quinta-feira, 14 de maio de 2026

O tótó




Fui enganado. Não adianta argumentar em contrário.

Fui enganado e em parte a culpa foi minha, que fui na conversa de uma mais que simpática menina de um balcão de atendimento de uma grande empresa neste país.

Eu sabia o que queria há pouco mais de um mês, não foi o que me foi entregue e a resposta que recebi redundou, hoje, numa ida a uma outra loja dessa empresa (não importa qual) reclamar e obter aquilo que queria logo de início.

Haveria várias abordagens à questão: entrar a matar, refilando com tudo e todos; exigir o que queria ameaçando com os quintos dos infernos e mudança de fornecedor; ou entrar como se fosse muito burro, quase pedindo desculpa pela minha ignorância e existência, e pedindo que me resolvessem o problema. Que, em boa verdade, fora provocado por uma funcionária deles.

Optei pela última hipótese.

Fiz-me de tolo, de completo ignorante na matéria, contei a história toda desde pequenino, atirei com o meu charme e umas piadas feitas na hora a propósito do que estivéssemos a falar, dei bom uso à cor das minhas barbas e ao que delas se poderá interpretar, et voilá:

As coisas resolvidas, por quem me atendeu com o auxílio por ela reclamado de mais duas outras pessoas, pediram-me desculpa pelo incómodo e quase só faltou saírem do seu lugar para me abrirem a porta à saída.

E nem queiram saber o que eu me estava a divertir fazendo-me de totó!

É por estas e outras que prefiro o atendimento presencial, cara-a-cara, que os Call Center, onde estes truques não funcionam.

 

Nikon Coolpix P7000


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quarta-feira, 13 de maio de 2026

Cházinho e futuro




Em primeiro lugar, sempre gostava de saber quem é que lhes deu confiança para tratarem os seus concidadão por “tu”. Garanto que não fui eu!

E iria ser uma barraca se alguém da “populaça” tratasse algum deputado ou ministro desta forma, em vez do convencionado e formal “você”.

Com este cartaz bem se vê o cházinho que não beberam quando eram pequenos.

Em segundo lugar, se o resultado de dois anos de trabalho pelo nosso futuro é aquilo que hoje temos, mais valia terem ficado quietos! E que fiquem quietos, que pelo andar da carruagem as coisas não irão melhorar.

Pelo menos há que reconhecer que assumem as responsabilidades. Cobraremos de modo formal no próximo acto eleitoral, ou informal antes disso.

 

Pentax K7, smc Pentax-FA 28-200


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Outros tempos




“Boa tarde! Faça o favor…?”

“Boa tarde! Eu queria falar com o sr. Duarte.”

“Com certeza. E quem é que quer falar com ele?”

“Eu disse que queria falar com o sr. Duarte.”

“E quem é que quer falar com o sr. Duarte?”

“Eu queria falar c…”

CLIC

A situação ou diálogo repetiu-se.

Só aquando da terceira ligação, sempre de número explícito, é que do outro lado se identificaram. Por sinal de uma loja onde eu havia feito uma encomenda, a avisarem-me que já lá estava o que tinha pedido.

No meio de tudo isto, o que tem mesmo piada é ter acontecido pouco depois de eu ter feito algumas fotografias em torno de uma vetusta cabine telefónica, que quase só existe para turista ver. De uma época em que ninguém se lembraria de iniciar uma conversa telefónica sem ser pela sua própria identificação.

 

Outros tempos.

 

LG-D405


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terça-feira, 12 de maio de 2026

O verdadeiro




Quando fazemos uma fotografia recorremos a sistemas mais ou menos complexos para aquilatar da quantidade de luz que queremos que chegue ao alvo, seja ele película ou sensor electrónico.

O sistema concebido para tal, pondera os factores envolvidos: a quantidade de luz que chega ao aparelho, a sensibilidade deste, a abertura de diafragma para deixar passar a luz e quanto tempo o alvo estará exposto a ela.

Fazemos isto usando aquilo a que chamamos de fotómetro, seja ele embutido na câmara, seja ele externo. Os mais antigos dão-nos a indicação que queremos através do posicionamento de um ponteiro, os mais modernos com os diversos valores expressos por números visíveis num ecrã.

