sábado, 25 de março de 2017

Uma vez por ano



A situação é recorrente: uma vez por ano.
Esta noite, quando estivera dar uma, dê duas e acerte o relógio.


Imagem palmada da net

Livre e acrata



Num fórum ou grupo onde se discute um impresso contendo a formalidade da autorização do representante legal de um criança para que possa ser fotografada comercialmente, deu-me para contribuir com estas palavras.
Ficam à consideração (e as suas ideias) dos restantes, agora que vivemos num mundo onde a imagem é rainha.

É sabido que sou um acérrimo defensor do direito à reserva da imagem.
Esse direito aplica-se a qualquer ser humano, seja qual for a sua condição.
Também sabemos que uma fotografia, uma vez divulgada – seja qual for o suporte – é de difícil controlo. Tanto por parte do fotógrafo como por parte de quem nela consta.
Ser um adulto a deliberar sobre o fazer de imagens de menores, sem que fique legalmente salvaguardada a possibilidade de o próprio – o menor – emitir opinião sobre a sua própria imagem é, do meu ponto de vista, um abuso.
Mais ainda, não fica estabelecido nesse contrato que o menor, em chegando à maioridade, poderá revogar o contrato, exercendo o seu direito à reserva da imagem que lhe foi sonegado enquanto menor de idade.
É, do meu ponto de vista, pouco correcto colocar no mercado à revelia do fotografado, imagens dele, ficando “ad eternum” à disposição de quem a queira comprar e usar.
Sei que o mercado fotográfico e publicitário funciona assim. Não significa isso que concorde com tal prática. E, muito menos, que assim proceda eu.
Fazendo uma analogia no tempo, há mais de século e meio que se defende o direito à auto-determinação do ser humano – o fim da escravatura.
Faz sentido fazer o mesmo com a imagem do ser humano, mais a mais quando o próprio não tem poder de decisão sobre ela, como é o caso de menores.


Serei pouco convencional neste tema, mais a mais lidando com a fotografia como lido. Mas a minha condição de fotógrafo em momento algum se sobrepõe à minha condição de ser humano. Livre e acrata.

By me

sexta-feira, 24 de março de 2017

Não adianta



A liberdade é dos bens mais preciosos da humanidade. E é tão caro ao Homem (e aos restantes seres vivos, diga-se de passagem) que a civilização usa a sua privação como forma de punição às infracções aos códigos sociais.
Mas o conceito de liberdade é vasto e abrangente. Para uns poderá ser o movimentar-se sem restrições, para outros o poder criar e desenvolver empreendimentos, para outros o pensar e o falar.
E a ausência de liberdade sempre foi um mal combatido na história. A rebeldia dos povos contra autocratas e ditadores, o recurso a secretismos para escapar a esbirros políticos ou religiosos, o sangue derramado por essa bandeira sem cor nem pátria.
Alguns foram os que entenderam ser seu dever levar esse conceito a todo o mundo e o fizeram. Para dar apenas dois exemplos, Garibaldi e Che Guevara.
No entanto, e por muito nobres que fossem – e eram – os seus ideais, incorreram num erro crasso, hoje repetido: entenderam que o seu conceito de liberdade e a forma de o implantar seriam universais e que todas as sociedades deveriam por ele estar abrangidos. E, no momento em que assim pensaram e agiram foram tão autocratas quanto os naturais dessas sociedades que aos seus irmãos de região impunham a sua privação. Os conceitos sociais variam de zona para zona e de tempo para tempo e não haverá, forçosamente, nem fórmulas universais nem que impor um pensamento a quem não o tem. Tal como não se deve proibir de o ter. Esta é a verdadeira essência de Liberdade.

Por mim, que não sou nem genial nem altruísta para além do limite, entendo que a defesa que devo e posso fazer da Liberdade se restringe à minha área de influência, à sociedade em que me insiro. Junto daqueles que, de alguma forma, se regem por um mesmo conjunto de códigos de sociedade e culturais, onde a minha forma de intervenção pode e deve ser útil. Fazendo com que os meus pontos de vista, mais que serem aceites, possam ser conhecidos. E que cada um, fazendo uso da sua liberdade de acção e pensamento, possa optar pelas condutas que melhor lhe agradem. Passando sempre pelo respeito das liberdades dos restantes.
Claro que este exercício da Liberdade trás sempre amargos de boca. Por parte do exercício do poder governamental, policial, partidário ou laboral. Até mesmo cultural. Há sempre quem goste, queira e possa exercer a autocracia, tentando silenciar aqueles que a denunciam em público. Tenho tido a minha quota-parte e cicatrizes por actuar contra estes actos censórios e restringidores da Liberdade. Mas não é por isso que o deixarei de o fazer e a exercer!
Mas é complicado divulgar ideias e praticar a Liberdade no seio de sociedades que, sabendo-se privadas dela e conscientes da sua existência, nada fazem por ela, em que cada elemento se refugia no seu próprio micro-cosmos, fazendo por ignorar o macro em que se insere. E, com este alhear do que rodeia e, em simultâneo, alijar de responsabilidades, dar espaço de manobra alargado aos títeres e autocratas, de grande ou pequeno calibre, que fazem da sua ditadura a sublimação das suas frustrações pessoais.

