intitulei de “fotógrafo” foi porque, tendo que haver um termo que definisse o que fazia, este era consensual: fotografia!

Mas, nos tempos que correm, são tantos os que a põem em causa, que argumentam se um dado trabalho será ou não fotografia, se esta ou aquela imagem é ou não arte fotográfica, que decidi deixar-me à margem de semelhantes discussões.

Aquilo que faço com a minha câmara, químicos e computador são ícones dos meus sentimentos.

E eu sou um iconógrafo!

 

Pentax K7, Tamron 18-200


By me

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Reduções estéticas




A maior parte das fotografias feitas nos dias de hoje por amadores ou entusiastas de fotografia são feitas para serem consumidas na web. Nos sites de fotografia, nas redes sociais, enviadas como mensagem.

Elas são consumidas em tamanhos que não ultrapassam, optimisticamente, um palmo de largo se em computador, poucos centímetros se em dispositivos moveis.

O tempo gasto por cada consumidor com cada uma dessas fotografias não ultrapassa os poucos segundos: cinco, na melhor das hipóteses.

E se é certo que as imagens são divulgadas, também é certo que quem as divulga quer algum tipo de resposta, um feed-back positivo de preferência. Um click para um um like, meia dúzia de palavras elogiosas.

Acontece que este consumir a correr, estes tamanhos minúsculos de imagens e a enormidade de fotografias publicadas faz com que não haja tempo para se interpretar toda a imagem, dos elementos que a compõem à forma como estão distribuídos e a respectiva mensagem. Do que resulta indiferença se a fotografia for complexa, cheia de conteúdo, sem leitura imediata ou fácil. Sem feed-back, portanto.

O que conduz quem produz fotografia, amador ou entusiastas, a minimalizar as imagens, a retirar elementos, a reduzi-las a pouco mais que simples grafismos, como que icones de um sistema operativo. Em que pouco há que pensar ou interpretar. Porque o agrado ao público é o principal objectivo e há que fotografar e exibir fotografias que lhe agrade.

Esta redução ao mínimo no acto fotográfico, se bem que venha a criar o chamado “estilo minimalista” está a “estupidificar” fotógrafos e consumidores de fotografia.

Imagens elaboradas, com diversas interpretações possíveis, com jogos de luz, cor, composição e elementos, que enchem a alma e nos fazem pensar, são coisas que estão a desaparecer. Da web, da imprensa, dos albuns.

E, com isto, a identificação cultural de quem produz e de quem consome.

As vertentes estéticas e semióticas dos povos, das culturas, dos quatro cantos do mundo, estão a aproximar-se, criando uma abordagem fotográfica uniforme, informe e incaracterística.

A vertente artística ou de expressão pessoal está a definhar, muito mais rapidamente do que gostaríamos.

Em breve, se não já, a fotografia mais não será que como as fontes de letra que usamos: padronizadas, imutáveis, iguais em todo o lado. E o seu uso para mais que dez linhas ou com mais de dois ou três centros de interesse e duas linhas de fuga será tão anacrónico quanto o saber apertar a cilha de um muar.

 

Pentax K7, Tamron 18-200


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quinta-feira, 9 de abril de 2026

Espera lá!




Se eu bem entendo daquilo que tenho lido por aí, em paralelo com o tal pacote laboral pretende-se reduzir as penas a aplicar aos patrões que ocultem à segurança social a contratação de trabalhadores.

Logicamente, se ocultam também não pagam as respectivas contribuições.

Por outras palavras, facilitam as entidades patronais a infrigir a lei e, caso sejam apanhados, pagam em multas só 25% das penas actuais e não vão presos.

Ou, se preferirem, o crime passa a compensar.

Em contrapartida, os trabalhadores que assim ficarem “invisíveis” perante a segurança social vêem reduzidos os tempos e montantes a contar para as respectivas reformas.

Foi neste conjunto de partidos que você votou? Então conte amargar a longo prazo a decisão tomada. Você e todos os outros que, apesar de assim não terem votados, vão também ver o seu futuro comprometido.

 

Nikon Coolpix P7000


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À-Lá-Minuta




Alguém me fez o favor de fazer este registo.

Da minha pessoa exercendo o mister de fotógrafo de jardim. Ou, se preferirem, de fotógrafo à-là-minuta.

Era, de facto, um conjunto pouco convencional, ver este tipo manuseando um artefacto supostamente vetusto, numa actividade já extinta ou quase, usando pendurada do ombro uma DSLR novinha em folha. E não cobrando p’la fotografia que fazia e entregava.

Destruidor de negócios, dirão alguns. Alegrador de corações, dirão os que por ela passaram. Doido varrido, acrescentarão ainda outros.

Serei tudo isso e mais um par de botas.

Mas posso assegurar que todas as centenas de pessoas que posaram para esta câmara ao longo daqueles três anos se afastaram com um sorriso nos lábios. De todos os estratos sociais, de todos os níveis culturais, de todos os continentes.

E, garanto, quando ao fim do dia regressava eu a casa puxando o carrinho onde tudo isto se arrumava e carregando-o por autocarros e comboios, ia trauteando uma qualquer musiquinha alegre e bem disposta. Com a certeza de ter feito nesse dia mais um quantos felizes, de que levavam uma história p’ra contar, tal como eu, e que obtiveram de borla aquilo que, nalguns casos, não tinham como pagar.

