terça-feira, 14 de abril de 2026

Um assunto que a quase ninguém interessa




Qualquer um que use uma câmara fotográfica digital sabe que um dos parâmetros que pode ajustar em seu proveito é o “ISO”.

Sabe que corresponde à sensibilidade da câmara e que pode ser aumentado ou diminuído. Coisa que não sucede com a película, excepto em circunstâncias especiais e com consequências na qualidade da imagem.

Aquilo que a maioria desconhece é que nem sempre se usou esta escala.

Sendo que é uma evolução de “ASA”, significa o mesmo e é obtido de forma muito equivalente. Mas não era a única.

Os que começaram a fotografar em película talvez se recordem de um outro nome para a classificação da sensibilidade: “DIN”. E com valores distintos e por vezes confusos. Que se a escala ISO/ASA é uma escala aritmética, já a escala DIN é logarítmica, menos fácil de entender. O padrão ou escala ASA é de origem Norte Americana, tendo-se imposto nesse mercado tal como no europeu e no japonês. Já o padrão ou escala DIN é de origem Alemã e poucos fabricantes a usavam.

Mas não foram as únicas ao longos dos tempos. Cada país ou círculo industrial usava a sua: Weston no Reino Unido, Gost na Rússia, e até dois padrões diferentes com o mesmo nome (Scheiner), um na Alemanha, outro nos EUA, existentes assim porque as unidades métricas usadas localmente são diferentes.

Uma confusão como se imagina! Levando a que os fotógrafos usassem tabelas de conversão e a que os fabricantes de equipamentos pelo menos duplicassem a indicação das escalas usadas. Vejam-se as câmaras fotográficas SLR com fotómetro e mostrando os valores em ASA e DIN.

Vem isto a propósito de “me ter caído no colo” este lindíssimo fotómetro.

De marca Bertram modelo Chronostar, fabricado na Alemanha é datado de 1950. Foi concebido com o diâmetro de um relógio de bolso e para assim ser usado, no colete. Com tampa e tudo. Claro que, sendo a sua célula de selénio, está hoje irremediavelmente não funcional como seria de esperar.

Mas o que torna este aparelho fora de série, para além do formato e da sua beleza, é que contém na sua régua de cálculo de exposição todas as escalas de sensibilidade em vigor então: ASA, DIN, Weston e Scheiner (suponho que a versão alemã). Prima pela ausência o padrão soviético (Gost), mas nos anos ’50 já os blocos existiam e não se contaria vender para o bloco de leste. Ou usar material foto sensível com essa origem. Uma jogada de mestre no mundo que começava a ser global.

Irá este aparelhinho que cabe na palma da mão para lugar de destaque na minha coleção, para juntar a outras peças pouco comuns que por cá tenho.

Porque se a fotografia é a escrita da luz, temos que saber dosear a “tinta”.

 

Pentax K1 mkII, smc Pentax-M 100 1:4


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Moto continuo




O Moto Continuo, ou Movimento Perpétuo, é algo que o Homem procura há muito.

Um movimento ininterrupto, sem necessidade de usar energia externa ou combustível, e que esse movimento seja passível de ser usado como forma de energia para uso em prol do Homem.

Claro está que a Ciência tem demonstrado através daquilo que sabe, e de que faz lei, que o Moto Continuo é impossível. Atritos, perdas térmicas e outras minudências técnicas impedem que a energia produzida seja maior que a energia aplicada.

Aquilo que conhecemos de mais próximo ao Movimento Perpétuo será o movimento dos astros e as forças de atracção e repulsão entre eles.

No entanto, julgamos saber que mesmo isso é finito, já que presumimos que toda as estrelas (ou corpos celestes emissores de luz ou outras formas de energia) cedo ou tarde se esgotam e se apagam ou explodem.

Portanto, perpétuo coisa nenhuma. Não há movimentos, e consequentes energias, perpétuos!

Claro que podemos sempre tentar definir o conceito de ”perpétuo”: À escala da vida de um ser humano? À escala da existência da humanidade? À escala, calculada, da idade da Via Láctea e do que dela podemos prever que ainda existirá?

Donde, o Moto Continuo ou Movimento Perpétuo não pode existir porque o próprio conceito de “Perpétuo” não passa de um sonho teorizado, derrubado pela especulação científica.

Mas devo confessar que me agrada a impossibilidade da existência do Movimento Perpétuo. Porque se assim é quando aplicado a dois ou mais pedaços de matéria, quiçá energia também, nos referentes espaço/tempo, então o Movimento Perpétuo também não é aplicável ao Homem, porque parte integrante, e não excepção, do universo que conhecemos e especulamos.

