sábado, 18 de novembro de 2017

Atitudes



Quando eu era catraio, ia sozinho de autocarro para o liceu. Dois autocarros para cada lado, com mudança a meio.
Muitas vezes não embarquei no segundo para poupar o dinheiro do bilhete. Quando o tempo o permitia, eu não estava atrasado e tinha algo em mente para comprar, gulosamente cobiçado nalguma montra. O segundo e terceiro factores eram recorrentes, que sempre gostei de chegar a horas e o orçamento familiar era bem apertado.
Os autocarros de Lisboa de então eram bem diferentes dos de hoje. Verdes, alguns de dois pisos, alguns de porta atrás, aberta por onde se podia subir ou descer em andamento se a velocidade e a coragem o permitissem.
E tinham lotação limitada. Ao contrário de hoje, em que se entra nos autocarros urbanos desde que se caiba, na época apenas viajavam se houvesse lugar sentado ou um dos quatro lugares de pé, bem identificados numa placa à entrada do veículo. Fazíamos sempre contas de quantos saíam e de quantos estavam à nossa frente na fila para entrar, tentando saber se a sorte nos batera à porta ou se teríamos que aguardar pelo seguinte.
E eram velhos, os autocarros. Pelo menos nas carreiras que eu frequentava. Conservados na medida do possível, alguns pediam reforma urgente, muito urgente. O fumo que emanava dos seus escapes e as queixas dos seus motores não deixavam azo a dúvidas.
Nesse meu trajecto escolar, os veículos eram sempre os mesmos nas mesmas horas e carreiras. Já os conhecíamos. Não sei se lhes dávamos nomes, mas já lhes conhecíamos as manhas e dificuldades.
Havia um pedaço numa rua íngreme de maior dificuldade na subida. E um dos autocarros, quando com a lotação completa, recusava-se a fazer aqueles talvez vinte metros. O motor esganiçava-se, rugia, mas não havia meio de subir. Mas já o conhecíamos, bem como a solução.
Em o ouvindo assim, saíamos (era um dos de porta atrás, aberta) e o bom do autocarro, aliviado da carga, lá conseguia vencer a ladeira. Parava no cimo, regressávamos ao seu interior e seguiamos viagem.
Interessante factor, quase que impossível nos dias de hoje, é que regressávamos todos aos mesmos lugares que ocupávamos. E quem ia de pé, de pé continuava. Sem protestos e, por vezes, com algum humor entre todos, cobrador incluído.


A imagem? Roubada da net, um desses autocarros de porta atrás, fotografado, suponho, aquando da construção do metropolitano de Lisboa, uns bons anos antes da história contada.

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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Liberdade



E porque se aproxima a realização de mais uma “Feira do livro de fotografia”, aqui fica um texto de arquivo sobre o evento, escrito há três anos.

Uma ocasião pediram-me para usarem esta fotografia numa revista electrónica.
Claro que me senti lisonjeado e acedi, com a ressalva que ela tinha sido feita em torno do soneto “Liberdade querida e suspirada”, de Bocage, e que deveria ser publicada junto com ele. Acederam.
Qual não foi o meu espanto quando vejo, tempos depois, o referido soneto escrito sobre o lado esquerdo da fotografia. Letras brancas sobre o fundo escuro.
Não gostei. Nem um nico. Que, ao fazê-lo, todo o jogo claro/escuro que eu tinha criado se perdia com a mancha branca das letras. Não gostei!
Disse-o a quem o havia feito, tive que insistir e ser veemente e, vantagem dos processos digitais e on-line, foi alterado: o soneto escrito ao lado da fotografia, ambos impolutos e originais.
Não aceito que um editor de uma publicação subverta assim o trabalho criativo de um fotógrafo, seja o trabalho bom ou mau.
Sendo dado como pronto pelo autor, qualquer alteração sobre ele é criar nova obra, já não passível de respeitar a ideia original. Não aceito!

De igual modo não aceito que fotografias sejam impressas a duas páginas. Numa revista talvez escape, tal como num jornal. Mas não, de forma alguma, num livro.
A união das folhas, e porque a lombada e espessura do livro assim o obriga, impede o ver-se continuadamente todos os elementos (objectos, formas, cores, luzes, movimentos) que constam na imagem, desvirtuando-a e criando outras formas de leitura.
Uma fotografia impressa a duas páginas não é a fotografia original mas antes uma outra, com outro “ritmo”, gestão de interesses, sentidos de leitura, fraccionando-a mesmo.
E se o fotógrafo que a criou quis colocar algo em determinado ponto do espaço, desvalorizando todos os outros, não faz sentido, melhor, é um aviltar o trabalho original o impedir essa leitura ou importância.
Não gosto, não quero, não consumo!

