Uma janela, três bandeiras unidas na lusofonia e demasiado
vento em demasia para a segurança do sistema usado.
Outra versão se encontrará.
Lumix DCM-TZ60
By me
Uma janela, três bandeiras unidas na lusofonia e demasiado
vento em demasia para a segurança do sistema usado.
Outra versão se encontrará.
Lumix DCM-TZ60
By me
O que é que o El Corte Inglés
tem de melhor? A porta de saída!
Procurava um artigo em
particular que a internet me havia informado de ali estar à venda. E era o local
que mais me convinha em termos de acessibilidade.
Sendo que não conheço os cantos
à casa, quando entrei perguntei pelo local específico que procurava a um
segurança que ali estava.
Olhou para mim de alto a baixo
duas vezes antes de responder. Não foi nem rude nem simpático na resposta.
Apenas altivo e formal. Não gostei. Nem um nico.
Dei um passo atrás, olhei-o de
alto a baixo duas vezes, agradeci e virei costas, seguindo para o meu destino. Mas
maldizendo a hora em que decidira poupar esforço indo ali.
Mas já que estava no
supermercado, aproveitei para dar uma olhada em busca de um ou outro artigo
mesnos comum noutras grandes superfícies. Não tinham. Mas tinham um segurança
que me seguiu por todos os corredores uns passos atrás. Até eu passar as
cancelas de mãos e resto vazios.
Pensei em dois ou três
impropérios apropriados à situação e segui para onde me haviam indicado,
realizando a compra que queria.
O que eu não queria era ter um
outro segurança, que de discreto na sua função nada tinha, que me seguiu até eu
entrar na loja, esperou por mim cá fora, e continuou a me seguir até eu sair do
edifício.
Já não estava habituado a este
tipo de tratamento neste local. Que, infelizmente, é o que recebo de cada vez
que vou ao El Corte Inglés. Desdém de boa parte dos funcionários, suspeitas e
vigilância nada discreta por parte da segurança.
É certo que não me visto nos
seus departamentos ou na Avenida da Liberdade. Nem sou aparado por barbeiros de
elite ou manicures de sorrisos artificias.
Mas também é certo que esta
tarde apenas serviu para dar força a uma promessa pessoal já antiga: no El Corte
Inglés só se for para uma refeição tipo fast-food num local específico ou para
uma ida ao cinama. E mesmo assim só se não houver alternativa. Que isso de
elites arrogantes não são a minha praia.
E prefiro dar dois dedos de
conversa com uns sorrios de permeio com os cantoneiros de limpeza do meu bairro
que frequentar esta gentalha asquerosa que desedenha os diferentes.
Gosto muito da placa de saída
que ali existe.
Pentax K7, smc Pentax-FA 28-200
1:3,8-5,6
By me
Uma das questões que mais atrapalha e comanda os
comportamentos é o estar-se ou não integrado numa dada sociedade ou grupo.
E, com isso, controlar os seus comportamentos pelos
comportamentos medianos, por aquilo que a “sociedade” define como correcto e
não criticável.
Nada de mais errado, absurdo, contraproducente e castrante!
Esta atitude não permite o desenvolvimento e a felicidade do
indivíduo, com todas as suas características e potencialidades!
Apenas o transforma em mais um número, ajustando-se à
mediania, com receio de ser diferente, notado, apontado a dedo, marginalizado
em última análise.
E o erro, a meu ver e ainda ninguém argumentou e me
convenceu em contrário, está na definição de “pertencer à sociedade”!
O que de facto acontece, e que poucos são os que o
reconhecem ou afirmam e menos ainda os que agem em conformidade, é que no lugar
de se pertencer, é-se a sociedade.
A sociedade é o conjunto de todos, com todas as vantagens do
grupo e de cada um dos indivíduos. Não se integra a sociedade mas antes
molda-se a sociedade à medida de cada um. E a soma de todos os “uns” forma o
conjunto!
A contribuição que cada um faz nela, o empurrão que cada um
dá no seu trajecto é que define o seu rumo, as suas regras, as suas leis e os
comportamentos do todo.
Estas não são definidas por uma qualquer entidade obscura,
mítica e autocrática, mas antes pela vivência e vontade de cada um dos seus
componentes.
Andar nu, de fraque ou com nariz vermelho e grande é
igualmente legítimo!
Ter este ou aquele comportamento apenas porque o grupo o
define e não porque o queremos, é integrar um grande rebanho onde os pastores,
filósofos, gestores ou políticos nos conduzem pela certa através de um pasto
verdejante até ao matadouro ou altar onde nos sacrificam aos seus interesses
privados ou entidades divinas.