E haver movimentos criados pelo Homem que sejam perpétuos é algo que me assusta para além do terror.

Que um movimento que seja perpétuo, seja ele científico, esotérico ou estético, acaba por se tornar numa sensaboria, num conservadorismo atroz, numa situação que, pareça embora uma contradição, não o é: um movimento intelectual perpétuo acaba por se tornar imóvel e imutável, deixando de ser movimento, ainda que perpétuo.

Agrada-me assim, de sobremaneira, que o Movimento Perpétuo não exista. Que o Homem se sinta tentado em quebrar os rumos e impulsos do passado e procurar novas fronteiras, dentro e fora de si, que procure inovar contra todos os que se acomodaram aos pseudo Moto Contínuos criados no pensamento.

Abaixo o Movimento Perpétuo! Acima o fim das coisas e o nascimento de novas ideias. Eu mesmo e o universo incluídos!

 

Pentax K7, Sigma 70-300


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segunda-feira, 13 de abril de 2026

Ignorância




Eu ignorante me confesso: não sei o que seja “Fotografia fine art”!

Vejo on-line (e em alguns livros) a classificação mas, olhando com atenção, não vejo nada de excepcional no que me é mostrado.

Nem do ponto de vista estético, nem do ponto de vista técnico, nem do ponto de vista semiotico, nem do ponto de vista conceptual.

Por outro lado, vejo nos mesmos meios fotografias de excepção, sob um ou mais conceitos, daquelas que me prendem o olhar, que me dão vontade de continuar a ver, daquelas que falam comigo e que me provocam emoções. E que não levam esse carimbo. Nem as fotografias nem os fotógrafos.

Talvez que seja eu o ignorante nestas coisa de fotografia e que melhor seria dedicar-me à pesca ou ao cultivo de hortícolas.

 

Pentax K7, Pentax 18-55


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domingo, 12 de abril de 2026

Ferramentas




A importância de uma ferramenta está na proporção directa daquilo que se é capaz de fazer com ela.

É por isso que eu, em tendo acesso a uma ferramenta que não conheço mas sobre a qual só posso deduzir as suas potencialidades, trato de ir praticando e fazendo experiências com ela até que me seja “natural” o seu uso. Tentando perder a lógica e hábitos de outras ferramentas e procurando adaptar-me a novas lógicas e métodos.

No caso de objectivas, haverá que “ver” com o seu ângulo de visão, com as suas distâncias de trabalho, focagem e profundidades de campo. Haverá que antever as perspectivas que permitem, o como evidenciar centros de interesse pertinentes e anular conteúdos impertinentes.

E perceber quais as potencialidades e limitações que cada uma tem e decidir se é aquele ângulo de visão (vulgo distância focal ou potência) é ou não útil para materializar aquilo que vimos e imaginámos.

Admito que é um desafio pessoal e muito intimista o olhar para algo e decidir qual a objectiva certa para o que quero. Claro que o uso das objectivas zoom facilita o trabalho, mas quero mesmo é dizer-me “Para isto é uma XXmm”. E sinto-me realizado se a minha escolha, com mais ou menos algum ajuste, é a certa.

Tal como é um desfio pessoal encontrar soluções técnicas e estéticas para contar o que quero dispondo apenas de uma objectiva: perspectiva e enquadramento. E é aqui que recorro à objectiva zoom mais antiga que conheço e que funciona a dois tempos: pé direito e pé esquerdo. Porque, e como costumo dizer, se a luz é a minha matéria-prima, a perspectiva é a minha ferramenta.

 

Pentax K1 mkII, smc Pentax-M 24 1:2,8



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Abris




Já não há fascismo. Já não há PIDE. Já não há censura. Já não há guerra colonial. Já não há caciques. Já não há bufos.

Não é verdade!

Ainda há censura, embora encapotada.

Ainda há caciques, embora com vários cartões.

Ainda há bufos, mas não ideológicos: ambições de carreira, actualmente.

As revoluções são momentos específicos no tempo. As mais das vezes, o mais notório que dá origem aos actos revolucionários extingue-se de um modo ou de outro.

Mas aquilo que é inerente ao ser Humano mantém-se. Por cultura ou por genética.

Mais de meio século passou sobre Abril. E festeja-se a data com alegria. Mesmo que a maioria dos cidadãos não saiba, na pele, o que foi o “antes de”. Saberão por aquilo que leram, por aquilo que ouviram aos antigos, pelos filmes e séries, por aquilo que romancearam.

