domingo, 30 de agosto de 2026

O abuso e a reação




Foi hoje, ao almoço.

Neste restaurante, na zona do Parque das Nações, tiveram o desplante de me apresentar esta conta final, hoje em dia chamada de “consulta de mesa”.

Não ponho em causa nem a qualidade do que nos foi servido nem a excelsa qualidade do serviço de quem nos atendia. E muito menos os preços, pois que estavam na entrada do espaço tal como na ementa, pelo que não fomos surpreendidos.

Aquilo que me fez saltar a tampa, e fiz saber disso a um dos funcionários, foi vir incluida na “consulta de mesa” a gratificação sugerida, vulgo gorgeta, e acrescentada ao total. Uma leitura muito na diagonal faria saltar essa parcela e faria pagar a gorgeta como se obrigatório fosse.

Uma raio que os parta!

A gorgeta é um reconhecimento da qualidade do atendimento por parte que quem nos atende, não um pagamento obrigatório. Pelo menos em Portugal. Não podem impôr 7,5% de gorgeta, ainda que esteja impresso no final que é voluntário. Não comigo! Não em Portugal!

Estas americanisses (que se vão espalhando como uma epidemia) comigo não grassam e pago o que entendo, dentro dos valores apostos na ementa. O adicional (que é meu hábito pagar ou deixar) é em função da qualidade do serviço.

Deixei bem claro que não punha em causa a qualidade do serviço, mas que por estar expresso e impresso o como se avaliavam, pagaria 0.00% de gorgeta. E que ali não voltaria a deixar a minha pegada.

Paguei e saimos, com a certeza de ali eu não voltar. Nem que seja o único lugar em funcionamento na região.

Mas também não sou conhecido por ter bom feitio!

 

PentaxK7, Tamron 18-200, Scanner Epson


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sábado, 29 de agosto de 2026

Tempo




Suponho que nunca se perguntaram porque é que a semana tem sete dias. Não dez, tantos quantos os dedos das mãos, ou quinze, por um outro motivo qualquer. Sete!

Claro que a tradição judaico-cristã nos afirma que o universo foi criado em sete dias por um deus. Essa será uma explicação teológica, válida para crentes.

Mas há uma outra, bem mais prosaica, que talvez espante os menos avisados: a Lua.

Sabemos que o ciclo lunar tem 28 dias. E que cada fase da Lua (crescente, cheia, minguante e nova) dura sete dias. Aí está.

Para os antigos, que não tinham mecanismos de medição do tempo, este era medido em função dos fenómenos que conheciam e que ser repetiam.

O mais básico seria o dia, facilmente constatável. De seguida a Lua, também repetido e previsível. Mas 28 dias é muito tempo. Quase um mês.

Daí que as fases da Lua, cíclicas e regulares, numa quantidade de dias facilmente comensuráveis.

Para os que tenham dúvidas, legítimas face à ancestralidade do ciclo de sete dias, repare-se na quantidade de civilizações que ainda têm por tradição o calendário lunar. Claro que estas, por imposição do comércio e demais relações internacionais, acabaram por considerar não apenas o conceito de anos em função da translação em torno do Sol, com o ajusta de um dia extra por cada quatro anos, como o calendário gregoriano, com os seus meses não regulares. E as semanas, a não caberem em quantidade certa em cada mês. Excepto o Fevereiro, com 28 dias. Menos o bissexto.

A origem das unidades, sejam elas quais forem, é sempre meio obscura. Tal como o sistema hexadecimal, usado para movimentos circulares: horas, graus, minutos, segundos.

Entender o passado, onde se alicerça o presente, permite-nos construir o futuro. Seja em unidades de medida, pensamentos ou emoções. Mesmo que estas não se meçam.

 

Nikon Coolpix P7000


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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Ou não


 


Fumar mata devagar mas...

Quem tem pressa em morrer?

 

Pentax K7, Pentax 18-55


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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Diatribes (ou não)




Foi há já uns anos valentes. Há quase vinte anos.

A câmara guardo-a, tal como quase todas as outras. As que não guardo foram as que vendi em momentos de grande aperto. Lamento cada uma delas.

A objectiva guardo-a, com os mesmos argumentos e lamentos que as câmaras. Com a diferença que, em tendo avariado, comprei uma igual tal o gosto que tinha e tenho pela sua flexibilidade.

Da barcaça nada sei. Passado todo este tempo, talvez esteja ainda a subir e descer o rio, fazendo pausa aquando do anoitecer, como era quase o caso.

A margem continua lá, com fauna e flora variavel de acordo com a estação do ano e aquilo que o ser humano vai deixando, com as suas travessias anunciadas e as suas construções efémeras.

O rio, esse, continua a correr debaixo das pontes como se nada fosse, escasseando uns anos, superabundando outros, como sempre fez desde o rio é rio. Alargando-se aqui, estreitando-se acoli, continua a fazer de fronteira aquém e além, dando nome a terras, barragens e pontes, como se disso dependesse alguma coisa. É-lhe indiferente.

