domingo, 10 de maio de 2026




As fotografias feitas fora de ambientes controlados (estúdio) não são repetíveis. É o momento decisivo, como explicou o mestre. Podem ser copiadas ad nauseam, mas o acto fotográfico não se repete.

Tal como as emoções.

 

Nikon Coolpix P7000


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sábado, 9 de maio de 2026

Crises e emergências




Entre a guerra dos EUA e o Irão e os contágios com o hantavirus...

Já fez o seu açambarcamento de papel higiénico?

 

Lumix DCM TZ 60


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sexta-feira, 8 de maio de 2026

Sem importância alguma




Esta é uma fotografia sem importância alguma.

Apenas uma parede, que me bloqueia o caminho, e uma janela, que não me deixa ver para além mas tão só o reflexo do que está atrás e acima de mim.

Não importa rigorosamente para nada!

Talvez que seja um aviso para que pare e pense no que foi.

Ou um incentivo para que siga e derrube o que se me atravesse na frente.

Ou apenas um relembrar que as imagens que vemos não são realidade mas antes uma ilusão daquilo que pensamos que existe.

Ou talvez, nada de pensamentos profundos, muito simplesmente que o meu olhar parou e fez-me parar, em trânsito na cidade, e que o meu vício de usar a câmara me obrigou a usá-la.

Como disse antes, não tem importância alguma esta fotografia.

 

Nikon Coolpix P7000


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quinta-feira, 7 de maio de 2026

Até quando?




É verdade que sim, que gosto de falar de fotografia.

A questão que se põe é:

Quando é que aprendo a falar apenas daquilo que sei?

 

Pentax K100D, Tokina AT-X 400 1:5,6 + tubo de extensão


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quarta-feira, 6 de maio de 2026

Todas e cada uma




Ao longo dos anos tive diversas câmaras fotográficas. Confesso que já lhes perdi a conta, ainda que, se fizer um esforço de memória, conseguirei saber quantas com rigor.

Tive-as de quase todos os formatos, de 18x24 a 110, de dispendiosas e complexas a simples e baratinhas.

Cada uma delas cumpriu a sua função, satisfazendo os motivos para que foram compradas. Ainda que algumas me tenham sido oferecidas, por este ou aquele motivo. Cheguei mesmo ao ponto de construir uma, que se vê na imagem. Tal como construi uma objectiva.

Algumas já não possuo. Ou foram-se, vendidas nalgum momento de aperto económico, ou foram negociadas por troca de melhores, ou ainda oferecidas a quem não possuía e necessitava. Outras estão apenas guardadas porque, por este ou aquele motivo, deixaram de funcionar. Avarias ou falta de consumíveis, as mais das vezes. Outras ainda por uma questão de coleção. Recordo mesmo uma Polaroid que se desfez porque lhe caiu em cima um pesado martelo, num triste acidente.

De cada uma delas tenho memória de momentos, actos fotográficos. E com cada uma delas, quando lhes pego de novo, as minhas mãos sabem fazer aquilo que o cérebro pensava ter esquecido.

Mas há coisas que aprendi com cada uma e com todas:

Por um lado, não é a posse ou o uso desta ou daquela que me transforma em melhor ou pior fotógrafo. Eventualmente poderei dizer que com umas não poderei fazer fotografias que faço com outras.

Por outro lado, todas elas provocaram momentos únicos, irrepetíveis. E prazer. Ou satisfação. A ambos os lados da objectiva. Sem importar a sua complexidade ou preço. Ou mesmo fabricante.

Volta e meia pego numa das que estão guardadas e dou-lhe uso. Película ou electrónica. Isto porque o carinho e intimidade que tenho por cada uma faz com que não as queira “mortas” numa qualquer caixa ou estojo. Dar-lhes uso é dar-lhes vida.

Mas também para me recordar daquilo que não esqueço em momento algum: A câmara fotográfica é apenas aquilo que medeia entre aquilo que vejo e aquilo que mostro.

Na imagem, uma fotografia não “programada”, feita no decorrer do meu projecto “À-Lá-Minuta”, num jardim de Lisboa.

 

Pentax K100D, Pentax 18-55


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domingo, 3 de maio de 2026

Viva quem faz - Tânia




Era uma festinha!

Com bonecos feitos com balões, castelo insuflável, prendas e lanche. Abrilhantado pelo “Sr. Lino”, que cantou Kuduro e Kizomba com letra adequada aos presentes. Talvez deva dizer, em rigor da palavra e do género, das presentes.

Que a festa era promovida pela organização “Ajuda de mãe”, entidade particular de apoio a jovens adolescentes, e adultas como me foi explicitado, mães solteiras. Com fortes dificuldades económicas ou sociais.

E o público era em consonância: mulheres de todas as idades e cores, algumas absurdamente novas, todas com crianças de colo ou pela mão. Alguns dos pequenotes com pouco mais que uns dias de vida. Aliás, e como comentou uma decana Caboverdiana com quem conversei, tão pequenos e novinhos que havia de que ter cuidado em não os pisar, espalhados que estavam pelas poucas cadeiras de plástico e pelo relvado contíguo.