Mas, seja qual for o sistema ou a modernidade, nunca estamos a medir a luz mas apenas a regular a forma como a vamos utilizar. Apenas alguns, e de forma acessória, nos dão a indicação de quantidade de luz, medindo-a em footcandle (a origem do termo português fotómetro) ou em lux, unidades mais ou menos universais.

Mas medir luz não é apenas exclusivo de quem capta imagem. Quem concebe espaços interiores, fábricas, habitações, salas de espetáculo, estações de caminho de ferro..., também necessitam de medir luz para que as actividades que aí se desenrolam tenham a quantidade necessária para que se veja o que se está a fazer ou acontecer.

É aí que entram os verdadeiros fotómetros ou luximetros: apenas medem quantidade de luz, deixando ao seu utilizador a tarefa de a usar a seu bel-prazer ou função. Ele sabe quanta luz necessita e quanta é libertada pelas diversas lâmpadas no mercado. Tal como saberá de que forma a quantidade de luz varia em função da distância e qual o rendimento dos reflectores onde cada lâmpada está colocada. O fotómetro é então usado para verificar os calculos efectuados e fazer correções nas posições da luminárias se tal for necessário. Ou substituir lâmpadas que, por deito de fabrico ou pela idade, já não tenham o rendimento desejável.

Vem tudo isto a propósito deste aparelho que aqui exibo: um verdadeiro fotómetro. Apenas mede luz, sem complexos cálculos de exposição fotográfica.

Comprado hoje, por um valor inferior ao de qualquer refeição de faca e garfo numa qualquer tasca barata. Vi o anúncio num site de artigos usados e não resiti a o juntar aos demais sistemas de medição de luz e de exposição fotográfica que por aqui existem.

Se o vou usar para fotografar? Quase de certeza que não. Estou demasiado viciado nos quadrantes e indicações dos “fotómetros” ou exposímetros, para usar de um bom pedaço de tempo a fazer contas complexas.

No entanto não confio por completo no que estes me sugerem. Nesta imagem, por exemplo,  usei o exposímetro da câmara mas reduzi a exposição em 1,5 EVs (mais uma unidade de relativização de exposição). Isto porque sei como funcionam os aparelhos e, se tivesse seguido as suas indicações, iria obter um cinzento feio e falso, no lugar de negro bem profundo do aparelho fotografado.

Os sistemas existentes, para fotografar ou seja para o que for, dão-nos informações auxiliares e não dogmas a seguir sem contestação. O ser humano ainda é a peça fundamental no resultado final.

 

Pentax K1 mkII, smc Pentax-M macro 100 1:4


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segunda-feira, 11 de maio de 2026

"Penso eu de que"




Em 2013 enviei eu o texto abaixo transcrito para a produção do programa “Cuidado com a língua”.

Está tão ou mais actual hoje como estava então.

 

Senhores:

Quando vi o vosso programa usando a fotografia como tema para bem usar a língua portuguesa, fiquei entusiasmado. “Este programa”, pensei, “quero eu para usar como referência sobre alguns disparates que se vão dizendo.”

Acontece que quando vi o programa não o estava a ouvir. Só alguns dias depois, e através do sitio da RTP o pude fazer. E logo mudei de opinião.

Que este programa não quero eu nem o irei usar como referência. E explico o porquê.

Começando logo com alguns erros técnicos “de palmatória”: o trabalho de laboratório, nomeadamente a positivação em papel da imagem, não pode ser sempre feita sob luz de segurança. Apenas quando se usa papel ortocromático, vulgarmente conhecido por “preto e branco”, isso é possível. No caso da fotografia ampliada para papel a cores, que é pancromático, isso é impossível.

(Se os termos “ortocromático” e “pancromático” parecem palavrões técnicos, veja-se um pouco de história e saiba-se o significado e origem dos prefixos “orto” e “pan”.)

