Sem texto, apenas o que está escrito.
Pentax K7, Tamron 28-200
Numa tarde agitada, com um simples telemovel, num centro comercial.
As luzes misturavam-se de uma forma incrível, com as
temperaturas de cor entre o muito baixo e muito alto. E por uma questão de
princípio fiz questão de não mudar de mesa onde estava a lanchar. De onde e o
que via havia de ficar no boneco.
Foi que me saíu.
Esta câmara, que me veio parar às mãos de uma forma meio
rocambolesca que já contei, acabou hoje o seu teste. Os tempos de fotografar
com uma câmara de rolo são completamente diferentes dos de usar uma câmara com
registo digital. Haverá que escolher, haverá que pensar, haverá que tomar
notas, mesmo que mentalmente.
E haverá agora que enviar para o laboratório, coisa que
também leva tempo. O seu tempo.
Para já, fica o registo no último dia, regressando ela ao
conforto de uma prateleira dentro do estojo de origem, aguardando ela, tal como
um doente, o diagnóstico final.
Samsung SM-A515F
Enquanto em França é o que as imagens nos mostram, com os
jovens ou não tanto na rua a enfrentar a polícia por melhores condições de
ensino;
Enquanto que em Espanha é o que as imagens nos contam, com
milhares acampados nas ruas contra a desumanização das regras de arrendamento e
o primeiro-ministro dá o peito às balas pela suavização das rendas;
Por cá...
Por cá continuamos com as Lajes escancaradas, de os braços
abertos para receber Marco Rubio que afirma que Portugal é um forte aliado, as
leis piorar o arrendamento são aprovadas, o ensino/aprendizagem bem como a
saúde estão como estão, assim como as etiquetas nas lojas de alimentação, e os
portugueses estão, neste jardim à beira-mar plantado, em frente ao computador,
a ver as séries e a protestar nas mesas de café.
O tanto mar está cheio de lixo!
Pentax K7, Tamron 18-200
By me
Numa época em que se consideram mais verossímeis vídeos
encontrados on line que os livros, sinto-me um nico demodée.
Atrás de mim, para além de estantes dedicadas à imagem em
geral e à fotografia em particular, tenho uma secção dedicada a a dicionários,
de todo o género, dos convencionais aos insólitos. Que, além de me terem
proporcionado bons momentos por consulta ou outros motivos, são recurso que
mantenho no activo.
Mas noutras estantes mantenho outros géneros de livros. De muitas
temáticas. Entre os quais este, que pertence a um grupo específico, ainda que
desorganizado no espaço.
Herdei-o faz tempo. Li parte dele e passei para outros, como
quem passa de uma página web para outra. Não por dificuldade na língua,
felizmente, mas porque dando prioridade a outros. Tal como na net.
Tem , para além do texto traduzido do alemão (que não domino
de todo), três acrescentos intersantes: uma assinatura, uma data e um preço.
A primeira recorda-me dos interesses quem o comprou; a
segunda marca no tempo os interesses aquando da compra, fruto de uma recomendação
ou semelhante; a terceira na relativação do tempo e das alterações do valores
neste.
1972, 40 escudos.
Conseguem calcular o valor deste preço neste ano? Bastante caro.
Mesmo muito caro. Será que o seu conteúdo reflete este valor hoje? Ainda que
siga uma linha de pensamento específica e que a ciência dos comportamentos
tenha mudado um pouco, fruto da mudança de abordagens e de metodologias, não
deixa de ser algo que devamos conhecer.
Principalmente nós, os produtores de conteúdos (fotográficos
ou outros) na área da comunicação.
Setenta e quase cinco anos é bastante. Mas não lhe retira
valor nem utilidade.
Sairá da estante e irá para a pilha de livros a ler, bem no
topo, mantendo-se ali à tona dos que forem chegando até que faça parte dos que
foram lidos.
Pentax K1
mkII, smc Pentax-M macro 100 1:4
É verdade que sim: tenho uma opinião muito pouco lisonjeira
sobre a chamada “fotografia de rua”. Há todo um conjunto de questões éticas que
me levam a tal.