Há quem ande p’las ruas e templos a prometer ou anunciar a felicidade numa vida posterior e eterna. Há quem se bata por uma vida melhor nos quatro anos consecutivos. Durante três anos, e por poucos minutos que fossem (nalguns casos sei que foi por anos a fio), fiz gente feliz.

Creio ter ganho um lugar tranquilo no céu dos photógraphos.


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quarta-feira, 8 de abril de 2026

Com cabeça




Das minhas primeiras compras a sério no campo da fotografia, a terceira foi um semi-fiasco.

Comecei por uma Pentax MX, com uma 50mm f/1,7. Um conjunto de entrada, particularmente fiel e robusto. Ainda possuo a objectiva.

A segunda foi uma objectiva 75-150mm f/4. Foi o que o meu orçamento permitiu e continua a prestar bons serviços, ainda que ambicionasse uma Vivitar 70-210mm f/4, série 1. Um topo de gama, à época e creio que ainda hoje.

A terceira foi um tripé. Um barato, cuja marca já não recordo, escolhido pelo aspecto, leveza e preço, ignorando eu muita coisa sobre tripés. Durou uns anos, mas antes de passar à reforma tratei de adquirir outro.

Não tinha eu a noção da importância da robustez, fruto dos materiais, peso e localização do centro de gravidade. Menos ainda sabia da importância da solidez da cabeça. Não apenas para suportar o peso que lhe é colocado como para absorver as vibrações provocadas pelo mecanismo de obturação: movimento do espelho e das cortinas.

 

De momento, passados todos estes anos, possuo diversos suportes de câmara. Uns minúsculos tripés de mesa, para câmaras de bolso ou quejando, um tripé de madeira e alumínio, mais velho que eu e usado quase que em exclusivo com a minha câmara “À-Lá-Minuta”, um Gitzo suficientemente pequeno para passeios, mas não tão leve quanto o meu corpo, já não tão novo, gostaria, e um Bembo.

Sou um fã incondicional deste último!

O seu sistema de fixação da abertura das pernas ou do ângulo de posicionamento da coluna são incomuns e, sem prática, arriscado. Um único travão para tudo isso. Mas permite colocar a cabeça em qualquer posição, em qualquer eixo, usando uma mão para segurar a câmara e outra para travar o conjunto. Engenhoso mas ardiloso.

Tem este tripé uma característica também original: nas suas pernas, de apenas duas secções, é a superior que entra na inferior e não o inverso como habitualmente. Isto aumenta-lhe o peso e o volume, mas permite usar o conjunto em água, lama ou areia sem que estas entrem no sistema. Recomenda-se para quem faça fotografia no exterior, em terrenos “sujos”, já que é muito fácil de limpar sem colocar em risco tubos e roscas de fixação.

Claro que tudo isto o torna pesado e um pouco incómodo de transportar, mas é fiel, robusto e, com o tempo, aprende-se a gostar muito. É o meu tripé de serviço.

 

No topo dos tripés, a cabeça. Peça tantas vezes negligenciada, tanto no peso que suporta como na forma como é travada. E, com o passar dos tempos e sem manutenção, acaba por nos trair naquilo que mais queremos: uma câmara solidamente colocada.

Tenho uma Gitzo clássica, velha e muito usada, e três Manfrotto: uma de rótula, relativamente robusta, e duas 115. Estas suportam razoavelmente bem o peso que lhes costumo colocar, absorvem bem as vibrações da câmara e são muito fáceis de manter e limpar. Dependendo do uso que lhes dou, uma vez a cada dois ou três anos mais ou menos.

Acrescente-se a vantagem de estas 115 de terem uma grande flexibilidade no tocante a posição, bem como os manípulos serem ajustáveis.

 

A maioria dos fotógrafos preocupa-se com sensores ou películas. Ainda bem!

Preocupam-se igualmente com as objectivas. Importantíssimo!

Mas os suportes, bem como os pára-sois, acabam por ficar “para quando houver oportunidade”. Alguns dos problemas que se encontram mas imagens finais surgem desta atitude.

Disse-me um mestre e amigo, atribuindo-o a uma mestre mundial: “Só há dois tipos de fotografia: tremidas ou feitas com tripé”.

Tal como me disse, com a mesma origem: “Se não podes ter um bom tripé, arranja um monopé!”

Passe-se os exageros, são dois bons conselhos.

 

Pentax K100D, Tamron SP 90 1:2,5


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terça-feira, 7 de abril de 2026

Vai ser bonito, vai!




Foi nomeado pelo presidente da Câmara Municipal de Sintra para o cargo de chefe da divisão da polícia municipal um elemento das listas do chega às legislativas e às autárquicas.

Consigo imaginar as mudanças de comportamento deste corpo de polícia em função das ordens emanadas de tal pessoa com tais conceitos sociais e políticos. Principalmente num município com tamanha variedade de etnias e origens.

Vai ser um fartote!

 

Pentax K7, Tamron 18-200


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domingo, 5 de abril de 2026

Encontros




E duas K100D encontraram-se numa tarde de festa.

Mas também numa tarde de afirmação, bem antes das troicas, das pandemias e das extremas direitas.

Pentax K100D, Tamron 18-200


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