quinta-feira, 2 de julho de 2026

Extremos




Quem achar que as temperaturas estão muito elevadas e quiser algo mais fresquinho, sugiro um passeio até à Guarda.

De acordo com fontes oficiais enquanto que em Lisboa e pelas oito da manhã se já registavam vinte e oito graus e uns trocos, à mesma hora na Guarda os termómetros marcavam 14,6º.

É só uma dica.

 

Nicon Coolpix P7000


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terça-feira, 30 de junho de 2026

História




Quando pego numa câmara ou objectiva gosto de sentir uma de duas coisas: ou que é absolutamente nova (ou quase) ou que tem história.

Algumas das que possuo vieram para a minha mão novas. Ou quase novas. Retiradas da caixa por mim, ainda com o “cheiro da fábrica”, ou da mãos de alguém adquiriu  mas pouco uso lhe deu, tendo-a guardado com cuidado ou carinho.

Muitas outras entraram em minha casa depois de terem tido vários donos, uns mais cuidadosos que outros, algumas com muito uso, amador ou profissional. Na medida em que consigo, tento saber essas histórias, coisa que só é possível se for uma venda particular. Em lojas ou feiras de rua, não sabem ou não querem contar qual o passado da câmara ou objectiva.

Se aparentar ter um passado vivido, tento conservar a aparência que possui. E tento tanto mais quanto mais antiga é a peça. Tenho apenas o cuidado de a manter em condições de funcionamento e evitar que se suje com pó ou semelhante. A chamada “patine” faz parte do passado e da história.

Este é um detalhe de uma Pentax S1A, fabricada entre 1962 e 1968. Absolutamente mecânica, haveria que usar um fotómetro de mão ou um adicional à câmara para calcular a exposição. E esperar não ter errado no calculo.

Da sua história pouco sei. Foi comprada no meu mecânico de fotografia, e depois de muita insistência. O único detalhe que consegui obter é o ter estado ali há muitos anos, na sequência da desistência de um cliente.

Quando pego nela para lhe tirar o pó ou para lhe apreciar algum detalhe, tento imaginar o seu passado. Provavelmente nas mãos de um amador entusiasta, guardada no estojo de coiro de origem, que entretanto se estragou, e usada para férias ou festas especiais.

Hoje tem marcas do tempo. Marcas que não tentarei disfarçar e que tentarei não aumentar. Porque se não consigo ver o que esteve à frente dela, essas marcas de algum modo contam sobre que esteve atrás dela.

Quem quer que tenha sido, obrigado por a ter conservado.

 

Pentax K1 mkII, smc Pentax-M macro 100 1:4

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domingo, 28 de junho de 2026

Riscos




Há situações que devemos acautelar antes dos momentos críticos.

 

Pentax K1 mkII, smc Pentax-M macro 100 1:4


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sexta-feira, 26 de junho de 2026

Sem volta




Uma destas noites dou-me mal! A sério que me dou.

Preparava-me eu para ir conversar com Morfeu, já não tão cedo quanto isso considerando a hora a que acabaria essa conversa, e batem-me à porta. Sendo que ainda estava em trajes decentes, fui saber quem seria.

Tratava-se uma senhora minha vizinha, aliás, recém vizinha, que me perguntou se teria uma chave com que pudesse abrir a porta dela.

Imagine-se o meu olhar de espanto. Ter eu uma chave que abrisse a porta dela. Talvez que, noutras circunstâncias e com mais aprofundados conhecimentos, isso fosse possível e até agradável. Mas sendo que a conhecia apenas de vista e que nunca trocáramos mais que uns circunstanciais cumprimentos, seria difícil de acontecer.

Lá lhe expliquei que não, que não tinha, ao que me contou que tinha deixado a chave em casa e a porta se fechara.

“E está no trinco?” Estava! “Então espere um pouco que lhe vou mostrar um truque.”

Voltei a casa e regressei com uma garrafa de litro e meio de coca-cola, vazia. Já no patamar e usando do meu canivete, retalhei-a da forma que se vê, ficando com uma tira de pouco mais de 25cm de plástico. Com ela, e através da frincha, lá lhe abri a porta. Levei um pouco mais tempo do que esperava: no lugar de dez, precisei de quase trinta segundo, que não encontrava a malfadada lingueta a empurrar.

O seu olhar, inicialmente molhado, secou rapidamente e de espanto passou a agradecimento.

E, antes que recuperasse o fôlego, expliquei-lhe a rir, que aquele não era o meu ofício, que não andava a assaltar casas.

“Eu também não!” exclamou também já rir, exibindo um arame retorcido com que tinha tentado fazer como nos filmes, no buraco da fechadura.

Rimos mais um pouco, trocámos nomes e um aperto de mão e regressámos a casa, cada um à sua entenda-se. E se ela foi fazer o quer que tenha sido que costuma fazer em sua casa, eu fui directo para a cama, que o toque de alvorada é particularmente cedo por estes dias.

Mas já deitado, e enquanto esperava pela chegada da inconsciência do sono, fiquei a pensar no episódio.

É que, aqui neste prédio e que me recorde, é terceira vez que assim ajudo um vizinho. E se a coisa se sabe pode ser perigoso. Ou bem que sou contactado pela polícia, depois de uma casa assaltada com este método, ou sou acordado a altas horas da madrugada por alguém do prédio em apuros.

Ou, pior ainda, ser processado pela Coca-Cola por estar a usar as suas garrafas para arrombar portas.

 

Pentax K7, Tamron SP 90 1:2,5


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quinta-feira, 25 de junho de 2026

Just for the fun





Pentax K7, Pentax-M 50 1:1,7


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Supostamente




Supostamente, o jornalista verá as cores do globo em preto e branco.

