domingo, 5 de abril de 2026

Encontros




E duas K100D encontraram-se numa tarde de festa.

Mas também numa tarde de afirmação, bem antes das troicas, das pandemias e das extremas direitas.

Pentax K100D, Tamron 18-200


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sábado, 4 de abril de 2026

Juventude




“Não sou optimista nem pessimista. Entre mim e a vida não há mal-entendidos.”

Almada Negreiros

 

Pentax K100D, Sigma 400 1:5,6


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sexta-feira, 3 de abril de 2026

Um retrato consentido - 2010



 

Espero apenas que o bonito sorriso que aqui exibes não seja apenas porque o dia estava bom, havia festa e tinhas uma flor na mão. Desejo mesmo que ele, o sorriso, seja porque acreditas, de alguma forma, no que ele significou e significa, e que tenhas como verdade que o futuro te pertence e que o irás construir à tua medida.

Quanto ao não teres hoje aquilo que, então, nós acreditámos e sonhámos, mais não posso fazer que, a ti e aos da tua geração, pedir desculpa pelo nosso falhanço.

E citar António Gedeão, excelentemente interpretado por Manuel Freire:

 

"...

Eles não sabem nem sonham

Que o sonho comanda a vida

E que sempre que o homem sonha

O mundo pula e avança

Como bola colorida

Entre as mãos duma criança."

 

Pentax K7, Tamron 18-200


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quinta-feira, 2 de abril de 2026

Literatura




Recordo um livro de ficção científica onde, num universo paralelo, a governação era obrigatória e rotativa por todos os cidadãos.

Ficavam apenas excluídos aqueles que manifestavam algum tipo de interesse em exercer o cargo.

Justificação do autor:

“A governação da coisa pública dá tanto trabalho e é tão incómoda que só quem tiver motivos obscuros a pode querer exercer. E esses não os queremos lá!”

 

Eu disse que era num universo paralelo.

 

Pentax K100D, Sigma 70-300


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quarta-feira, 1 de abril de 2026

Abril é Abril!




O resto são mentiras, crenças e hipocrisias.

 

Pentax K7, Sigma 70-300


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terça-feira, 31 de março de 2026

Golpes de sorte




Quem se interessa por fotografar não pode deixar de parte o aquilatar da luz. Quer seja com os sistemas inclusos na câmara, quer seja com fotómetros externos.

Eu gosto desses aparelhos, nas suas diversa valências, e uso-os, em casos de dúvidas, para ter algumas certezas no que faço. E gosto de os ir colecionando, numa coleção que é forçosamente diminuta pelos preços e pelo que há no mercado. Principalmente os mais antigos, alguns dos quais, por força do seu sistemas de medição de luz, já não funcionam.

Um destes dias apareceu à venda um aparelho que cobiçava para completar uma série de uma dada marca. E o preço era muito convidativo.

Combinado o encontro, quem o vendia confundiu-se e tinha consigo um completamente diferente. Na marca, na forma de funcionar, na forma de manuseio, no tamanho... meio em jeito de compensação por eu não levar o que queria, ofereceu-me este.

Fiquei a ganhar e nem quem vendia sabe quanto.

Se, por um lado, aquele que quero aparecerá cedo ou tarde, este é peça mais que incomum, ainda que não rara.

Podendo funcionar como todos os outros, na mão, tem um encaixe que permite ser colocado na sapata dita de flash, libertando a mão mas estando sempre disponível.

O sistema nem é novo, bem pelo contrário: se era usado na época em que os fotómetros tinham a célula sensível à luz em selénio e não usavam pilha, alguns hoje, com o revivalismo das câmaras de película, já são digitais com o mesmo sistema de suporte e vendem-se em lojas on-line.

Este pertence a um periodo intermédio (anos 1970), já com célula em silício (necessita de pilha) e com um sistema de medição equivalente ao das câmaras da época com fotómetro incorporado. Não terão existido muitos fabricantes a apostarem neste sistema, que foi rapidamente ultrapassado pelo usado nas câmaras reflex como as conhecemos, antes do advento do digital.

É assim que por vezes, “sem saber ler escrever” se encontram peças que marcaram a história da fotografia, mesmo que brevemente.

