Aparentemente as entidades governativas e as forças
policiais estão de acordo:
Não se pode montar tendas no espaço público.
E barraca, pode? É que ali para os lados de São Bento as
barradas são mais que muitas!
Pentax K7, Tamron 18-200
Aparentemente as entidades governativas e as forças
policiais estão de acordo:
Não se pode montar tendas no espaço público.
E barraca, pode? É que ali para os lados de São Bento as
barradas são mais que muitas!
Pentax K7, Tamron 18-200
Duro mesmo é ver como as diversas organizações sociais e
políticas que vão emergindo defendem mais do mesmo.
Formais ou informais, com aspirações legislativas ou com
actividades no terreno, defendendo esta ou aquela metodologia, o certo é que os
ideais de sociedade que defendem passam por uma organização estratificada, em
que alguns têm direito e acesso a muito e muitos quase não têm direito a muito
pouco.
Os cuidados médicos, a alimentação, a educação, a justiça, a
habitação, não devem ser em função de uma classe social, com mais ou com menos
posses.
Ou há diferença no valor humano entre quem recolhe o lixo
dos contentores e quem produz esse mesmo lixo?
Ou há diferença no valor humano entre quem pastoreia as
cabras e quem lhes come o queijo?
Ou há diferença no valor humano entre quem tece a seda e
quem dorme nos respectivos lençóis?
Enquanto os objectivos forem os mesmos – a manutenção de uma
sociedade estratificada, com uns a existirem para servirem os outros -, bem que
podem mudar de estratégias, discursos ou fatiotas: não me convencem!
Pentax K100D, Pentax 18-55
Podem chamar de arruaceiros. Tal como podem chamar de
fascistas, de esquerdalha, de radicais, de carneirada, de provocadores, de ...
Aquilo que não podem tirar é o desejo e o direito de ter uma
vida digna, de um tecto para si e para os seus filhos, de comida na mesa, de
...
Demorou quase meio século e uma cadeira partida, mas os que
queriam impedir de a isso aceder acabaram por cair. Ficaram os saudosistas, mas
esses irão ter o mesmo fim.
Porque há muitas cadeiras em portugal. Tal como há muitos candeeiros onde colocar os
exemplos!
Pentax K7, Pentax 18-55
Duas da minha família Pentax, vestidas de preto.
Repare-se como cresceu a mais nova, à esquerda: Cinquenta
anos e o dobro do peso as separam.
E sim, esta é forma que mais gosto de iluminar: considerar
que a fonte de luz principal vem do lado de lá do assunto. Tudo o mais que
coloque é para controlar contrastes ou sombras.
Pentax K50,
Tamron SP Adaptal2 90mm 1:2,5
By me
Vários têm sido os que me questionam sobre os motivos que me
levaram a partir para e manter este projecto “Oldfashion”. E o que pretendi com
ele.
Sobre as perguntas originais, as que entretanto sobrevieram
e as respostas que tenho ou virei a encontrar, mantenho alguma discrição. Se e
quando chegar a um fim definido, e se valer a pena a sua divulgação, cá estarei
então para isso.
Mas posso dizer que as referências exteriores passaram e
passam pelos trabalhos de diversos autores, nem todos directamente ligados à
fotografia.
Pese embora possa parecer alguma imodéstia, aqui ficam
alguns dos que, pelo que fizeram ou pensaram, me impulsionaram a partir nesta
viagem:
August
Sander,
A exposição
“The family of Man”,
Susan
Sontag,
Roland
Barthes,
John
Berger,
Antoni Tàpies,
Roussado Pinto.
Esta lista, que muito peca por defeito, deixa de fora
inúmeros nomes da fotografia ou do pensamento ligado às artes ou ao conhecimento
do Homem e do seu comportamento que, de uma forma ou de outra, me foram
provocando e questionando.
Tal como aqueles que, não tendo nome sonante ou obra
publicada, me fizeram ou fazem pensar, em tertúlias ou conversas em volta de
uns copos.
E uma enorme dose de rebeldia ou contestação, já que este
trabalho, do ponto de vista estritamente fotográfico, é a antítese da
reportagem ou do caçador de imagens que, com a sua inquietude e itenerância,
persegue assuntos e luzes.
Já quanto às questões estéticas, não são, neste caso, uma
prioridade que me inquiete.
