Domingo, 19 de Fevereiro de 2012

Sábado, 18 de Fevereiro de 2012

Auto-retrato...



... talvez!
Há dias em que me sinto exactamente assim!

Me by me

Negociando com a vida




E depois há aquela pergunta idiota:
“Perder um comboio? Como é que se pode perder uma coisa tão grande?”
Bem, é fácil!
Basta cumprir uma regra na vida: não correr atrás de coisa alguma. Muito menos de um comboio, autocarro ou semelhante.
Costumo organizar a minha vida para chegar adiantado onde tenho compromissos. Considerando a frequência dos transportes públicos em Lisboa e arredores, entendo que meia hora é uma boa margem.
Porquê?
Bem, por um lado porque não gosto, melhor, desgosto de chegar atrasado. Como em tudo o resto, entendo que se me comprometi com uma dada hora, devo honrar o meu compromisso e cumpri-la. Que se todos honrassem os seus compromissos, tudo isto funcionaria bem melhor. E eu procuro fazer a minha parte.
Donde, essa meia hora que chego adiantado é uma margem de segurança que tenho para que, se algo correr mal, não chegue atrasado.
Por outro lado, se tudo correr bem, essa meia hora permite-me tirar partido do que nos cerca, quer seja para tomar um cafezinho, quer seja para fazer uma fotografia, quer seja para apenas apreciar o caminho, mesmo que seja o casa-trabalho enfadonho. Que mesmo nele, e por muitos anos de velho que seja, há sempre algo de novo para descobrir e degustar.
Para já não falar no completar a escrita de algum texto, iniciado a bordo de uma composição cujo trajecto termina antes das ideias ou papel. Já não tenho dedos para contar quantas vezes desembarquei e procurei, com algum frenesim, um banco na estação onde me sentar para acabar de escrever.
É assim que perder um comboio, essa lombriga comprida e de ferro que se desloca sempre no mesmo previsível caminho, é algo de banal e insignificante. Não me tira o sono nem altera o humor.
E quando chego ao cais e o vejo lá ao fundo afastando-se, trato de, entre outras possiveis, pesquisar os carris que deixou a descoberto. É fantástica a variedade de coisas que os passageiros atiram à linha, em modo de caixote de lixo gigante. E quanto maior é o comboio que perdi, maior é o espaço que deixa visível.

Em sabendo nós negociar com a vida, mesmo o perder de um comboio pode significar lucro puro. E sem impostos.

Texto e imagem: by me

A luz




Quando me perguntam o que gosto de fotografar, ou o que me faz fotografar, em regra respondo que é uma situação que conte uma história. Ou uma estória.
Isto é verdade um sem número de vezes, que se não encontrar esse motivo, ou se não o tiver previamente, nem sei se o que estou a fazer me agrada. E as mais das vezes não.
Mas há excepções.
Acontece ser apenas um pedaço de luz, um conjugar de situações (luz, lugar, momento, estado de alma) que me faz pegar de corrida na câmara e fazer uma ou duas fotografias.
Por vezes mesmo no meio do pátio de onde trabalho, mesmo sabendo que alguns há que ficam a pensar (ou a verbalizar): “Pronto, lá está ele outra vez.”
Mas são estes momentos fugazes, feitos mesmo antes de mergulhar na labuta diária, ou feitos em trânsito a caminho dela, que me “carregam baterias” para a aguentar, que nem sempre é fácil.
E agora, em olhando para ela, não sei sequer se é boa ou nem tanto. Aliás, confesso, nem me interessa. Não foi feita para agradar a quem quer que fosse, nem sequer a mim mesmo. Fi-la pelo simples prazer de a fazer, tentando guardar para mim a paz e tranquilidade que aquele momento de luz me estava a dar.
Quanto ao resto, os outros que se pronunciem.

By me 

Sucessos




Durante uns três anos, mais coisa, menos coisa, esta loja foi um salão de beleza com o nome curioso de “Líder de sucesso”.
Assim mesmo, nem mais nem menos.
Agora…
Bem, agora creio que a liderança fraquejou e o sucesso mudou de paragens.

