quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Abordagens




Se a memória me não falha e o que vou vendo na web não me engana, a Pentax ME Super foi a mais câmara Pentax vendida em Portugal, a par com a Pentax Spotmatic.
O projecto que tenho vindo a concretizar, como já aqui contei, é o fotografar o meu equipamento fotográfico. Comecei pelas câmaras.
Mas tenho diversos pressupostos para esta série. Alguns técnicos, outros estéticos. E semioticos também.
Um deles é que cada fotografia seja diferente das demais. De algum modo diferente. Que cada uma seja única, tal como cada objecto é único. Nada de fotografias estilo “catálogo”.
Para tal, tenho que pensar sériamente na peça, na sua história enquanto objecto feito em série numa fábrica e enquanto objecto único nas mãos de um fotógrafo. E qual a sua história, se a souber.
Com câmaras a abordagem é simples, mais complicado será quando começar a trabalhar com objectivas, filtros, flashs, tripés e demais parafernália.
Pentax K1 mkII, Tamron SP Adaptal2 90mm 1:2,5

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domingo, 18 de fevereiro de 2024

Selfie




Para divertimento meu, e fazendo parte de um projecto entre mãos, tenho vindo a fotografar parte do meu equipamento. Por enquanto, tenho-me ficado por câmaras Pentax, ficando objectivas e outras marcas para mais tarde.

Por uma questão de método técnico, decidi que as fotografias seriam feitas com a Pentax K1 mkII. E apenas uma fotografia por dia.

Hoje de manhã, no banho, questionei-me sobre como o conseguiria fazer com essa câmara, usando um dos pressupostos colocados: sempre a mesma.

Isto foi o que me ocorreu.

Não estará perfeita, mas nem eu sou perfeito nem as selfies costumam ser fotografias perfeitas.

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Pentax K1 mkII, Pentax –M 35mm, 1:2

By me

sábado, 17 de fevereiro de 2024

Ser




Enquanto te preocupares com o identificares-te com carimbos, etiquetas, slogans, nunca serás mais que isso: um carimbo, uma etiqueta, um slogan.

E etiquetas temos todos, na roupa suja e na roupa lavada.

Sê aquilo que queres e és e deixa as classificações para os outros.

Ao fim e ao cabo, quem faz a cueca raramente imprime a etiqueta.

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Pentax K1 mkII, Tamron SP Adaptall2 89mm 1:2,5

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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

Luz e perspectiva




Aviso: o texto é longo e a fotografia foi feita para ele.

Se não gosta de textos longos, por favor siga para a publicação seguinte.

Entendo que uma das principais diferenças entre o pintor e o fotógrafo é que o primeiro inclui, dentro dos limites da tela em branco, tudo o que entende que lá deve constar e o segundo, confrontado com um mundo cheio de conteúdo, exclui do seu enquadramento tudo o que entende lá não dever constar.

O pintor pode mesmo apenas colocar na tela um rosto deixando que tudo o mais dela sem nada de tinta; o fotógrafo, se o quiser fazer, terá que incluir algum fundo neutro que tape o que mais lá possa existir e terá que, de algum modo, esconder os ombros e o peito do modelo.

De uma forma muito simples, pode-se dizer que o pintor funciona pela positiva, acrescentando elementos, enquanto que o fotógrafo age pela negativa, retirando elementos.

Claro que isto não é um definição universal, como se de ciência se tratasse. E mesmo a ciência diz que cada dogma ou postulado é verdadeiro até que seja demonstrado que não o é.

Mas o fotógrafo pode fazer algo de semelhante ao pintor. Perante um espaço vazio imagina aquilo que quer ver representado no seu trabalho e vai acrescentando elementos até que o conjunto corresponda ao que imaginou. Indo mais longe, acrescenta ou retira luz para evidenciar ou menorizar partes desses elementos. Tal como o pintor clareia ou escurece com tintas aquilo que imaginou.

Ambos trabalham com perspectiva, mais real e geométrica ou mais fantasiosa ou “deturpada”. De acordo com o que sentiram, imaginaram e querem transmitir. E ambos trabalham com luz, criando o claro/escuro que mostrará emoções e ambiências.

Não sou pintor. Mas garanto que trabalhar perspectiva e luz me dá um enorme prazer. E quando domino todo o processo, incluindo elementos ao meu enquadramento ao invés de excluir o que perturba, ainda mais satisfação tenho. Tal como quando consigo jogar com as sombras para que o resultado corresponda ao que senti e imaginei.

