terça-feira, 21 de abril de 2026

Soluções inusitadas




Entrada recente na minha coleção é este fotómetro. Que tem uma história interessante, para além do objecto propriamente dito.

Fui a uma feira de rua, de velharias e outras não tanto. Sabia que por lá estaria um vendedor habitual, neste e noutras equivalentes, especializado em artigos fotográficos usados ou mais para além disso. Conhecemo-nos há muito.

Depois das banalidades habituais e do meu varrer com o olhar o que ele havia escolhido levar para este dia, diz-me ele: “Tenho aqui algo que o vai interessar”. E, de meio escondido no meio do resto, este fotómetro.

“Estava a guardá-lo para quem sei que lhe dá valor e estima.”, continuou ele, na conversa mole de querer prender um cliente.

Eu já estava preso antes de ele falar. Este Sekonic L38 Auto Leader, de 1960, era-me desconhecido e menos comum por um detalhe técnico:

Para ser mais reactivo em situações de pouca luz, possui incorporado um painel adicional de células que se somam às habituais.

Tenho um aparelho semelhante, da Leica, mas o painel extra é peça separada. Incorporado não conhecia.

As soluções técnicas de meados do séc XX, ou anteriores, para solucionarem limitações são engenhosas e nunca deixam de me surpreender.

Claro que veio para casa, depois de uma pequena troca de argumentos sobre o valor do negócio.

Como adicional sempre digo que deu luta o fotografá-lo, obrigando-me a recorrer a truques ou técnicas pouco convencionais para obter o efeito desejado.

 

Pentax K1 mkII, smc Pentax-M Macro 100 1:4

 

By me

Novo lar




A minha coleção de câmaras, objectivas e etc baseia-se na marca Pentax.

Vários motivos me levaram e levam a mantê-la, mas para o caso, de momento, pouco importam.

No entanto, não sou fanático e diversas outras marcas por aqui existem. Umas porque as herdei, outras porque mas ofereceram, algumas porque as comprei. SLR, compactas, de bolso, 120, 620, 110, 16mm, 18x24, point and shot... há de tudo um pouco por aqui. E se algumas foram escolha minha, outras há que aqui entraram porque “o meu nome do meio é caixote do lixo”. Por outras palavras, se alguém tem algo de que se quer desfazer porque velho, sem “préstimo”, apenas a ocupar espaço, ofereço-me para a isso dar um lar, com estima e cuidado.

Foi o caso desta câmara de 2008 e 10 Mp. Um amigo ficou com ela de alguém que a havia herdado. E ofereceu-ma, de permeio com diversos outros objectos relacionados com fotografia.

Na altura verifiquei apenas se funcionava, mas não tinha cartão de memória para ela, um xD. E ali tem ficado, arrumada e protegida da poeira, aguardando melhores dias e usos.

Acontece que um rapaz, filho de alguém que conheço, quer entrar no mundo da fotografia. Mas não há recursos para a compra de uma câmara e a que possui, de bolso, não funciona e sem recuperação.

Que melhor uso para uma câmara que as mãos de alguém que com ela irá fotografar?

Encontrado um cartão na web (nas lojas nem sabem o que seja), verificados todos os parâmetros, encontrada a solução possível para um pequeno problema mecânico, e feito o download do manual de instruções, será por estes dias ofertada a um jovem de 17 anos.

Com votos de boas fotografias e que seja ela o início de uma longa e feliz paixão pela actividade.

 

Samsung A51


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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Ideias em cadeia




Isto é terrível!

Acabo de ver uma publicação vinda do norte do país, contendo a fotografia de uma mulher com a afirmação de ser a directora pedagógica de uma creche e que escondia a droga que traficava dentro da creche. Está detida.

O que é terrível é que a minha primeira reação foi tentar saber se seria militante do tal partido.

 

Pentax K7, Tamron SP 90 1:2,5

 

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domingo, 19 de abril de 2026

Fosforeira nacional




Não! Por muito que insistam, não consigo gostar deste tipo de edifícios.

Destes assim, relativamente pequenos, ou dos outros, monstros na vertical em  algumas superpopuladas cidades do mundo.

Em olhando para os esquiços dos autores, para as maquetas dos promotores ou bem à distância, parecem casinhas de bonecas, arranjadinhos, cores suaves, tão imaculados quanto prédios feitos com peças do lego.