Olympus C3030Z
By me
Há momentos na vida em que o melhor é ficar quieto e calado. É uma arte, o saber quando.
Mas há outros em que essa é a pior opção!
Daqui por uns tempos, olhando olhos nos olhos e em falando dos dias de hoje e de então, que dirás tu quando te perguntarem:
“E tu, que fizeste?”
Samsun S-60
Faltavam 25 minutos para me encontrar com um desconhecido
que me iria vender mais uns itens para a minha colecção. Nada de muito
dispendioso, mas fazia-me falta.
Apesar de ter a câmara no saco, não estava lá com muita
vontade de a tirar, pelo que, para matar o tempo, entrei naquela livraria. Fica
num centro comercial e só lá vai quem for à sua procura. Fui.
Passei pelo balcão, onde confirmei a localização dos livros
de fotografia, e fui sózinho pois já sabia o caminho. A secção era pequena,
isso já eu esperava, mas acabei por ficar com um na mão. E um ensaio de uma
autora portuguêsa, veja-se lá a coisa.
Regressei ao balcão para pagar e dou comigo numa fila de
gente com o mesmo fito, bem como para encomendar obras de outros lados. Quatro
pessoas.
Dá gosto ver fila de gente para pagar numa livraria. Ainda
por cima num centro comercial, num recanto de uma esquina. É bom indicador,
ainda que as idades fossem de meio para cima.
A minha impaciência agudizou-se, vendo o tempo a passar e a
hora do negócio a aproximar-se.
Tentando distrair-me, fui vendo que obras estavam ali perto,
na secção das compras por impulso. Sim, por uma livraria também tem disso, não
são apenas os supermercados.
Dou com os meus olhos nisto e pensei demasiado alto, a ponto
de vocalizar o pensamento: “Há muito que não leio Kafka. Nos tempos que correm
faz falta um pouco de lucidêz”.
Quem estava à minha frente, já com o cartão na mão para
pagar, olhou a tempo de me ver pegar nele e juntar ao outro. Não sei o que
aquele cota como eu pensou, mas gostei de ver o discreto sorriso antes de se
voltar para a frente.
Juntei os dois na mão, para não perder tempo a abrir o saco,
e cheguei mesmo na hora combinada para o negócio cá fora.
Será a terceira obra a que me vou dedicar, que a vida não
pode ser só fotografia.
Mas sempre com aquela dúvida: “Que escreveria ele, se
vivesse hoje?”
Pentax K1
mkII, smc Pentax-M macro 100 1:4
By me
Numa tarde agitada, com um simples telemovel, num centro comercial.
As luzes misturavam-se de uma forma incrível, com as
temperaturas de cor entre o muito baixo e muito alto. E por uma questão de
princípio fiz questão de não mudar de mesa onde estava a lanchar. De onde e o
que via havia de ficar no boneco.
Foi que me saíu.
Esta câmara, que me veio parar às mãos de uma forma meio
rocambolesca que já contei, acabou hoje o seu teste. Os tempos de fotografar
com uma câmara de rolo são completamente diferentes dos de usar uma câmara com
registo digital. Haverá que escolher, haverá que pensar, haverá que tomar
notas, mesmo que mentalmente.
E haverá agora que enviar para o laboratório, coisa que
também leva tempo. O seu tempo.
Para já, fica o registo no último dia, regressando ela ao
conforto de uma prateleira dentro do estojo de origem, aguardando ela, tal como
um doente, o diagnóstico final.
Samsung SM-A515F
Enquanto em França é o que as imagens nos mostram, com os
jovens ou não tanto na rua a enfrentar a polícia por melhores condições de
ensino;
Enquanto que em Espanha é o que as imagens nos contam, com
milhares acampados nas ruas contra a desumanização das regras de arrendamento e
o primeiro-ministro dá o peito às balas pela suavização das rendas;
Por cá...
Por cá continuamos com as Lajes escancaradas, de os braços
abertos para receber Marco Rubio que afirma que Portugal é um forte aliado, as
leis piorar o arrendamento são aprovadas, o ensino/aprendizagem bem como a
saúde estão como estão, assim como as etiquetas nas lojas de alimentação, e os
portugueses estão, neste jardim à beira-mar plantado, em frente ao computador,
a ver as séries e a protestar nas mesas de café.
O tanto mar está cheio de lixo!
Pentax K7, Tamron 18-200
By me