Vem tudo isto a propósito de ter estado na “Feira do Livro da Fotografia”, em Lisboa. E que ainda decorre hoje, Domingo.
Nesta feira, entre outros aspectos, dá-se ênfase aos trabalhos de autor, às publicações que, mesmo com tiragens reduzidas, representam as abordagens de fotógrafos contemporâneos que usam este meio para divulgar os seus trabalhos. A sua forma de ver e sentir o mundo. Só posso aplaudir.
Acontece que alguns destes trabalhos exibem imagens a duas páginas. Impedindo o acesso integral à fotografia original.
Comentei isso com uma das pessoas que estava numa das bancas e a resposta surpreendeu-me. Ou não.
Perante o meu “Porque é que insistem em publicar fotografias a duas páginas?”, ouvi:
“Ah… e tal… é para dar ritmo ao livro… um livro não é apenas as fotografias exibidas, também tem personalidade própria…”
Ora batatas!
Então quando escolhemos um livro estamos a querer ver as fotografias de um determinado fotógrafo ou estamos a querer ver o trabalho de um determinado editor ou paginador?
Não questiono o trabalho destes. Ao fim e ao cabo, o tamanho das páginas, a ordem pela qual as fotografias são exibidas, se na página esquerda se na direita, se ao alto ou ao baixo, se todas com a mesma orientação ou salteadas… tudo isto faz parte do trabalho criativo de quem concebe e pagina um livro.
Agora, por favor:
Não queiram, com o pretexto da criatividade do paginador ou editor, subverter, adulterar, estragar, o trabalho de quem fotografou e que, no fundo, é a razão de ser do livro em si.

Vim da Feira da Livro da Fotografia com cinco livros. Que me deixaram com a carteira mais leve mas com a alma bem mais alegre. Trabalho de autor, compilações, texto, localização geográfica, históricos.
Mas nenhum com fotografias a duas páginas.



A liberdade criativa de um termina quando começa a liberdade criativa do outro!

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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

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Um dos momentos altos na minha carreira profissional, que nunca esquecerei, foi ter tido na minha objectiva e em simultâneo José Saramago, Chico Buarque De Holanda e Sebastião Salgado.
Três “monstros” da cultura e artes. Grandes por aquilo que fazem ou fizeram, muito para além do que dizem deles jornalistas e políticos.

Senti-me esmagado perante tamanha grandeza e agradecido por ter enveredado por este ofício.

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Saiba-se que usamos muito menos músculos faciais para fazer um sorriso que para fazer uma cara de zangado ou triste.

Em tempo de crise, poupe-se energia!
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Maquinetas



E a pergunta é:
Será que em Madrid, Lima ou Buenos Aires aceitariam ter num ministério, numa escola pública ou numa estação de televisão nacional, uma maquineta de café automática com dizeres em Português?
Suponho que levaria uma corrida em regra, recambiada para o distribuidor com uma reclamação pouco simpática.

Então porque nos querem impor tal objecto?

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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Matinas



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A melhor

A citação do ano, lida por aí algures:

Cagar é uma obrigação!

Fazer merda é uma opção!
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Sobre uma fotografia



Publiquei ontem uma fotografia e respectivo texto.
Nela mostrava um automóvel parado mesmo em frente a uma paragem de autocarro numa concorrida avenida e nele descrevia as circunstâncias em que tinha parado e a indiferença de quem o conduzia perante o autocarro que chegou e os passageiros que desembarcaram.
E publiquei isto em diversos espaços da internete, blogs e redes sociais.
Pois houve, de entre os diversos comentários que foram apostos, quem protestasse contra o facto de a matrícula da viatura estar bem nítida e me aconselhasse a omiti-la ou disfarça-la. Recordando-me, nos entretantos, que é ilegal a publicação de matrículas de automóveis.

