sábado, 25 de abril de 2026

sexta-feira, 24 de abril de 2026

52 anos




Boa parte da população portuguesa pouco sabe sobre o que se comemora no próximo dia vinte e cinco.

Sabe que se trata da revolução de Abril, que foi em 1974, que terminou com o regime ditatorial e com a guerra e com a censura e com a polícia política e que permitiu pensar e dizer… Mas sabe-o por ouvir contar a quem o viveu. Não tem culpa de tal, já que seriam muito novos, se acaso fossem nascidos. Porque, afinal, 52 anos é uma vida, mais que uma vida para muitos.

Mas aquilo que as artes e as letras, bem como os historiadores e demais investigadores, não têm contado é o espírito dos tempos que se lhe seguiram!

Com muitas asneiras e erros pelo caminho, com faltas de alguns bens essenciais, com aproveitamentos de toda a ordem e pressões não muito claras ainda hoje, a verdade é que os cidadãos queriam construir o seu futuro. Com as suas mãos!

E no meio das vicissitudes de então, havia uma alegria no ar, uma vontade de fazer, um constante ouvir “Então e se fizéssemos isto? Bora lá!” e as mangas arregaçavam-se e algo acontecia. E, apesar das dificuldades endócrinas e exógenas, encontravam-se sorrisos e alegria a cada esquina. O entusiasmo era a tónica dominante!

Hoje, quem quer que se passeie em Portugal, vê semblantes carregados, olhares postos no chão, cores escuras e uniformes. E os comportamentos centrados nas actividades e vidas de cada um, ignorando ou fazendo por ignorar o que acontece fora do circulo mais fechado das suas vivências. Poucos são os que dão de si e do seu tempo para construir o amanhã da sociedade e, no lugar de se ouvir “Vamos fazer!” ouvimos tão só “Eles têm que fazer!”

É um muro de indiferença, é um alijar de responsabilidades, é um comprar resultados feitos. E as culpas caiem sempre em cima dos outros, esquecendo-se cada um de cumprir a parte que lhes cabe no colectivo que somos.

Porque se “O povo é quem mais ordena!”, é também ele quem constrói! Quando não, continuaremos num cinzentismo emparedado, numa mera antecipação da tumba que nos espera!

 

Pentax K7, Sigma 70-300


By me

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Livres




Seja qual forma como tentemos abordar o tema, a verdade é que estamos sempre e eternamente presos.

Confinados a uma cela ou na superfície do planeta, com horários, cartões identificativos e códigos de conduta.

A qualidade da prisão é que varia. Alguns vêem no abrir da fechadura a sua liberdade, outros no vencer a atracção terrestre. Uma chave uns, asas outros. Há quem vá mais longe e não possua relógio ou recuse o bilhete de identidade.

Mas depois de cada fronteira, depois de cada quebrar de grilhetas, apenas constatamos que continuamos presos. Por outras grades, por outros conceitos, por outras obrigações.

Quando, há uns anos largos, conversava com um Argentino, logo a seguir à guerra das Malvinas ou Faulkland, dizia-me ele: “Nós? Somos livres! Podemos sair à noite e tudo!”

Ou ainda aquele outro jovem que dizia: “Esta semana estou livre. Os meus pais vão de férias para fora.”

Mas a liberdade não é um estado legal ou material. É um estado de espírito!

O exercício da liberdade começa, antes de mais, dentro de nós. Por aceitarmos ou não por limite o que nos impõem. O deixarmos ou não a nossa mente vogar e decidir o que fazemos. O termos ou não uma verdadeira consciência de nós mesmos e do que nos cerca.

A nossa verdadeira prisão somos nós próprios, na nossa condição de seres humanos de carne, osso e sangue. Pensantes e conscientes.

Quando formos capazes de saber e não apenas dizer, “eu posso”, com toda a plenitude do que isso significa, então seremos realmente livres.

Até lá, enquanto nos sentimos limitados por um planeta, regulamentos ou grades, mais não seremos que sempre prisioneiros daquilo que os nossos sentidos nos transmitem.

E tanto assim é que somos obrigados a comunicar codificando e descodificando estas letras e imagens, presos que estamos a estas convenções.

E enquanto você o faz, vou ali dar corda ao relógio e trancar a porta.

 

Pentax K7, smc Pentax-M Macro 100 1:4


By me

terça-feira, 21 de abril de 2026

Soluções inusitadas




Entrada recente na minha coleção é este fotómetro. Que tem uma história interessante, para além do objecto propriamente dito.

Fui a uma feira de rua, de velharias e outras não tanto. Sabia que por lá estaria um vendedor habitual, neste e noutras equivalentes, especializado em artigos fotográficos usados ou mais para além disso. Conhecemo-nos há muito.

Depois das banalidades habituais e do meu varrer com o olhar o que ele havia escolhido levar para este dia, diz-me ele: “Tenho aqui algo que o vai interessar”. E, de meio escondido no meio do resto, este fotómetro.

“Estava a guardá-lo para quem sei que lhe dá valor e estima.”, continuou ele, na conversa mole de querer prender um cliente.

Eu já estava preso antes de ele falar. Este Sekonic L38 Auto Leader, de 1960, era-me desconhecido e menos comum por um detalhe técnico:

Para ser mais reactivo em situações de pouca luz, possui incorporado um painel adicional de células que se somam às habituais.

