quarta-feira, 8 de abril de 2026

Com cabeça




Das minhas primeiras compras a sério no campo da fotografia, a terceira foi um semi-fiasco.

Comecei por uma Pentax MX, com uma 50mm f/1,7. Um conjunto de entrada, particularmente fiel e robusto. Ainda possuo a objectiva.

A segunda foi uma objectiva 75-150mm f/4. Foi o que o meu orçamento permitiu e continua a prestar bons serviços, ainda que ambicionasse uma Vivitar 70-210mm f/4, série 1. Um topo de gama, à época e creio que ainda hoje.

A terceira foi um tripé. Um barato, cuja marca já não recordo, escolhido pelo aspecto, leveza e preço, ignorando eu muita coisa sobre tripés. Durou uns anos, mas antes de passar à reforma tratei de adquirir outro.

Não tinha eu a noção da importância da robustez, fruto dos materiais, peso e localização do centro de gravidade. Menos ainda sabia da importância da solidez da cabeça. Não apenas para suportar o peso que lhe é colocado como para absorver as vibrações provocadas pelo mecanismo de obturação: movimento do espelho e das cortinas.

 

De momento, passados todos estes anos, possuo diversos suportes de câmara. Uns minúsculos tripés de mesa, para câmaras de bolso ou quejando, um tripé de madeira e alumínio, mais velho que eu e usado quase que em exclusivo com a minha câmara “À-Lá-Minuta”, um Gitzo suficientemente pequeno para passeios, mas não tão leve quanto o meu corpo, já não tão novo, gostaria, e um Bembo.

Sou um fã incondicional deste último!

O seu sistema de fixação da abertura das pernas ou do ângulo de posicionamento da coluna são incomuns e, sem prática, arriscado. Um único travão para tudo isso. Mas permite colocar a cabeça em qualquer posição, em qualquer eixo, usando uma mão para segurar a câmara e outra para travar o conjunto. Engenhoso mas ardiloso.

Tem este tripé uma característica também original: nas suas pernas, de apenas duas secções, é a superior que entra na inferior e não o inverso como habitualmente. Isto aumenta-lhe o peso e o volume, mas permite usar o conjunto em água, lama ou areia sem que estas entrem no sistema. Recomenda-se para quem faça fotografia no exterior, em terrenos “sujos”, já que é muito fácil de limpar sem colocar em risco tubos e roscas de fixação.

Claro que tudo isto o torna pesado e um pouco incómodo de transportar, mas é fiel, robusto e, com o tempo, aprende-se a gostar muito. É o meu tripé de serviço.

 

No topo dos tripés, a cabeça. Peça tantas vezes negligenciada, tanto no peso que suporta como na forma como é travada. E, com o passar dos tempos e sem manutenção, acaba por nos trair naquilo que mais queremos: uma câmara solidamente colocada.

Tenho uma Gitzo clássica, velha e muito usada, e três Manfrotto: uma de rótula, relativamente robusta, e duas 115. Estas suportam razoavelmente bem o peso que lhes costumo colocar, absorvem bem as vibrações da câmara e são muito fáceis de manter e limpar. Dependendo do uso que lhes dou, uma vez a cada dois ou três anos mais ou menos.

Acrescente-se a vantagem de estas 115 de terem uma grande flexibilidade no tocante a posição, bem como os manípulos serem ajustáveis.

 

A maioria dos fotógrafos preocupa-se com sensores ou películas. Ainda bem!

Preocupam-se igualmente com as objectivas. Importantíssimo!

Mas os suportes, bem como os pára-sois, acabam por ficar “para quando houver oportunidade”. Alguns dos problemas que se encontram mas imagens finais surgem desta atitude.

Disse-me um mestre e amigo, atribuindo-o a uma mestre mundial: “Só há dois tipos de fotografia: tremidas ou feitas com tripé”.

Tal como me disse, com a mesma origem: “Se não podes ter um bom tripé, arranja um monopé!”

Passe-se os exageros, são dois bons conselhos.

 

Pentax K100D, Tamron SP 90 1:2,5


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terça-feira, 7 de abril de 2026

Vai ser bonito, vai!




Foi nomeado pelo presidente da Câmara Municipal de Sintra para o cargo de chefe da divisão da polícia municipal um elemento das listas do chega às legislativas e às autárquicas.

Consigo imaginar as mudanças de comportamento deste corpo de polícia em função das ordens emanadas de tal pessoa com tais conceitos sociais e políticos. Principalmente num município com tamanha variedade de etnias e origens.

Vai ser um fartote!

 

Pentax K7, Tamron 18-200


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domingo, 5 de abril de 2026

Encontros




E duas K100D encontraram-se numa tarde de festa.

Mas também numa tarde de afirmação, bem antes das troicas, das pandemias e das extremas direitas.

Pentax K100D, Tamron 18-200


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sábado, 4 de abril de 2026

Juventude




“Não sou optimista nem pessimista. Entre mim e a vida não há mal-entendidos.”