Se o post original evidenciava o desprezo com que tantos automobilistas tratam os peões e as regras que os protegem, estes comentários apenas vieram reforçar a ideia original.
Que não observaram estas pessoas o que quer que fosse sobre as centenas de milhar de fotografias publicadas diariamente contendo imagens de pessoas, anónimas ou não. Figuras públicas ou meros transeuntes, captados ao abrigo da actual moda fotográfica “street photography”.
Pessoas que estão bem reconhecíveis, tal como o local e o que fazem ou como interagem com outros. Caminhando, beijando ternamente, repousando num jardim, caricatamente caindo ou descaradamente cometendo um delito ou crime.
Anónimos que nem sequer sabem que foram fotografados, quanto mais darem a sua autorização para tal ou para a divulgação. Pessoas que estão cuidando da sua vida e que, de súbito, a vêem escarrapachada “ad aeternum” na internete.
É crime, dizem-me, divulgar a matrícula de uma viatura. Pouco importante será o divulgar o retrato de alguém.

Suponho que o próximo passo, nesta guerra entre peões e automóveis, será o excluir os primeiros do espaço público para que não atrapalhem os segundos.

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terça-feira, 14 de novembro de 2017

Na paragem



Atrás do carro vinha um autocarro.
Mas nem isso, nem a buzinadela que este deu, nem o ele ter ficado a seu lado na avenida a tapar o trânsito fez demover a dondoca que, mal se imobilizou, se agarrou sofregamente ao telemóvel.
Nem mesmo a palmada na chapa que um passageiro deu ao sair do autocarro fez com que ela reagisse.
Ainda levantou os olhos quando fiz a fotografia, mas rapidamente regressou ao ecrã, que talvez tivesse chegado uma resposta ao que estava a enviar.

Quando oiço conhecidos e desconhecidos falarem em “caça à multa” por parte da PSP ou GNR, penso que isso não existe.
Que se acontecesse, casos como estes seriam registados e coimados às dezenas por dia por todo o país.

Resta-me a esperança (a vingança é um mau sentimento, eu sei) que um dia esta mesma senhora tenha sérias dificuldades em caminhar e subir ou descer de um autocarro. E sentir na pele o que é não estar em segurança ou tranquilidade em relação aos automóveis, mesmo nos espaços reservados aos peões.

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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Rotinas e mudanças



 “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
…”


São as novas e as velhas rotinas, o descobrir as zonas de conforto, a chávena conhecida, a luz sempre nova, as pontes de cá para lá, a fotografia, os afectos…

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domingo, 12 de novembro de 2017

Uma mão cheia de nada



Consta que o velho Sócrates, o tal da velha Grécia, gostaria de se passear pelo mercado. Sem comprar coisa alguma.
Questionado, terá afirmado que gostava de admirar a quantidade de coisas de que não necessitava.

Eu por vezes vou aos centros comerciais, mas não me comparo.

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Justiça e fotografia



A propósito da validade ou não da fotografia como prova na justiça, recordo uma história que me foi contada em primeira mão pela protagonista.
A senhora, brasileira, trabalhava no café da minha rua fazia tempo e vivia em união de facto com um homem português.
A dada altura decidiram formalizar a sua relação, casando-se. Para além dos afectos e projectos de futuro, estava em causa também a questão das autorizações para ela cá residir.
Foram objecto de investigação por parte das autoridades, o SEF, para se apurar se se trataria de um casamento como é geralmente concebido ou de um esquema para que ela cá pudesse viver sem necessitar das autorizações temporárias que os serviços emitiam.
Uma das coisas que os diligentes investigadores procuraram foi fotografias. Na praia, em festas com amigos, namorando, em casa… queriam fotografias que demonstrassem que o seu relacionamento existia de facto e com o conhecimento e vivência com terceiros. E não um mero relacionamento de ocasião.
Claro que se põe sempre a possibilidade de, a existirem, serem encenadas para enganar quem as procurasse. Tal como existe sempre a possibilidade de não terem câmara (a história tem uns anos valentes e o digital não estava assim tão arreigado no quotidiano) ou de terem alguma aversão a serem fotografados. Um, outro ou os dois.
Mas pergunta-se pertinentemente: onde raio está escrito que a vida de alguém tem que estar documentada fotograficamente?


Como conclusão, acrescento que acabaram por se casar e são felizes.

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sábado, 11 de novembro de 2017

Irrepetível



A fotografia funciona como uma tesoira:
Com o seu enquadramento, recorta de um continuo espaço/tempo um pedaço de ambos.
Tal como Prometeu roubou o fogo a Zeus, também o fotógrafo rouba um nico do tempo e do espaço, aprisionando-os entre quatro paredes.

É por isso mesmo que um fotógrafo que o seja não consegue deixar de fotografar: apercebe-se de quão fútil é a sua tentativa, sendo a vida e o universo o que são. E procura, com a multiplicidade dos seus registos, reconstruir aquilo que o obturador e o enquadramento recortam.

