E duas K100D encontraram-se numa tarde de festa.
Mas também numa tarde de afirmação, bem antes das troicas,
das pandemias e das extremas direitas.
Pentax K100D, Tamron 18-200
By me
E duas K100D encontraram-se numa tarde de festa.
Mas também numa tarde de afirmação, bem antes das troicas,
das pandemias e das extremas direitas.
Pentax K100D, Tamron 18-200
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“Não sou optimista nem pessimista. Entre mim e a vida não há
mal-entendidos.”
Almada Negreiros
Pentax K100D, Sigma 400 1:5,6
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Espero apenas que o bonito sorriso que aqui exibes não seja
apenas porque o dia estava bom, havia festa e tinhas uma flor na mão. Desejo
mesmo que ele, o sorriso, seja porque acreditas, de alguma forma, no que ele
significou e significa, e que tenhas como verdade que o futuro te pertence e
que o irás construir à tua medida.
Quanto ao não teres hoje aquilo que, então, nós acreditámos
e sonhámos, mais não posso fazer que, a ti e aos da tua geração, pedir desculpa
pelo nosso falhanço.
E citar António Gedeão, excelentemente interpretado por
Manuel Freire:
"...
Eles não sabem nem sonham
Que o sonho comanda a vida
E que sempre que o homem sonha
O mundo pula e avança
Como bola colorida
Entre as mãos duma criança."
Pentax K7, Tamron 18-200
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Recordo um livro de ficção científica onde, num universo
paralelo, a governação era obrigatória e rotativa por todos os cidadãos.
Ficavam apenas excluídos aqueles que manifestavam algum tipo
de interesse em exercer o cargo.
Justificação do autor:
“A governação da coisa pública dá tanto trabalho e é tão
incómoda que só quem tiver motivos obscuros a pode querer exercer. E esses não
os queremos lá!”
Eu disse que era num universo paralelo.
Pentax K100D, Sigma 70-300
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Quem se interessa por fotografar não pode deixar de parte o
aquilatar da luz. Quer seja com os sistemas inclusos na câmara, quer seja com
fotómetros externos.
Eu gosto desses aparelhos, nas suas diversa valências, e
uso-os, em casos de dúvidas, para ter algumas certezas no que faço. E gosto de
os ir colecionando, numa coleção que é forçosamente diminuta pelos preços e
pelo que há no mercado. Principalmente os mais antigos, alguns dos quais, por força
do seu sistemas de medição de luz, já não funcionam.
Um destes dias apareceu à venda um aparelho que cobiçava
para completar uma série de uma dada marca. E o preço era muito convidativo.
Combinado o encontro, quem o vendia confundiu-se e tinha
consigo um completamente diferente. Na marca, na forma de funcionar, na forma
de manuseio, no tamanho... meio em jeito de compensação por eu não levar o que
queria, ofereceu-me este.
Fiquei a ganhar e nem quem vendia sabe quanto.
Se, por um lado, aquele que quero aparecerá cedo ou tarde, este
é peça mais que incomum, ainda que não rara.
Podendo funcionar como todos os outros, na mão, tem um
encaixe que permite ser colocado na sapata dita de flash, libertando a mão mas
estando sempre disponível.
O sistema nem é novo, bem pelo contrário: se era usado na
época em que os fotómetros tinham a célula sensível à luz em selénio e não
usavam pilha, alguns hoje, com o revivalismo das câmaras de película, já são
digitais com o mesmo sistema de suporte e vendem-se em lojas on-line.
Este pertence a um periodo intermédio (anos 1970), já com
célula em silício (necessita de pilha) e com um sistema de medição equivalente
ao das câmaras da época com fotómetro incorporado. Não terão existido muitos
fabricantes a apostarem neste sistema, que foi rapidamente ultrapassado pelo
usado nas câmaras reflex como as conhecemos, antes do advento do digital.
É assim que por vezes, “sem saber ler escrever” se encontram
peças que marcaram a história da fotografia, mesmo que brevemente.