Pela parte que me toca, tenho comportamentos que estão de
acordo ou em desacordo com os que me cercam, não porque eles o querem ou o
censuram mas antes porque eu o quero e eu sou a sociedade.
Sem todos os eus, a sociedade não existia!
Pentax K7, Tamron 18-200
By me
Tenho recordado recentemente as opções violentas alemãs da
época nazi.
O envio para campos de concentração ou de extermínio
daqueles que não estavam na “normalidade”: judeus, ciganos, deficientes, pretos,
homossexuais, comunistas...
Todos aqueles que, de algum modo, eram diferentes do ideal
nacionalista alemão imposto. Milhões!
E, de algum modo, todas estas vítimas serviram também para
alimentar o medo dos “inimigos internos” e que o poder autoritário da ditadura
se propunha a afastar da população “pura”.
Porque é que me tenho recordado desta barbárie e de como
começou?
Porque por cá o poder político instituído e os que lhes vão
dando apoio estão nesse inicio de caminho. São as leis contra os migrantes, é a
perseguição a ciganos, são os subsídios a deficientes, são os símbolos gay...
A coligação governamental, com os seus parceiros à direita,
estão a colocar como legal a discriminação aos diferentes. São normas, leis,
regulamentos, ditas “suaves”, mas que penalizam a diferença e criam no cidadão
comum a ideia de que aquilo que lhes custa na vida tem por origem essas
pessoas. Mas que cá estará o governo para os proteger.
São passinhos pequenos, de bebé, que quase não se dão por
eles no todo dessa discriminação social, na marginalização dos diferentes.
Mas nos anos 30 do século passado, na Alemanha, a coisa
começou também assim, discreta. Até chegar onde chegou!
Pentax K7, Tamron 18-200
By me
Nesta loja não se engana ninguém!
Quando dizem “Liquidação Total” é mesmo isso que querem
dizer, já que nem sobra para cobrir, pudicamente, os manequins da montra.
Pentax K7, Sigma 70-300
By me
Há normas, regras, técnicas, que temos por certas.
Perfeitas.
Sabemo-lo dos livros, sabemo-lo dos trabalhos que vemos.
Sabemo-lo dos trabalhos que fazemos.
E quando nos confrontamos com o seu quebrar ou distorcer,
arrepiamo-nos. Porque sai das regras, porque nos incomoda na nossa procura do
equilíbrio, do perfeito.
Uma dessas regras, e falando de cinema ou vídeo, é o racord.
Para quem não sabe, racord pode ser definido como
continuidade, como coerência na sucessão do que é mostrado.
Pode ser na lógica da história, pode ser na lógica das
imagens.
Um exemplo clássico será o vermos alguém com um objecto na
mão direita e, na imagem seguinte, tê-lo na mão esquerda. Sem que nada se
quebre na sucessão do tempo nem nos ter sido mostrado a mudança. E quem diz um
objecto na mão, diz a direcção do caminhar ou olhar, uma peça de roupa, um
penteado, a origem da luz…
A falha de racord é algo que os profissionais evitam, como o
diabo a cruz.
Claro está que não há regras que não possam ser quebradas ou
distorcidas. Sabendo-o e fazendo-o de propósito. Com o propósito explícito de
provocar algum tipo de reacção ou emoção em quem o vê. Os mestres, os grandes
mestres, usam-no. Para alterar ou condicionar a atitude passiva do espectador.
Ou mostrar subtis alterações nas personagens.
Apercebermo-nos disso é um deleite.
O problema põe-se que esta quebra de regras não é segredo.
Apenas implica mestria no seu uso, ou o resultado estará apenas um degrau assim
de porcaria total.
Os não-mestres tentam imitá-los. As mais das vezes sem
sucesso. No cinema, na televisão, nos vídeos on-line, na informação.
Afirmam que é uma técnica superior, que é admissível, que
faz parte da nova linguagem do audiovisual.
Infelizmente, estes argumentos apenas servem para encobrir
ou disfarçar a sua incapacidade de lidar com o racord e a sua falha. E dizem
ser “arte” aquilo que é, na verdade, incompetência.
Ver um raro momento de arte é um prazer.
Ver tanta incompetência disfarçada é um tormento.
Pentax LX,
Tamron SP 90 1:2,5, Agfachrome CT18
By me
Ah pois é!
O difícil não é ganhar um campeonato do mundo de futebol. É
garantido que alguma equipa o fará, seja lá qual for.
Difícil mesmo é conseguir enfiar uma linha num buraco de
agulha tendo apenas um olho activo e zero de visão tridimensional.
Sempre gostava de ver se algum dos jogadores da selecção o
consegue fazer.