O enquadramento perfeito e o instante decisivo são tão mitológicos quanto Prometeu e Zeus. E assim será interpretado quando, daqui por 3.000 anos, estudarem o que fazemos hoje.

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Formas e linhas nocturnas com telemovel



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domingo, 5 de novembro de 2017

Quando o próximo não está próximo



Tinham ambos - um casal jovem com roupas domingueiras - a bíblia debaixo do braço.
E abrigavam-se no interior do prédio do vento fresco que soprava no exterior, aguardando, como soube mais tarde, por alguém que os viria buscar.
Quando tentei sair tive enorme dificuldade em manobrar tudo o que transportava e, ao mesmo tempo, lidar com a forte mola da porta do edifício, que existe para a manter fechada.
Não tugiram nem mugiram.
Quando regressei do contentor de lixo ainda lá estavam. E tiveram que me ouvir.
“Então têm a bíblia na mão, viram-me com toda aquela dificuldade, e não foram capazes de dar dois ou três passos para segurar a porta? O “ajudar o próximo” é bom de ler no Livro, de apregoar em modo missionário e de entoar no templo. Agora a prática quotidiana… Não têm vergonha?”
Ficaram meio sem jeito e disseram, atabalhoadamente e com o seu sotaque de terras de vera cruz, que já ali estava quem os vinha buscar. E zarparam rapidamente.

Mas também não esperava eu qualquer resposta construtiva.

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Três R's



É sempre interessante ver como algumas expectativas não se frustam.
Neste meu “levantar de acampamento”muito tenho encontrado por aqui que me faz perguntar o que faz aqui.
Claro que quando chegou fez sentido, algum pelo menos. Para uso doméstico ou fotográfico. Mas o ter guardado… Ou mesmo construído, adaptado, ajeitado…
Boa parte disso é-me hoje inútil. Pior: prejudicial ou incómodo no futuro próximo.
A solução é livrar-me disso, sem mais emoções que um eventual recordar da função que teve.
Mas tratando-se de objectos não deteriorados, ainda utilizáveis, absurdo seria a sua destruição ou mera entrega à recolha indiferenciada ou selectiva de lixos.
Assim, tenho optado por colocar tais objectos ou grupos de objectos junto dos contentores de lixo, no exterior, na expectativa de que alguém se interesse por eles antes do passar da recolha municipal.
Não me tenho enganado.
Hoje é domingo e esta noite não houve recolha.
Mas às sete e meia da manhã, aquando de um cafezinho que contrarie a frescura do dia, todos esses objectos ali colocados ontem à noite tinham sido recolhidos.
Mais ainda: nalguns casos, alvo de trabalhos específicos, como o desmontar de alguns conjuntos, aproveitando apenas partes deles.
De algum modo fico satisfeito por tudo isso vir a ser útil para alguém. Pena é que se trate de pessoas que fazem dessa recolha selectiva o seu modo de vida, dependendo disso a comida que põem na mesa.
Reduzir, reutilizar, reciclar.

Quanto ao café matinal… pedi um segundo, que o primeiro soube-me a pouco.


Nota adicional: A tal luz de que tanto gosto

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sábado, 4 de novembro de 2017

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Digamos que é também por isto que tanto gosto do Gaston Lagafe.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Press



Sabemos existirem os “Velhos do Restelo” e os “Arautos da Desgraça”.
Tiveram a sua época, medieva ou nem tanto.
Nos tempos que correm foram substituídos pelos articulistas e os fazedores de opinião.
Com um acréscimo: os consumidores de informação, vulgo “público”, não vêem noticiários nem compram jornais (e consequentemente não consomem o que eles produzem) se o que encontram for positivo ou elogioso.
Haverá que saber das catástrofes, dos acidentes, das mortes e dos erros. E quanto mais poderosos forem aqueles de quem se fala nas falhas ou crimes, mais a “populaça” gosta. E lê jornais ou assiste a noticiários. Para gáudio comercial de empresários ou ideológico de políticos.
A especialidade dos “opinion makers” é dizer mal! Quanto mais mal disserem, quanto mais corrosivos forem, quantos mais questões levantarem, mais vendem e mais assegurados estão os “linguados” ou “peças” que avençam.
Sugestão de confirmação (ou negação) do acima dito:
Procure-se num jornal ou televisão notícias positivas ou elogiosas sobre poderosos ou governantes.
A título de exemplo, verifique-se o ênfase (ou falta dele) que foi dado pelos media às recentes alterações legislativas sobre o apoio público a pessoas com deficiência.
Claro está que os donativos feitos por Ronaldo são noticiados. Mas é um ídolo popular, não um poderoso ou governante de coisa pública.
Encontrar elogios ou incentivos perante bons exemplos nos media é coisa rara. Um pouco como a lei, que regulamenta, proíbe e define sanções às actividades humanas, deixando de fora os incentivos, os exemplos ou as recomendações positivas.

