quarta-feira, 28 de junho de 2017

Dificuldades



Eu tentei. Juro que tentei. Passei horas a pensar em como o fazer.
Falo de uma fotografia sobre o tema do dia, falado em todos os campos do país, das televisões e jornais a redes sociais e meios artísticos.
A questão propriamente dita é quase impossível de registar. A menos que tivesse usado um corante ou um isqueiro, a objectiva não veria e o registo não aconteceria.
Poderia ter usado uma expressão facial. De quem dá ou de quem sente. Mas poderia ser sempre confundido com outros assuntos, desde a satisfação por um petisco acabado de comer à dor de um pontapé descalço na perna de um piano.
Uma outra alternativa passaria por exibir o local de origem. Mas acredito que as comissões de censura das redes sociais haveriam de bloquear a imagem.
Ainda pensei em fotografar os vestígios que a questão pode deixar em peças de vestuário. Um nico de repugnante, convenhamos.
Lembrei-me então que, e se não poderia registar o momento ou a consequência, porque não fotografar a origem, o que lhe dá força.

Fica, assim, um pouco de feijão preto que, é sabido, provoca efeitos no organismo nem sempre os mais desejáveis.

By me 

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E foi preciso uma tragédia monumental para que alguém pusesse a palavra “peido” a cobrir o território nacional e ser repetida no dia seguinte em tudo quanto é sítio.  
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Uma outra versão de um clássico

Primeiro quiseram f@&€R-m€ o juízo,
mas como sempre fui louco…
Depois quiseram f@&€R-m€ o dinheiro,
mas como sempre vivi com pouco…
De seguida quiseram f@&€R-m€ a saúde,
mas como sempre abusei das coisas…
Por fim quiseram f@&€R-m€ a vida,
mas como já estava morto
acabou-se-lhes o gozo!


Espero por eles lá em baixo!  

By me

terça-feira, 27 de junho de 2017

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By me

Disparates

Dúvidas linguísticas que me atrapalham. Por exemplo:
Há verbos que não podem se conjugados na primeira pessoa. “Chover” é um deles. É um verbo intransitivo que só se usa na terceira pessoa. Ninguém dirá “eu chovo”, por exemplo.
Outro equivalente é “suicidar”. Pese embora tenha encontrado gramáticas que o conjugam nas três pessoas do singular e do plural, é um disparate ser usado na forma reflexa.
O acto em si é algo que, por definição, é executado por alguém sobre si mesmo. Ninguém suicida outro. Isso seria um assassínio.
Donde dizer “suicidou-se” é um absurdo, já que só poderia ser executado pelo próprio sobre o próprio.

Claro que este assunto não me tira o sono nem a vida. Veio à baila depois de ouvir tantos políticos e gente importante tão mal usarem o verbo.
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segunda-feira, 26 de junho de 2017

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Podemos fazer um interessante itinerário da nossa vida e relacionamentos quando limpamos a carteira e nos livramos de velhos cartões de visita pessoais ou comerciais.

Surpresas?



Está meio mundo indignado com a notícia sobre o Facebook.
Ao que parece, há uns anos andaram a manipular o que aparecia no “feed de notícias” de alguns utilizadores, com o fito de perceberem até que ponto notícias positivas ou negativas influenciavam os posts dos mesmos. Foram uns milhares assim afectados, sem o saberem.

Estão espantados ou incomodados com o quê?????
Estão à espera que não existam jogos de manipulação nas redes sociais?
Santa ingenuidade!
Isso acontece há dezenas de anos, desde a invenção da comunicação social: impressa, ouvida, vista. As notícias são escolhidas, filtradas, ajustadas e difundidas de acordo com os interesses do meio ou suporte. Interesses económicos, interesses políticos, interesses corporativos, interesses desportivos… interesses.
Mesmo os próprios utilizadores manipulam as opiniões dos que acedem aos conteúdos, publicando o que querem para obter os resultados que querem: aceitação social, influências políticas ou laborais, interacção com terceiros…
As redes sociais são a versão moderníssima das conversas de café ou do largo da igreja. E essas conversas acontecem – sempre – com dois objectivos: porque queremos que a nossa opinião seja ouvida e aceite, porque queremos saber a opinião ou notícias de terceiros.
Por isso se escolhe (ou escolhia) este ou aquele café, este ou aquele banco do largo público: em função de quem o frequenta, onde a nossa opinião pode ser ouvida ou onde o que por lá se diz nos interessa.
Fazem isso os media, todos os dias, a cada instante. Fazemos nós isso nas redes sociais, a cada publicação que fazemos ou acedemos.
Esperar que a gestão das redes sociais seja inócua, isenta, sem interferir em nada nos conteúdos é ingenuidade da mais pura.
Em último caso, vejam-se os banidos, as páginas apagadas, as denúncias por parte de utilizadores…

