terça-feira, 12 de maio de 2026

O verdadeiro




Quando fazemos uma fotografia recorremos a sistemas mais ou menos complexos para aquilatar da quantidade de luz que queremos que chegue ao alvo, seja ele película ou sensor electrónico.

O sistema concebido para tal, pondera os factores envolvidos: a quantidade de luz que chega ao aparelho, a sensibilidade deste, a abertura de diafragma para deixar passar a luz e quanto tempo o alvo estará exposto a ela.

Fazemos isto usando aquilo a que chamamos de fotómetro, seja ele embutido na câmara, seja ele externo. Os mais antigos dão-nos a indicação que queremos através do posicionamento de um ponteiro, os mais modernos com os diversos valores expressos por números visíveis num ecrã.

Mas, seja qual for o sistema ou a modernidade, nunca estamos a medir a luz mas apenas a regular a forma como a vamos utilizar. Apenas alguns, e de forma acessória, nos dão a indicação de quantidade de luz, medindo-a em footcandle (a origem do termo português fotómetro) ou em lux, unidades mais ou menos universais.

Mas medir luz não é apenas exclusivo de quem capta imagem. Quem concebe espaços interiores, fábricas, habitações, salas de espetáculo, estações de caminho de ferro..., também necessitam de medir luz para que as actividades que aí se desenrolam tenham a quantidade necessária para que se veja o que se está a fazer ou acontecer.

É aí que entram os verdadeiros fotómetros ou luximetros: apenas medem quantidade de luz, deixando ao seu utilizador a tarefa de a usar a seu bel-prazer ou função. Ele sabe quanta luz necessita e quanta é libertada pelas diversas lâmpadas no mercado. Tal como saberá de que forma a quantidade de luz varia em função da distância e qual o rendimento dos reflectores onde cada lâmpada está colocada. O fotómetro é então usado para verificar os calculos efectuados e fazer correções nas posições da luminárias se tal for necessário. Ou substituir lâmpadas que, por deito de fabrico ou pela idade, já não tenham o rendimento desejável.

Vem tudo isto a propósito deste aparelho que aqui exibo: um verdadeiro fotómetro. Apenas mede luz, sem complexos cálculos de exposição fotográfica.

Comprado hoje, por um valor inferior ao de qualquer refeição de faca e garfo numa qualquer tasca barata. Vi o anúncio num site de artigos usados e não resiti a o juntar aos demais sistemas de medição de luz e de exposição fotográfica que por aqui existem.

Se o vou usar para fotografar? Quase de certeza que não. Estou demasiado viciado nos quadrantes e indicações dos “fotómetros” ou exposímetros, para usar de um bom pedaço de tempo a fazer contas complexas.

No entanto não confio por completo no que estes me sugerem. Nesta imagem, por exemplo,  usei o exposímetro da câmara mas reduzi a exposição em 1,5 EVs (mais uma unidade de relativização de exposição). Isto porque sei como funcionam os aparelhos e, se tivesse seguido as suas indicações, iria obter um cinzento feio e falso, no lugar de negro bem profundo do aparelho fotografado.

Os sistemas existentes, para fotografar ou seja para o que for, dão-nos informações auxiliares e não dogmas a seguir sem contestação. O ser humano ainda é a peça fundamental no resultado final.

 

Pentax K1 mkII, smc Pentax-M macro 100 1:4


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