sábado, 17 de outubro de 2026

Duas Pentax




Duas da minha família Pentax, vestidas de preto.

Repare-se como cresceu a mais nova, à esquerda: Cinquenta anos e o dobro do peso as separam.

E sim, esta é forma que mais gosto de iluminar: considerar que a fonte de luz principal vem do lado de lá do assunto. Tudo o mais que coloque é para controlar contrastes ou sombras.

 

Pentax K50, Tamron SP Adaptal2 90mm 1:2,5

 

By me


sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Motivos




Vários têm sido os que me questionam sobre os motivos que me levaram a partir para e manter este projecto “Oldfashion”. E o que pretendi com ele.

Sobre as perguntas originais, as que entretanto sobrevieram e as respostas que tenho ou virei a encontrar, mantenho alguma discrição. Se e quando chegar a um fim definido, e se valer a pena a sua divulgação, cá estarei então para isso.

Mas posso dizer que as referências exteriores passaram e passam pelos trabalhos de diversos autores, nem todos directamente ligados à fotografia.

Pese embora possa parecer alguma imodéstia, aqui ficam alguns dos que, pelo que fizeram ou pensaram, me impulsionaram a partir nesta viagem:

 

August Sander,

A exposição “The family of Man”,

Susan Sontag,

Roland Barthes,

John Berger,

Antoni Tàpies,

Roussado Pinto.

 

Esta lista, que muito peca por defeito, deixa de fora inúmeros nomes da fotografia ou do pensamento ligado às artes ou ao conhecimento do Homem e do seu comportamento que, de uma forma ou de outra, me foram provocando e questionando.

Tal como aqueles que, não tendo nome sonante ou obra publicada, me fizeram ou fazem pensar, em tertúlias ou conversas em volta de uns copos.

E uma enorme dose de rebeldia ou contestação, já que este trabalho, do ponto de vista estritamente fotográfico, é a antítese da reportagem ou do caçador de imagens que, com a sua inquietude e itenerância, persegue assuntos e luzes.

Já quanto às questões estéticas, não são, neste caso, uma prioridade que me inquiete.

 

Olympus C3030Z


By me

 

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Olhar nos olhos




Há momentos na vida em que o melhor é ficar quieto e calado. É uma arte, o saber quando.

Mas há outros em que essa é a pior opção!

Daqui por uns tempos, olhando olhos nos olhos e em falando dos dias de hoje e de então, que dirás tu quando te perguntarem:

“E tu, que fizeste?”


Samsun S-60

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

D'impulso




Faltavam 25 minutos para me encontrar com um desconhecido que me iria vender mais uns itens para a minha colecção. Nada de muito dispendioso, mas fazia-me falta.

Apesar de ter a câmara no saco, não estava lá com muita vontade de a tirar, pelo que, para matar o tempo, entrei naquela livraria. Fica num centro comercial e só lá vai quem for à sua procura. Fui.

Passei pelo balcão, onde confirmei a localização dos livros de fotografia, e fui sózinho pois já sabia o caminho. A secção era pequena, isso já eu esperava, mas acabei por ficar com um na mão. E um ensaio de uma autora portuguêsa, veja-se lá a coisa.

Regressei ao balcão para pagar e dou comigo numa fila de gente com o mesmo fito, bem como para encomendar obras de outros lados. Quatro pessoas.

Dá gosto ver fila de gente para pagar numa livraria. Ainda por cima num centro comercial, num recanto de uma esquina. É bom indicador, ainda que as idades fossem de meio para cima.

A minha impaciência agudizou-se, vendo o tempo a passar e a hora do negócio a aproximar-se.

Tentando distrair-me, fui vendo que obras estavam ali perto, na secção das compras por impulso. Sim, por uma livraria também tem disso, não são apenas os supermercados.

Dou com os meus olhos nisto e pensei demasiado alto, a ponto de vocalizar o pensamento: “Há muito que não leio Kafka. Nos tempos que correm faz falta um pouco de lucidêz”.

Quem estava à minha frente, já com o cartão na mão para pagar, olhou a tempo de me ver pegar nele e juntar ao outro. Não sei o que aquele cota como eu pensou, mas gostei de ver o discreto sorriso antes de se voltar para a frente.

Juntei os dois na mão, para não perder tempo a abrir o saco, e cheguei mesmo na hora combinada para o negócio cá fora.

Será a terceira obra a que me vou dedicar, que a vida não pode ser só fotografia.

Mas sempre com aquela dúvida: “Que escreveria ele, se vivesse hoje?”

Pentax K1 mkII, smc Pentax-M macro 100 1:4


By me

domingo, 11 de outubro de 2026

Extra




Sem texto, apenas o que está escrito.

 

Pentax K7, Tamron 28-200

 

By me

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Brownie




Numa tarde agitada, com um simples telemovel, num centro comercial.

As luzes misturavam-se de uma forma incrível, com as temperaturas de cor entre o muito baixo e muito alto. E por uma questão de princípio fiz questão de não mudar de mesa onde estava a lanchar. De onde e o que via havia de ficar no boneco.

Foi que me saíu.

Esta câmara, que me veio parar às mãos de uma forma meio rocambolesca que já contei, acabou hoje o seu teste. Os tempos de fotografar com uma câmara de rolo são completamente diferentes dos de usar uma câmara com registo digital. Haverá que escolher, haverá que pensar, haverá que tomar notas, mesmo que mentalmente.

