Se estive lá? Estive sim senhor!
Não tive coragem de me juntar aos demais no Chiado. As minhas
pernas protestaram veementemente contra isso. Mas esperei pela multidão no
Rossio, onde me mantive enquanto pude.
Deixei a câmara guardada no saco às costas e prestei atenção
ao que era dito e quem lá estava. E disto retenho dois aspectos importantes:
A grande quantidade de cabelos grisalhos. Ao contrário do
que nos querem fazer crer, aqui juntou-se gente de todas idades. Desde o
estarem ao colo, porque ainda não sabem andar até gente que já tem dificuldade
em andar. Até cadeiras de rodas ali vi, o que diz algo sobre os seus ocupantes.
O outro aspecto pertinente foi o que fui ouvindo, enquanto
abancava nos bandos de pedra para ganhar
mais um tempinho. Dei pela presença de vários profissionais da educação,
professores na sua maioria. Espalhados pelo largo do Rossio, em pequenos grupos
de conversa.
Mas o que está acontecer com base na “crise da habitação”
vai bem para além disso. Por um lado um braço de ferro entre a autoridade
instituida e os cidadãos comuns. Por outro, o que se espera deste país quando
os jovens ou não tanto, não possuindo um espaço a que possam chamar lar, não se
sentem atraídos a serem pais. A explosão demografica, que já é negativa,
transformar-se-à num descalabro.
Fica, em jeito de ilustração, uma fotografia feita com o
telemóvel.
Samsung SM-A51F
By me