A lua lá continua, ora tapada ora destapada, na sua quase sempierna revolução e servindo de mote a poetas e enamorados. Também serve de objectivo, como que primeira fronteira para o espaço infinito, aquele que queremos conquistar como quem quer conquistar uma praça forte ou uma medalha. Como se isso a importunasse, excepto a expectactiva de vir a ser o quintal das trazeiras onde iremos deixar os dejectos da humanidade, já que mais não conseguimos estragar este pedaço de rocha a que chamamos planeta terra.

Por mim, entre o agora e o agora cosmico, vou tentando registar os pedaços que vejo ou penso, transformado, como dizia o mestre, num taxidermista do tempo. Como se isso abalasse o cosmos ou a vida de alguém.

 

Pentax K100D, Sigma 70-300


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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

domingo, 23 de agosto de 2026

Foi o que me apeteceu




David Hockney, nas suas incursões no mundo da fotografia e do estático movimento ou do movimento estático, incluia quase sempre uma fotografia onde se viam os seus pés.

Nunca aprofundei as razões de ser de tal pecularidade: se como assinatura, se como prova de que esteve lá, se como início do movimento a fazer com a câmara Polaroid...

Por mim, que até gosto de fotografar os sapatos abandonados na rua e que me ponho a imaginar a vida que tiveram com pés dentro ou ao lado da cama, não podia deixar de fotografar os meus sapatos. Com os pés dentro ou fora.

Neste caso, conjugaram-se vários factores: o estar numa pausa entre fotos, o pensar em substituir estas velhas pantufas, o ter entre mãos uma uma câmara Pentax de excepção de pequena que é.

A luz, essa, é que me entra pela janela, sem mais enfeites que um dia em que se antevêem várias tempestades ao logo da costa e travada pela minha secretária de trabalho.

Significa alguma coisa? Não! Mas foi o que me apeteceu fazer.

 

Pentax I-10


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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

O relógio




Esta fotografia tem uns quarenta e tal anos.

Consto nela, tal como o meu chapéu e o meu primeiro tripé Gitzo. A câmara, uma Pentax MX, não está na imagem porque foi usada para a fazer.

O que consta, apesar de muito discreto, é o meu relógio, usado como sempre no braço direito.

Comprado a um preço simpático, tinha um detalhe pouco comum então: Sendo digital, usava um método misto de mostrar o tempo: ponteiros e mostrador numérico. E tinha uma característica que me levou a ficar com ele, no meio de muitos outros.

O seu cronómetro também funcionava em regressivo mas sem iluminar o mostrador. Detalhe vital para quem revelava negativos de grande formato em preto e branco, usando tinas abertas e na escuridão total. Marcava-lhe 50 segundos e quando apitava era o momento da agitação de dez segundos. Sempre no escuro, como impõe o uso de materiais pancromáticas. Só algum tempo depois encontrei e comprei um tanque estanque à luz que me permitia trabalhar com mais conforto, bem tarde na noite, já que usava a casa de banho da família como laboratório. Fartei-me de usar fita adesiva para bloquear o interruptor da luz no seu exterior.

Um compincha destas andanças, com as mesmas limitações, usava um gravador de cassetes com um tema musical de que gostava cuja batida rítmica lhe servia de guia temporal.

As técnicas, limitações e complicações evoluíram, facilitando (ou dificultando) os processos. Mas o objectivo sempre foi o mesmo: fazer Fotografia. Cujo dia mundial se comemorou esta semana.


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terça-feira, 18 de agosto de 2026

Sal




De tanto procurarmos a perfeição universal, esquecemos as nossas próprias imperfeições.

E são elas o sal da vida!

 

Pentax K1 mkII, smc Pentax-M 35 1:2,8


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domingo, 16 de agosto de 2026

Gadjets




Para os curiosos destas coisas, aqui fica uma imagem de um copipod da Asahi Pentax.

Sendo uma peça concebida nos anos 60s, em que se usavam câmaras em que a objectiva era fixada com o sistema M42 (rosca), este conjunto está em estado novo mas o estojo para as suas peças é em material sintético, pelo que posso deduzir que seja um dos últimos modelos.

Não me veio parar às mãos acompanhado do manual de instruções, levando-me a descobrir sózinho todas as potencialidades deste sistema, com um pouco de apoio do on-line.

Foi aí que fiquei a saber que as boas marcas da época tinham sistemas semelhantes. Ainda não tinham surgido as fotocopiadoras e muito menos os scaners, sendo este um dos meios para copiar documentos, quer a película usada fosse o 35mm ou menor.

Alguns foram os estudiosos e os entusiastas da fotografia que tinham ou desejavam ter uma peças destas. Eu era um deles.

 

Pentax K1 mkII, smc Pentax-M macro 100 1:4


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sábado, 15 de agosto de 2026

Rusty




A kind of a self portrait

 

Pentax K7, Tamron SP2 18-200


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