terça-feira, 6 de outubro de 2026

Brandos costumes




Enquanto em França é o que as imagens nos mostram, com os jovens ou não tanto na rua a enfrentar a polícia por melhores condições de ensino;

Enquanto que em Espanha é o que as imagens nos contam, com milhares acampados nas ruas contra a desumanização das regras de arrendamento e o primeiro-ministro dá o peito às balas pela suavização das rendas;

Por cá...

Por cá continuamos com as Lajes escancaradas, de os braços abertos para receber Marco Rubio que afirma que Portugal é um forte aliado, as leis piorar o arrendamento são aprovadas, o ensino/aprendizagem bem como a saúde estão como estão, assim como as etiquetas nas lojas de alimentação, e os portugueses estão, neste jardim à beira-mar plantado, em frente ao computador, a ver as séries e a protestar nas mesas de café.

O tanto mar está cheio de lixo!

 

Pentax K7, Tamron 18-200


By me

Once upon a time




Pentax K100D, Pentax 18-55


By me

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Um livro




Numa época em que se consideram mais verossímeis vídeos encontrados on line que os livros, sinto-me um nico demodée.

Atrás de mim, para além de estantes dedicadas à imagem em geral e à fotografia em particular, tenho uma secção dedicada a a dicionários, de todo o género, dos convencionais aos insólitos. Que, além de me terem proporcionado bons momentos por consulta ou outros motivos, são recurso que mantenho no activo.

Mas noutras estantes mantenho outros géneros de livros. De muitas temáticas. Entre os quais este, que pertence a um grupo específico, ainda que desorganizado no espaço.

Herdei-o faz tempo. Li parte dele e passei para outros, como quem passa de uma página web para outra. Não por dificuldade na língua, felizmente, mas porque dando prioridade a outros. Tal como na net.

Tem , para além do texto traduzido do alemão (que não domino de todo), três acrescentos intersantes: uma assinatura, uma data e um preço.

A primeira recorda-me dos interesses quem o comprou; a segunda marca no tempo os interesses aquando da compra, fruto de uma recomendação ou semelhante; a terceira na relativação do tempo e das alterações do valores neste.

1972, 40 escudos.

Conseguem calcular o valor deste preço neste ano? Bastante caro. Mesmo muito caro. Será que o seu conteúdo reflete este valor hoje? Ainda que siga uma linha de pensamento específica e que a ciência dos comportamentos tenha mudado um pouco, fruto da mudança de abordagens e de metodologias, não deixa de ser algo que devamos conhecer.

Principalmente nós, os produtores de conteúdos (fotográficos ou outros) na área da comunicação.

Setenta e quase cinco anos é bastante. Mas não lhe retira valor nem utilidade.

Sairá da estante e irá para a pilha de livros a ler, bem no topo, mantendo-se ali à tona dos que forem chegando até que faça parte dos que foram lidos.

 

Pentax K1 mkII, smc Pentax-M macro 100 1:4

 

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Educação




É verdade que sim: tenho uma opinião muito pouco lisonjeira sobre a chamada “fotografia de rua”. Há todo um conjunto de questões éticas que me levam a tal.

Em qualquer dos casos, de quando em vez há que pensar e repensar sobre os nossos conceitos. Colocá-los em causa, rever argumentos, aceitar como válidas outras perspectivas. Pode sempre acontecer que o que temos por certo desde há muito acabe por se demonstrar errado.

Por isso mesmo estive este fim de semana numa palestra onde o tema era Fotografia de Rua, defendido por quem a pratica. Tentei estar de mente tão aberta e tão ausente de preconceitos quanto o possível.

O que fui ouvindo até parecia lógico e aceitável, com algumas abordagens técnicas e éticas válidas e algum tipo de separação entre a satisfação do fotógrafo e o respeito pelo fotografado. Quase me convenceu.

E digo quase porque o orador “borrou a pintura” com uma das fotografias que exibiu: um homem barbudo e com cara de zangado, numa bicicleta e acompanhado por dois cães, fazendo um inequívoco e bem visível pirete para a câmara. A grande angular usada e perspectiva próxima e baixa usada não permitiam não ver o gesto de protesto para com o fotógrafo e o que fazia.

Interrompi o discurso e questionei porque motivo, sendo bem notório o protesto contra o fazer daquela fotografia, se ignorava a vontade do fotografado e se a exibia.

A resposta esteve bem em linha com o que eu pensava antes de entrar naquela sala: “Sim, mas eu gosto tanto dela...”! “E”, acrescentou alguém que estava presente aquando do fazer da imagem, “o homem não voltou atrás para protestar.”

