quinta-feira, 25 de maio de 2017

Tu



Quando o direito à reunião for condicionado só a alguns, quando a polícia do pensamento prender só porque pensaste, quando o dizer diferente for um crime…
Que vais fazer tu?


By me

Sombras



“Isto é óbvio!”, disse uma amiga licenciada em comunicação social, ainda que não a exercer, a quem dei a ler este pedacinho como aperitivo de uma proposta de leitura.
“Certo!”, respondi-lhe. “Mas quem vê o óbvio? Quem pára para pensar nele e agir em conformidade? Tantos quantos os que param para ver a sombra na fachada aqui em frente, todos os fins de dia.”
Antes que o coloque numa das prateleiras dos que sei que irei voltar a ler, aqui vos deixo um nico do “Olhando o sofrimento dos outros”, de Susan Sontag:



“As fotografias objectivam: transformam um acontecimento ou uma pessoa em algo que pode ser possuído. E as fotografias são uma espécie de alquimia, por mais que sejam consideradas como um relato transparente da realidade.”

By me

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Semântica



Esta fotografia foi feita por um conhecido. Com o meu telemóvel.
Na sequência da conversa que estávamos a ter, entreguei-lhe o aparelho pronto, disse-lhe para segurar nele e premir o respectivo “botão”.
De seguida perguntei-lhe o que acabara de acontecer. E a resposta foi a do costume: “Tirei uma fotografia.”
Neguei a sua afirmação e disse-lhe que acabara de fazer de deus. Um deus qualquer, não importando o nome ou a origem.
Que com os seus gestos, e usado de três tipos de energia (a da luz, a do aparelho e a sua criativa) havia produzido algo que não existia segundos antes. E é isso que os deuses fazem: criar do nada a partir de energia. Fazer coisas!
A consequência dos actos deste meu conhecido foi o “fazer” de uma fotografia, não o “tirar” uma fotografia.
Que temos o verbo tirar como negativo, enquanto que o fazer é positivo.

Tenho feito este exercício prático com conhecidos de proximidade e com desconhecidos que o acaso coloca de conversa comigo.
E o resultado deste exercício, bem como do resto da conversa, em regra deixa-me satisfeito. O que vejo nos seus olhos, quer seja a dúvida do “isto será mesmo assim?”, quer seja a dúvida “ele será mesmo louco?” deixa-me com a certeza de ter provocado alguma dúvida e uma brecha nas certezas que as palavras nos dão, em particular aquelas que usamos sem pensar.


E ter dúvidas ou colocar em causa as certezas antigas é, talvez, a coisa mais inteligente e produtiva que o ser humano pode fazer.

By me

.

Várias têm sido as sábias vozes que me têm recomendado o perder peso.

Por isso, estou a ponderar o ter só um livro no saco com que saio de casa.

Solitário na linha



By me

.

Dizem os especialistas em física que o calor dilata os corpos.
Pois eu ponho em causa tal postulado! E afirmo, sem sombra de dúvida, que o calor encolhe. E muito notoriamente.

Repare-se como o calor faz encolher as mangas, as camisolas, as calças, as saias, as meias, as cobertas…

terça-feira, 23 de maio de 2017

.

Eu não gostaria de viver num país em que todas as portas se arrombam com a facilidade que vemos nos filmes.

Mas gostava de viver num país onde fosse tão fácil encontrar lugar para estacionar mesmo à porta do local para onde vamos como vemos nos filmes.

Ninguém



Ninguém fotografa algo para esquecer!

By me

domingo, 21 de maio de 2017

Manhãs



By me

Linguísticas

“Ministério público considera gravação de Temer legal após avaliação técnica.”, é o que leio no título do jornal.


A questão é saber se é “legal” no sentido “dentro da lei” se “legal” no sentido “fixe”.
.