quarta-feira, 29 de março de 2017

Cigarros



Não se assustem os mais nervosos: eu não voltei a fumar.
Aliás, completou-se no passado dia 27 quinze meses de não-fumador e penso assim continuar.
No entanto, entendo que havendo tanta coisa tão díspar cá em casa, não faz sentido não haver também tabaco e lume. Não forçosamente para efeitos fotográficos, ainda que possa ser útil, mas para garantir que quem quer que cá venha não entra em estado de nervos por lhe faltar um cigarrinho.
Manias!



By me

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Leio uma frase panfletária, em que um partido político se diz “Sempre do lado dos trabalhadores”.
Se um partido, que é uma organização privada em que o acesso é condicionado pela vontade dos seus membros, está do lado de alguém, quer dizer que ele mesmo – o partido – não é esse alguém.
É uma entidade à parte que, por mero acaso, está solidária com os trabalhadores. Mas que é decisão sua estar assim, podendo, se assim o quiser, não estar.

Ora batatas para os partidos – todos eles – que se entendem do lado do povo porque não são povo.


Já agora acrescento que, para me representar, quero um dos meus e não alguém que diga que está do meu lado!
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terça-feira, 28 de março de 2017

The last one



Esta foi a última fotografia feita no âmbito do meu projecto “Old Fashion”, em 2010. No dia seguinte, um elemento vital a todo o processo avariou de forma irrecuperável. E a peça já não existe no fabricante.
No entanto, quanto foi feita a fotografia não sabia da situação. E publiquei-a, acompanhada deste texto, assim escrito para ser perceptível em fóruns internacionais onde participo e onde a língua portuguesa não é, sabemos, muito conhecida.

I’m sorry to say it, but this one wasn’t done with a Pentax. Neither with my LX or with my K100d or even with my K7.
As a matter of fact, it was done with the stuff of my wooden camera, the fake old one, the one I call “Old Fashion” or "A La Minuta".
A lady and her young son came to me and my camera were I stand, at the Jardim da Estrela, in Lisboa. We did another photo, printed and delivered as usual.
But we had already met several times before. And chatted a lot. The young guy, very young one, had this need to see with his own hands, as any other of that age. Increased with the familiarity with the situation. And didn’t stop trying to play with my camera. Which, obviously, was not build to be played like he wanted.
So, to have him quiet, I promise him that if he behaved properly I would let him make a photo as I do. We should keep our promises so he pressed the cable release!
That’s why I have this one, of my self, among all the others done by this strange photographer that stands alone in a park, offering photos to those who ask him to.
Why am I telling you all this and showing this photo? Well, because I’ll start tomorrow this year’s season there. And, believe me, I became addicted to this activity and I have been missing it since my last day there, last October.

Hurra for Spring and its good weather!

By me

segunda-feira, 27 de março de 2017

Reflexos



É pouco importante se é um tostão ou um milhão, se é original ou prática comum: Quando se trata de se ser honesto, material e intelectualmente, não pode haver zonas cinzentas nem desculpas esfarrapadas. Ou bem que se é honesto ou bem que se é desonesto.
O argumento “toda a gente faz” ou “ninguém dá por nada” ou ainda “eles até merecem” não colhe, que a honestidade é como os interruptores:
Ou estão ligados ou estão desligados.

Fica o recado dado a ti, que tens a fama de incorruptível, de exemplar nas atitudes, mas que na prática tens aquelas pequenas desonestidades recorrentes que te tornam igual àqueles que publicamente acusas.

E não te preocupes com o meu dedo: preocupa-te com o teu reflexo no espelho.

By me

sábado, 25 de março de 2017

Uma vez por ano



A situação é recorrente: uma vez por ano.
Esta noite, quando estivera dar uma, dê duas e acerte o relógio.


Imagem palmada da net

Livre e acrata



Num fórum ou grupo onde se discute um impresso contendo a formalidade da autorização do representante legal de um criança para que possa ser fotografada comercialmente, deu-me para contribuir com estas palavras.
Ficam à consideração (e as suas ideias) dos restantes, agora que vivemos num mundo onde a imagem é rainha.

É sabido que sou um acérrimo defensor do direito à reserva da imagem.
Esse direito aplica-se a qualquer ser humano, seja qual for a sua condição.
Também sabemos que uma fotografia, uma vez divulgada – seja qual for o suporte – é de difícil controlo. Tanto por parte do fotógrafo como por parte de quem nela consta.
Ser um adulto a deliberar sobre o fazer de imagens de menores, sem que fique legalmente salvaguardada a possibilidade de o próprio – o menor – emitir opinião sobre a sua própria imagem é, do meu ponto de vista, um abuso.
Mais ainda, não fica estabelecido nesse contrato que o menor, em chegando à maioridade, poderá revogar o contrato, exercendo o seu direito à reserva da imagem que lhe foi sonegado enquanto menor de idade.
É, do meu ponto de vista, pouco correcto colocar no mercado à revelia do fotografado, imagens dele, ficando “ad eternum” à disposição de quem a queira comprar e usar.
Sei que o mercado fotográfico e publicitário funciona assim. Não significa isso que concorde com tal prática. E, muito menos, que assim proceda eu.
Fazendo uma analogia no tempo, há mais de século e meio que se defende o direito à auto-determinação do ser humano – o fim da escravatura.
Faz sentido fazer o mesmo com a imagem do ser humano, mais a mais quando o próprio não tem poder de decisão sobre ela, como é o caso de menores.