E uma das vantagens de as ir colecionando, ou juntando, é o
irmos investigando o possível sobre o que adquirimos. E admirarmos a
engenhosidade dos fabricantes e o complexo que era fazer as fotografias que
hoje admiramos.
Mesmo que seja por uma pecinha do tamanho de meio maço de
cigarros. E de borla.
Pentax K1 mkII, smc Pentax-M 100 1:4
By me
Tenho sempre esta dúvida sobre comportamentos ao entrar num
sanitário público:
Perante tantos urinóis vazios (ou cabines individuais
vazias) quais as que são preferidas pelos necessitados?
Alguma escolha será feita, algum desses equipamentos será
mais usado: Pela proximidade da entrada, face à urgência sentida? O mais
central, numa atitude de indiferença? O mais distante, em busca de privacidade?
Não será muito adequado o colocar câmaras ou sensores nestes
locais para efectuar estatísticas. Mas acredito que os gestores ou manutentes
destes espaços terão alguma opinião formada, quanto mais não seja pela
degradação dos equipamentos ou pela sujidade acumulada ao fim do dia. Já quanto
às motivações… só um inquérito junto dos aliviados poderá levar a alguma
conclusão válida.
Alguém quer opinar?
Telemovel
By me
Na minha câmara, caixa, artefacto, o que lhe queiram chamar,
tinha um mostruário.
Não é particularmente grande – três fotografias de cada lado
– e faz muito que não o mudo. Tenho andado com vontade e de o fazer, mas a
preguiça tem-se imposto e lá vai ficando. Ainda bem!
Uma das fotografias é de uma senhora e de sua filha.
Romenas, a mãe não tem ofício certo que não seja andar a pedir, ao que me
parece.
Uma ocasião um garoto, igualmente romeno e que as conhece,
orgulhoso da sua recente aquisição – uma bicicleta – viu-me e veio
cumprimentar-me. Tão orgulhoso estava que insistiu em ser de novo fotografado –
tinha-o sido uns meses antes – mas desta feita aconteceu montado no corcel.
Enquanto a imagem se processava, sempre me foi dizendo que
aquela senhora tinha estado ausente para a sua terra natal mas que regressaria
na semana seguinte.
Umas semanas depois constatei que ela tinha regressado!
Sou abordado por dois homens, com uma terrível dificuldade
em se exprimirem em português. Mas ao verem a fotografia da senhora, todas as
barreiras linguísticas se derrubaram. Um deles soube dizer-me que a criança era
linda, conhecendo-a pelo nome. E que era linda, e que era linda, e tão linda ao
ponto de beijar a fotografia ali pendurada.
O seu companheiro lá se fez entender e comunicou-me que era
a filha que ali estava fotografada.
Claro que quiseram ser fotografados e se a fotografia não
fosse gratuita passaria a sê-lo.
Poder unir, ainda que com corantes jorrados num papel, uma
família nómada e de parquíssimas posses, é pagamento que baste. E se a tarde
rendeu pouco em quantidade, sobrou em qualidade!
By me
Suficientemente ébrio para ser o motivo de chacota da
garotada; suficientemente sóbrio para sentir curiosidade.
Suficientemente grosso para ter a língua entaramelada;
suficientemente lúcido para perguntar, com timidez, se também podia.
Suficientemente bêbado para mal se aguentar direito;
suficientemente arejado para guardar com mil cautelas a fotografia no seu saco
maltrapilho.
Suficientemente toldado para me confidenciar alguns dos
detalhes miseráveis da sua vida profissional; suficientemente ser humano para
querer que se escrevesse por trás da foto o meu nome, a data e o local para
mais tarde recordar.
Suficientemente gente para, ao afastar-se, agradecer com um
aperto de mão e pedir desculpa de não estar nos seus melhores dias.
Suficientemente bom para, ao ir para onde quer que fosse
naquele fim de dia, ainda olhar para trás com um sorriso para a garotada que
dele chacoteava.
Quem? Não sou suficientemente despudorado para aqui e assim
o exibir!
By me