Pentax K7, smc Pentax-M 50 1:1,7
By me
Quando eu morrer não ficarei conhecido, certamente, como um
tipo de bom feitio. Ainda que procure ser afável quando tudo corre bem, se me
incomodam ou se me sinto atingido, reajo nem sempre da forma mais previsível ou
agradável.
Foi no Jardim da Estrela. A tarde corria bem, o dia estava
bonito, toda a gente parecia estar de bem com a vida. A única excepção fora uma
das idosas, habituées do espaço, a queixar-se de todos os bancos estarem
ocupados, para ouvirem aquela “porcaria de música clássica”. Tratava-se,
entenda-se, de um concerto de Jazz, ali, ao vivo e de borla, como as minhas
fotografias. Mas, pondo este comentário de parte, tudo estava a correr pelo
melhor.
A certa altura surgem estas duas mocinhas. Vieram direitas a
mim, sabendo do preço que cobro, e quiseram fazer uma foto. Vinham com a boa
disposição própria da sua adolescência, de ser final de férias, de estarem de
regresso de uma temporada de praia e novos amigos e estarem, de volta a casa, a
reencontrarem os velhos amigos. Típico de um domingo, inicio de Setembro, com
óptimo tempo.
No final, ao verem-se no papel, reagiram como de costume
nestas idades, variando apenas nos apodos com que se mimosearam. No caso, um
“Que nojo!”, normal para quem ainda não encontrou o equilíbrio consigo mesmo.
Mas, quando lhes disse que se não gostassem da fotografia, não a levavam,
riram-se a bom rir e fugiram com ela.
Tudo pelo melhor! Para todos os intervenientes!
Passado um pedaço, uma hora talvez, hei-las de volta. Desta
feita com uma amiga, com quem queriam repetir a função. Mas, enquanto
trocávamos umas graçolas, uma delas, qual Luky Luke da Estrela, saca do
telemóvel, interrompe a conversa comigo e saúda o seu interlocutor. E, sem mais
explicações, zarpam as três para longe. Suponho que ao encontro de quem quer
que estivesse do outro lado da antena.
Não gostei! Não gostei nem um pouco! Esta mania de que
quando o telefone toca tudo pára, tudo se interrompe, incomoda-me de
sobremaneira. Quase que me transforma num louco furioso! É que, afinal, a vida
é bem mais que os telemóveis, as fotografias, os computadores, as músicas ou o
que quer que seja. O mais importante nela é mesmo aquele ou aqueles com quem
estamos e desrespeitá-los assim é bem pior que um insulto ou agressão. Pelo
menos eu não gosto!
Uns vinte minutos depois, bem medidos, regressam.
Acompanhadas as três por dois amigos, vieram interromper a conversa que eu
mesmo estava a ter com uma já conhecida daquelas paragens, ainda que oriunda do
outro lado do globo. E se eu não tinha gostado que a conversa anterior tivesse
sido interrompida por um telemóvel, também não gostei de ser interrompido em
directo, aquando de uma conversa ao vivo. Não gostei mesmo nada!
Tal como ela não gostou de ouvir, na sequência do seu “Quero
agora fazer a fotografia!” o meu “Não!”, seguido de “”Não gostei que tivesses
interrompido a conversa por causa do telemóvel; não gostei que tivesses
interrompido a minha conversa com esta senhora só porque chegaste. Não faço a
fotografia!”
Estranhou, insistiu e eu insisti: “As fotografias aqui são
grátis porque eu quero. E esta fotografia eu não faço! Talvez que assim
aprendas qualquer coisa de boa educação!”
Fez beicinho, bateu o pé em tom de birra, deu meia volta que
nem um recruta na parada e, agarrando na mão de uma das amigas, afastou-se a
trotar. Com o resto do bando a olhar para mim e para ela e a seguir-lhe os
passos.
A senhora que comigo falava, do alto do seu metro e meio,
sorriu, acenou que sim e traduziu para a amiga a conversa. Suponho que tenha
sido factual, que eu de indiano nada sei. Sei, isso sim, que a companheira
sorriu também e acenou que sim igualmente. E, após mais umas banalidades sobre
o assunto, o tempo e a música que se iria ali escutar, afastaram-se para
usufruir, prazenteiramente, o resto daquele domingo saboroso.
Quando morrer certamente que ninguém dirá: “Aqui jaz um tipo
de bom feitio.” Mas, caramba, nessa altura também não estarei por cá para ouvir
e retorquir. Espero, no entanto, que esta mocinha, agora mal-educada, continue
por cá por muito tempo e com melhores atitudes para com os outros. Se assim
for, valerá a pena o que de mim disserem!