Luz e perspectiva: a base da fotografia.

 

Pentax K1 mkII, SMC Pentax 50mm 1:1,4


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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Orgulhos




Porque mostro eu uma fotografia de uma câmara que não de marca Pentax?
É que esta câmara tem uma história que, de algum modo, se cruza com a Pentax.
Herdei esta câmara de meu pai, junto com mais algumas e demais parafernália fotográfica.
Pelo ano em que foi fabricada (1969), pela história que sei da família e porque não encontrei nenhuma mais antiga, esta câmara terá feito as fotografias possíveis da revolução e pós revolução de 1974. Arquivo esse que não encontrei.
Teremos que considerar ainda que, na época, a fotografia estaria nos inícios da popularidade mas que, ainda assim era algo dispendioso. Equipamento, consumíveis e laboratório.
A câmara que se lhe seguiu na sua vida, e que tenho guardada e recuperada, foi uma Pentax ME Super. Uns dez ou poucos mais anos depois. Foi um salto qualitativo enorme, desde logo pelas várias objectivas que a acompanharam. Que também possuo.
Ter nas minhas mãos uma câmara fotográfica que fez alguns registos dos tempos que se seguiram à revolução é para mim motivo de orgulho.
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Os mais rigorosos da técnica e da estética fotográfica dirão que esta fotografia é uma confusão de sombras contraditórias. É verdade! Mas também é propositado.
Não apenas é uma tentativa de replicar a estética da fotografia de estúdio de então como é um interpretação subjectiva dos tempos belos mas conturbados e contraditórios que se viveram nessa altura. 
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Pentax K1 mkII, Tamron SP Adaptall2 90mm 1:2,5
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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Conceitos




Uma imagem vale mais que mil palavras.

Pentax K1 mkII, Tamron SP Adaptall2 90mm 1:2,5


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Escalas




Pequena câmara para grandes batalhas
Pentax K1 mkII, Tamron SP Adaptall2 90mm 1:2,5

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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

Gum shoe




Provavelmente esta expressão nada diz aos falantes de português. E pouco dirá aos falantes de inglês.

Mas tropecei nela há já muitos anos num romance policial americano.

Por aquilo que pesquisei, era a alcunha dada aos detectives privados, as mais das vezes aqueles durões que fartavam-se de beber, de apanhar pancada, por quem as mulheres se apaixonavam e que, no fim da história, fazem vencer o bem sobre o mal, ainda que a fronteira entre ambos seja ténue.

Presumo que a alcunha advenha da necessidade de o detective seguir silenciosamente a sua presa, não fazendo ruído ao caminhar por usar sapatos com sola de borracha.

Foi um termo que me ficou na cabeça mas que recordei um sem número de vezes ao longo da vida. Em particular a vida profissional.

Se para um operador de câmara, tal como em muitas outras profissões, o ter os pés confortáveis é algo de muito importante, o tê-los silenciosos ao deslocar-se em estúdio é vital. Calçado com sola de couro e tacão rígido é algo que se não recomenda durante gravações ou directos.

Imagine-se o efeito de se ouvirem passos durante um conserto de música de câmara, num palco de madeira, oco por baixo. E isto não é ficção, que durante um ensaio, um operador de câmara foi expulso pelo maestro devido ao seu calçado.

Gum shoe, uma expressão que me baila na cabeça há mais de meio século.

 