Almada Negreiros

 

Pentax K100D, Sigma 400 1:5,6


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sexta-feira, 3 de abril de 2026

Um retrato consentido - 2010



 

Espero apenas que o bonito sorriso que aqui exibes não seja apenas porque o dia estava bom, havia festa e tinhas uma flor na mão. Desejo mesmo que ele, o sorriso, seja porque acreditas, de alguma forma, no que ele significou e significa, e que tenhas como verdade que o futuro te pertence e que o irás construir à tua medida.

Quanto ao não teres hoje aquilo que, então, nós acreditámos e sonhámos, mais não posso fazer que, a ti e aos da tua geração, pedir desculpa pelo nosso falhanço.

E citar António Gedeão, excelentemente interpretado por Manuel Freire:

 

"...

Eles não sabem nem sonham

Que o sonho comanda a vida

E que sempre que o homem sonha

O mundo pula e avança

Como bola colorida

Entre as mãos duma criança."

 

Pentax K7, Tamron 18-200


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quinta-feira, 2 de abril de 2026

Literatura




Recordo um livro de ficção científica onde, num universo paralelo, a governação era obrigatória e rotativa por todos os cidadãos.

Ficavam apenas excluídos aqueles que manifestavam algum tipo de interesse em exercer o cargo.

Justificação do autor:

“A governação da coisa pública dá tanto trabalho e é tão incómoda que só quem tiver motivos obscuros a pode querer exercer. E esses não os queremos lá!”

 

Eu disse que era num universo paralelo.

 

Pentax K100D, Sigma 70-300


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quarta-feira, 1 de abril de 2026

Abril é Abril!




O resto são mentiras, crenças e hipocrisias.

 

Pentax K7, Sigma 70-300


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terça-feira, 31 de março de 2026

Golpes de sorte




Quem se interessa por fotografar não pode deixar de parte o aquilatar da luz. Quer seja com os sistemas inclusos na câmara, quer seja com fotómetros externos.

Eu gosto desses aparelhos, nas suas diversa valências, e uso-os, em casos de dúvidas, para ter algumas certezas no que faço. E gosto de os ir colecionando, numa coleção que é forçosamente diminuta pelos preços e pelo que há no mercado. Principalmente os mais antigos, alguns dos quais, por força do seu sistemas de medição de luz, já não funcionam.

Um destes dias apareceu à venda um aparelho que cobiçava para completar uma série de uma dada marca. E o preço era muito convidativo.

Combinado o encontro, quem o vendia confundiu-se e tinha consigo um completamente diferente. Na marca, na forma de funcionar, na forma de manuseio, no tamanho... meio em jeito de compensação por eu não levar o que queria, ofereceu-me este.

Fiquei a ganhar e nem quem vendia sabe quanto.

Se, por um lado, aquele que quero aparecerá cedo ou tarde, este é peça mais que incomum, ainda que não rara.

Podendo funcionar como todos os outros, na mão, tem um encaixe que permite ser colocado na sapata dita de flash, libertando a mão mas estando sempre disponível.

O sistema nem é novo, bem pelo contrário: se era usado na época em que os fotómetros tinham a célula sensível à luz em selénio e não usavam pilha, alguns hoje, com o revivalismo das câmaras de película, já são digitais com o mesmo sistema de suporte e vendem-se em lojas on-line.

Este pertence a um periodo intermédio (anos 1970), já com célula em silício (necessita de pilha) e com um sistema de medição equivalente ao das câmaras da época com fotómetro incorporado. Não terão existido muitos fabricantes a apostarem neste sistema, que foi rapidamente ultrapassado pelo usado nas câmaras reflex como as conhecemos, antes do advento do digital.

É assim que por vezes, “sem saber ler escrever” se encontram peças que marcaram a história da fotografia, mesmo que brevemente.

E uma das vantagens de as ir colecionando, ou juntando, é o irmos investigando o possível sobre o que adquirimos. E admirarmos a engenhosidade dos fabricantes e o complexo que era fazer as fotografias que hoje admiramos.

Mesmo que seja por uma pecinha do tamanho de meio maço de cigarros. E de borla.

 

Pentax K1 mkII, smc Pentax-M 100 1:4


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Dúvida




Tenho sempre esta dúvida sobre comportamentos ao entrar num sanitário público:

Perante tantos urinóis vazios (ou cabines individuais vazias) quais as que são preferidas pelos necessitados?

Alguma escolha será feita, algum desses equipamentos será mais usado: Pela proximidade da entrada, face à urgência sentida? O mais central, numa atitude de indiferença? O mais distante, em busca de privacidade?

Não será muito adequado o colocar câmaras ou sensores nestes locais para efectuar estatísticas. Mas acredito que os gestores ou manutentes destes espaços terão alguma opinião formada, quanto mais não seja pela degradação dos equipamentos ou pela sujidade acumulada ao fim do dia. Já quanto às motivações… só um inquérito junto dos aliviados poderá levar a alguma conclusão válida.

Alguém quer opinar?

 

Telemovel


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segunda-feira, 30 de março de 2026

Um retrato roubado

 


Um retrato roubado

 

Pentax K100D, Pentax 18-55


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