Mas depois, em nos aproximando, essa beleza inicial transfigura-se, dando lugar à desumanização do local. Não se encontram diferenças entre eles, todos iguais entre si ou dentro de si, não se encontrando vestigios de serem habitados. Janelas iguais, varandas iguais, portas iguais, telhados iguais, habitados por humanos iguais, sem sombra de individualidade. Residentes em prédios tão iguais quanto os tijolos que os construiram. Tão isentos de manchas ou grafitis grupais ou territoriais quanto uma caixa de pregos, que primam pela ausência de personalidade.

Olhando para estes prédios ou bairros, informes na sua uniformidade, tão ausentes de personalidade quanto os corredores de uma penitenciária, pergunto-me se quem aqui está preso tem a noção de assim estar condenado, algemado a um número de porta, reduzido a um número de cidadão, tão autónomo ou livre quanto uma formiga num carreiro.

Não! Estas caixas de fósforos sobrepostas, todas da mesma fábrica, todas com 40 amorfos, desagradam-me fenomenalmente. Tal como me desagrada residir numa delas como resido.

 

Olympus SP-570UZ

 

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sábado, 18 de abril de 2026

Ideologias e leis




Parece que passou a ser proibido colocar bandeiras ideológicas nos edifícios públicos. Apenas as oficiais do local e país.

Foi pena não haver esta lei quando Ventura e seus acólitos colocaram pendões ideológicos nas janelas da Assembleia da República.

 

Samsung S1060


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sexta-feira, 17 de abril de 2026

Tântrico




Pentax K100D, Sigma 70-300


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quinta-feira, 16 de abril de 2026

Ok, tudo fixe




Algumas pessoas vivem num mundo muito seu, tentando sobreviver na fina linha que os separa do nosso normal.

E nós, na nossa intolerância ao que sai do nosso normal, chamamos-lhes loucos ou outro piropo equivalente.

Quando viu a fotografia no ecrã da câmara, abriu bem os olhos e comentou sorrindo francamente: “Olha! Este sou eu.”

 

Obrigado pelo retrato, srº Lima.

 

Pentx Kx, Pentax DAL 18-55mm



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terça-feira, 14 de abril de 2026

Um assunto que a quase ninguém interessa




Qualquer um que use uma câmara fotográfica digital sabe que um dos parâmetros que pode ajustar em seu proveito é o “ISO”.

Sabe que corresponde à sensibilidade da câmara e que pode ser aumentado ou diminuído. Coisa que não sucede com a película, excepto em circunstâncias especiais e com consequências na qualidade da imagem.

Aquilo que a maioria desconhece é que nem sempre se usou esta escala.

Sendo que é uma evolução de “ASA”, significa o mesmo e é obtido de forma muito equivalente. Mas não era a única.

Os que começaram a fotografar em película talvez se recordem de um outro nome para a classificação da sensibilidade: “DIN”. E com valores distintos e por vezes confusos. Que se a escala ISO/ASA é uma escala aritmética, já a escala DIN é logarítmica, menos fácil de entender. O padrão ou escala ASA é de origem Norte Americana, tendo-se imposto nesse mercado tal como no europeu e no japonês. Já o padrão ou escala DIN é de origem Alemã e poucos fabricantes a usavam.

Mas não foram as únicas ao longos dos tempos. Cada país ou círculo industrial usava a sua: Weston no Reino Unido, Gost na Rússia, e até dois padrões diferentes com o mesmo nome (Scheiner), um na Alemanha, outro nos EUA, existentes assim porque as unidades métricas usadas localmente são diferentes.

Uma confusão como se imagina! Levando a que os fotógrafos usassem tabelas de conversão e a que os fabricantes de equipamentos pelo menos duplicassem a indicação das escalas usadas. Vejam-se as câmaras fotográficas SLR com fotómetro e mostrando os valores em ASA e DIN.

Vem isto a propósito de “me ter caído no colo” este lindíssimo fotómetro.

De marca Bertram modelo Chronostar, fabricado na Alemanha é datado de 1950. Foi concebido com o diâmetro de um relógio de bolso e para assim ser usado, no colete. Com tampa e tudo. Claro que, sendo a sua célula de selénio, está hoje irremediavelmente não funcional como seria de esperar.