Soube do que se passava porque o perguntei, abelhudo que sou. E quando, um pouco depois, um dos sócios do quiosque de gelados foi até lá, também movido pela curiosidade, lá lhe expliquei, acrescentando que era uma causa meritória.

Passada que foi uma meia hora, mais coisa, menos coisa, eis que vejo dirigir-se àquelas que pareciam ser as organizadoras a sócia do quiosque. Com um caixote de tamanho médio que segurava com ambas as mãos.

Falou o que tinha a falar, deixou o caixote e afastou-se. Com um sorriso para mim e a afirmação, a uns bons dez metros de distância: “A minha boa acção do dia!”

Não sei se tinha gelados (talvez não que o calor era muito e pouco durariam), se qualquer outra guloseima. Mas valeu a pena ver e saber que aconteceu. No Jardim da Estrela.

Viva quem faz e que possui estes olhos!

 

Pentax K100D, Sigma 70-300


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sábado, 2 de maio de 2026

Mensagens




De todos os que vi este foi o mais sério, o mais profundo e, talvez, o mais pensado.

Porque que futuro pode imaginar um jovem casal quando não consegue um local a que chame lar, por muito modesto que seja? Que futuro pode imaginar para os filhos, que ainda não tem, quando mal consegue sutentar-se? Que futuro pode imaginar uma sociedade que a cada lei imposta vê aperterem-se as grilhetas da escravidão, ainda que sem ferro?

 

Pentax K7, Tamron 18-200


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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Empatias




“Pedimos a vossa compreensão para os incómodos causados”

Esta é a frase com que a CP nos brinda ao informar-nos que o comboio que aguardamos está atrasado.

Frase estafada, que todo o utente da ferrovia nacional está cansado de ouvir, e que em bom português quer dizer “Estão tramados e nada iremos fazer.” Ou, ainda mais agressivamente, “Aguenta que doi menos!”

Eis que surge uma nova versão, num contexto diferente mas com o mesmo significado. Diz-nos Luis Montenegro que o governo tem empatia e compreensão face a aumento do custo de vida.

 

Se ele fosse ter empatia nos quintos do inferno, nós teríamos toda a compreensão do mundo!

 

Pentax K7, Sigma 70-300


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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Alegoria




Boa amiga fez-me saber da existência deste livro. E se o conhecimento não tem fronteiras nem limites, também não tem caminhos definidos previamente. Pelo menos p’ra mim. Tratei de o encontrar e trazer para casa.

Ao fim de dez páginas, apenas, dou com esta preciosidade.

Pergunto-me o que escreveria ou citaria a autora, Françoise Choay, se em vez de ter publicado o livro em 1992 o tivesse feito hoje mesmo. Que o conhecimento impresso está em decadência em benefício do conhecimento on-line. Com tudo o que de bom e de mau isso tem.

“…

O perspicaz Charles Perrault encanta-se por ver desaparecer, devido à multiplicação dos livros, os constrangimentos que pesavam sobre a memória: “hoje”, não se aprende quase nada de cor, porque se tem naturalmente em casa os livros que se lê, a que se pode recorrer quando se tem necessidade, de que se cita mais seguramente as suas passagens copiando-as do que fazendo fé na memória, como se fazia antigamente.

…“

Num estudo que li, há uns tempos, feito na Grã Bretanha, um conjunto de estudantes universitários foi confrontado com conhecimento novo em livros que procuraria numa biblioteca. Outro conjunto de estudantes universitários foi confrontado com o mesmo conhecimento, mas pesquisado na web.

Constatou-se que o primeiro grupo retinha melhor o que havia lido que o segundo grupo, que retinha melhor os locais onde o tinha encontrado.

Tenho para mim que o grave do conhecimento adquirido na net, apesar de mais rápido e pese embora a questão da fiabilidade das fontes, está na sua falência.

Em havendo quem queira fechar a rede (censura, guerra, questões económicas ou culturais) já não se tem acesso ao conhecimento porque restrito a este meio. Já os livros… bem, não é fácil de destruir toda a existência, mesmo considerando o espaço ocupado.

O dia do livro foi celebrado um destes dias. Mas, embora seja um utilizador intensivo da web e do conhecimento que ela propicia, não creio que alguma vez prescinda do papel, do prazer de ler um livro, de o folhear, de procurar na estante a lombada certa…

Mania minha, desde há muito tempo: em comprando um livro, escrevo logo na primeira página o preço, a data e o local onde o comprei. Interessante de constatar, as livrarias por onde fomos criando os nossos hábitos.

 

Pentax K7, Tamron 18-200


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quarta-feira, 29 de abril de 2026

As 5 perguntas




É a luz, é sempre a luz!

Das cinco perguntas básicas do jornalismo – quem, como, quando, onde, porquê – nenhuma importa. É a luz!

 

Pentax K7, Sigma 70-300


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