E haverá agora que enviar para o laboratório, coisa que também leva tempo. O seu tempo.

Para já, fica o registo no último dia, regressando ela ao conforto de uma prateleira dentro do estojo de origem, aguardando ela, tal como um doente, o diagnóstico final.

 

Samsung SM-A515F

 

By me

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Brandos costumes




Enquanto em França é o que as imagens nos mostram, com os jovens ou não tanto na rua a enfrentar a polícia por melhores condições de ensino;

Enquanto que em Espanha é o que as imagens nos contam, com milhares acampados nas ruas contra a desumanização das regras de arrendamento e o primeiro-ministro dá o peito às balas pela suavização das rendas;

Por cá...

Por cá continuamos com as Lajes escancaradas, de os braços abertos para receber Marco Rubio que afirma que Portugal é um forte aliado, as leis piorar o arrendamento são aprovadas, o ensino/aprendizagem bem como a saúde estão como estão, assim como as etiquetas nas lojas de alimentação, e os portugueses estão, neste jardim à beira-mar plantado, em frente ao computador, a ver as séries e a protestar nas mesas de café.

O tanto mar está cheio de lixo!

 

Pentax K7, Tamron 18-200


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Once upon a time




Pentax K100D, Pentax 18-55


By me

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Um livro




Numa época em que se consideram mais verossímeis vídeos encontrados on line que os livros, sinto-me um nico demodée.

Atrás de mim, para além de estantes dedicadas à imagem em geral e à fotografia em particular, tenho uma secção dedicada a a dicionários, de todo o género, dos convencionais aos insólitos. Que, além de me terem proporcionado bons momentos por consulta ou outros motivos, são recurso que mantenho no activo.

Mas noutras estantes mantenho outros géneros de livros. De muitas temáticas. Entre os quais este, que pertence a um grupo específico, ainda que desorganizado no espaço.

Herdei-o faz tempo. Li parte dele e passei para outros, como quem passa de uma página web para outra. Não por dificuldade na língua, felizmente, mas porque dando prioridade a outros. Tal como na net.

Tem , para além do texto traduzido do alemão (que não domino de todo), três acrescentos intersantes: uma assinatura, uma data e um preço.

A primeira recorda-me dos interesses quem o comprou; a segunda marca no tempo os interesses aquando da compra, fruto de uma recomendação ou semelhante; a terceira na relativação do tempo e das alterações do valores neste.

1972, 40 escudos.

Conseguem calcular o valor deste preço neste ano? Bastante caro. Mesmo muito caro. Será que o seu conteúdo reflete este valor hoje? Ainda que siga uma linha de pensamento específica e que a ciência dos comportamentos tenha mudado um pouco, fruto da mudança de abordagens e de metodologias, não deixa de ser algo que devamos conhecer.

Principalmente nós, os produtores de conteúdos (fotográficos ou outros) na área da comunicação.

Setenta e quase cinco anos é bastante. Mas não lhe retira valor nem utilidade.

Sairá da estante e irá para a pilha de livros a ler, bem no topo, mantendo-se ali à tona dos que forem chegando até que faça parte dos que foram lidos.

 

Pentax K1 mkII, smc Pentax-M macro 100 1:4

 

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Educação




É verdade que sim: tenho uma opinião muito pouco lisonjeira sobre a chamada “fotografia de rua”. Há todo um conjunto de questões éticas que me levam a tal.

Em qualquer dos casos, de quando em vez há que pensar e repensar sobre os nossos conceitos. Colocá-los em causa, rever argumentos, aceitar como válidas outras perspectivas. Pode sempre acontecer que o que temos por certo desde há muito acabe por se demonstrar errado.

Por isso mesmo estive este fim de semana numa palestra onde o tema era Fotografia de Rua, defendido por quem a pratica. Tentei estar de mente tão aberta e tão ausente de preconceitos quanto o possível.

O que fui ouvindo até parecia lógico e aceitável, com algumas abordagens técnicas e éticas válidas e algum tipo de separação entre a satisfação do fotógrafo e o respeito pelo fotografado. Quase me convenceu.

E digo quase porque o orador “borrou a pintura” com uma das fotografias que exibiu: um homem barbudo e com cara de zangado, numa bicicleta e acompanhado por dois cães, fazendo um inequívoco e bem visível pirete para a câmara. A grande angular usada e perspectiva próxima e baixa usada não permitiam não ver o gesto de protesto para com o fotógrafo e o que fazia.

Interrompi o discurso e questionei porque motivo, sendo bem notório o protesto contra o fazer daquela fotografia, se ignorava a vontade do fotografado e se a exibia.

A resposta esteve bem em linha com o que eu pensava antes de entrar naquela sala: “Sim, mas eu gosto tanto dela...”! “E”, acrescentou alguém que estava presente aquando do fazer da imagem, “o homem não voltou atrás para protestar.”

Toda a capa protectora que eu tinha a envolver os meus preconceitos e opiniões se esbroou. Que estava ali bem plasmada a relatividade de importâncias entre a vontade do fotografado e a vontade do fotógrafo. E a ausência de escrúpulos deste perante aquele.

É interessante pensarmos que o acto de premir o obturador da câmara fotográfica é conhecido por “disparar”. Como quem dispara a caçadeira sobre a sua presa. Cujo troféu se pendura na galeria, real ou virtual, demonstrando a habilidade ou saber do caçador.

 

Pentax MX, Pentax-M 28 1:2,8, TriX, 24/12/1979

 

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