Nesta loja não se engana ninguém!
Quando dizem “Liquidação Total” é mesmo isso que querem
dizer, já que nem sobra para cobrir, pudicamente, os manequins da montra.
Pentax K7, Sigma 70-300
By me
Nesta loja não se engana ninguém!
Quando dizem “Liquidação Total” é mesmo isso que querem
dizer, já que nem sobra para cobrir, pudicamente, os manequins da montra.
Pentax K7, Sigma 70-300
By me
Há normas, regras, técnicas, que temos por certas.
Perfeitas.
Sabemo-lo dos livros, sabemo-lo dos trabalhos que vemos.
Sabemo-lo dos trabalhos que fazemos.
E quando nos confrontamos com o seu quebrar ou distorcer,
arrepiamo-nos. Porque sai das regras, porque nos incomoda na nossa procura do
equilíbrio, do perfeito.
Uma dessas regras, e falando de cinema ou vídeo, é o racord.
Para quem não sabe, racord pode ser definido como
continuidade, como coerência na sucessão do que é mostrado.
Pode ser na lógica da história, pode ser na lógica das
imagens.
Um exemplo clássico será o vermos alguém com um objecto na
mão direita e, na imagem seguinte, tê-lo na mão esquerda. Sem que nada se
quebre na sucessão do tempo nem nos ter sido mostrado a mudança. E quem diz um
objecto na mão, diz a direcção do caminhar ou olhar, uma peça de roupa, um
penteado, a origem da luz…
A falha de racord é algo que os profissionais evitam, como o
diabo a cruz.
Claro está que não há regras que não possam ser quebradas ou
distorcidas. Sabendo-o e fazendo-o de propósito. Com o propósito explícito de
provocar algum tipo de reacção ou emoção em quem o vê. Os mestres, os grandes
mestres, usam-no. Para alterar ou condicionar a atitude passiva do espectador.
Ou mostrar subtis alterações nas personagens.
Apercebermo-nos disso é um deleite.
O problema põe-se que esta quebra de regras não é segredo.
Apenas implica mestria no seu uso, ou o resultado estará apenas um degrau assim
de porcaria total.
Os não-mestres tentam imitá-los. As mais das vezes sem
sucesso. No cinema, na televisão, nos vídeos on-line, na informação.
Afirmam que é uma técnica superior, que é admissível, que
faz parte da nova linguagem do audiovisual.
Infelizmente, estes argumentos apenas servem para encobrir
ou disfarçar a sua incapacidade de lidar com o racord e a sua falha. E dizem
ser “arte” aquilo que é, na verdade, incompetência.
Ver um raro momento de arte é um prazer.
Ver tanta incompetência disfarçada é um tormento.
Pentax LX,
Tamron SP 90 1:2,5, Agfachrome CT18
By me
Ah pois é!
O difícil não é ganhar um campeonato do mundo de futebol. É
garantido que alguma equipa o fará, seja lá qual for.
Difícil mesmo é conseguir enfiar uma linha num buraco de
agulha tendo apenas um olho activo e zero de visão tridimensional.
Sempre gostava de ver se algum dos jogadores da selecção o
consegue fazer.
Pentax K7, smc Pentax-M 50 1:1,7
By me
Quando eu morrer não ficarei conhecido, certamente, como um
tipo de bom feitio. Ainda que procure ser afável quando tudo corre bem, se me
incomodam ou se me sinto atingido, reajo nem sempre da forma mais previsível ou
agradável.
Foi no Jardim da Estrela. A tarde corria bem, o dia estava
bonito, toda a gente parecia estar de bem com a vida. A única excepção fora uma
das idosas, habituées do espaço, a queixar-se de todos os bancos estarem
ocupados, para ouvirem aquela “porcaria de música clássica”. Tratava-se,
entenda-se, de um concerto de Jazz, ali, ao vivo e de borla, como as minhas
fotografias. Mas, pondo este comentário de parte, tudo estava a correr pelo
melhor.
A certa altura surgem estas duas mocinhas. Vieram direitas a
mim, sabendo do preço que cobro, e quiseram fazer uma foto. Vinham com a boa
disposição própria da sua adolescência, de ser final de férias, de estarem de
regresso de uma temporada de praia e novos amigos e estarem, de volta a casa, a
reencontrarem os velhos amigos. Típico de um domingo, inicio de Setembro, com
óptimo tempo.
