Hoje chegou pelo correio um livro, aliás, um catálogo de uma
exposição acontecida há muito tempo. Comprado num leilão on-line, veio
satisfazer a minha curiosidade, mas seu tempo falarei disso.
Enquanto via as fotografias e nelas pensava, veio-me à
memória um episódio, que até foi longo, acontecido faz muitos anos.
Estávamos numa fase de transição: enquanto na área de
produção já se trabalhava em “pal plus”, um formato de imagem que, para além
das características técnicas que implicava, tinha detalhes estéticos a
considerar, na área de informação onde eu estava estávamos bem nos inícios.
Por ser assumidamente rectangular, no lugar do quase
quadrado 3x4, tudo mudava: desde a forma como se enquadrava objectos e pessoas,
passando pelas distâncias de trabalho e respectivas perspectivas e relações de
primeiro plano com os fundos, até à velocidade com que se faz os movimentos
(entrada, saída e espaço intermédio), com tempos diferenciados.
Bative-me seriamente com as chefias para termos uma acção de
formação neste campo, nem que fosse sob o formato de “worshop” ou “learning on
the job”. Para pensarmos no assunto, para trocarmos ideias, para uniformizar
abordagens. Porque estava cada um de nós a descobrir métodos, sendo o resultado
uma manta de retalhos, fruto apenas do nosso desconhecimento e falta de
prática.
Há batalhas que se perdem e esta foi uma delas: nunca isso
sucedeu! E nota-se!
Não há uma “escola” de trabalho, não há critérios uniformes,
não há coesão na imagem. A manta de retalhos que antecipava e via então é
grande e evidente. Tanto do ponto de vista de quem capta e gere a imagem como
de quem concebe os espaços e os seus conteúdos. E é tanto pior quanto as
diferenças nas origens formativas de quem pega na rabicha do arado (só os bem
antigos conhecem a expressão, aos novos deixo o desafio de a descobrirem).
Enquanto trabalhamos solitários, como é o caso da esmagadora
maioria dos fotógrafos, cada um usa e concebe os seus próprios conceitos e
estéticas. Não há comparações!
Mas quando se trabalha numa equipa de imagem, estática ou
animada, é importante que esta seja definida e uniforme. O espectador não pode
ou não deve andar aos saltos, sendo a sequência de imagens fruto de uma linha
comum e de todos os intervenientes conhecida e aceite. Mesmo a “falta de coerência”
deve ser coerente.
Por mim, que faz muito tempo que deixei de lutar contra
todos os moinhos e que agora só o faço com os que seleciono, apenas fico
incomodado com essa ausência de linha de pensamento. Aprendo por mim já que não há “escola”, penso por mim já que não há uniformidade, evito os produtos de imagem
de consumo massivo para evitar os incómodos.
Felizmente existe a fotografia para não estar frustrado
durante todo o dia.
Pentax K100D, Sigma 400 1:5,6
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