Em qualquer dos casos, de quando em vez há que pensar e
repensar sobre os nossos conceitos. Colocá-los em causa, rever argumentos,
aceitar como válidas outras perspectivas. Pode sempre acontecer que o que temos
por certo desde há muito acabe por se demonstrar errado.
Por isso mesmo estive este fim de semana numa palestra onde
o tema era Fotografia de Rua, defendido por quem a pratica. Tentei estar de
mente tão aberta e tão ausente de preconceitos quanto o possível.
O que fui ouvindo até parecia lógico e aceitável, com
algumas abordagens técnicas e éticas válidas e algum tipo de separação entre a
satisfação do fotógrafo e o respeito pelo fotografado. Quase me convenceu.
E digo quase porque o orador “borrou a pintura” com uma das
fotografias que exibiu: um homem barbudo e com cara de zangado, numa bicicleta
e acompanhado por dois cães, fazendo um inequívoco e bem visível pirete para a
câmara. A grande angular usada e perspectiva próxima e baixa usada não
permitiam não ver o gesto de protesto para com o fotógrafo e o que fazia.
Interrompi o discurso e questionei porque motivo, sendo bem
notório o protesto contra o fazer daquela fotografia, se ignorava a vontade do
fotografado e se a exibia.
A resposta esteve bem em linha com o que eu pensava antes de
entrar naquela sala: “Sim, mas eu gosto tanto dela...”! “E”, acrescentou alguém
que estava presente aquando do fazer da imagem, “o homem não voltou atrás para
protestar.”
Toda a capa protectora que eu tinha a envolver os meus
preconceitos e opiniões se esbroou. Que estava ali bem plasmada a relatividade
de importâncias entre a vontade do fotografado e a vontade do fotógrafo. E a
ausência de escrúpulos deste perante aquele.
É interessante pensarmos que o acto de premir o obturador da
câmara fotográfica é conhecido por “disparar”. Como quem dispara a caçadeira
sobre a sua presa. Cujo troféu se pendura na galeria, real ou virtual,
demonstrando a habilidade ou saber do caçador.
Pentax MX,
Pentax-M 28 1:2,8, TriX, 24/12/1979
Conseguem imaginar um mundo utópico onde o dinheiro não
existe?
A Time Out Market está a tratar disso.
Nem comer, nem beber, nem mesmo comprar um livro numa
livraria!
Conseguem adivinhar onde não tenciono voltar a pôr os pés?
Lumix DCM TZ60
By me
É uma daquelas brincadeiras inocentes sobre comportamentos
que qualquer um pode fazer:
Em vendo alguém consultar um aparelho de medida de tempo (de
pulso, de bolso, de parede ou num telemóvel), assim que for de novo guardado
perguntar de imediato “Que horas são?”.
Constatarão que a esmagadora maioria das pessoas olhará de
novo para o relógio, porque não o sabe de cor.
Na verdade, quando olhamos para um relógio, aquilo que
queremos saber ou aquilatar não é o valor nele indicado mas sim a sua
relativização. Quanto tempo falta para ou quanto tempo já passou desde que. É
cedo ou tarde.
O valor real, em horas, minutos ou segundos de pouca monta
é. Que no momento seguinte estará alterado, pertencendo ao passado.
Assim, não fiquei de todo surpreendido ou incomodado quando
fiz esta fotografia.
Olhando para o que este relógio de sol me indicava e comparando
isso com o meu relógio de pulso, o telemóvel e a indicação da câmara
fotográfica, obtive quatro informações diferentes. Mas pouco relevantes, já que
estava exactamente na hora de fazer uma fotografia. Ou, em o preferindo,
faltava pouco para dali a um pedaço.
Em última análise, e para os cépticos ou cientistas, será a
demonstração prática de uma das leis de Murphy: aparelhos de medida iguais, nas
mesmas condições, mostram resultados diferentes.
Pentax K7, smc Pentax-M 50 1:1,2
By me
Há uma boa quantidade de anos, no meu deambular pela cidade,
tirava partido do segundo mosquetão preso na minha mochila. Estava na alça
direita e, as mais das vezes, estava vazio.
Mas em dias de manifestações de rua (havia-as amiúde) ou em
estando para aí virado, vinha aí pendurado o meu monopé, tendo na ponta uma
cabeça de encaixe rápido.