E uma das vantagens de as ir colecionando, ou juntando, é o irmos investigando o possível sobre o que adquirimos. E admirarmos a engenhosidade dos fabricantes e o complexo que era fazer as fotografias que hoje admiramos.

Mesmo que seja por uma pecinha do tamanho de meio maço de cigarros. E de borla.

 

Pentax K1 mkII, smc Pentax-M 100 1:4


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Dúvida




Tenho sempre esta dúvida sobre comportamentos ao entrar num sanitário público:

Perante tantos urinóis vazios (ou cabines individuais vazias) quais as que são preferidas pelos necessitados?

Alguma escolha será feita, algum desses equipamentos será mais usado: Pela proximidade da entrada, face à urgência sentida? O mais central, numa atitude de indiferença? O mais distante, em busca de privacidade?

Não será muito adequado o colocar câmaras ou sensores nestes locais para efectuar estatísticas. Mas acredito que os gestores ou manutentes destes espaços terão alguma opinião formada, quanto mais não seja pela degradação dos equipamentos ou pela sujidade acumulada ao fim do dia. Já quanto às motivações… só um inquérito junto dos aliviados poderá levar a alguma conclusão válida.

Alguém quer opinar?

 

Telemovel


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segunda-feira, 30 de março de 2026

Um retrato roubado

 


Um retrato roubado

 

Pentax K100D, Pentax 18-55


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Recortes do “Old fashion”




Na minha câmara, caixa, artefacto, o que lhe queiram chamar, tinha um mostruário.

Não é particularmente grande – três fotografias de cada lado – e faz muito que não o mudo. Tenho andado com vontade e de o fazer, mas a preguiça tem-se imposto e lá vai ficando. Ainda bem!

Uma das fotografias é de uma senhora e de sua filha. Romenas, a mãe não tem ofício certo que não seja andar a pedir, ao que me parece.

Uma ocasião um garoto, igualmente romeno e que as conhece, orgulhoso da sua recente aquisição – uma bicicleta – viu-me e veio cumprimentar-me. Tão orgulhoso estava que insistiu em ser de novo fotografado – tinha-o sido uns meses antes – mas desta feita aconteceu montado no corcel.

Enquanto a imagem se processava, sempre me foi dizendo que aquela senhora tinha estado ausente para a sua terra natal mas que regressaria na semana seguinte.

Umas semanas depois constatei que ela tinha regressado!

Sou abordado por dois homens, com uma terrível dificuldade em se exprimirem em português. Mas ao verem a fotografia da senhora, todas as barreiras linguísticas se derrubaram. Um deles soube dizer-me que a criança era linda, conhecendo-a pelo nome. E que era linda, e que era linda, e tão linda ao ponto de beijar a fotografia ali pendurada.

O seu companheiro lá se fez entender e comunicou-me que era a filha que ali estava fotografada.

Claro que quiseram ser fotografados e se a fotografia não fosse gratuita passaria a sê-lo.

Poder unir, ainda que com corantes jorrados num papel, uma família nómada e de parquíssimas posses, é pagamento que baste. E se a tarde rendeu pouco em quantidade, sobrou em qualidade!


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sábado, 28 de março de 2026

Recortes do “Old fasion”




Suficientemente ébrio para ser o motivo de chacota da garotada; suficientemente sóbrio para sentir curiosidade.

Suficientemente grosso para ter a língua entaramelada; suficientemente lúcido para perguntar, com timidez, se também podia.

Suficientemente bêbado para mal se aguentar direito; suficientemente arejado para guardar com mil cautelas a fotografia no seu saco maltrapilho.

Suficientemente toldado para me confidenciar alguns dos detalhes miseráveis da sua vida profissional; suficientemente ser humano para querer que se escrevesse por trás da foto o meu nome, a data e o local para mais tarde recordar.

Suficientemente gente para, ao afastar-se, agradecer com um aperto de mão e pedir desculpa de não estar nos seus melhores dias.

Suficientemente bom para, ao ir para onde quer que fosse naquele fim de dia, ainda olhar para trás com um sorriso para a garotada que dele chacoteava.

 

Quem? Não sou suficientemente despudorado para aqui e assim o exibir!

 

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