No final, ao verem-se no papel, reagiram como de costume
nestas idades, variando apenas nos apodos com que se mimosearam. No caso, um
“Que nojo!”, normal para quem ainda não encontrou o equilíbrio consigo mesmo.
Mas, quando lhes disse que se não gostassem da fotografia, não a levavam,
riram-se a bom rir e fugiram com ela.
Tudo pelo melhor! Para todos os intervenientes!
Passado um pedaço, uma hora talvez, hei-las de volta. Desta
feita com uma amiga, com quem queriam repetir a função. Mas, enquanto
trocávamos umas graçolas, uma delas, qual Luky Luke da Estrela, saca do
telemóvel, interrompe a conversa comigo e saúda o seu interlocutor. E, sem mais
explicações, zarpam as três para longe. Suponho que ao encontro de quem quer
que estivesse do outro lado da antena.
Não gostei! Não gostei nem um pouco! Esta mania de que
quando o telefone toca tudo pára, tudo se interrompe, incomoda-me de
sobremaneira. Quase que me transforma num louco furioso! É que, afinal, a vida
é bem mais que os telemóveis, as fotografias, os computadores, as músicas ou o
que quer que seja. O mais importante nela é mesmo aquele ou aqueles com quem
estamos e desrespeitá-los assim é bem pior que um insulto ou agressão. Pelo
menos eu não gosto!
Uns vinte minutos depois, bem medidos, regressam.
Acompanhadas as três por dois amigos, vieram interromper a conversa que eu
mesmo estava a ter com uma já conhecida daquelas paragens, ainda que oriunda do
outro lado do globo. E se eu não tinha gostado que a conversa anterior tivesse
sido interrompida por um telemóvel, também não gostei de ser interrompido em
directo, aquando de uma conversa ao vivo. Não gostei mesmo nada!
Tal como ela não gostou de ouvir, na sequência do seu “Quero
agora fazer a fotografia!” o meu “Não!”, seguido de “”Não gostei que tivesses
interrompido a conversa por causa do telemóvel; não gostei que tivesses
interrompido a minha conversa com esta senhora só porque chegaste. Não faço a
fotografia!”
Estranhou, insistiu e eu insisti: “As fotografias aqui são
grátis porque eu quero. E esta fotografia eu não faço! Talvez que assim
aprendas qualquer coisa de boa educação!”
Fez beicinho, bateu o pé em tom de birra, deu meia volta que
nem um recruta na parada e, agarrando na mão de uma das amigas, afastou-se a
trotar. Com o resto do bando a olhar para mim e para ela e a seguir-lhe os
passos.
A senhora que comigo falava, do alto do seu metro e meio,
sorriu, acenou que sim e traduziu para a amiga a conversa. Suponho que tenha
sido factual, que eu de indiano nada sei. Sei, isso sim, que a companheira
sorriu também e acenou que sim igualmente. E, após mais umas banalidades sobre
o assunto, o tempo e a música que se iria ali escutar, afastaram-se para
usufruir, prazenteiramente, o resto daquele domingo saboroso.
Quando morrer certamente que ninguém dirá: “Aqui jaz um tipo
de bom feitio.” Mas, caramba, nessa altura também não estarei por cá para ouvir
e retorquir. Espero, no entanto, que esta mocinha, agora mal-educada, continue
por cá por muito tempo e com melhores atitudes para com os outros. Se assim
for, valerá a pena o que de mim disserem!
Pentax K7, Sigma 70-300
By me
Um dos prazeres da fotografia é o desafio que nos levanta.
Confrontados com um dado assunto ou objecto, conseguirmos usar a luz
(quantidade e qualidade), materiais sensíveis, perspectiva e suporte final para
reproduzirmos o que vimos ou imaginámos. A transposição da tridimensionalidade
para a planura do papel ou ecrã.
Um dos temas que tenho por mais difícil de fotografar é
vidros, joalharia ou cutelaria. Para além da questão do contexto em que são
mostrados, o seu brilho e textura levam a que o rigor na tomada de vista seja
levado muito a sério. Nunca tentei fotografar profissionalmente automóveis, mas
creio que as dificuldades sejam semelhantes.