Toda a capa protectora que eu tinha a envolver os meus preconceitos e opiniões se esbroou. Que estava ali bem plasmada a relatividade de importâncias entre a vontade do fotografado e a vontade do fotógrafo. E a ausência de escrúpulos deste perante aquele.

É interessante pensarmos que o acto de premir o obturador da câmara fotográfica é conhecido por “disparar”. Como quem dispara a caçadeira sobre a sua presa. Cujo troféu se pendura na galeria, real ou virtual, demonstrando a habilidade ou saber do caçador.

 

Pentax MX, Pentax-M 28 1:2,8, TriX, 24/12/1979

 

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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Utopias




Conseguem imaginar um mundo utópico onde o dinheiro não existe?

A Time Out Market está a tratar disso.

Nem comer, nem beber, nem mesmo comprar um livro numa livraria!

Conseguem adivinhar onde não tenciono voltar a pôr os pés?

 

Lumix DCM TZ60


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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Tempo




É uma daquelas brincadeiras inocentes sobre comportamentos que qualquer um pode fazer:

Em vendo alguém consultar um aparelho de medida de tempo (de pulso, de bolso, de parede ou num telemóvel), assim que for de novo guardado perguntar de imediato “Que horas são?”.

Constatarão que a esmagadora maioria das pessoas olhará de novo para o relógio, porque não o sabe de cor.

Na verdade, quando olhamos para um relógio, aquilo que queremos saber ou aquilatar não é o valor nele indicado mas sim a sua relativização. Quanto tempo falta para ou quanto tempo já passou desde que. É cedo ou tarde.

O valor real, em horas, minutos ou segundos de pouca monta é. Que no momento seguinte estará alterado, pertencendo ao passado.

Assim, não fiquei de todo surpreendido ou incomodado quando fiz esta fotografia.

Olhando para o que este relógio de sol me indicava e comparando isso com o meu relógio de pulso, o telemóvel e a indicação da câmara fotográfica, obtive quatro informações diferentes. Mas pouco relevantes, já que estava exactamente na hora de fazer uma fotografia. Ou, em o preferindo, faltava pouco para dali a um pedaço.

Em última análise, e para os cépticos ou cientistas, será a demonstração prática de uma das leis de Murphy: aparelhos de medida iguais, nas mesmas condições, mostram resultados diferentes.

 

Pentax K7, smc Pentax-M 50 1:1,2


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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

If I were taler




Há uma boa quantidade de anos, no meu deambular pela cidade, tirava partido do segundo mosquetão preso na minha mochila. Estava na alça direita e, as mais das vezes, estava vazio.

Mas em dias de manifestações de rua (havia-as amiúde) ou em estando para aí virado, vinha aí pendurado o meu monopé, tendo na ponta uma cabeça de encaixe rápido.

Servia ele para suportar uma câmara de bolso que tinha (e tenho), guardada na mochila e retirada quando as condições se proporcionavam. Não era a minha forma habitual de fotografar, mas permitiam pontos de vista incomum, num progecto a que chamava pomposamente “If I were taler”.

Colocava a câmara no monopé, esticava-o no seu comprimento máximo, activava o seu temporizador e levantava o conjunto tão alto quanto conseguia.

O resultado era “à zona”, já que não conseguia enquadrar nem o momento certo. Mas com a prática, fruto do conhecimento que tinha da objectiva e do eu contar o tempo do retardador, permitia-me fazer uns “bonecos” interessantes.

O habitual era fazê-los aquando grandes massas de gente, com ou sem primeiro plano. Era um mar de cabeças e faixas que davam a verdadeira dimensão da quantidade de gente presente.

Mas também quando tal mole não se juntava, permitindo imagens como esta, uma espécie de “voo de pássaro” baixinho, como se estivesse numa janela ou espreitando por cima do mobiliário urbano.

A taxa de aproveitamento era de cerca de 50%, o que não é mau, se pensarmos que o “momento decisivo” não acontecia nem havia um olho colado no visor da ocular.

Não posso dizer que seria o único a usar este método, mas nunca o vi em prática por cá, durante uns bons tempos. Depois vulgarizou-se, na medida do possível. Mais monopés no mercado, a introdução dos drones de pequeno tamanho (antes da legislação que os gere) fizeram com que esta novidade o deixasse de ser. E a imagem animada ganha espaço à imagem estática nos media, pessoais ou públicos.

Mas recordo que de uns militares sem uniforme que desfilaram em Lisboa ouvi o seguinte comentário: “Este deve ser da marinha, que veio com o periscópio”.

Acho que vou retomar a ideia, assim que reparar a alça do monopé, danificado do uso. Outros voos com os pés na terra.