Mas quando alguém é afastado de funções porque a chefia não gostou do olhar que recebeu; quanto se ouve “cala-te, que falas e escreves demais”; quando se “inventa um caso” para esconder outro; quando há figuras que são alvo de notícia, várias vezes ao dia, em detrimento de outras; quando os representantes representam os seus próprios interesses ou ideias, em detrimento dos representados; quando os ideais políticos e partidários semelhantes aos de antigamente ganham força entre os cidadãos...

Abril acabou há mais de meio século. Hoje estamos em Maio, ou Outubro, ou Fevereiro. O mês é outro, os ingredientes e métodos são outros, as guerras fazem-se com petro-dolares ou petro-rublos.

Se não estivermos alerta para o regresso daquilo que não quisémos, se não nos acautelarmos para novas ditaduras e métodos repressivos, se não escutarmos com espírito crítico os discursos castrantes, mais ou menos inflamados, se não afastarmos os candidatos a não democratas no poder...

De nada servirá descermos a avenida dando vivas ao que foi. O que será virá igual com outras roupagens e outras formas de servidão famélica.

 

Festeje-se a revolução. Mas acautele-se o futuro. Todos os dias.

 

Pentax K7, Tamron 18-200


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sábado, 11 de abril de 2026

Iconógrafo




Não mais sou fotógrafo!

Doravante considero-me, e assim gostarei de ser tratado, como iconógrafo, um fazedor de ícones.

Porquê esta mudança? Substancialmente devido às discussões que proliferam em tudo quanto é lado sobre se determinada imagem é ou não fotografia. As confusões sobre este tema são tantas que decidi colocar-me à margem delas.

 

Para todos os efeitos, as imagens são ícones.

Produzidas por meios foto-mecânico-quimico-eléctronicos, são o substituto de uma realidade, imagens representativas, ícones daquilo visto ou sentido pelo seu autor e como tal interpretado pelos que as vêem.

A alguns destes ícones é dada a categoria de fidedigno, por serem fiéis aos acontecimentos descritos. Fidedignos?!

Como pode uma imagem ou ícone ser fidedigno se apenas mostra duas de quatro dimensões?

Como pode ser cópia da realidade se deixa de fora quatro dos cinco sentidos?

Como pode ser fiel representação de um acontecimento se os bordos do seu enquadramento são como guilhotinas afiadas truncando do todo o visível apenas uma parte?

 

Por fotografia encontro num dicionário esta definição:

“do Gr. Phôs, photós, luz + graph, r de graphein, desenhar

s. f. arte de fixar numa chapa sensível, por meio da luz, a imagem dos objectos;

fig. Cópia fiel; retrato”

 

Eu ponho em causa quase tudo o que aqui se afirma, no que ao meu trabalho concerne:

- Não sabendo eu o que é uma “fotografia artística”, como já aqui o afirmei, não posso dizer que o que faço seja “arte”;

- Não uso chapas! Já as usei, nos tempos em que trabalhava com grandes formatos (saudades, caramba!). Agora uso película e flexível, em rolos ou, e é o que mais disso se aproxima, suportes digitais, em que o CCD se poderá comparar a uma chapa, mas não mais que isso;

- Cópia fiel não o é! Eventualmente uma fotocópia sê-lo-á, mas não aquilo que faço com a minha câmara.

O único aspecto com o qual concordo é a definição de “retrato”.

Efectivamente aquilo que faço (e entendo que todos os que usam câmaras fotográficas fazem) são retratos daquilo que vêem. Imagens subjectivas e interpretativas daquilo que vêem, sentem, pensam sobre o que está em frente da sua objectiva.

E depois do acto fotográfico, da captura da luz (essa efémera), é tudo trabalhado, subvertido, adulterado. Quer seja com químicos, com electrões, com a nobre prata ou os menos nobres corantes. Embutidos ou projectados sobre papel ou pedaços fosfóricos excitados por electrões.

Seja qual for a técnica usada, não são nunca, por nunca o serem, cópias fiéis da realidade mas tão só a minha interpretação dela. Da minha actividade resultam ícones do que vi, senti ou pensei!

E se até agora me intitulei de “fotógrafo” foi porque, tendo que haver um termo que definisse o que fazia, este era consensual: fotografia!

Mas, nos tempos que correm, são tantos os que a põem em causa, que argumentam se um dado trabalho será ou não fotografia, se esta ou aquela imagem é ou não arte fotográfica, que decidi deixar-me à margem de semelhantes discussões.

Aquilo que faço com a minha câmara, químicos e computador são ícones dos meus sentimentos.

E eu sou um iconógrafo!