Ainda dentro do laboratório, saiba-se que a “luz de segurança” usada não tem que ser obrigatoriamente vermelha. Alguns tipos de papel fotográfico ortocromáticos permitem usar lâmpadas ou lanternas de segurança verde-amarela. O que, acrescente-se, é quase o que se pode deduzir pelas imagens que nos apresentaram aquando da revelação do papel: o tom geral da imagem é bem mais amarelo-esverdeado que vermelho. Não seria fácil fazer a captura de imagem com luz vermelha, que tem muito pouco rendimento luminoso, mas um qualquer filtro na câmara ou o correcto tratamento posterior em edição fariam o serviço.

Em seguida, uma velha discussão: imagem analógica e imagem digital.

Toda e qualquer imagem fotográfica, digital ou não, é analógica. Existe sempre analogia entre a imagem captada e o respectivo assunto. E toda e qualquer imagem fotográfica só é visível depois de revelada. Ou, e como bem disseram, depois de “retirado ou véu”.

A diferença está em que a imagem captada em película necessita de “revelação” química e a captada por meios eléctricos necessita de “revelação” electrónica. Os processos de codificação e descodificação dos diversos tipos de formatos de imagem digital são, efectivamente, o revelar da informação que foi produzida pelo sensor da câmara que, antes de ser objecto desse tratamento, se encontra invisível. Ou “velada”.

O termo correcto para a fotografia captada em película será, se outro não quiserem usar, “foto-química”. Ou “… em película”.

O uso da expressão “fotografia analógica” surge apenas após a criação da fotografia electrónica ou digital e só porque haveria que dar um nome para diferenciar os processos de produção e respectivo arquivo dos processos intermédios.

Porque, e em olhando para duas boas fotografias, uma dita “analógica” e outra dita “digital” e já impressas, não se saberá qual ou quais os processos empregues. E ambas são analógicas, com toda a analogia ou semelhança entre o que nelas vemos e os assuntos fotografados.

Sobra uma questão velha de séculos: câmara ou máquina fotográfica.

Foi pena que em tudo o que disseram sobre a origem do termo “câmara”, se tivessem esquecido da “mãe” de todas as câmaras de produção de imagem: a câmara obscura.

Aquilo que é mais popularmente conhecido a seu respeito é o que nos conta Leonardo DaVinci. Mas os seus princípios remontam à antiguidade chinesa, à antiguidade grega, aos primórdios da cultura islâmica: um local escuro, com um orifício, que permite produzir uma imagem real, invertida e, geralmente, menor que o objecto.

A câmara fotográfica é isso mesmo; um local fechado à luz, onde ela entra por um espaço controlado, orifício simples ou com lentes compondo uma objectiva, produzindo uma imagem real, invertida e registável. 

E se a história e origem dos termos não servir para definir o termo certo, considerem-se dois exemplos: o cinema e o vídeo. Se os termos para identificar os sistemas de produção e captação de imagem cinematográfica ou videográfica são “câmara de cinema” e “câmara de vídeo”, porque se há-de usar “máquina” para a que lhes deu origem? Porque tem um “mecanismo”? Bem, a de cinema tem mecânica bem mais complexa que a de fotografia.

Sei que esta questão é velha, quase tanto quanto a fotografia. Mas, e muito curiosamente, é uma disputa que apenas existe em Portugal. Ao que sei, em nenhuma outra língua este problema se levanta, sendo o termo “câmara fotográfica” aceite como o único.

Faltou referirem duas outras questões, igualmente polémicas e linguísticas: o uso da expressão “velocidade de obturação”e o termo “lente”.

“Velocidade” é uma relação de qualquer acto em função de uma unidade de tempo. “Velocidade de sedimentação”, “velocidade de um automóvel”, “velocidade de escrita”. Quanto tempo para se obterem todos os sedimentos, quanto espaço se percorre por hora, quantas palavras se escrevem por minuto. É sempre qualquer coisa por unidade de tempo.

Acontece que aquilo que se regula numa câmara fotográfica é apenas o tempo que o alvo, película ou sensor, está exposto à luz. Apenas isto. Ajuste de tempo. Todo o mecanismo que destapa e volta a tapar o alvo se movimenta à mesma velocidade, seja qual for o ajuste que façamos. Que se trate de câmaras com obturador central (no interior da objectiva) quer se trate de câmaras com obturador plano-focal (no interior da câmara e junto do alvo).