Os media são o pessimismo materializado. Os comentadores e fazedores de opinião o seu expoente máximo.

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segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Recorde-se



De recordar que em todas as revoluções e rebeliões, os rebeldes e revolucionários estavam fora da lei instituída.

Já o poder vigente, muito agarrado a leis e organizações, passou a ilegal depois das revoltas bem sucedidas.

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domingo, 29 de outubro de 2017

Invejas



Só p’ra vos fazer inveja, eis dois relógios que não tive que acertar este fim-de-semana.
Cá em casa, o tempo é meu, caramba!

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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Os verdadeiros privilégios



Na resolução da Assembleia da República nº 21/2009, de 26 de Março, pode ler-se:
"A Assembleia da República resolve, nos termos do nº 5 do artigo 166 da Constituição, o seguinte:
1 -
...
5 -
6 - Os Deputados têm o direito de apresentar justificações para as faltas, nos termos estabelecido no repectivo Estatuto e no Regimento, observado as respectivas exigências de fundamentação.
7 - A palavra do Deputado faz fé, não carecendo por isso de comprovativos adicionais. Quando for invocado o motivo de doença, poderá, porém, ser exigido atestado médico caso a situação se prolongue por mais de uma semana.
8 -
...
23 -

Por outras palavras, a palavra de um Deputado é mais credível que a de qualquer outro cidadão, eu incluído. Tal como você que me lê.
Não gosto! Discordo! Protesto!

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Teorias e práticas



Tenho para mim que é exactamente isto que está na origem de muitos dos problemas que atravessamos: o dinheiro.
Que se ele não existisse não haveria bancos, impostos, empréstimos com juros, disputas inúteis apenas para aumentar as mais valias do trabalho alheio.
Nas sociedades ditas primitivas, onde ele não existe, nada disto acontece.
Mas, mais que acreditar nisto, faço o que posso para lhe passar ao lado. É um “passar ao lado” meio estranho, já que o recebo e uso, mas eu disse que faço o que posso.
Eis um dos exemplos:
Uma ocasião fui chamado, meio de urgência, a uma escola. Havia por lá uma questão não muito simples para resolver e o meu papel seria fazer um conjunto de sessões, em estilo de workshop, para passar métodos de trabalho aos alunos.
A ideia agradou-me: o desafio era grande e implicava uma boa dose de imaginação da minha parte, mas nada que, pensei, não pudesse ser feito. Aceitei.
Mas coloquei uma condição específica, para além de outras de ordem prática inerentes ao decorrer dos trabalhos: eu não seria pago em dinheiro.
Não tinha actividade aberta (e continuo a não ter) e não me apetecia abrir só para aquele trabalho.
Propus, então, ser pago em géneros. Eu diria o que queria receber, no caso acessórios de informática, e eles tratariam de os arranjar para mos dar. As questões de contabilidade seriam problema deles.
O meu interlocutor, que já me conhecia, aceitou mas com reservas, que haveria de saber se possível. E demorou bem duas semanas a confirmar o negócio, que propostas destas não são bem aceites por contabilistas e gestores, engomadinhos e ciosos dos seus belos livros de contabilidade.
Mas o trabalho acabou por ser feito, a contento meu, da escola em geral e, suponho, dos alunos envolvidos. Que, além de tudo o que era suposto ouvirem e fazerem no âmbito do projecto e conteúdos em causa, ainda foram informados da forma como o negócio fora acertado. (Aproveito, sempre que posso para “por um pauzinho na engrenagem”).
Nunca mais fui chamado.
Para pena minha, que gosto de fazer o que fiz. Para prejuízo dos alunos, que perdem oportunidade de conhecerem outras formas de pensar e agir. Para prejuízo da sociedade, com continua atávica e baseada no seu maior cancro, que alastra sem dó.
Por mim, continuo a pôr em prática o que penso e sempre que posso, bem para além de regras e normas morais.

Que são sempre as morais dos outros.