 

Pentax K7, Tamron 18-200


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sexta-feira, 10 de abril de 2026

Reduções estéticas




A maior parte das fotografias feitas nos dias de hoje por amadores ou entusiastas de fotografia são feitas para serem consumidas na web. Nos sites de fotografia, nas redes sociais, enviadas como mensagem.

Elas são consumidas em tamanhos que não ultrapassam, optimisticamente, um palmo de largo se em computador, poucos centímetros se em dispositivos moveis.

O tempo gasto por cada consumidor com cada uma dessas fotografias não ultrapassa os poucos segundos: cinco, na melhor das hipóteses.

E se é certo que as imagens são divulgadas, também é certo que quem as divulga quer algum tipo de resposta, um feed-back positivo de preferência. Um click para um um like, meia dúzia de palavras elogiosas.

Acontece que este consumir a correr, estes tamanhos minúsculos de imagens e a enormidade de fotografias publicadas faz com que não haja tempo para se interpretar toda a imagem, dos elementos que a compõem à forma como estão distribuídos e a respectiva mensagem. Do que resulta indiferença se a fotografia for complexa, cheia de conteúdo, sem leitura imediata ou fácil. Sem feed-back, portanto.

O que conduz quem produz fotografia, amador ou entusiastas, a minimalizar as imagens, a retirar elementos, a reduzi-las a pouco mais que simples grafismos, como que icones de um sistema operativo. Em que pouco há que pensar ou interpretar. Porque o agrado ao público é o principal objectivo e há que fotografar e exibir fotografias que lhe agrade.

Esta redução ao mínimo no acto fotográfico, se bem que venha a criar o chamado “estilo minimalista” está a “estupidificar” fotógrafos e consumidores de fotografia.

Imagens elaboradas, com diversas interpretações possíveis, com jogos de luz, cor, composição e elementos, que enchem a alma e nos fazem pensar, são coisas que estão a desaparecer. Da web, da imprensa, dos albuns.

E, com isto, a identificação cultural de quem produz e de quem consome.

As vertentes estéticas e semióticas dos povos, das culturas, dos quatro cantos do mundo, estão a aproximar-se, criando uma abordagem fotográfica uniforme, informe e incaracterística.

A vertente artística ou de expressão pessoal está a definhar, muito mais rapidamente do que gostaríamos.

Em breve, se não já, a fotografia mais não será que como as fontes de letra que usamos: padronizadas, imutáveis, iguais em todo o lado. E o seu uso para mais que dez linhas ou com mais de dois ou três centros de interesse e duas linhas de fuga será tão anacrónico quanto o saber apertar a cilha de um muar.

 

Pentax K7, Tamron 18-200


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quinta-feira, 9 de abril de 2026

Espera lá!




Se eu bem entendo daquilo que tenho lido por aí, em paralelo com o tal pacote laboral pretende-se reduzir as penas a aplicar aos patrões que ocultem à segurança social a contratação de trabalhadores.

Logicamente, se ocultam também não pagam as respectivas contribuições.

Por outras palavras, facilitam as entidades patronais a infrigir a lei e, caso sejam apanhados, pagam em multas só 25% das penas actuais e não vão presos.

Ou, se preferirem, o crime passa a compensar.

Em contrapartida, os trabalhadores que assim ficarem “invisíveis” perante a segurança social vêem reduzidos os tempos e montantes a contar para as respectivas reformas.

Foi neste conjunto de partidos que você votou? Então conte amargar a longo prazo a decisão tomada. Você e todos os outros que, apesar de assim não terem votados, vão também ver o seu futuro comprometido.

 

Nikon Coolpix P7000


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À-Lá-Minuta




Alguém me fez o favor de fazer este registo.

Da minha pessoa exercendo o mister de fotógrafo de jardim. Ou, se preferirem, de fotógrafo à-là-minuta.

Era, de facto, um conjunto pouco convencional, ver este tipo manuseando um artefacto supostamente vetusto, numa actividade já extinta ou quase, usando pendurada do ombro uma DSLR novinha em folha. E não cobrando p’la fotografia que fazia e entregava.

Destruidor de negócios, dirão alguns. Alegrador de corações, dirão os que por ela passaram. Doido varrido, acrescentarão ainda outros.

Serei tudo isso e mais um par de botas.

Mas posso assegurar que todas as centenas de pessoas que posaram para esta câmara ao longo daqueles três anos se afastaram com um sorriso nos lábios. De todos os estratos sociais, de todos os níveis culturais, de todos os continentes.

E, garanto, quando ao fim do dia regressava eu a casa puxando o carrinho onde tudo isto se arrumava e carregando-o por autocarros e comboios, ia trauteando uma qualquer musiquinha alegre e bem disposta. Com a certeza de ter feito nesse dia mais um quantos felizes, de que levavam uma história p’ra contar, tal como eu, e que obtiveram de borla aquilo que, nalguns casos, não tinham como pagar.