Pentax K1 mkII, Tamron SP Adaptall2 90mm, 1:2,5

By me


No museu




Fui ver uma exposição de fotografia.
No museu da cidade, Palácio Pimenta, da autoria de Luis Pavão. Recomenda-se, para os mais novos verem como era alguma vivência em Lisboa nos últimos 20 anos do século passado e para os mais velhos recordarem, talvez, alguma das suas vivências.
Algumas das imagens, quatro ou cinco, estavam impressas em tamanho natural, recortadas e coladas na parede. Este é um dos exemplos.
Mas tiveram uma ideia patusca: colocar à frente desta fotografia um banco, como que num convite a sentar e fazer uma brincadeira fotográfica.
Foram mais longe na ideia e na sua concretização e criaram aqui uma luz em muito semelhante à dos retratados na parede. Como se vê aqui.
Resulta!
Só que... Só que esta luz, crua e bem vertical, evidencia ou exagera as rugas do rosto de quem aqui se sentar. A idade não perdoa e o amor-próprio também não.
Esta senhora não conseguia fazer uma selfie no banco e pediu-se ajuda. Usando o seu telemovel, fiz. Ela viu e comentou, amarga, que a idade não perdoa.
Tinha a minha câmara no ombro e a 90mm montada. Perguntei-lhe se podia usar a minha e anuiu. Afastei-me quanto bastou para que a perspectiva como que disfarçasse essas marcas do tempo. Mostrei-lha e disse-me que estava muito melhor.
Fiquei com o seu e-mail e já lha enviei.
Tal como costumo dizer, a luz é a minha matéria-prima, a perspectiva a minha ferramenta.
Pentax K1 mkII, Tamron SP Adaptal2 90mm, 1:2,5

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domingo, 4 de fevereiro de 2024

Diatribe em torno de um prato vazio




A nossa existência está prenhe de códigos.

Conduta, vestuário, binário, morse, ... até o escrever é feito de códigos.

A alguns desses códigos nem prestamos atenção em demasia, como o falar, outros será particularmente grave não os seguir, como o de estrada.

Servem os códigos para organizar as relações entre pessoas, para que um acto de um seja bem interpretado pelos demais. Recordem a dificuldade em aprender caligrafia e ortografia, dois códigos bem mal seguidos nos tempos que correm.

A alguns desses códigos damos o nome genérico de etiqueta. E não me refiro às etiquetas apostas nos objectos, como roupa para identificar fabricante e qualidade, ou embalagens, para identificar preços ou valores.

Falo da etiqueta social, que rege comportamentos. A forma de cumprimentar um recém chegado, o cobrir ou descobrir a cabeça ao entrar num templo, quem se senta ao lado de quem a uma mesa de refeições.

E as mesas de refeições são um verdadeiro labirinto de etiquetas ou códigos sociais. Qual o copo certo para um determinado líquido, onde fica e qual é cada um dos talheres, de que lado se serve ou se retira a baixela...

Alguma desta etiqueta, como os restantes códigos, é muito condicionada pela geografia ou, se preferirem, pela cultura que a pratica. E aprendemos a etiqueta, ou o comportamento, desde pequeninos: como estar à mesa e o que fazer. Quem é o primeiro a sentar, mesmo quando todos já estão em redor, a posição das costas ou o lugar dos cotovelos, como segurar o talher...

Um desses conjunto de códigos refere o que fazer em terminando a refeição ou parte dela: o que fazer com os talheres.

Manda a etiqueta que devem ser colocados em paralelo, com o cabo para o mesmo lado. E que nunca, mas nunca, devem ser colocados cruzados, já que os códigos definem isto como “não gostei do que comi”. Coisa que será bem mal aceite por quem confecionou a comida ou os donos do lugar onde comemos: casa ou restaurante.

Há, no entanto, um código ou etiqueta que não é seguido em demasiados lugares, públicos ou privados: o comer-se o que consta de uma travessa ou terrina, ou mesmo tacho, comum a todos os comensais.

A refeição, desde sempre, é um local de partilha, de satisfação comum de uma necessidade básica. Um irmanar na ingestão de alimentos. E, nos tempos que vivemos, com as imposições laborais e horárias, um dos pouco momentos em que aquele pequeno grupo de gente está junto. Partilhando, para além da comida, as vivências e as ideias. Recentes ou distantes.

A não partilha de comida, ou de baixela, ou de talheres, ou mesmo se os pratos forem servidos fora do olhar de quem ali está sentado, é um modo de afastar ou separar aqueles que apenas naqueles momentos se partilham.

Toda a vida defendi a partilha. Como elemento de aproximação e igualização entre individuos ou grupos. É bem mais importante o partilhar que o dar. Até porque, em regra, dá-se o que sobra, mas o partilhar não define quantidade ou qualidade.

Quando se está num núcleo social, por pequeno que seja, e não se consegue que exista partilha, mesmo que muito se insista nessa tecla, o melhor é fazer uma de duas coisas: desistir do conceito ou desistir do grupo.

A minha opção foi a óbvia. Até porque “Burro velho...”

 

Pentax K1 mkII, Tamron SP Adaptall2 90mm, 1:2,5


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