Servia ele para suportar uma câmara de bolso que tinha (e
tenho), guardada na mochila e retirada quando as condições se proporcionavam. Não
era a minha forma habitual de fotografar, mas permitiam pontos de vista incomum,
num progecto a que chamava pomposamente “If I were taler”.
Colocava a câmara no monopé, esticava-o no seu comprimento máximo,
activava o seu temporizador e levantava o conjunto tão alto quanto conseguia.
O resultado era “à zona”, já que não conseguia enquadrar nem
o momento certo. Mas com a prática, fruto do conhecimento que tinha da
objectiva e do eu contar o tempo do retardador, permitia-me fazer uns “bonecos”
interessantes.
O habitual era fazê-los aquando grandes massas de gente, com
ou sem primeiro plano. Era um mar de cabeças e faixas que davam a verdadeira
dimensão da quantidade de gente presente.
Mas também quando tal mole não se juntava, permitindo
imagens como esta, uma espécie de “voo de pássaro” baixinho, como se estivesse
numa janela ou espreitando por cima do mobiliário urbano.
A taxa de aproveitamento era de cerca de 50%, o que não é
mau, se pensarmos que o “momento decisivo” não acontecia nem havia um olho
colado no visor da ocular.
Não posso dizer que seria o único a usar este método, mas
nunca o vi em prática por cá, durante uns bons tempos. Depois vulgarizou-se, na
medida do possível. Mais monopés no mercado, a introdução dos drones de pequeno
tamanho (antes da legislação que os gere) fizeram com que esta novidade o
deixasse de ser. E a imagem animada ganha espaço à imagem estática nos media,
pessoais ou públicos.
Mas recordo que de uns militares sem uniforme que desfilaram
em Lisboa ouvi o seguinte comentário: “Este deve ser da marinha, que veio com o
periscópio”.
Acho que vou retomar a ideia, assim que reparar a alça do
monopé, danificado do uso. Outros voos com os pés na terra.
Samsung S1060
By me
Estive hoje na exposição que decorre na Faculdade de Belas
de Lisboa. Não a visitei toda!
Para já chateei-me logo à entrada:
Tratando-se de um evento que acontece em Lisboa, que até é a
capital de Portugal e onde a língua materna e oficial é o Português, logo à
entrada sou confrontado com cartazes, indicações e disticos em Inglês. Não
bilingues. Em Inglês!
Um raio que os parta. E fi-lo saber a quem estava por ali,
seja os voluntários, que tinham uma camisola vestida escrita em Inglês, como
junto de um dos organizadores.
Fiquei logo com os azeites!
Mas vi a primeira exposição, que estava patente numa das
salas do piso térreo. E gostei do que vi, pelo menos de algumas.
Mas a porca torceu o rabo quando me dirigi para a segunda.
Estava num lugar magnifíco, mas antecedido de escadas. De muitas escadas.
Antigas, de pedra e irregulares, num espaço que terá sido a cisterna do palácio
onde a faculdade está instalada.
O lance exterior ainda me arrisquei a percorrer, apoiado na
parede. Mas a receio. Mas quando vi o interior, longo e com poucos e frageis apoios,
todo o meu ser se recusou. Não apenas a minha artrose de anca protestou contra
o descer e o posterior subir sem apoio fiável como a minha visão mono-ocular
não conseguia assegurar-me das alturas dos degraus. Todo o meu corpo disse não!
Uma exposição fotográfica em Lisboa, onde o Português não é
a língua principal e onde não há acessibilidade a pessoas com mobilidade
condicionada...!
Eu quero que a Fujifilme, patrocinadora do evento, vá dar
banho ao cão!
Salvou a tarde o facto de ter feito três ou quatro
fotografias com a minha câmara de bolso, incluindo este túnel que conduz a uns
sanitários, de acordo com as indicações. Bem como com o velho caixote que está ainda
em teste.
A isto junte-se o ter regressado a casa com mais um exemplar
para a minha colecção de câmaras Pentax. Os cromos difíceis são isso mesmo:
difíceis.
Apesar de ter começado mal – muito mal mesmo – acabou bem a
tarde.
Lumix DCM TZ60