Há quem ande p’las ruas e templos a prometer ou anunciar a felicidade numa vida posterior e eterna. Há quem se bata por uma vida melhor nos quatro anos consecutivos. Durante três anos, e por poucos minutos que fossem (nalguns casos sei que foi por anos a fio), fiz gente feliz.

Creio ter ganho um lugar tranquilo no céu dos photógraphos.


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quarta-feira, 8 de abril de 2026

Com cabeça




Das minhas primeiras compras a sério no campo da fotografia, a terceira foi um semi-fiasco.

Comecei por uma Pentax MX, com uma 50mm f/1,7. Um conjunto de entrada, particularmente fiel e robusto. Ainda possuo a objectiva.

A segunda foi uma objectiva 75-150mm f/4. Foi o que o meu orçamento permitiu e continua a prestar bons serviços, ainda que ambicionasse uma Vivitar 70-210mm f/4, série 1. Um topo de gama, à época e creio que ainda hoje.

A terceira foi um tripé. Um barato, cuja marca já não recordo, escolhido pelo aspecto, leveza e preço, ignorando eu muita coisa sobre tripés. Durou uns anos, mas antes de passar à reforma tratei de adquirir outro.

Não tinha eu a noção da importância da robustez, fruto dos materiais, peso e localização do centro de gravidade. Menos ainda sabia da importância da solidez da cabeça. Não apenas para suportar o peso que lhe é colocado como para absorver as vibrações provocadas pelo mecanismo de obturação: movimento do espelho e das cortinas.

 

De momento, passados todos estes anos, possuo diversos suportes de câmara. Uns minúsculos tripés de mesa, para câmaras de bolso ou quejando, um tripé de madeira e alumínio, mais velho que eu e usado quase que em exclusivo com a minha câmara “À-Lá-Minuta”, um Gitzo suficientemente pequeno para passeios, mas não tão leve quanto o meu corpo, já não tão novo, gostaria, e um Bembo.

Sou um fã incondicional deste último!

O seu sistema de fixação da abertura das pernas ou do ângulo de posicionamento da coluna são incomuns e, sem prática, arriscado. Um único travão para tudo isso. Mas permite colocar a cabeça em qualquer posição, em qualquer eixo, usando uma mão para segurar a câmara e outra para travar o conjunto. Engenhoso mas ardiloso.

Tem este tripé uma característica também original: nas suas pernas, de apenas duas secções, é a superior que entra na inferior e não o inverso como habitualmente. Isto aumenta-lhe o peso e o volume, mas permite usar o conjunto em água, lama ou areia sem que estas entrem no sistema. Recomenda-se para quem faça fotografia no exterior, em terrenos “sujos”, já que é muito fácil de limpar sem colocar em risco tubos e roscas de fixação.

Claro que tudo isto o torna pesado e um pouco incómodo de transportar, mas é fiel, robusto e, com o tempo, aprende-se a gostar muito. É o meu tripé de serviço.

 

No topo dos tripés, a cabeça. Peça tantas vezes negligenciada, tanto no peso que suporta como na forma como é travada. E, com o passar dos tempos e sem manutenção, acaba por nos trair naquilo que mais queremos: uma câmara solidamente colocada.

Tenho uma Gitzo clássica, velha e muito usada, e três Manfrotto: uma de rótula, relativamente robusta, e duas 115. Estas suportam razoavelmente bem o peso que lhes costumo colocar, absorvem bem as vibrações da câmara e são muito fáceis de manter e limpar. Dependendo do uso que lhes dou, uma vez a cada dois ou três anos mais ou menos.

Acrescente-se a vantagem de estas 115 de terem uma grande flexibilidade no tocante a posição, bem como os manípulos serem ajustáveis.

 

A maioria dos fotógrafos preocupa-se com sensores ou películas. Ainda bem!

Preocupam-se igualmente com as objectivas. Importantíssimo!

Mas os suportes, bem como os pára-sois, acabam por ficar “para quando houver oportunidade”. Alguns dos problemas que se encontram mas imagens finais surgem desta atitude.

Disse-me um mestre e amigo, atribuindo-o a uma mestre mundial: “Só há dois tipos de fotografia: tremidas ou feitas com tripé”.

Tal como me disse, com a mesma origem: “Se não podes ter um bom tripé, arranja um monopé!”

Passe-se os exageros, são dois bons conselhos.

 

Pentax K100D, Tamron SP 90 1:2,5


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