Acordem!
Manipulação é a palavra-chave desde o invento do púlpito, desde o invento da rotativa, desde o invento da emissão de um para todos.
Tudo o mais são roupagens para um mesmo conceito.
Ou acham que as cores escolhidas para uma capa, ou os sons e imagens escolhidos para um genérico ou as manchas gráficas ou a sequência de conteúdos é inocente e inconsequente?
Da próxima vez que virem algo que vos atraia, positiva ou negativamente, num computador, num jornal, num quiosque ou ouvirem numa rádio, pensem nos motivos que levaram quem vos informa a fazer tal coisa. No escolher o conteúdo, no escolher a forma, no escolher o momento. E porque vos conta aquilo em particular e não tantas outras coisas e assuntos que poderia ter abordado. Boas e más.


Espantem-se com a vossa surpresa, não com o que a motivou!  

By me

domingo, 25 de junho de 2017

O recanto



Porque surgiu, já nem sei como, em várias conversas e porque o momento o justifica, uma velharia, uma novidade e uma imagem:


Entra Todo o Mundo, rico mercador, e faz que anda buscando alguma cousa que perdeu; e logo após, um homem, vestido como pobre. Este chama Ninguém e diz:

Ninguém : Que andas tua aí buscando?

Todo o mundo: Mil cousas ando a buscar :
delas não posso achar,
porém ando porfiano
por quão bom é porfiar.

Ninguém : Como hás nome, cavalheiro?

Todo o Mundo: Eu hei nome Todo Mundo
e meu tempo todo inteiro
sempre é buscar dinheiro
e sempre nisto me fundo

Ninguém: Eu hei nome Ninguém,
e busco a consciência

Belzebu : Esta é boa experiência:
Dinato, escreve isto bem.

Dinato : Que escreverei , companheiro ?

Belzebu : Que ninguém busca consciência,
e todo mundo dinheiro.

Ninguém : E agora que buscas lá?

Todo o mundo : Busco honra muito grande.

Ninguém : E eu virtude, que Deus mande
que tope com ela já.

Belzebu : Outra adição nos acude:
escreve logo aí, a fundo
que busca honra todo mundo
e ninguém busca virtude.

Ninguém : Buscas outro mor bem qu'esse?

Todo o mundo: Busco mais que me louvasse
tudo quanto eu fizesse.

Ninguém : E eu quem me repreendesse
em cada cousa que errasse.

Belzebu : Escreve mais.

Dinato : Que tens sabido?

Belzebu: Que quer em extremo grado
todo o mundo ser louvado,
e ninguém ser repreendido.

Ninguém: Buscas mais, amigo meu ?

Todo o mundo: busco a vida a quem ma dê.

Ninguém : A vida não sei o que é,
a morte conheço eu.

Belzebu : Escreve lá outra sorte.

Dinato : Que sorte?

Belzebu: Muito garrida:
Todo o Mundo busca a vida
e ninguém conhece a morte.

Todo o Mundo: E maisqueria o paraíso,
sem mo ninguém estorvar.

Ninguém : E eu ponho-me a pagar
quanto devo para isso.

Belzebu : Escreve com muito aviso.

Dinato : Que escreverei ?

Belzebu: Escreve
que todo o mundo quer o paraiso
e ninguém paga o que deve.

Todo o Mundo: Folgo muito d'enganar,
e mentir nasceu comigo.

Ninguém: Eu sempre verdade digo
sem nunca me desviar

Bellzebu: Ora escreve lá, compadre,
não sejas tu preguiçoso.

Dinato: Quê?

Belzebu: Que todo o mundo é mentiroso,
E ninguém diz a verdade.

Ninguém: Que mais buscas?

Todo Mundo: Lisonjear.

Ninguém: Eu sou todo desengano.

Belzebu: Escreve, ande lá mano.

Dinato : Que me mandas assentar?

Belzebu: Põe aì mui declarado,
Não te fique no tinteiro:
Todo o mundo é lisonjeiro,
e ninguém desenganado.



Excerto de “Auto da Lusitânia”, por Mestre Gil Vicente  
By me

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“Born in the 90’s”, trazia aquela mocinha orgulhosamente estampadas na T-Shirt bem justa e curva.
Creio que vou mandar imprimir uma outra, igualmente preta e com letras também brancas, com os dizeres “Born in the 50’s”.


Mais abaixo, na curvilínea barriga, constará “And couting”. 

sábado, 24 de junho de 2017

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Incrível!
Há uma estação de TV por cabo que está a emitir uma longa-metragem que acontece enquanto chove.
E isso nada tem de relevante para o enredo. Aparentemente.

Há muito que não via disso.  
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