Outro tema que tenho por difícil é o bicho-homem. A sua
mobilidade constante, a permanente mudança de expressão e de humor, a
necessidade de transpor para a imagem a sua alma, karma ou que lhe queiram
chamar, tornam este género fotográfico num dos mais difíceis e polémicos.
Acrescente-se que o retrato é a “pérola da dificuldade”, já
que, e para além da crítica do fotógrafo e do público em geral, o próprio
retratado é do que há de mais exigente. As questões técnicas e estéticas em
geral deixam-no indiferente, mas as poses, as expressões, os olhares e sorrisos
ou a postura corporal são vitais, e a culpa é sempre do fotógrafo.
Um bom exemplo desta prática e dificuldade é o meu projecto
"Oldfashion". A perspectiva é escolhida por mim, considerando os
elementos do fundo, a luz e a sua rotação de 90º durante o tempo que por ali
estou.
Para simplificar o processo, os retratados são colocados em
zona de sombra, tal como o fundo. Não apenas reduz os eventuais excessos de
contraste difíceis de controlar neste método, como ainda permite que os
sistemas automáticos de focagem e exposição funcionem medianamente bem.
O local onde os fotografados se colocam também é por mim
escolhido. Por uma questão de composição de elementos – o corpo é vertical, o
enquadramento horizontal – como também para que exista algum contraste de tons
e luz entre o torso e o fundo. Nem sempre consigo que fiquem onde gostaria, já
que demasiado controlo neste aspecto retira alguma espontaneidade aos
fotografados. E a câmara, compromisso meu, não sai do local.
Sobre a pose, pouco ou nada intervenho. Para além de ajustar
um tudo ou nada o eixo dos corpos em relação à objectiva, se for demasiado
chocante o que naturalmente assumem, e de deixar cair uma laracha no momento da
obturação, o resto é por conta deles.
De tudo isto resultam fotografias que técnica e
esteticamente estão no limite do aceitável. Algumas abaixo, talvez. Mas a
reacção dos retratados é particularmente divertida.
Ainda que a fotografia seja fracota, quase todos dizem que
gostaram e que ficou boa, manifestando algum espanto que aquela caixa as possa
fazer. Mesmo que as suas expressões demonstrem que não gostaram por ai além. As
suas preocupações debruçam-se sobre as poses, os sorrisos, os olhares…
Uma senhora houve que, olhando para o papel que tinha na
mão, comentou: “Esta sou eu, não é!” Pela conversa, prévia e posterior, entendi
a sua tristeza face às agruras da sua vida. Uma outra, brasileira, e na casa
dos quarenta, comentou o quanto tinha envelhecido nos últimos dois anos, tempo
da sua estada por cá. A gente jovem ri-se de si mesma e procura com afinco os
olhos e a expressão da boca. Num caso, cheguei mesmo a ter que ceder a minha
lupa do relógio para que fossem vistos.
Mas, muito curioso, é o facto de serem os agentes das forças
de segurança (PSP e GNR) os mais exigentes com o que vêem e recebem. É neste
grupo, independentemente das idades e cuja maioria quer a fotografia em papel
mas recusa a sua presença na internet, que se encontram a mais duras críticas.
Quer seja a luz, quer seja o instante da expressão captada, quer seja a pose ou
o local escolhido, quer seja por parecerem mais gordos… Nem mesmo outros
fotógrafos que quiseram ser fotografados foram tão críticos. Não sei se esta
atitude de rigor advirá dos seus ofícios, em que não deixam de ser o que são,
estejam fardados ou à paisana.
Quanto aos demais fotografados, em regra, tomam por uma boa
fotografia aquela que não o é, e que por vezes é medíocre.
O que me põe a perguntar, muito seriamente: “Afinal, o que é
uma boa fotografia?”
Linhoff
Kardan Color 9x12, Schneider 150 1:5,6, Agfachrome CT18, ca.1981
By me
O objecto
Comprado numa feira de velharias, quem mo vendeu não sabia
para que servia. Nem eu.
Trata-se de um mecanismo de corda que, em escolhendo um
tempo entre zero e dez segundos, e tendo encolhido a haste inferior, a solta no
final desse tempo. É de fabrico Suisso, e foi-me vendido com o estojo de
cabedal de origem pelo preço de um maço de cigarros. Dos baratos.
