Pentax K100D, Sigma 70-300
sexta-feira, 17 de abril de 2026
quinta-feira, 16 de abril de 2026
Ok, tudo fixe
Algumas pessoas vivem num mundo muito seu, tentando
sobreviver na fina linha que os separa do nosso normal.
E nós, na nossa intolerância ao que sai do nosso normal,
chamamos-lhes loucos ou outro piropo equivalente.
Quando viu a fotografia no ecrã da câmara, abriu bem os
olhos e comentou sorrindo francamente: “Olha! Este sou eu.”
Obrigado pelo retrato, srº Lima.
Pentx Kx, Pentax DAL 18-55mm
By me
terça-feira, 14 de abril de 2026
Um assunto que a quase ninguém interessa
Qualquer um que use uma câmara fotográfica digital sabe que
um dos parâmetros que pode ajustar em seu proveito é o “ISO”.
Sabe que corresponde à sensibilidade da câmara e que pode
ser aumentado ou diminuído. Coisa que não sucede com a película, excepto em circunstâncias
especiais e com consequências na qualidade da imagem.
Aquilo que a maioria desconhece é que nem sempre se usou
esta escala.
Sendo que é uma evolução de “ASA”, significa o mesmo e é
obtido de forma muito equivalente. Mas não era a única.
Os que começaram a fotografar em película talvez se recordem
de um outro nome para a classificação da sensibilidade: “DIN”. E com valores
distintos e por vezes confusos. Que se a escala ISO/ASA é uma escala
aritmética, já a escala DIN é logarítmica, menos fácil de entender. O padrão ou
escala ASA é de origem Norte Americana, tendo-se imposto nesse mercado tal como
no europeu e no japonês. Já o padrão ou escala DIN é de origem Alemã e poucos
fabricantes a usavam.
Mas não foram as únicas ao longos dos tempos. Cada país ou
círculo industrial usava a sua: Weston no Reino Unido, Gost na Rússia, e até
dois padrões diferentes com o mesmo nome (Scheiner), um na Alemanha, outro nos
EUA, existentes assim porque as unidades métricas usadas localmente são
diferentes.
Uma confusão como se imagina! Levando a que os fotógrafos
usassem tabelas de conversão e a que os fabricantes de equipamentos pelo menos
duplicassem a indicação das escalas usadas. Vejam-se as câmaras fotográficas
SLR com fotómetro e mostrando os valores em ASA e DIN.
Vem isto a propósito de “me ter caído no colo” este
lindíssimo fotómetro.
De marca Bertram modelo Chronostar, fabricado na Alemanha é
datado de 1950. Foi concebido com o diâmetro de um relógio de bolso e para
assim ser usado, no colete. Com tampa e tudo. Claro que, sendo a sua célula de
selénio, está hoje irremediavelmente não funcional como seria de esperar.
Mas o que torna este aparelho fora de série, para além do
formato e da sua beleza, é que contém na sua régua de cálculo de exposição
todas as escalas de sensibilidade em vigor então: ASA, DIN, Weston e Scheiner
(suponho que a versão alemã). Prima pela ausência o padrão soviético (Gost),
mas nos anos ’50 já os blocos existiam e não se contaria vender para o bloco de
leste. Ou usar material foto sensível com essa origem. Uma jogada de mestre no
mundo que começava a ser global.
Irá este aparelhinho que cabe na palma da mão para lugar de
destaque na minha coleção, para juntar a outras peças pouco comuns que por cá
tenho.
Porque se a fotografia é a escrita da luz, temos que saber
dosear a “tinta”.
Pentax K1 mkII, smc Pentax-M 100 1:4
By me
Moto continuo
O Moto Continuo, ou Movimento Perpétuo, é algo que o Homem
procura há muito.
Um movimento ininterrupto, sem necessidade de usar energia
externa ou combustível, e que esse movimento seja passível de ser usado como
forma de energia para uso em prol do Homem.
Claro está que a Ciência tem demonstrado através daquilo que
sabe, e de que faz lei, que o Moto Continuo é impossível. Atritos, perdas
térmicas e outras minudências técnicas impedem que a energia produzida seja
maior que a energia aplicada.
Aquilo que conhecemos de mais próximo ao Movimento Perpétuo
será o movimento dos astros e as forças de atracção e repulsão entre eles.
No entanto, julgamos saber que mesmo isso é finito, já que
presumimos que toda as estrelas (ou corpos celestes emissores de luz ou outras
formas de energia) cedo ou tarde se esgotam e se apagam ou explodem.
Portanto, perpétuo coisa nenhuma. Não há movimentos, e
consequentes energias, perpétuos!