Serei pouco convencional neste tema, mais a mais lidando com a fotografia como lido. Mas a minha condição de fotógrafo em momento algum se sobrepõe à minha condição de ser humano. Livre e acrata.

By me

sexta-feira, 24 de março de 2017

Não adianta



A liberdade é dos bens mais preciosos da humanidade. E é tão caro ao Homem (e aos restantes seres vivos, diga-se de passagem) que a civilização usa a sua privação como forma de punição às infracções aos códigos sociais.
Mas o conceito de liberdade é vasto e abrangente. Para uns poderá ser o movimentar-se sem restrições, para outros o poder criar e desenvolver empreendimentos, para outros o pensar e o falar.
E a ausência de liberdade sempre foi um mal combatido na história. A rebeldia dos povos contra autocratas e ditadores, o recurso a secretismos para escapar a esbirros políticos ou religiosos, o sangue derramado por essa bandeira sem cor nem pátria.
Alguns foram os que entenderam ser seu dever levar esse conceito a todo o mundo e o fizeram. Para dar apenas dois exemplos, Garibaldi e Che Guevara.
No entanto, e por muito nobres que fossem – e eram – os seus ideais, incorreram num erro crasso, hoje repetido: entenderam que o seu conceito de liberdade e a forma de o implantar seriam universais e que todas as sociedades deveriam por ele estar abrangidos. E, no momento em que assim pensaram e agiram foram tão autocratas quanto os naturais dessas sociedades que aos seus irmãos de região impunham a sua privação. Os conceitos sociais variam de zona para zona e de tempo para tempo e não haverá, forçosamente, nem fórmulas universais nem que impor um pensamento a quem não o tem. Tal como não se deve proibir de o ter. Esta é a verdadeira essência de Liberdade.

Por mim, que não sou nem genial nem altruísta para além do limite, entendo que a defesa que devo e posso fazer da Liberdade se restringe à minha área de influência, à sociedade em que me insiro. Junto daqueles que, de alguma forma, se regem por um mesmo conjunto de códigos de sociedade e culturais, onde a minha forma de intervenção pode e deve ser útil. Fazendo com que os meus pontos de vista, mais que serem aceites, possam ser conhecidos. E que cada um, fazendo uso da sua liberdade de acção e pensamento, possa optar pelas condutas que melhor lhe agradem. Passando sempre pelo respeito das liberdades dos restantes.
Claro que este exercício da Liberdade trás sempre amargos de boca. Por parte do exercício do poder governamental, policial, partidário ou laboral. Até mesmo cultural. Há sempre quem goste, queira e possa exercer a autocracia, tentando silenciar aqueles que a denunciam em público. Tenho tido a minha quota-parte e cicatrizes por actuar contra estes actos censórios e restringidores da Liberdade. Mas não é por isso que o deixarei de o fazer e a exercer!
Mas é complicado divulgar ideias e praticar a Liberdade no seio de sociedades que, sabendo-se privadas dela e conscientes da sua existência, nada fazem por ela, em que cada elemento se refugia no seu próprio micro-cosmos, fazendo por ignorar o macro em que se insere. E, com este alhear do que rodeia e, em simultâneo, alijar de responsabilidades, dar espaço de manobra alargado aos títeres e autocratas, de grande ou pequeno calibre, que fazem da sua ditadura a sublimação das suas frustrações pessoais.

É assim que prefiro fazer ouvir a minha voz onde existo na realidade, na sociedade em que estou inserido e que entendo por dentro, deixando as virtualidades das intervenções para aqueles que, ao contrário de mim, querem e sabem agir para além fronteiras e onde não são bem-vindos. E que assumem o risco de, por tanto querem divulgar a Liberdade, acabarem por a impor, impedindo-a.

Até porque, de que adianta querer arrumar a casa dos outros quando a nossa própria está caótica?

By me

quinta-feira, 23 de março de 2017

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Se preciso de dizer algo mais, então este post é inútil!

By me

quarta-feira, 22 de março de 2017

Power



Enquanto ia cuidado do jantar, o televisor perorava os seus programas. Por distracção, e ao invés do costume, havia-o deixado num noticiário.
Os seus sons eram átonos, monocórdicos, variando as vozes mas não as entoações, apenas intercalados com as músicas de separadores.
De súbito apercebo-me que a voz que ouvia falava aceleradamente, em tom exaltado, quase de angústia, num frenesim e volume discordante do resto que me havia chegado aos ouvidos.
Larguei o que fazia e fui cuscar o aparelho, presumindo que algo de realmente importante estava a ser contado ou relatado. De facto estava!
Tinha-se entrado na página do desporto.
Mantive a compostura, não disse nada que a minha avozinha não pudesse ter ouvido e fiz a única coisa sã que poderia fazer.

O jantar foi tranquilo.

By me

terça-feira, 21 de março de 2017

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Parece que hoje é o dia da árvore. Mas também é o dia da poesia.

Portanto, nada como plantar um poema e declamar uma árvore, folha por folha.
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