Já lá vão uns anos valentes (mais de quarenta) e a irmã de
um colega e amigo andava então no 8º ano (seria 9º?).
Levada pelo entusiasmo que via nele e nalguns amigos, quis
frequentar as então chamadas “actividades extra-curriculares”, no caso
fotografia.
Mas vinha de lá bem frustrada, que os professores que tinha,
apesar da boa vontade, pouco sabiam da coisa.
Conversa vai, conversa vem e dei comigo a combinar com eles
um conjunto de sessões com a turma.
Seis sessões de duas horas, das quais uma prática, onde, e
para além do domínio do equipamento, se falaria de estética e de semiótica.
Para uma primeira experiência lectiva da minha parte, a
coisa até que nem correu muito mal. As idades variavam dos 13 aos 17 anos, a
câmaras de cada um eram do mais díspar possível, trazidas de casa com especiais
recomendações paternas, mas o entusiasmo e a vontade de aprender superava tudo.
A penúltima sessão foi a prática. Engendrei exercícios
vários sobre perspectiva, gestão do espaço, exposição e assunto, a executar nas
imediações da escola (Reboleira) numa espécie de “raly-papper fotográfico”, e
dividimos a turma em dois grupos. Evitava-se assim a “molhada”, permitindo um
maior rendimento e concentração. Eu acompanhei um, os outros dois professores o
outro. Na sessão seguinte, depois de revelados e impressos, seriam comentados.
A avaliação, devido à escassez de tempo e aos objectivos do trabalho, seria em
grupo, feita por eles.
A coisa correu como o previsto, mais ou menos.
O que eu não previa, de forma alguma, era a surpresa final.
Já por alturas das despedidas, foi-me entregue solenemente
um embrulho.
No seu interior, esta fotografia nesta moldura.
Era uma fotografia feita pelo grupo que eu não tinha
acompanhado, oferecida como recompensa da minha presença (a minha ida lá tinha
sido “de borla”).
O vigor, a alegria e o grito à liberdade desta imagem e o
facto de a terem feito, escolhido e tratado para ma darem tornou-a imensamente
mais valiosa que qualquer pagamento em dinheiro que pudesse ter recebido.
O vidro original já sofreu uns desaires e a luz já reduziu
um pouco o contraste original. Mas das raras fotografias que tenho expostas
aqui em casa, esta estará sempre em lugar de destaque!
Uma imagem vale mais que mil palavras!
Olympus C3030Z
By me


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