Não me pude queixar, principalmente por se tratar de objecto
cuja finalidade desconhecia.
Já em casa ao fim de uma hora, o mais que tinha encontrado
na net foi a data de fabrico (1922), algumas fotografias com e sem a embalagem
de cartão original e até o esquema mecânico interior. Mas não a função. Mas
acabei por dar com a coisa, depois de dar trabalho às células cinzentas entre
orelhas.
Trata-se de um temporizador fotográfico invertido. Por
outras palavras, ele não faz começar um exposição mas antes a termina, no
máximo de dez segundos, deste que tenhamos ajustado a câmara para “B”.
Aplicavel num cabo disparador de “bicha”, para evitar movimentos parasitas na
câmara. Ou mesmo directo no botão do obturador, se este tiver uma gola onde
prender a haste. Algo impossível de usar nas câmaras actuais.
Peça pouco comum, que irá para a minha coleção de peças
raras e antigas.
A fotografia
Só há um coisa mais difícil de fotografar que mecanismos ou
cutelaria em metal polido: Mecanismos ou cutelaria em metal polido. Tudo quanto
é luz ali se reflete, como num espelho, e controlar esses reflexos não é coisa
nem fácil nem rápida. Mas eles devem existir para mostrar o material de que são
feitos os objectos.
Neste caso a coisa é mais complicada, já que haveria de
mostrar a escala de tempo ajustável, bem como uma outra de afinação. Ambas
rasgadas na superfície de metal e igualmente polidas e reflectoras. Indo mais
longe, haveria que ter algo visível no enquadramento que desse uma escala de
tamanho do referido objecto. Optei pela mão de madeira, que permite uma
multiplicidade de posições.
Já quanto ao metal, fui pela minha abordagem incial do
costume: a luz haveria que vir de cima e de trás. Mas para evidenciar as
inscrições, haveria que usar uma luz razante, tão tangencial quanto possível.
Que, de caminho, não apenas evitaria que a superfície ficasse um bloco de luz
como se refletiriam nos bordos, criando volume. Usei uma da esquerda e de cima
e um espelho de baixo e da direita que a refletia em oposição de 180º.
Propositadamente, deixei ficar algum pó na superfície
metálica para ajudar a defini-la. O mesmo em relação aos reflexos que nela se
vêem. Já o fundo deveria ter algo colorido para evidenciar a ausência de cor do
metal.
Foi barato o objecto, considerando que usei mais de uma hora
para o conhecer e mais de hora e meia para o fotografar.
Todos os prazeres fotográficos fossem assim.
Pentax K1
mkII, Tamron SP 90 1:2,5
Chegaram, mãe filho, este ao colo dela. Aliás, teria que ser
assim se para trajectos maiores, que o pirralho era tão piquinino que o seu
andar pouco mais era que pôr um pé à frente do outro para não cair.
Falámos um pouco e fizemos a fotografia. E quedámo-nos na
conversa, mesmo depois da função terminada.
O pequenote, esse, é que pouco se interessou no que
dizíamos. Partiu para descobrir novos mundos, na imensidão de uns dez metros em
redor. E, sendo o seu caminhar o que era, cedo caiu.
À distancia a que estava, a mãe constatou que nada de grave
acontecera. Tal como eu. O minorca, estendido ao comprido, de barriga para
baixo, olhou em redor, sem choro ou beicinho, verificou a proximidade da mãe e
lá se levantou para mais uma caminhada. Que acabou em queda de igual gravidade.
Afinal, é assim que aprendemos a caminhar, caindo,
levantando-nos e continuando. E aprendendo como usar o que temos e onde e como
pôr os pés.
A sua inexperiência era tal que, passado pouco, ei-lo de
novo no chão.
A mãe, estrategicamente colocada na nossa conversa, ia
verificando o resultado das quedas, ao mesmo tempo que se certificava que o seu
trajecto não coincidia com o das bicicletas, shates ou patins que por ali
pululam. Estava tudo controlado e tranquilo.
Quem assim não pensou foi uma velhinha, com ar de avó
tremida mas extremosa, que à terceira queda do aprendiz de caminhante, achou
que era demais.
Levantou-se do seu banco de jardim e, com uma dificuldade em
caminhar equivalente à da criança, abeirou-se dele e levantou-o do chão.