Claro que podemos sempre tentar definir o conceito
de ”perpétuo”: À escala da vida de um ser humano? À escala da existência da
humanidade? À escala, calculada, da idade da Via Láctea e do que dela podemos
prever que ainda existirá?
Donde, o Moto Continuo ou Movimento Perpétuo não pode
existir porque o próprio conceito de “Perpétuo” não passa de um sonho
teorizado, derrubado pela especulação científica.
Mas devo confessar que me agrada a impossibilidade da
existência do Movimento Perpétuo. Porque se assim é quando aplicado a dois ou
mais pedaços de matéria, quiçá energia também, nos referentes espaço/tempo,
então o Movimento Perpétuo também não é aplicável ao Homem, porque parte
integrante, e não excepção, do universo que conhecemos e especulamos.
E haver movimentos criados pelo Homem que sejam perpétuos é
algo que me assusta para além do terror.
Que um movimento que seja perpétuo, seja ele científico,
esotérico ou estético, acaba por se tornar numa sensaboria, num conservadorismo
atroz, numa situação que, pareça embora uma contradição, não o é: um movimento
intelectual perpétuo acaba por se tornar imóvel e imutável, deixando de ser
movimento, ainda que perpétuo.
Agrada-me assim, de sobremaneira, que o Movimento Perpétuo
não exista. Que o Homem se sinta tentado em quebrar os rumos e impulsos do
passado e procurar novas fronteiras, dentro e fora de si, que procure inovar
contra todos os que se acomodaram aos pseudo Moto Contínuos criados no
pensamento.
Abaixo o Movimento Perpétuo! Acima o fim das coisas e o
nascimento de novas ideias. Eu mesmo e o universo incluídos!
Pentax K7, Sigma 70-300
By me
segunda-feira, 13 de abril de 2026
Ignorância
Eu ignorante me confesso: não sei o que seja “Fotografia
fine art”!
Vejo on-line (e em alguns livros) a classificação mas,
olhando com atenção, não vejo nada de excepcional no que me é mostrado.
Nem do ponto de vista estético, nem do ponto de vista
técnico, nem do ponto de vista semiotico, nem do ponto de vista conceptual.
Por outro lado, vejo nos mesmos meios fotografias de
excepção, sob um ou mais conceitos, daquelas que me prendem o olhar, que me dão
vontade de continuar a ver, daquelas que falam comigo e que me provocam
emoções. E que não levam esse carimbo. Nem as fotografias nem os fotógrafos.
Talvez que seja eu o ignorante nestas coisa de fotografia e
que melhor seria dedicar-me à pesca ou ao cultivo de hortícolas.
Pentax K7, Pentax 18-55
By me
domingo, 12 de abril de 2026
Ferramentas
A importância de uma ferramenta está na proporção directa
daquilo que se é capaz de fazer com ela.
É por isso que eu, em tendo acesso a uma ferramenta que não
conheço mas sobre a qual só posso deduzir as suas potencialidades, trato de ir
praticando e fazendo experiências com ela até que me seja “natural” o seu uso.
Tentando perder a lógica e hábitos de outras ferramentas e procurando
adaptar-me a novas lógicas e métodos.
No caso de objectivas, haverá que “ver” com o seu ângulo de
visão, com as suas distâncias de trabalho, focagem e profundidades de campo.
Haverá que antever as perspectivas que permitem, o como evidenciar centros de
interesse pertinentes e anular conteúdos impertinentes.
E perceber quais as potencialidades e limitações que cada
uma tem e decidir se é aquele ângulo de visão (vulgo distância focal ou
potência) é ou não útil para materializar aquilo que vimos e imaginámos.
Admito que é um desafio pessoal e muito intimista o olhar
para algo e decidir qual a objectiva certa para o que quero. Claro que o uso
das objectivas zoom facilita o trabalho, mas quero mesmo é dizer-me “Para isto
é uma XXmm”. E sinto-me realizado se a minha escolha, com mais ou menos algum
ajuste, é a certa.
Tal como é um desfio pessoal encontrar soluções técnicas e
estéticas para contar o que quero dispondo apenas de uma objectiva: perspectiva
e enquadramento. E é aqui que recorro à objectiva zoom mais antiga que conheço
e que funciona a dois tempos: pé direito e pé esquerdo. Porque, e como costumo
dizer, se a luz é a minha matéria-prima, a perspectiva é a minha ferramenta.
Pentax K1 mkII, smc Pentax-M 24 1:2,8
By me
Abris
Já não há fascismo. Já não há PIDE. Já não há censura. Já
não há guerra colonial. Já não há caciques. Já não há bufos.
