sábado, 29 de agosto de 2026

Tempo




Suponho que nunca se perguntaram porque é que a semana tem sete dias. Não dez, tantos quantos os dedos das mãos, ou quinze, por um outro motivo qualquer. Sete!

Claro que a tradição judaico-cristã nos afirma que o universo foi criado em sete dias por um deus. Essa será uma explicação teológica, válida para crentes.

Mas há uma outra, bem mais prosaica, que talvez espante os menos avisados: a Lua.

Sabemos que o ciclo lunar tem 28 dias. E que cada fase da Lua (crescente, cheia, minguante e nova) dura sete dias. Aí está.

Para os antigos, que não tinham mecanismos de medição do tempo, este era medido em função dos fenómenos que conheciam e que ser repetiam.

O mais básico seria o dia, facilmente constatável. De seguida a Lua, também repetido e previsível. Mas 28 dias é muito tempo. Quase um mês.

Daí que as fases da Lua, cíclicas e regulares, numa quantidade de dias facilmente comensuráveis.

Para os que tenham dúvidas, legítimas face à ancestralidade do ciclo de sete dias, repare-se na quantidade de civilizações que ainda têm por tradição o calendário lunar. Claro que estas, por imposição do comércio e demais relações internacionais, acabaram por considerar não apenas o conceito de anos em função da translação em torno do Sol, com o ajusta de um dia extra por cada quatro anos, como o calendário gregoriano, com os seus meses não regulares. E as semanas, a não caberem em quantidade certa em cada mês. Excepto o Fevereiro, com 28 dias. Menos o bissexto.

A origem das unidades, sejam elas quais forem, é sempre meio obscura. Tal como o sistema hexadecimal, usado para movimentos circulares: horas, graus, minutos, segundos.

Entender o passado, onde se alicerça o presente, permite-nos construir o futuro. Seja em unidades de medida, pensamentos ou emoções. Mesmo que estas não se meçam.

 

Nikon Coolpix P7000


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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Ou não


 


Fumar mata devagar mas...

Quem tem pressa em morrer?

 

Pentax K7, Pentax 18-55


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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Diatribes (ou não)




Foi há já uns anos valentes. Há quase vinte anos.

A câmara guardo-a, tal como quase todas as outras. As que não guardo foram as que vendi em momentos de grande aperto. Lamento cada uma delas.

A objectiva guardo-a, com os mesmos argumentos e lamentos que as câmaras. Com a diferença que, em tendo avariado, comprei uma igual tal o gosto que tinha e tenho pela sua flexibilidade.

Da barcaça nada sei. Passado todo este tempo, talvez esteja ainda a subir e descer o rio, fazendo pausa aquando do anoitecer, como era quase o caso.

A margem continua lá, com fauna e flora variavel de acordo com a estação do ano e aquilo que o ser humano vai deixando, com as suas travessias anunciadas e as suas construções efémeras.

O rio, esse, continua a correr debaixo das pontes como se nada fosse, escasseando uns anos, superabundando outros, como sempre fez desde o rio é rio. Alargando-se aqui, estreitando-se acoli, continua a fazer de fronteira aquém e além, dando nome a terras, barragens e pontes, como se disso dependesse alguma coisa. É-lhe indiferente.

A lua lá continua, ora tapada ora destapada, na sua quase sempierna revolução e servindo de mote a poetas e enamorados. Também serve de objectivo, como que primeira fronteira para o espaço infinito, aquele que queremos conquistar como quem quer conquistar uma praça forte ou uma medalha. Como se isso a importunasse, excepto a expectactiva de vir a ser o quintal das trazeiras onde iremos deixar os dejectos da humanidade, já que mais não conseguimos estragar este pedaço de rocha a que chamamos planeta terra.

Por mim, entre o agora e o agora cosmico, vou tentando registar os pedaços que vejo ou penso, transformado, como dizia o mestre, num taxidermista do tempo. Como se isso abalasse o cosmos ou a vida de alguém.

 

Pentax K100D, Sigma 70-300


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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

domingo, 23 de agosto de 2026

Foi o que me apeteceu




David Hockney, nas suas incursões no mundo da fotografia e do estático movimento ou do movimento estático, incluia quase sempre uma fotografia onde se viam os seus pés.

Nunca aprofundei as razões de ser de tal pecularidade: se como assinatura, se como prova de que esteve lá, se como início do movimento a fazer com a câmara Polaroid...

Por mim, que até gosto de fotografar os sapatos abandonados na rua e que me ponho a imaginar a vida que tiveram com pés dentro ou ao lado da cama, não podia deixar de fotografar os meus sapatos. Com os pés dentro ou fora.

Neste caso, conjugaram-se vários factores: o estar numa pausa entre fotos, o pensar em substituir estas velhas pantufas, o ter entre mãos uma uma câmara Pentax de excepção de pequena que é.

A luz, essa, é que me entra pela janela, sem mais enfeites que um dia em que se antevêem várias tempestades ao logo da costa e travada pela minha secretária de trabalho.

Significa alguma coisa? Não! Mas foi o que me apeteceu fazer.

 

Pentax I-10


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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

O relógio




Esta fotografia tem uns quarenta e tal anos.