Mas o que torna este aparelho fora de série, para além do formato e da sua beleza, é que contém na sua régua de cálculo de exposição todas as escalas de sensibilidade em vigor então: ASA, DIN, Weston e Scheiner (suponho que a versão alemã). Prima pela ausência o padrão soviético (Gost), mas nos anos ’50 já os blocos existiam e não se contaria vender para o bloco de leste. Ou usar material foto sensível com essa origem. Uma jogada de mestre no mundo que começava a ser global.

Irá este aparelhinho que cabe na palma da mão para lugar de destaque na minha coleção, para juntar a outras peças pouco comuns que por cá tenho.

Porque se a fotografia é a escrita da luz, temos que saber dosear a “tinta”.

 

Pentax K1 mkII, smc Pentax-M 100 1:4


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Moto continuo




O Moto Continuo, ou Movimento Perpétuo, é algo que o Homem procura há muito.

Um movimento ininterrupto, sem necessidade de usar energia externa ou combustível, e que esse movimento seja passível de ser usado como forma de energia para uso em prol do Homem.

Claro está que a Ciência tem demonstrado através daquilo que sabe, e de que faz lei, que o Moto Continuo é impossível. Atritos, perdas térmicas e outras minudências técnicas impedem que a energia produzida seja maior que a energia aplicada.

Aquilo que conhecemos de mais próximo ao Movimento Perpétuo será o movimento dos astros e as forças de atracção e repulsão entre eles.

No entanto, julgamos saber que mesmo isso é finito, já que presumimos que toda as estrelas (ou corpos celestes emissores de luz ou outras formas de energia) cedo ou tarde se esgotam e se apagam ou explodem.

Portanto, perpétuo coisa nenhuma. Não há movimentos, e consequentes energias, perpétuos!

Claro que podemos sempre tentar definir o conceito de ”perpétuo”: À escala da vida de um ser humano? À escala da existência da humanidade? À escala, calculada, da idade da Via Láctea e do que dela podemos prever que ainda existirá?

Donde, o Moto Continuo ou Movimento Perpétuo não pode existir porque o próprio conceito de “Perpétuo” não passa de um sonho teorizado, derrubado pela especulação científica.

Mas devo confessar que me agrada a impossibilidade da existência do Movimento Perpétuo. Porque se assim é quando aplicado a dois ou mais pedaços de matéria, quiçá energia também, nos referentes espaço/tempo, então o Movimento Perpétuo também não é aplicável ao Homem, porque parte integrante, e não excepção, do universo que conhecemos e especulamos.

E haver movimentos criados pelo Homem que sejam perpétuos é algo que me assusta para além do terror.

Que um movimento que seja perpétuo, seja ele científico, esotérico ou estético, acaba por se tornar numa sensaboria, num conservadorismo atroz, numa situação que, pareça embora uma contradição, não o é: um movimento intelectual perpétuo acaba por se tornar imóvel e imutável, deixando de ser movimento, ainda que perpétuo.

Agrada-me assim, de sobremaneira, que o Movimento Perpétuo não exista. Que o Homem se sinta tentado em quebrar os rumos e impulsos do passado e procurar novas fronteiras, dentro e fora de si, que procure inovar contra todos os que se acomodaram aos pseudo Moto Contínuos criados no pensamento.

Abaixo o Movimento Perpétuo! Acima o fim das coisas e o nascimento de novas ideias. Eu mesmo e o universo incluídos!

 

Pentax K7, Sigma 70-300


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segunda-feira, 13 de abril de 2026

Ignorância




Eu ignorante me confesso: não sei o que seja “Fotografia fine art”!

Vejo on-line (e em alguns livros) a classificação mas, olhando com atenção, não vejo nada de excepcional no que me é mostrado.

Nem do ponto de vista estético, nem do ponto de vista técnico, nem do ponto de vista semiotico, nem do ponto de vista conceptual.

Por outro lado, vejo nos mesmos meios fotografias de excepção, sob um ou mais conceitos, daquelas que me prendem o olhar, que me dão vontade de continuar a ver, daquelas que falam comigo e que me provocam emoções. E que não levam esse carimbo. Nem as fotografias nem os fotógrafos.

Talvez que seja eu o ignorante nestas coisa de fotografia e que melhor seria dedicar-me à pesca ou ao cultivo de hortícolas.

 

Pentax K7, Pentax 18-55


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