sábado, 14 de fevereiro de 2026

Lindo




Bom amigo fez-me presente desta pequena preciosidade:

O “British Journal Photographic Almanac” de 1946.

Segundo ele, tinha-o lá por casa, no meio de muita “tralha” e, no lugar de o deitar fora, decidiu passá-lo a quem lhe desse valor: eu.

Os meus agradecimentos e uma vénia p’la lembrança e presente.

Numa leitura rápida constatam-se diversos aspectos:

Na parte dos anúncios:

Vários vendendo câmaras de fotografia aérea. Será coisa estranha, caramba: quem compra, assim do pé para a mão, câmaras para instalar em aviões? Mas será menos estranho se se pensar que a data é 1946 e estas câmaras serão sobras da guerra.

Inúmeros fabricantes de objectivas, cada qual gabando a nitidez do seu produto. Hoje mais se preocupam com as resoluções das câmaras que com a qualidade das objectivas, para desalento de quem observa fotografia com olhos de ver.

Diversos fabricantes propagando as qualidades dos seus materiais fotossensíveis – papeis e negativos. E chamando a atenção para os pancromáticos e os orthocromáticos. Bem como película rígida e em rolo. Quem saberá, hoje, a diferença entre as sensibilidades cromáticas dos suportes?

Nos artigos para os formulários e respectivas vantagens deste ou daquele componente. Fixadores rápidos, reveladores de grão fino, viragens, toners, indicadores de acidez…

Um outro sobre retrato, que merece uma leitura atenta.

E um outro, que deveria ser lido pelos actuais fotógrafos e respectivos empregadores, sobre legislação de trabalho e do direito à imagem.

Quanto às fotografias exibidas… uma há que creio conhecer, não sei bem de onde, que não reconheço o nome do autor.

Por outras palavras, ofertaram-me um dia destes a versão de 1946 do Flickr, do Olhares, do facebook e do Google num só pacote.

 

Nikon Coolpix P7000


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Punhos




Em tempos o fazer fotografia implicava apenas química, óptica e mecânica.

Com as evoluções óbvias, a introdução da energia elétrica veio melhorar e facilitar o processo. A medição de luz, o avanço da película, os sistemas de obturação...

E se alguns destes sistemas consomem pouca energia, outros são “devoradores”, implicando maiores fornecedores de eletricidade.

O que aqui se vê são diversos modelos de motores para avanço de película e fornecimento de energia. Sistemas adicionais à câmara, as mais das vezes vendidos em separado do conjunto básico.

Estão aqui representadas as câmaras MX, ME super, a série MZ e, no campo das digitais, a K50 e a K200D.

Os fabricantes, neste caso a Pentax, têm o cuidado de acautelar o guardar no adicional a tampa a retirar na câmara para que o sistema funcione. Estão todas, as visíveis, vazias menos uma. De uma Pentax MX.

Acontece isto porque fui retirar o motor da respectiva câmara pois está em uso, com um rolo ainda por terminar. Regresará ao seu local de origem.

Já quanto ao “grip” para a K200D está solitário aqui por casa. Comprei-o porque apareceu bem barato, apesar de não ter a câmara. Quando aparecer ao meu alcance logo a completarei.

 

Pentax K1 mkII, SMC Pentax-M macro 50 1:4


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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Em branco




Faz tempo que não me acontecia:

Ter um assunto sobre o qual perorar e faltar-me a arte ou o engenho para o fazer. 

O tema é por si só complexo: as ligações afectivas com uma imagem fotográfica. Ligações positivas e negativas, o modo de o manifestar, as consequências dessas manifestações e emoções e as diferenças disto tudo entre a imagem em formato digital e em suporte físico.

Tenho tentado dar corpo a essas ideias sob a forma de texto e imagem passível de ser acedido por aqui, nas autoestradas da informação e nas redes sociais. Mas estou em crer que ainda não estiveram essas ideias em “banho maria” aqui na minha cabeça o tempo suficiente para as colocar cá fora organizadas e sucintas o suficiente.

Que, para cada ponto acrescentado, muitos são os que surgem correlacionados, qual deles o mais complexo e com mais ramificações.

Talvez que não tenha pensado o suficiente sobre o assunto. Talvez que não tenha lido o suficiente de outros pensadores sobre o assunto. Talvez que, enquanto produtor de imagens fotográficas, não consiga o distanciamento suficiente. Talvez que tenha que deixar de ter afectos (positivos ou negativos) com as imagens para sobre isso discorrer.

As ideias estão aí, batendo-me forte até porque com motivos recentes. Quase que me brotam da testa, quando não do teclado ou da caneta.

Mas o síndroma do papel virgem ou do ecrã vazio é terrível e doloroso.

 

Pentax K1 mkII, Tamron 18-200


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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Manuais




A história é velha de mais de quarenta anos.

Comprei este fotómetro a um amigo, colega e mestre, já usado e em excelentes condições de funcionamento.

Usava-o ele, essencialmente, para fazer medições de luz incidente e tinha-lhe sido fornecido uma ainda melhor. Vantagem minha.

Acontece que, já em casa, constato disparidades entre a sua leitura de luz reflectida e os resultados apresentados pela minha câmara. Estranhei e tratei de comparar as medições com outros aparelhos. Sempre a mesma diferença: um stop mais fechado em leitura reflectida. Em leitura incidente estava correctíssimo.

Não havia net como hoje nem os respectivos fóruns. E o manual de instruções, sempre vital, não me fornecia nenhuma indicação, numa primeira abordagem.