 

Samsung S1060


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sábado, 26 de setembro de 2026

Vão dar banho ao cão!




Estive hoje na exposição que decorre na Faculdade de Belas de Lisboa. Não a visitei toda!

Para já chateei-me logo à entrada:

Tratando-se de um evento que acontece em Lisboa, que até é a capital de Portugal e onde a língua materna e oficial é o Português, logo à entrada sou confrontado com cartazes, indicações e disticos em Inglês. Não bilingues. Em Inglês!

Um raio que os parta. E fi-lo saber a quem estava por ali, seja os voluntários, que tinham uma camisola vestida escrita em Inglês, como junto de um dos organizadores.

Fiquei logo com os azeites!

Mas vi a primeira exposição, que estava patente numa das salas do piso térreo. E gostei do que vi, pelo menos de algumas.

Mas a porca torceu o rabo quando me dirigi para a segunda. Estava num lugar magnifíco, mas antecedido de escadas. De muitas escadas. Antigas, de pedra e irregulares, num espaço que terá sido a cisterna do palácio onde a faculdade está instalada.

O lance exterior ainda me arrisquei a percorrer, apoiado na parede. Mas a receio. Mas quando vi o interior, longo e com poucos e frageis apoios, todo o meu ser se recusou. Não apenas a minha artrose de anca protestou contra o descer e o posterior subir sem apoio fiável como a minha visão mono-ocular não conseguia assegurar-me das alturas dos degraus. Todo o meu corpo disse não!

Uma exposição fotográfica em Lisboa, onde o Português não é a língua principal e onde não há acessibilidade a pessoas com mobilidade condicionada...!

Eu quero que a Fujifilme, patrocinadora do evento, vá dar banho ao cão!

Salvou a tarde o facto de ter feito três ou quatro fotografias com a minha câmara de bolso, incluindo este túnel que conduz a uns sanitários, de acordo com as indicações. Bem como com o velho caixote que está ainda em teste.

A isto junte-se o ter regressado a casa com mais um exemplar para a minha colecção de câmaras Pentax. Os cromos difíceis são isso mesmo: difíceis.

Apesar de ter começado mal – muito mal mesmo – acabou bem a tarde.

 

Lumix DCM TZ60

 

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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Photographia


 


Photographia é a luz que nos encanta!

 

Pentax K100D, Sigma 70-300


By me

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Em campanha




Apareceram já a luz definhava e eu pensava em abandonar o jardim. Um grupo com bandeiras, exibindo o símbolo do seu partido sobre fundo branco (que estas coisas das campanhas eleitorais custam dinheiro!) Iam de banco em banco, tentando “impingir” os panfletos que traziam. E, para que não houvesse qualquer dúvida, a frente do opúsculo tinha a fotografia da mais alta figura do partido, sorrindo, justamente aquela que, em ganhando as eleições, poderá vir a ocupar o lugar de primeiro-ministro.

O facto de eu estar ali plantado, deambulando em torno da minha câmara e com outra pendurada no ombro, faz com que, por vezes, seja invisível. O que é uma sorte nestes casos. Mas não neste dia, nem para mim, nem para eles.

Depois dos velhotes, solitários ou não, nos bancos e do bando de garotos que ali festejava o primeiro dia de aulas e, consequentemente, o primeiro dia em que faltavam às aulas, foi a minha vez.

A cara dela não me era estranha e acredito que já a tivesse tido em frente da minha câmara, em estúdio de TV. Mas foi ele que fez as despesas da conversa e da função: Estendeu-me o folheto e perguntou-me “Quer ficar informado?”

A resposta já eu a tinha pronta, desde que os havia visto lá ao fundo: “Com isto ao peito, acha que iria votar em vocês?”

Estacaram, surpresos, e ela exibiu um sorriso amarelo quando viu aquilo que eu apontava. Já ele corou um pouco. Mas, se como disse antes, a cara dela me não era estranha, a dele não conhecia mas não esquecerei pela certa. Que a sua resposta, pronta, esteve ao nível.

“Já tivemos alguns a votar em nós. Já foram mais, mas já tivemos alguns e bons a votar em nós!”

E, estendendo-me a mão, afastaram-se, não sem antes ele acrescentar:

“Continue a querer mudar a coisa. O truque é esse: não desistir!”

O que ele não sabe é que, bem mais que “Querer mudar a coisa”, faço por isso todos os dias e vou-a mudando: Com o preço das minhas fotos, com os alertas sobre os actuais Big Brothers, com as intervenções sociais, com as conversas com os miúdos e graúdos que vou encontrando.

A revolução faz-se todos os dias, em todas as circunstâncias. Não apenas em campanha eleitoral!

 

Samsung S1060


By me