Não é verdade!
Ainda há censura, embora encapotada.
Ainda há caciques, embora com vários cartões.
Ainda há bufos, mas não ideológicos: ambições de carreira,
actualmente.
As revoluções são momentos específicos no tempo. As mais das
vezes, o mais notório que dá origem aos actos revolucionários extingue-se de um
modo ou de outro.
Mas aquilo que é inerente ao ser Humano mantém-se. Por
cultura ou por genética.
Mais de meio século passou sobre Abril. E festeja-se a data
com alegria. Mesmo que a maioria dos cidadãos não saiba, na pele, o que foi o
“antes de”. Saberão por aquilo que leram, por aquilo que ouviram aos antigos,
pelos filmes e séries, por aquilo que romancearam.
Mas quando alguém é afastado de funções porque a chefia não
gostou do olhar que recebeu; quanto se ouve “cala-te, que falas e escreves
demais”; quando se “inventa um caso” para esconder outro; quando há figuras que
são alvo de notícia, várias vezes ao dia, em detrimento de outras; quando os
representantes representam os seus próprios interesses ou ideias, em detrimento
dos representados; quando os ideais políticos e partidários semelhantes aos de
antigamente ganham força entre os cidadãos...
Abril acabou há mais de meio século. Hoje estamos em Maio,
ou Outubro, ou Fevereiro. O mês é outro, os ingredientes e métodos são outros,
as guerras fazem-se com petro-dolares ou petro-rublos.
Se não estivermos alerta para o regresso daquilo que não
quisémos, se não nos acautelarmos para novas ditaduras e métodos repressivos,
se não escutarmos com espírito crítico os discursos castrantes, mais ou menos
inflamados, se não afastarmos os candidatos a não democratas no poder...
De nada servirá descermos a avenida dando vivas ao que foi.
O que será virá igual com outras roupagens e outras formas de servidão
famélica.
Festeje-se a revolução. Mas acautele-se o futuro. Todos os
dias.
Pentax K7, Tamron 18-200
By me
sábado, 11 de abril de 2026
Iconógrafo
Não mais sou fotógrafo!
Doravante considero-me, e assim gostarei de ser tratado,
como iconógrafo, um fazedor de ícones.
Porquê esta mudança? Substancialmente devido às discussões
que proliferam em tudo quanto é lado sobre se determinada imagem é ou não
fotografia. As confusões sobre este tema são tantas que decidi colocar-me à
margem delas.
Para todos os efeitos, as imagens são ícones.
Produzidas por meios foto-mecânico-quimico-eléctronicos, são
o substituto de uma realidade, imagens representativas, ícones daquilo visto ou
sentido pelo seu autor e como tal interpretado pelos que as vêem.
A alguns destes ícones é dada a categoria de fidedigno, por
serem fiéis aos acontecimentos descritos. Fidedignos?!
Como pode uma imagem ou ícone ser fidedigno se apenas mostra
duas de quatro dimensões?
Como pode ser cópia da realidade se deixa de fora quatro dos
cinco sentidos?
Como pode ser fiel representação de um acontecimento se os
bordos do seu enquadramento são como guilhotinas afiadas truncando do todo o
visível apenas uma parte?
Por fotografia encontro num dicionário esta definição:
“do Gr. Phôs, photós, luz + graph, r de graphein, desenhar
s. f. arte de fixar numa chapa sensível, por meio da luz, a
imagem dos objectos;
fig. Cópia fiel; retrato”
Eu ponho em causa quase tudo o que aqui se afirma, no que ao
meu trabalho concerne:
- Não sabendo eu o que é uma “fotografia artística”, como já
aqui o afirmei, não posso dizer que o que faço seja “arte”;
- Não uso chapas! Já as usei, nos tempos em que trabalhava
com grandes formatos (saudades, caramba!). Agora uso película e flexível, em
rolos ou, e é o que mais disso se aproxima, suportes digitais, em que o CCD se
poderá comparar a uma chapa, mas não mais que isso;
- Cópia fiel não o é! Eventualmente uma fotocópia sê-lo-á,
mas não aquilo que faço com a minha câmara.
O único aspecto com o qual concordo é a definição de
“retrato”.
Efectivamente aquilo que faço (e entendo que todos os que
usam câmaras fotográficas fazem) são retratos daquilo que vêem. Imagens
subjectivas e interpretativas daquilo que vêem, sentem, pensam sobre o que está
em frente da sua objectiva.