Regresando de seguida ao seu lugar sentado, não fora ser este selvaticamente
ocupado por algum dos muitos outros idosos do jardim.
Pouquinho tempo depois, a cena repete-se: o pimpolho cai, a
velhinha levanta-se e levanta-o e regressa ao seu repouso. Tudo sob o olhar
vigilante da mãe, que ia cavaqueando comigo, à beira da minha câmara e tripé.
À terceira a coisa foi diferente: Depois de levantar o
pequeno, que continuava sorridente como sempre, caminhou para nós com ele
segurando-lhe o dedo. E a sua expressão advertia das advertências que haveria
de dar à mãe “descuidada”.
Nada ouvi, que se encontraram a meio caminho, com troca de
dedo agarrado. Trocado por calças, à altura dos joelhos, quando regressaram
para junto de mim.
Com um sorriso, disse-me ela que este era um dos motivos
para gostar do Jardim da Estrela: Fora aqui que ele dera o seu primeiro passo e
era aqui que estava a aprender a andar. Bonito de ouvir!
Como que inspirado na conversa, o rapazinho afastou-se
caminhando, de novo em direcção ao local onde a boa da velhinha continuava
sentada. E a mãe, continuando a sorrir e fazendo contrastar o tom dos dentes
com o da pele, acrescenta: “É melhor ir busca-lo antes que ela venha cá de
novo!”
E foi, regressando ele ao colo e com a mãozinha esticada
para a pelagem branca que me cresce no queixo e cara.
Quando, passado um pouco, se foram de vez, fiquei pensando
que, na verdade, a melhor forma de aprender é ir caindo até aprender a coisa. E
aproveitar a pequenez da altura para que as quedas sejam pequenas e pouco
dolorosas.
Acontece, porém, que há sempre uma avozinha, cheia de boas
intenções, que se intromete e tenta mudar o curso natural da vida. E que, ou
bem que já se esqueceram que foram crianças e mães, ou bem que mais nada lhes
resta fazer que interferir na vida dos outros, queiram ou não eles que isso
aconteça.
E quem é que está na imagem? Pela certa que não se esperaria
que eu aqui mostrasse os intervenientes neste episódio em torno do meu
“Oldfashion”!
Em alternativa mostro este retrato. Que em comum com a
estória apenas tem o local onde foi feito e minha câmara de madeira. Que a
estória falou de três gerações e aqui mostro a Ana, vinda de um terceiro
continente.
É que o Jardim da Estrela é assim como que um centro do
mundo, onde de tudo acontece e onde de tudo converge.
Pentax K7, Sigma 70-300
By me
Que importância dariam a um aparelho de medição de luz que
apenas faz isso: medir a luz?
Sem considerar valores ISO, valores f ou valores t, sem mesmo
considerar tempos de exposição ou nos falasse em EV.
Um fotógrafo, como eu, tiraria proveito disto de tivesse por
perto uma tabela complexa ou uma régua de cálculo, rectilínea ou redondinha. Ou
recorresse a uma fórmula de física, diligentemente preenchida num telemovel.
Para mim tem importância por ser peça única aqui por casa, enquanto
de ponteiro, fabricada pela marca Gossem algures nos anos 70 ou 80. E, cereja
em cima do bolo, apesar de vetusta e ter um sistema interno que não necessita
de bateria, estar a funcionar e num estado de conservação invejáveis.
E se fotografia é a escrita com luz, medi-la faz parte do
processo.
Pentax K1
mkII, smc Pentax-M macro, 100 1:4
By me
Eis como o jornal Correio da Manhã titula dois artigos
distintos:
“Imigrante ilegal enganou milhares com campanha solidária
falsa para menino de 9 anos que sofre com doença rara”
“Três detidos em operação policial de "estratégia
preventiva" em Queluz”
Se na primeira seria importante referir o ser imigrante
ilegal, na segunda deveria ter sido referido serem cidadãos portugueses.
Mas se na segunda a nacionalidade não é relevante, na
primeira também não deveria ser.
É assim que a comunicação social vai alimentando discursos
xenófobos, alinhando sem o parecer com a extrema direita.
Comunicação social – o tal quarto poder que de objectivo e
isento pouco ou nada tem.
Pentax K7, Tamron SP 90 1:2,5
By me