By me

Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012

O santo Graal




Por vezes cometemos os maiores disparates a tentar resolver um a questão, estando a solução debaixo do nosso nariz há muito tempo.
Procurei, e bastante, um determinado artigo. Fui encontrando, em diversas lojas, vários modelos parecidos mas não iguais ao que queria. E mesmo essa parecença não servia para o que queria.
E fui explicando aos vendedores o que queria, para que queria e perguntando onde poderia encontrar aquilo que procurava. A resposta era, quase que invariavelmente, que não sabiam onde, em alternativa, poderia eu comprar aquilo que não tinham.
Ontem mudei de estratégia. Melhor dizendo, de terreno a bater. Deixei a baixa lisboeta, mais a Almirante Reis, Martim Moniz, Morais Soares, Estefânia e arredores, e fui directo para Alvalade. Bingo!
Não encontrei na primeira, mas indicou-me outra loja ali no bairro; aí também não tinham, mas deram-me a referência de duas outras lojas que poderiam ter; Destas, uma não tinha, ainda que tivesse tudo revolvido e mandou-me para a outra, onde acabei por encontrar o que procurava. Não exactamente, mas tão próximo que é como se fosse. E diz-me a bela da senhora que sabia bem o que eu queria mas que teria que esperar uma semana, que o vendedor vem às sextas-feiras e faria ela uma encomenda.
Fiquei quase que apaixonado pela senhora, pela simpatia e afabilidade, pelo conhecimento do que vendia e do que poderia vender. Mas, pela loja, foi paixão à primeira vista.  
E acabei por lhe pedir para fotografar esta belíssima caixa registadora com 50 anos e que foi a primeira e única que a loja teve. Comprada por ela para o estabelecimento, quando a inaugurou. Pelo que me disse, tem sido cobiçada um sem número de vezes, sendo que, e para além de dinheiro, já lhe ofereceram uma nova, toda modernaça, para a troca.
“Nem pensem”, disse-me. “Gosto dela, faz tudo o que eu quero, e nunca se avariou. Porque haveria de mandar embora uma amiga fiel de longa data?”

Em Alvalade os carros não andam depressa e respeitam os peões nas passadeiras. Os residentes conhecem-se e cumprimentam-se à passagem. Os lojistas, ainda que querendo fazer negócio, não deixam que se saia do bairro sem se ir satisfeito. E é difícil não encontrar de tudo, no bairro em geral e nesta drogaria em particular.
Os idealizadores dos centros comerciais querem fazer deles, num mesmo espaço, todos os comércios e, por cima, as residências e serviços. Esquecem-se eles do factor mais importante das cidades: as pessoas.
Alvalade tem, na horizontal, aquilo que os centros comerciais têm na vertical. Com a vantagem de não ser asséptico e possuir calor humano.
E, como se nada disto bastasse, até é em Alvalade que está localizada uma das melhores lojas de fotografia da cidade.
Porque raio não comecei eu logo por aqui, se até já conheço, e bem, o bairro?

Texto e imagem: by me

Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012

Just for the fun




With a pocket camera

By me

Esclarecedor




Oiço alguém de uma estação de televisão a perguntar a uma cidadã de Beja sobre a sua reacção ao saber do triplo homicídio ali ocorrido.
Faz sentido esta pergunta, já que poderia ouvir por resposta:
“É bem feita! A mulher dele passava o tempo a cuscar na vida dos vizinhos; a filha era uma badalhoca; a neta era só birras e gritarias na rua. A cidade fica melhor sem elas!”

Ouve-se cada pergunta na TV…!

Miradouro




A rua de Santa Justa, em Lisboa, tem num dos seus extremos o emblemático elevador de Santa Justa.
É quase que um cartão que um cartão de visita da cidade e poucos terão sido os que nele estiveram que de lá não fotografaram. Aliás, em tempos não muito recuados, era local de passeio dominical para os alfacinhas, turistas na sua própria cidade.
Há, no entanto, outros locais na cidade bem mais discretos e de onde se pode desfrutar de uma vista sobre a cidade magnífica. Alguns de acesso fácil, outros encerrado ao pôr-do-sol, outros ainda dependendo dos horários comerciais. Este é um deles.
Insuspeita para quem andar lá em baixo, fica esta varanda e esplanada no topo do edifício que ocupa o extremo oposto da rua de Santa Justa, com porta aberta para a rua dos Fanqueiros. Tostas e saladas de frango ou atum simpáticas, bom vinho a copo, suficientemente exígua para estar cheia na hora do almoço, trata-se da cafetaria daquele que, talvez, seja o “grande armazém” que sobra de antes do advento dos centros comerciais e lojas vindas de alem fronteiras: a “Polux”.
Tropecei eu nela um destes dias, numa busca inglória do santo Graal (bem, não perguntava por esse nome, mas quase) e foi a fome que me levou a subir o elevador e a escada, após a sugestão ouvida no sistema sonoro existente nos demais pisos ou departamentos.
Fiquei fã.
Conto regressar, fora da hora de refeições, para um petisco e um refresco com ou sem álcool e aproveitar o que daqui se vê e o resto, como o que se espreita pelas discretas janelas das traseiras, agora fechadas por via do frio.
Fica a sugestão, ainda que a divulgação o possa transformar num local de romaria concorrido.

 By me

Nota extra: apesar da estranheza das linhas, o horizonte está mesmo horizontal.

A sombra preferida




Haverá sempre forma de enxergar aquilo que os nossos olhos não alcançam!

By me