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sábado, 21 de outubro de 2017

Fogo!



Parece que estava previsto um jogo de futebol este fim-de-semana entre o Tondela e o Belenenses.
Parece que o clube de Tondela pediu para adiar o jogo em virtude dos incêndios calamitosos que atingiram a região.
Parece que o Belenenses recusou o adiamento por mais de 24 horas.
Parece que a própria claque do Belenenses, “Fúria Azul”, não gostou da recusa.
Parece que a claque recusa comparecer no jogo.
Parece ser pouco simpática a posição do clube de Belém.
Parece que, mais que pouco simpática, é pouco solidária esta atitude.
Parece-me que quero mandar o Belenenses para um sítio feio.


O que parece é!

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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Seguranças



Foi há já um bom pedaço de tempo. Talvez vinte anos.
Na altura, o dia 11 de Setembro era apenas a data do golpe de estado no Chile e o dia nacional da Catalunha, para além de outras efemérides que desconheço. E a segurança nos aeroportos e aviões em nada se parecia com o que é hoje.
Fui em serviço ao Funchal. Levava comigo uma câmara de vídeo de reportagem que, como era então habitual, viajava na cabine e não como bagagem de porão no avião. Como precaução natural nestas circunstâncias, o meu canivete suíço, que está sempre no meu cinto, ficou guardado na mala, esta sim transportada no porão, junto com a mala técnica com a restante parafernália que levava.
Fiz o trabalho que havia a fazer, quatro dias se a memória me não falha e, no regresso, tive um esquecimento. Quase fatal. Não coloquei o bendito canivete na mala.
Fui barrado na segurança do aeroporto e de nada adiantou toda a argumentação que usei: não podia o objecto viajar comigo.
Sendo certo que as malas já estavam despachadas e que não me apetecia deitar o canivete fora, a solução foi burocraticamente complicada.
O belo do instrumento ou ferramenta viajou para Lisboa ao cuidado da tripulação, numa embalagem especial que me foi fornecida e com a classificação de “perigoso”, indo eu, já em Lisboa, levantar a “encomenda” num balcão especial do aeroporto. Uma trabalheira e tempo perdido bem escusado.
Resolvida a questão, e ainda no Funchal, foi-me então permitido passar a segurança. Não sem que eu tivesse reclamado e levado os guardas ao limite.
É que, pasme-se, a câmara que levava comigo – uma Sony Betacam volumosa de vários quilos – passou no sistema de segurança sem sequer um piscar de olhos. Já do outro lado do pórtico e do raio-x, questionei-os sobre a certeza que teriam da veracidade da câmara. No seu interior caberiam, retirado todo o mecanismo e electrónica, duas pistolas, vários carregadores e uma ou duas granadas. Se a câmara fosse falsa, caberia ali dentro tudo aquilo que é absoluta e naturalmente interdito de viajar “solto” num avião.
A conversa soltou-se e foi-me dito que (e recordo que foi antes do 11 de Setembro) era habitual nos voos de regresso de férias no Funchal haver passageiros que se excediam na bebida e haver confusão a bordo. Nem mesmo aqueles canivetes de recordação, com um centímetro de lâmina, estavam autorizados.
Pouco tempo depois, a bordo e já no ar, recordei a conversa e fartei-me de rir e praguejar. Então não é que a simpática e plástica refeição fornecida vinha acompanhada com talheres de metal? Faca e garfo!
Se receavam que houvesse quem se embebedasse com o fornecido a bordo ou comprado no freeshop, esses talheres estavam bem à mão para um qualquer acto tresloucado. E disseminados por todo o avião.

Ainda hoje lamento não ter “palmado” o garfo e a faca, à laia de recordação de uma segurança para inglês ver. Que, além de bonitos, tinham a particularidade de ter gravado no cabo o logótipo da TAP, o que faria deles uma peça rara no bric-a-brac que aqui possuo.

By me

domingo, 15 de outubro de 2017

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

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Ao contrário do que muitos pensam, a sorte nada tem de fortuito ou aleatório.
A sorte acontece quando a preparação encontra a ocasião.

