De manhã, animação
ferroviária.
Um carteirista não
terá gostado da reacção de uma vítima, dentro do comboio e reagiu com navalhada
na barriga.
Nem o agredido nem
os demais passageiros gostaram da coisa e perseguiram o amigo do alheio,
primeiro no cais, depois p’la linha. Claro que acabou a história com este a ser
levado pela polícia, não sem antes ter levado uns valentes cascudos dos
populares. Creio que o que o salvou de pior destino terá sido um dos
passageiros que, p’la forma como falou com os cívicos, me pareceu ser colega d’ofício.
Já quanto àquele que, por pouco, ia ficando com as tripas de fora, saiu dali
com um valente penso na barriga, uma camisa inutilizada, quem sabe se ficará de
recordação, e deitadinho numa maca.
Imagine-se o
granel, vulgo confusão, que se criou na linha de Sintra, já que o episódio de
cariz policial sucedeu p’las oito da manhã, hora de ponta e com as composições
cheias. Nem desconfio quantas terão ficado imobilizadas na linha até que a gestão
de tráfego tenha conseguido normalizá-lo e transportar todos os passageiros.
E imaginem-se as
maldições, impropérios e generalização de relatos sobre as dificuldades da vida
que se ouviram, entre todos aqueles que saíram de casa com a convicção de
chegarem ao trabalho mais ou menos no horário previsto. Eu mesmo incluído.
Aquilo que a
maioria não discerniu, é que este contratempo para a maioria (que para o
assaltado foi bem mais que isso), acaba por ser uma estória a contar no
trabalho junto dos colegas, quiçá incrédulos, sobre o aumento da violência e
criminalidade no país.
E, acrescento eu,
como Portugal se está a aproximar a passos largos das medias europeias. Pelo menos
daquelas referentes aos países em crise.
No entanto, tenho
a acrescentar que o único real incómodo desta manhã incomum foi o ter-me
esquecido do relógio em casa. Talvez que por isso não tenha tido tão
violentamente a sensação de atraso. Pois que em não sabendo que horas são também
não sei quão atrasado ou adiantado estou.
E posso garantir
que entendi isso, hoje, mais como uma benesse que como um contratempo.
E, já agora, é
assim tão importante sabermos que horas são quando, de quando em vez, nos
forçam a alterar o relógio?
By me
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