Aliás, e em casos de dúvida, veja-se como esta tal “velocidade de obturação” é expressa: unidades de tempo. 1/500 de segundo, meio segundo, três minutos… Nunca uma referência qualquer coisa por tempo, como a luz (300000 quilómetros por segundo).

O termo “lente”, em questões de óptica, refere um pedaço de material, permeável à luz, cujas faces opostas não são paralelas. É um sistema óptico simples, cuja função é alterar a direcção da luz de uma forma controlada. Usamos lentes nos nossos óculos, usamos lentes nas lupas de aumento, usamos lentes (desta feita do modelo “fresnel”) na iluminação frontal de um automóvel ou num farol de costa.

Aquilo que as câmaras fotográficas possuem são conjunto ópticos, compostos de várias lentes de posição ajustável, as mais das vezes acrescidos de um mecanismo de controlo de fluxo luminoso a que damos o nome de “diafragma”. Alguns destes conjuntos possuem ainda o obturador no seu interior.

A estes conjuntos, complexos, dá-se o nome de objectiva.

A vulgarização do termo “lente” como sendo o sistema óptico que possuem as câmaras fotográficas (ou de cinema ou de vídeo) é um anglicismo a partir do termo “lens”.

A língua é uma coisa viva, evolutiva. E bem mais importante que o academismo é o servir para comunicar.

Podemos chamar a uma objectiva “batata frita” e intitular o tempo de exposição de “ovo estrelado”.

É indiferente que palavras usamos desde que nos entendamos. E muito brincam as crianças com isso, criando códigos de comunicação “secretos”, com palavras inventadas ou corruptelas da língua.

Mas, em termos profissionais ou quando se quer ensinar o uso de termos ou expressões “correctas”, convém ser-se rigoroso no que se transmite. Quiçá recorrendo a várias fontes de informação, científicas e credenciadas.

Ou então assumir que se trata de opinião, passível de contestação como esta que vos envio.

Não sou um lente na matéria, mas tão só um curioso. Mas custa-me ver ser dado como certo o que não o é, acrescido da responsabilidade dessas afirmações serem divulgadas pela televisão com o peso do rigor que um programa didáctico tem.

Como nota final: este texto ou missiva foi escrito ao desabrigo de qualquer acordo ortográfico. Assumidamente como tal. Mas também não me entendo como um especialista em ortografia.

Espero que o vosso programa continue a ter a efectiva simpatia e aparente simplicidade que nos cativa.

JC Duarte


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Interiores




TOC doméstico

 

Lumix DCM DZ 60


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domingo, 10 de maio de 2026

Prazeres




Há combinações que, na proporção certa, roçam o divino no palato.

 

Pentax K1 mkII, smc Pentax-M macro 100 1:4


By me




As fotografias feitas fora de ambientes controlados (estúdio) não são repetíveis. É o momento decisivo, como explicou o mestre. Podem ser copiadas ad nauseam, mas o acto fotográfico não se repete.

Tal como as emoções.

 

Nikon Coolpix P7000


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sábado, 9 de maio de 2026

Crises e emergências




Entre a guerra dos EUA e o Irão e os contágios com o hantavirus...

Já fez o seu açambarcamento de papel higiénico?

 

Lumix DCM TZ 60


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sexta-feira, 8 de maio de 2026

Sem importância alguma




Esta é uma fotografia sem importância alguma.

Apenas uma parede, que me bloqueia o caminho, e uma janela, que não me deixa ver para além mas tão só o reflexo do que está atrás e acima de mim.

Não importa rigorosamente para nada!

Talvez que seja um aviso para que pare e pense no que foi.

Ou um incentivo para que siga e derrube o que se me atravesse na frente.

Ou apenas um relembrar que as imagens que vemos não são realidade mas antes uma ilusão daquilo que pensamos que existe.

Ou talvez, nada de pensamentos profundos, muito simplesmente que o meu olhar parou e fez-me parar, em trânsito na cidade, e que o meu vício de usar a câmara me obrigou a usá-la.

Como disse antes, não tem importância alguma esta fotografia.

 

Nikon Coolpix P7000


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