É que de pouco adianta caminhar na rua, pisando notas sem dono, que sem se olhar para o chão nunca as encontramos.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Factos e opiniões



Depois de quase sete horas de espera numa coisa que se chama “Serviço de urgências básicas”, consegui ser visto por um profissional de medicina.
Após ser examinado, diagnosticado, prescrição escrita e a posologia explicada, perguntei-lhe se seria habitual todo este tempo de espera.
Respondeu-me que o Estado tinha dinheiro para ajudar os bancos mas não para investir na saúde. E que sem dinheiro não há técnicos disponíveis. Até porque muitos, enfermeiros e médicos, migraram para onde pudessem ganhar a vida. E que só com dois médicos de serviço era complicado atender tanta gente, principalmente quando a questão das prioridades em função da gravidade do caso são uma verdade. As famosas cores de pulseira. Tinha eu tido a sorte ou falta de sorte de a minha só ser verde e não laranja ou amarela.
E rematou dizendo que em frente ao centro existe um cartaz desta última campanha eleitoral prometendo mais profissionais de saúde.
Quando saí, e antes ainda de ir aviar a receita na farmácia, vi o cartaz. Não poderia deixar de o ver, pelo tamanho e localização.
E percebi o amargo da sua observação quando vi que os candidatos representavam a anterior governação nacional, exactamente aquela que levou tantos a procurarem vida melhor lá fora.
A conversa com o profissional terminou com um “A conversa está boa, mas tenho um caso amarelo à espera. Se não se importa…”

Saí rapidamente.

By me 

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Felicidade



O ser humano precisa de se afirmar no grupo a que pertence. Pelo que é e pelo que faz.
E um retrato, um registo para a posteridade, feito formalmente ou em tom de brincadeira, é uma forma de afirmação, objecto de observação e critica cerrada por parte do retratado.
Curioso é de observar que se manifesta ou critica sobre o que é ou o que faz expresso em retrato. E são dois grupos, manifestamente distintos. A fronteira fica algures na casa dos quarentas, nuns casos mais acima, noutros mais abaixo.
No grupo dos mais novos, o que é observado e/ou criticado é aquilo que faz.
As poses, as expressões, as posições corporais, os relacionamentos com outros retratados.
O eventual – ou frequente – desagrado não se manifesta sob a forma de “não gosto” ou “fiquei mal”, mas antes pela ironia, pelos comentários jocosos, pela auto-critica. Frequentemente, com o menosprezo da sua própria aparência e uma crítica acutilante sobre os demais no grupo retratado.
Para estes, o que é importante num retrato não é o que são mas antes o que fazem e como o fazem.
Por seu lado, os pertencentes ao grupo mais velho preocupam-se francamente mais com o que são ou aparentam ser.
As manifestações de idade constatáveis pelo peso ou volume, pela posição do esqueleto, pela cor da pelagem ou pelas rugas são os factores que mais procuram ver num retrato, numa tentativa inútil de constatar que não parecem ser o que são. Que os olhos dos outros não vejam aquilo que sabem ser.
Estou em crer que a felicidade passa por uma são convivência com o “Eu” físico, tentando melhora-lo se se o entender, mas não o negando ou repudiando.
E, acima de tudo, não ligando a mínima à opinião que os outros possam ter sobre si mesmo. Ao vivo ou no papel.

By me

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Os cinzentos



Tenho uma certa tendência para não aceitar como sinceros e/ou honestos aqueles que se escondem atrás de um fato e de uma gravata todos os dias do ano, excepto quando de folga ou de férias.
A sensação que tenho é a que não me estão a dizer aquilo que pensam ou sentem mas tão somente  aquilo que foram industrializados a pensar ou sentir. Ou, ainda pior, aquilo que foram forçados a dizer.
Infelizmente tenho (temos?) inúmeros casos que consubstanciam esta sensação. Desde muito atrás no tempo até tão recentemente que parece que o estou a viver neste mesmo momento.
E, sobre estas pessoas, não me apetece fazer uma imagem.

By me

domingo, 8 de outubro de 2017

Veja-se esta fotografia ao som de Piazola



By me

Acordem!