Consto nela, tal como o meu chapéu e o meu primeiro tripé Gitzo. A câmara, uma Pentax MX, não está na imagem porque foi usada para a fazer.

O que consta, apesar de muito discreto, é o meu relógio, usado como sempre no braço direito.

Comprado a um preço simpático, tinha um detalhe pouco comum então: Sendo digital, usava um método misto de mostrar o tempo: ponteiros e mostrador numérico. E tinha uma característica que me levou a ficar com ele, no meio de muitos outros.

O seu cronómetro também funcionava em regressivo mas sem iluminar o mostrador. Detalhe vital para quem revelava negativos de grande formato em preto e branco, usando tinas abertas e na escuridão total. Marcava-lhe 50 segundos e quando apitava era o momento da agitação de dez segundos. Sempre no escuro, como impõe o uso de materiais pancromáticas. Só algum tempo depois encontrei e comprei um tanque estanque à luz que me permitia trabalhar com mais conforto, bem tarde na noite, já que usava a casa de banho da família como laboratório. Fartei-me de usar fita adesiva para bloquear o interruptor da luz no seu exterior.

Um compincha destas andanças, com as mesmas limitações, usava um gravador de cassetes com um tema musical de que gostava cuja batida rítmica lhe servia de guia temporal.

As técnicas, limitações e complicações evoluíram, facilitando (ou dificultando) os processos. Mas o objectivo sempre foi o mesmo: fazer Fotografia. Cujo dia mundial se comemorou esta semana.


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terça-feira, 18 de agosto de 2026

Sal




De tanto procurarmos a perfeição universal, esquecemos as nossas próprias imperfeições.

E são elas o sal da vida!

 

Pentax K1 mkII, smc Pentax-M 35 1:2,8


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domingo, 16 de agosto de 2026

Gadjets




Para os curiosos destas coisas, aqui fica uma imagem de um copipod da Asahi Pentax.

Sendo uma peça concebida nos anos 60s, em que se usavam câmaras em que a objectiva era fixada com o sistema M42 (rosca), este conjunto está em estado novo mas o estojo para as suas peças é em material sintético, pelo que posso deduzir que seja um dos últimos modelos.

Não me veio parar às mãos acompanhado do manual de instruções, levando-me a descobrir sózinho todas as potencialidades deste sistema, com um pouco de apoio do on-line.

Foi aí que fiquei a saber que as boas marcas da época tinham sistemas semelhantes. Ainda não tinham surgido as fotocopiadoras e muito menos os scaners, sendo este um dos meios para copiar documentos, quer a película usada fosse o 35mm ou menor.

Alguns foram os estudiosos e os entusiastas da fotografia que tinham ou desejavam ter uma peças destas. Eu era um deles.

 

Pentax K1 mkII, smc Pentax-M macro 100 1:4


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sábado, 15 de agosto de 2026

Rusty




A kind of a self portrait

 

Pentax K7, Tamron SP2 18-200


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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Diaf


 


Um destes dias cometi uma asneira. Grossa.

Melhor dizendo, fiz algo que valeu por duas asneiras: uma pelo que fiz, outra porque já sabia que era asneira e insisti.

Tentei explicar a alguém os fundamentos de uma dada objectiva: para que serve ou é usada, quais os motivos técnicos de assim ser e quais os respectivos problemas.

Asneira!

Asneira porque já conhecia a pessoa e, mais que querer aprender, queria exibir-se pelo possuir aquela peça, pouco comum, diga-se de passagem.

E asneira porque este tipo de pessoas, mesmo que queira saber algo, não querem saber fundamentos ou algo que vá mais para além do que como se usa. As razões de ser dos seus aspectos são-lhe inúteis, entendo-as como enfadonhas e supérfluas. É-lhes pouco importante saber o porquê, limitando-se a “brincar” com o que têm, sem perceberem que, sabendo-o, podem ir muito mais longe: na profissão ou na criatividade.

O mesmo acontece em inúmeros grupos na internet e com a maioria de quem procura respostas nos tuturials em vídeo nos youtubes que por aí há.

Exemplo estúpido ou não tanto: Alguém procura saber como desapertar determinada peça, que por mais que tente não consegue. E alguém explica que aquela peça desaperta para a esquerda. Chega de saber. Não importa saber que, naquela peça e pelo tipo de movimento a que é sujeita, haverá que ter a rosca invertida para que não se solte ao usar. Claro está que quem perguntou e não aprendeu tudo, terá um dia a peça no chão porque mal usada e mal apertada.

Os manuais de instruções existem para serem lidos mas também como base a conhecimentos complementares e mais aprofundados. Os que ignoram os manuais de instruções, os que procuram o conhecimento pela rama e colado com cuspo, os que desdenham do saber, limitando-se a papaguear o que mal ouviram e a copiar no lugar de entenderem o que outros fazem, nunca irão longe, dificilmente subindo para além da fasquia da mediania.

Não os lamento, porque o que importa é que sejam felizes ao alcançarem os objectivos a que se propõem. Mas cada vez tenho menos vontade de lhes abrir novos horizontes.

Em jeito de complemento, sempre acrescento que a objectiva em questão, não sendo a que está na imagem, era uma Nikon 24mm tilt and shift, rara, dispendiosa e bela.

 

Pentax K7, Sigma 70-300


By me