Mas a leitura atenta e interpretativa deu-me a resposta: tratando-se de um “fotómetro de estúdio” estava preparado para fazer medições directamente a partir do tom de pele e não de um cinzento com 18% de reflectância como eu queria e todos os outros aparelhos faziam. É interessante este método, supostamente dá resultados mais rápidos, mas é muito ambíguo, já que os tons de pele variam enormemente de individuo para individuo. Aliás, de zona do corpo para zona do corpo.

Resolvi a questão recorrendo ao espírito inventivo e de “desenrasca” que tão bem nos caracteriza:

Na grelha usada para medição reflectida, que aqui se vê entre os meus dedos, tapei alguns dos orifícios com fita preta. Tentativa e erro até os resultados serem os que queria. Bingo!

Até hoje matem-se fiel e constante nas suas medições, nunca me deixando ficar mal naquilo em que o usei.

O que acaba por ter piada é que há uns dez anos comprei um outro fotómetro. No caso específico, um exposímetro, já que não indica quantidades de luz mas tão só a exposição a fazer com ela. Luz continua e flash, luz incidente e reflectida pontual. Tudo em um.

A verdade é que, em modo spot constatei a mesma variação de um stop quando comparado com outros aparelhos que possuo. A marca é a mesma, “Seconic”, e a minha memória acordou. O manual de instruções está na net e forneceu-me a confirmação do que suspeitava: feito para medir a luz na pele do modelo.

Sendo um aparelho digital (L-558), a sua re-calibração foi bem mais fácil e rigorosa, permitindo-me manter os métodos e resultados consistentes do que vou fazendo.

 

Saber interpretar aquilo que usamos ou fazemos e ajustá-lo à prática é vital em tudo o que fazemos: fotografia ou vida.

A grande vantagem da fotografia é que vem com manual de instruções.

 

Pentax K7, Tamron SP Adaptall 2 90 1:2,5


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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

O cabo




Há quem pense que trabalhar no meio audiovisual é o mesmo que plantar batatas:

Basta poder pegar na enxada e dar uma cavadela para colocar a batata.

Agora vão lá perguntar àqueles que o fazem se mesmo isso não tem ciência!

Até o ponto do cabo da enxada onde colocamos as mãos importa, quanto mais!

 

Nikon Coolpix P7000


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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Marca de luz




Fotografar implica a existência de algum tipo de luz. Mesmo que diminuto.

Pode ser natural ou artificial, constante ou instantânea.

Durante muitos anos recorri à luz artificial quando a natural não era suficiente ou do meu agrado. Em regra luz de flash.

Como o orçamento e o espaço nunca foram muitos, fui optando por flash portateis, vulgo speedlight. Comprados em função das necessidades do momento e das disponibilidades do mercado.

Claro que, sempre que possível, fui optando pela marca Pentax, acabando por juntar estes cinco.

Guardados em separado dos de outras marcas, já pouco uso dou a este tipo de luz pois acabei por optar pela luz LED, o certo para o que vou fazendo em interior.

 

Pentax K1 mkII, SMC Pentax-M macro 50 1:4


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Nostalgias




Faz-me falta voltar a poder fazer fotografias destas

 

Pentax K7, Sigma 70-300


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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Antônio Conselheiro




Toda a História tem pormenores originais, uns divertidos, outros não tanto.

A fotografia aqui exibida é de Antônio Conselheiro, um activista político-religioso que liderou um movimento ao estilo dos “sem-terra” no Brasil, no final dos anos oitenta do séc. XIX.

Ficou o movimento, e a guerra, conhecida por “A guerra dos Canudos”. E que terminou com aquilo a que se pode chamar de “massacre” dos “revoltosos” por parte do exército Brasileiro.

Nada tem de especial isto. Aconteceu um pouco por toda a parte ao longo dos tempos.

O que é realmente original é ter sido o líder desenterrado, que morreu na véspera do combate final, duas semanas depois para ser fotografado. Essa fotografia foi feita pelo fotógrafo brasileiro Flávio de Barros, ao serviço do exército.

O objectivo de tal macabro registo foi o divulgar a imagem pela imprensa nacional com o fito de demonstrar que o político e santo (ou vice-versa) mas rebelde, estava morto e, com ele, o movimento.

 

Há quem seja ”morto” nas fotografias (apagado delas) para que não haja provas públicas da sua envolvencia nas situações retratadas.

Esta intervenção fotográfica é, para mim, única na história.

Descoberta num pequenino livro sobre a história da fotografia no Império brasileiro, levantou-me suficientes desconfianças na sua veracidade a ponto de ter procurado outras fontes que o confirmassem.

 

Estranho mundo o nosso, o dos fotógrafos!


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domingo, 8 de fevereiro de 2026

Fruta da época




Esta é uma garbosa chave de fendas que reside numa mala de ferramentas.

Fui dar com ela assim, como a vedes, por via da água e do frio que temos vivenciado.

Mas, pensando bem, quem não?

 

Pentax K1 mkII, SMC Pentax-M macro 100 1:4


sábado, 7 de fevereiro de 2026

Tristezas




Saber um ex-aluno a militar na extrema-direita é algo que me entristece.

É legítimo, mas entristece-me.

Se por outros motivos não fosse, porque não terá entendido que fotografia é partilha, é fraternidade, é dádiva sem olhar a quem ou porquê, mesmo que comercial. É procurar o que há de belo no universo, mesmo que horrendo.

É não ter interiorizado que cada bocadinho do mundo que recortamos com o nosso enquadramento e guardamos nos nossos arquivos faz parte de um todo que não dominamos mas que queremos melhor. Por isso o evidenciamos.

Saber que um ex-aluno não o entendeu ou que age em oposição disto significa que, de algum modo, falhei com ele. Por muito que possa saber e praticar de estética ou de técnica.

E isso entristece-me!

 

Pentax K100D, Sigma 70-300


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