É assim que prefiro fazer ouvir a minha voz onde existo na realidade, na sociedade em que estou inserido e que entendo por dentro, deixando as virtualidades das intervenções para aqueles que, ao contrário de mim, querem e sabem agir para além fronteiras e onde não são bem-vindos. E que assumem o risco de, por tanto querem divulgar a Liberdade, acabarem por a impor, impedindo-a.

Até porque, de que adianta querer arrumar a casa dos outros quando a nossa própria está caótica?

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quinta-feira, 23 de março de 2017

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Se preciso de dizer algo mais, então este post é inútil!

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quarta-feira, 22 de março de 2017

Power



Enquanto ia cuidado do jantar, o televisor perorava os seus programas. Por distracção, e ao invés do costume, havia-o deixado num noticiário.
Os seus sons eram átonos, monocórdicos, variando as vozes mas não as entoações, apenas intercalados com as músicas de separadores.
De súbito apercebo-me que a voz que ouvia falava aceleradamente, em tom exaltado, quase de angústia, num frenesim e volume discordante do resto que me havia chegado aos ouvidos.
Larguei o que fazia e fui cuscar o aparelho, presumindo que algo de realmente importante estava a ser contado ou relatado. De facto estava!
Tinha-se entrado na página do desporto.
Mantive a compostura, não disse nada que a minha avozinha não pudesse ter ouvido e fiz a única coisa sã que poderia fazer.

O jantar foi tranquilo.

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terça-feira, 21 de março de 2017

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Parece que hoje é o dia da árvore. Mas também é o dia da poesia.

Portanto, nada como plantar um poema e declamar uma árvore, folha por folha.
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Vazio



Por vezes não é preciso muito para que o mundo fique assim.

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segunda-feira, 20 de março de 2017

Celebração



Poucos serão os que se recordam o que se celebra hoje. A maioria usou boa parte da sua capacidade de recordar e celebrar ontem, pouco sobrando disso para hoje.
Claro que a celebração de ontem é importante. É importante para quem celebrou, é importante para quem foi celebrado, é importante para a sociedade que celebra o seu núcleo organizacional mais pequeno, é importante para o comércio de retalho e restauração… Claro que a celebração de ontem é importante.
Mas arbitrária.
Tanto se pode celebrar o Pai no 19 de Março, como no 25 de Agosto ou no 3 de Fevereiro. É completamente arbitrário e o que importa é que seja celebrado.
Já o dia de hoje só pode ser celebrado hoje, por muito que possam tentar fazer de outra forma. Só mesmo a 20 de Março.
O Equinócio da Primavera, aquele dia em que as horas de luz solar são iguais ás de escuridão, em que o Planeta Terra assume esta posição de translação e que, devido  ao seu eixo de rotação esta equivalência de luz e ausência acontece… Celebrar esta data só mesmo hoje.
Convencionámos nós, ocidentais, que hoje se iniciaria a Primavera. No hemisfério norte, que sul é o Outono que se inicia. E fomos de algum modo impondo esse dia e nome onde os europeus têm ou tinham influência. Mas nem em tudo.
No médio Oriente, esta data é usada, ancestralmente, para celebrar o fim do ano ou o início do ano. E faz bem mais sentido que um qualquer 1º de Janeiro: Os próprios astros nos indicam o fim e o início do ciclo.

Bom ano novo para todos.

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domingo, 19 de março de 2017

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Fica o aviso à navegação:
Não basta ter um título, um registo e um dia no calendário.
Há coisas na vida que exigem muito mais que apenas isso. Uma parte dela, por exemplo.
As horas em que se faz ou que não se faz, aquilo que se pensa ou age sem pensar, aquilo que se mostra e aquilo que se esconde, aquilo que se sente….


Honra e gloria àqueles que o são e merecem ser e àqueles que não o sendo se comportam como se fossem.
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Um olhar constipado



Esta fotografia serve para demonstrar duas coisas das quais já tinha certezas:

A – Os telemóveis não servem para fotografar só olhos.

B – As constipações de Março são terríveis.

By me