Sem se deixar influenciar nem pelo colorido partidário, nem pelos tons vivos das explosões ou os pálidos cadavéricos.

Em preto e branco para que todas as cores sejam tratadas pelo que são, sem simpatias ou empatias pessoais.

Supostamente…

 

Nikon Coolpix P7000


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quarta-feira, 24 de junho de 2026

Juro!


Juro que sempre me fez confusão como, nos filmes americanos, os personagens entendem que ficam protegidos de uma ameaça vinda da rua ao fecharem a porta com uma volta de chave e... a porta ser de vidro.

 

Pentax K7, Sigma 70-300


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domingo, 21 de junho de 2026

Duas fotografias




O que tem esta imagem de particular? Nada, de facto, a não ser que uma foi feita com os últimos raios de sol de um dia e a outra com os primeiros raios de sol do dia seguinte.

Entre uma e outra, a noite mais curta do ano.

Detalhes pouco importantes a menos que se pense, como eu, que os solstícios e os equinócios são datas importantes. Tão importantes que os antigos, os muito, muito antigos, aqueles que nem sabiam escrever, os celebravam. A tal ponto que se deram ao trabalho de juntar esforços enormes para arrastar e erguer enormes penedos para com eles assinalar as datas.

Do meu ponto de vista, os solstícios e os equinócios deveriam ser feriados mundiais. Já que, aconteça o que acontecer, faça o bicho homem o que fizer, continuarão a acontecer muito para além da existência da espécie humana. E acontece desde antes da espécie humana não passar de uma amiba.

A importância que nos atribuímos reduz-se a coisa nenhuma perante o universo e a sua enormidade.

Bom solstício para todos vós.

 

Pentax K100D

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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Momentos




Em 10 de Novembro de 2015, pela tardinha, em frente a este edifício e na sequência de notícias do que ali havia sido votado, a multidão que ali se encontrava repetiu quase até à exaustão um grito espontâneo ali surgido, que ainda hoje recordo com um arrepio nas costas:

“Já caiu, já caiu, vai p’ra puta que pariu!”

Hoje não estava lá. Nem sei se lá se juntaram uns milhares como então.

Mas apeteceu-me gritar algo de semelhante aqui da minha janela, pese embora as causas e consequências sejam outras.

 

Pentax K7, Tamron 18-200


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Afectos e fotografia




Tenho vindo a afirmar, ao longo dos tempos, que fazer ou ter uma fotografia é o resultado de um sentimento de cobiça ou desejo de pose. Por aquilo que nela está iconificado: o pôr-do-sol, a pessoa, o objecto.

Apenas para dar um exemplo que consubstancia esta afirmação, quantos serão os que fotografam e exibem objectos que possuem? Com que lidam todos os dias? A excepção será, talvez, quando a fotografia e a sua exibição sirva para demonstrar que se possui o retratado – pessoa ou objecto.

E quanto mais precioso é o iconografado mais sacramentalmente se guarda a imagem: álbuns especiais para aquelas férias ou casamento, molduras caras para este ou aquele retrato de um parente ou amado e, cereja no topo do bolo, a carteira onde constam as fotografias de parentes, em regra muito queridos, vivos ou não. E, quando se fala nos filhos, netos, namorado/a ou pais, aí está a carteira (mais modernamente o telemóvel) onde se encontram as fotografias mais recentes ou significativas.

Mas a fotografia também é uma manifestação de afectos negativos! Fotografa-se o acidente, o insólito, o feio, o incómodo!

E, aqui, há dois tipos de motivos: Ou o exaltar o fotógrafo, mostrando assim, com a fotografia, que ele esteve no local, que testemunhou aquela situação ou, menos frequente mas real, como forma de exorcismo do mal retratado, tentando assim que o iconificado não passe disso e não seja parte integrante da vida do fotógrafo ou exibidor.

Um pouco como sucede com as anedotas, de que tanto nos rimos, e que, se bem as analisarmos, nunca falam de coisas agradáveis ou boas que tenham sucedido aos intervenientes. Pelo contrário, rimo-nos com o mal dos outros como que, com o riso, possamos afastar a possibilidade de o mesmo nos acontecer.

Mas há ainda uma terceira atitude negativa que é tida perante a fotografia. Neste caso, não perante o acto de a fazer mas antes para com ela enquanto objecto ou ícone: a negação ou destruição!

O rasgar, queimar, destruir de uma fotografia é uma forma de remover o que nela consta ou conta das vidas de quem assim age. Uma forma de negar o passado ou tentar, com isso, impedir que este se repita ou continue.

Exemplo mais ou menos corriqueiro é o que sucede aquando de uma zanga entre namorados ou quebra de votos de afectos. As fotografias do “outro” são destruídas, na tristeza do privado ou na raiva do público.

Acontece mesmo ser o retratado a exigir a devolução de fotografias que o “outro” possui de si, impedindo que o mesmo “outro” possua o que quer que seja de quem protesta ou reclama. Nem mesmo a sua imagem!

O gesto supremo, então, é a adulteração da fotografia, rasgando-a e destruindo apenas a metade em que se vê o “outro”, como que um afirmar que se continua por cá, vivendo, mas que o “outro” já não faz parte dessa vida.

Refira-se, também, nesta relação de afectos negativos para com a fotografia, a adulteração bem mais sofisticada da imagem que foi o caso (quem sabe se ainda é?) do apagar em fotografias presenças de gente caídas em desgraça perante o regime. Como sucedeu, por diversas vezes, na União Soviética, para citar apenas casos públicos e notórios.

É assim que se constata que a relação com a fotografia (ou com a imagem no seu todo) é uma relação de afectos, de desejos de pose ou de repúdio, como os agora descritos.

 

E você? Já destruiu alguma fotografia?

 

Fotografia original feita com o meu artefacto “À-Lá-Minuta”


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