Pentax K7, Sigma 70-300
By me
Um dos prazeres da fotografia é o desafio que nos levanta.
Confrontados com um dado assunto ou objecto, conseguirmos usar a luz
(quantidade e qualidade), materiais sensíveis, perspectiva e suporte final para
reproduzirmos o que vimos ou imaginámos. A transposição da tridimensionalidade
para a planura do papel ou ecrã.
Um dos temas que tenho por mais difícil de fotografar é
vidros, joalharia ou cutelaria. Para além da questão do contexto em que são
mostrados, o seu brilho e textura levam a que o rigor na tomada de vista seja
levado muito a sério. Nunca tentei fotografar profissionalmente automóveis, mas
creio que as dificuldades sejam semelhantes.
Outro tema que tenho por difícil é o bicho-homem. A sua
mobilidade constante, a permanente mudança de expressão e de humor, a
necessidade de transpor para a imagem a sua alma, karma ou que lhe queiram
chamar, tornam este género fotográfico num dos mais difíceis e polémicos.
Acrescente-se que o retrato é a “pérola da dificuldade”, já
que, e para além da crítica do fotógrafo e do público em geral, o próprio
retratado é do que há de mais exigente. As questões técnicas e estéticas em
geral deixam-no indiferente, mas as poses, as expressões, os olhares e sorrisos
ou a postura corporal são vitais, e a culpa é sempre do fotógrafo.
Um bom exemplo desta prática e dificuldade é o meu projecto
"Oldfashion". A perspectiva é escolhida por mim, considerando os
elementos do fundo, a luz e a sua rotação de 90º durante o tempo que por ali
estou.
Para simplificar o processo, os retratados são colocados em
zona de sombra, tal como o fundo. Não apenas reduz os eventuais excessos de
contraste difíceis de controlar neste método, como ainda permite que os
sistemas automáticos de focagem e exposição funcionem medianamente bem.
O local onde os fotografados se colocam também é por mim
escolhido. Por uma questão de composição de elementos – o corpo é vertical, o
enquadramento horizontal – como também para que exista algum contraste de tons
e luz entre o torso e o fundo. Nem sempre consigo que fiquem onde gostaria, já
que demasiado controlo neste aspecto retira alguma espontaneidade aos
fotografados. E a câmara, compromisso meu, não sai do local.
Sobre a pose, pouco ou nada intervenho. Para além de ajustar
um tudo ou nada o eixo dos corpos em relação à objectiva, se for demasiado
chocante o que naturalmente assumem, e de deixar cair uma laracha no momento da
obturação, o resto é por conta deles.
De tudo isto resultam fotografias que técnica e
esteticamente estão no limite do aceitável. Algumas abaixo, talvez. Mas a
reacção dos retratados é particularmente divertida.
Ainda que a fotografia seja fracota, quase todos dizem que
gostaram e que ficou boa, manifestando algum espanto que aquela caixa as possa
fazer. Mesmo que as suas expressões demonstrem que não gostaram por ai além. As
suas preocupações debruçam-se sobre as poses, os sorrisos, os olhares…
Uma senhora houve que, olhando para o papel que tinha na
mão, comentou: “Esta sou eu, não é!” Pela conversa, prévia e posterior, entendi
a sua tristeza face às agruras da sua vida. Uma outra, brasileira, e na casa
dos quarenta, comentou o quanto tinha envelhecido nos últimos dois anos, tempo
da sua estada por cá. A gente jovem ri-se de si mesma e procura com afinco os
olhos e a expressão da boca. Num caso, cheguei mesmo a ter que ceder a minha
lupa do relógio para que fossem vistos.
Mas, muito curioso, é o facto de serem os agentes das forças
de segurança (PSP e GNR) os mais exigentes com o que vêem e recebem. É neste
grupo, independentemente das idades e cuja maioria quer a fotografia em papel
mas recusa a sua presença na internet, que se encontram a mais duras críticas.
Quer seja a luz, quer seja o instante da expressão captada, quer seja a pose ou
o local escolhido, quer seja por parecerem mais gordos… Nem mesmo outros
fotógrafos que quiseram ser fotografados foram tão críticos. Não sei se esta
atitude de rigor advirá dos seus ofícios, em que não deixam de ser o que são,
estejam fardados ou à paisana.
Quanto aos demais fotografados, em regra, tomam por uma boa
fotografia aquela que não o é, e que por vezes é medíocre.
O que me põe a perguntar, muito seriamente: “Afinal, o que é
uma boa fotografia?”
Linhoff
Kardan Color 9x12, Schneider 150 1:5,6, Agfachrome CT18, ca.1981
By me