Tenho um aparelho semelhante, da Leica, mas o painel extra é peça separada. Incorporado não conhecia.

As soluções técnicas de meados do séc XX, ou anteriores, para solucionarem limitações são engenhosas e nunca deixam de me surpreender.

Claro que veio para casa, depois de uma pequena troca de argumentos sobre o valor do negócio.

Como adicional sempre digo que deu luta o fotografá-lo, obrigando-me a recorrer a truques ou técnicas pouco convencionais para obter o efeito desejado.

 

Pentax K1 mkII, smc Pentax-M Macro 100 1:4

 

By me

Novo lar




A minha coleção de câmaras, objectivas e etc baseia-se na marca Pentax.

Vários motivos me levaram e levam a mantê-la, mas para o caso, de momento, pouco importam.

No entanto, não sou fanático e diversas outras marcas por aqui existem. Umas porque as herdei, outras porque mas ofereceram, algumas porque as comprei. SLR, compactas, de bolso, 120, 620, 110, 16mm, 18x24, point and shot... há de tudo um pouco por aqui. E se algumas foram escolha minha, outras há que aqui entraram porque “o meu nome do meio é caixote do lixo”. Por outras palavras, se alguém tem algo de que se quer desfazer porque velho, sem “préstimo”, apenas a ocupar espaço, ofereço-me para a isso dar um lar, com estima e cuidado.

Foi o caso desta câmara de 2008 e 10 Mp. Um amigo ficou com ela de alguém que a havia herdado. E ofereceu-ma, de permeio com diversos outros objectos relacionados com fotografia.

Na altura verifiquei apenas se funcionava, mas não tinha cartão de memória para ela, um xD. E ali tem ficado, arrumada e protegida da poeira, aguardando melhores dias e usos.

Acontece que um rapaz, filho de alguém que conheço, quer entrar no mundo da fotografia. Mas não há recursos para a compra de uma câmara e a que possui, de bolso, não funciona e sem recuperação.

Que melhor uso para uma câmara que as mãos de alguém que com ela irá fotografar?

Encontrado um cartão na web (nas lojas nem sabem o que seja), verificados todos os parâmetros, encontrada a solução possível para um pequeno problema mecânico, e feito o download do manual de instruções, será por estes dias ofertada a um jovem de 17 anos.

Com votos de boas fotografias e que seja ela o início de uma longa e feliz paixão pela actividade.

 

Samsung A51


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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Ideias em cadeia




Isto é terrível!

Acabo de ver uma publicação vinda do norte do país, contendo a fotografia de uma mulher com a afirmação de ser a directora pedagógica de uma creche e que escondia a droga que traficava dentro da creche. Está detida.

O que é terrível é que a minha primeira reação foi tentar saber se seria militante do tal partido.

 

Pentax K7, Tamron SP 90 1:2,5

 

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domingo, 19 de abril de 2026

Fosforeira nacional




Não! Por muito que insistam, não consigo gostar deste tipo de edifícios.

Destes assim, relativamente pequenos, ou dos outros, monstros na vertical em  algumas superpopuladas cidades do mundo.

Em olhando para os esquiços dos autores, para as maquetas dos promotores ou bem à distância, parecem casinhas de bonecas, arranjadinhos, cores suaves, tão imaculados quanto prédios feitos com peças do lego.

Mas depois, em nos aproximando, essa beleza inicial transfigura-se, dando lugar à desumanização do local. Não se encontram diferenças entre eles, todos iguais entre si ou dentro de si, não se encontrando vestigios de serem habitados. Janelas iguais, varandas iguais, portas iguais, telhados iguais, habitados por humanos iguais, sem sombra de individualidade. Residentes em prédios tão iguais quanto os tijolos que os construiram. Tão isentos de manchas ou grafitis grupais ou territoriais quanto uma caixa de pregos, que primam pela ausência de personalidade.

Olhando para estes prédios ou bairros, informes na sua uniformidade, tão ausentes de personalidade quanto os corredores de uma penitenciária, pergunto-me se quem aqui está preso tem a noção de assim estar condenado, algemado a um número de porta, reduzido a um número de cidadão, tão autónomo ou livre quanto uma formiga num carreiro.

Não! Estas caixas de fósforos sobrepostas, todas da mesma fábrica, todas com 40 amorfos, desagradam-me fenomenalmente. Tal como me desagrada residir numa delas como resido.

 

Olympus SP-570UZ

 

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sábado, 18 de abril de 2026

Ideologias e leis




Parece que passou a ser proibido colocar bandeiras ideológicas nos edifícios públicos. Apenas as oficiais do local e país.

Foi pena não haver esta lei quando Ventura e seus acólitos colocaram pendões ideológicos nas janelas da Assembleia da República.

 

Samsung S1060


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sexta-feira, 17 de abril de 2026

Tântrico




Pentax K100D, Sigma 70-300


By me

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Ok, tudo fixe




Algumas pessoas vivem num mundo muito seu, tentando sobreviver na fina linha que os separa do nosso normal.

E nós, na nossa intolerância ao que sai do nosso normal, chamamos-lhes loucos ou outro piropo equivalente.

Quando viu a fotografia no ecrã da câmara, abriu bem os olhos e comentou sorrindo francamente: “Olha! Este sou eu.”

 

Obrigado pelo retrato, srº Lima.

 

Pentx Kx, Pentax DAL 18-55mm



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