E depois do acto fotográfico, da captura da luz (essa
efémera), é tudo trabalhado, subvertido, adulterado. Quer seja com químicos,
com electrões, com a nobre prata ou os menos nobres corantes. Embutidos ou
projectados sobre papel ou pedaços fosfóricos excitados por electrões.
Seja qual for a técnica usada, não são nunca, por nunca o
serem, cópias fiéis da realidade mas tão só a minha interpretação dela. Da
minha actividade resultam ícones do que vi, senti ou pensei!
E se até agora me intitulei de “fotógrafo” foi porque, tendo
que haver um termo que definisse o que fazia, este era consensual: fotografia!
Mas, nos tempos que correm, são tantos os que a põem em
causa, que argumentam se um dado trabalho será ou não fotografia, se esta ou
aquela imagem é ou não arte fotográfica, que decidi deixar-me à margem de
semelhantes discussões.
Aquilo que faço com a minha câmara, químicos e computador
são ícones dos meus sentimentos.
E eu sou um iconógrafo!
Pentax K7, Tamron 18-200
By me
sexta-feira, 10 de abril de 2026
Reduções estéticas
A maior parte das fotografias feitas nos dias de hoje por
amadores ou entusiastas de fotografia são feitas para serem consumidas na web.
Nos sites de fotografia, nas redes sociais, enviadas como mensagem.
Elas são consumidas em tamanhos que não ultrapassam,
optimisticamente, um palmo de largo se em computador, poucos centímetros se em
dispositivos moveis.
O tempo gasto por cada consumidor com cada uma dessas
fotografias não ultrapassa os poucos segundos: cinco, na melhor das hipóteses.
E se é certo que as imagens são divulgadas, também é certo
que quem as divulga quer algum tipo de resposta, um feed-back positivo de
preferência. Um click para um um like, meia dúzia de palavras elogiosas.
Acontece que este consumir a correr, estes tamanhos
minúsculos de imagens e a enormidade de fotografias publicadas faz com que não
haja tempo para se interpretar toda a imagem, dos elementos que a compõem à
forma como estão distribuídos e a respectiva mensagem. Do que resulta
indiferença se a fotografia for complexa, cheia de conteúdo, sem leitura
imediata ou fácil. Sem feed-back, portanto.
O que conduz quem produz fotografia, amador ou entusiastas,
a minimalizar as imagens, a retirar elementos, a reduzi-las a pouco mais que simples
grafismos, como que icones de um sistema operativo. Em que pouco há que pensar
ou interpretar. Porque o agrado ao público é o principal objectivo e há que
fotografar e exibir fotografias que lhe agrade.
Esta redução ao mínimo no acto fotográfico, se bem que venha
a criar o chamado “estilo minimalista” está a “estupidificar” fotógrafos e
consumidores de fotografia.
Imagens elaboradas, com diversas interpretações possíveis,
com jogos de luz, cor, composição e elementos, que enchem a alma e nos fazem pensar,
são coisas que estão a desaparecer. Da web, da imprensa, dos albuns.
E, com isto, a identificação cultural de quem produz e de
quem consome.
As vertentes estéticas e semióticas dos povos, das culturas,
dos quatro cantos do mundo, estão a aproximar-se, criando uma abordagem
fotográfica uniforme, informe e incaracterística.
A vertente artística ou de expressão pessoal está a
definhar, muito mais rapidamente do que gostaríamos.
Em breve, se não já, a fotografia mais não será que como as
fontes de letra que usamos: padronizadas, imutáveis, iguais em todo o lado. E o
seu uso para mais que dez linhas ou com mais de dois ou três centros de
interesse e duas linhas de fuga será tão anacrónico quanto o saber apertar a
cilha de um muar.
Pentax K7, Tamron 18-200
By me
quinta-feira, 9 de abril de 2026
Espera lá!
Se eu bem entendo daquilo que tenho lido por aí, em paralelo
com o tal pacote laboral pretende-se reduzir as penas a aplicar aos patrões que
ocultem à segurança social a contratação de trabalhadores.
Logicamente, se ocultam também não pagam as respectivas
contribuições.
Por outras palavras, facilitam as entidades patronais a
infrigir a lei e, caso sejam apanhados, pagam em multas só 25% das penas
actuais e não vão presos.
Ou, se preferirem, o crime passa a compensar.
Em contrapartida, os trabalhadores que assim ficarem “invisíveis”
perante a segurança social vêem reduzidos os tempos e montantes a contar para
as respectivas reformas.
Foi neste conjunto de partidos que você votou? Então conte
amargar a longo prazo a decisão tomada. Você e todos os outros que, apesar de
assim não terem votados, vão também ver o seu futuro comprometido.
Nikon Coolpix P7000
By me