Um dia, estava eu entretido com umas fotografias em casa, quando me tocam à campainha.
Fui ver quem era naturalmente, e não muito bem disposto, que não gosto lá muito que me interrompam quando estou nestas coisas.
O casal que me aguardava no patamar da escada patenteou bem o seu espanto. Que se não bastassem as barbas e o cabelo solto, de dentro de casa vinha o clarão de talvez 2.000 watt de potencia de luz.
Queriam eles convencer-me a comprar-lhes um seguro de saúde. Tiveram azar! Que não tenho eu nenhum seguro de saúde, que não quero ter nenhum seguro de saúde e que não recomendo ninguém a ter nenhum seguro de saúde.
Tenho por certo que o Serviço Nacional de Saúde deve ser eficaz, rápido e para todos, seja qual for a sua condição económica. E todos contribuírem para ele, na proporção dos seus rendimentos e através dos impostos que pagam.
A existência de seguros privados de saúde é mais um factor de clivagem social, em que os que não têm possibilidade de a eles acederem ficam com as sobras da saúde em Portugal. Isto porque quantos mais forem os que a isso aderirem, menos são os que fazem com que o sistema público funcione, quer através da sua influência na sociedade, exigindo-o, quer fazendo “sangrias” nos profissionais e demais recursos.
Em sendo banal haver seguros privados de saúde, privam-se os que os não os têm de aceder aos correctos cuidados de saúde.
E eu, que até poderia com algum esforço ser utente de um desses seguros, faço questão de o não ser, recorrendo ao público e exigindo que este seja tão bom como os melhores.
Não há cidadãos de primeira e de segunda e todos, sem excepção, têm direito à saúde. Tal como ao pão, à habitação, à educação… Recuso-me a colaborar em sistemas diferenciadores de classe!
Disse-lho. Ouviram, com o nível de espanto a aumentar nas suas caras e com algumas tentativas, falhadas, de me convencerem do contrário.
O golpe de misericórdia que receberam aconteceu quando lhes disse que o que eles faziam para ganhar a vida (vender seguros de saúde) não lhes dava rendimentos suficientes para a eles acederem. E que quantos mais vendessem menos possibilidades teriam de ter um bom sistema público de saúde.
Não sei se a minha porta, neste prédio de muitos apartamentos, terá sido a última em que tocaram no meu andar. Mas o certo é que se afastaram para o elevador, deixando de parte as restantes visíveis.

Aconteceu isto há uns anitos. E continuo a acreditar no mesmo. Com a frustração de ver, a cada dia que passa, as privatizações e delapidações do que é público a acontecerem. Cada vez mais rápido e cada vez mais fundo.
Por este ritmo, em breve terá acesso a coisas básicas apenas quem tiver recursos para as pagar. Aqueles que já têm dificuldade em manterem-se vivos ficarão excluídos, classificados de “resíduos humanos” e estando apenas à espera que passe o camião do lixo ou a carreta, para os levar.

Não sei se é isto que os estas linhas lêem querem.


Mas p’la certa que não é o que eu quero!

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sábado, 7 de outubro de 2017

Promessas



Tenho uma promessa feita para os próximos trinta anos.
São daquelas coisa que se fazem e que se prometem, mais que a outrem, a nós próprios. Solenemente, mesmo que sem documentos ou testemunhas.

Conto cumpri-la todos os dias, pelo menos durante esse período.

By me 

Mil palavras



Já lá vão uns anos valentes (quase trinta) e a irmã de um colega e amigo andava então no 8º ano (seria 9º?).
Levada pelo entusiasmo que via nele e nalguns amigos, quis frequentar as então chamadas “actividades extra-curriculares”, no caso fotografia.
Mas vinha de lá bem frustrada, que os professores que tinha, apesar da boa vontade, pouco sabiam da coisa.
Conversa vai, conversa vem e dei comigo a combinar com eles um conjunto de sessões com a turma.
Seis sessões de duas horas, das quais uma prática, onde, e para além do domínio do equipamento, se falaria de estética e de semiótica.

Para uma primeira experiência lectiva da minha parte, a coisa até que nem correu muito mal. As idades variavam dos 13 aos 17 anos, a câmaras de cada um eram do mais díspar possível, trazidas de casa com especiais recomendações paternas, mas o entusiasmo e a vontade de aprender superava tudo.
A penúltima sessão foi a prática. Engendrei exercícios vários sobre perspectiva, gestão do espaço, exposição e assunto, a executar nas imediações da escola (Reboleira) numa espécie de “raly-papper fotográfico”, e dividimos a turma em dois grupos. Evitava-se assim a “molhada”, permitindo um maior rendimento e concentração. Eu acompanhei um, os outros dois professores o outro. Na sessão seguinte, depois de revelados e impressos, seriam comentados. A avaliação, devido à escassez de tempo e aos objectivos do trabalho, seria em grupo, feita por eles.
A coisa correu como o previsto, mais ou menos.
O que eu não previa, de forma alguma, era a surpresa final.
Já por alturas das despedidas, foi-me entregue solenemente um embrulho.
No seu interior, esta fotografia nesta moldura.
Era uma fotografia feita pelo grupo que eu não tinha acompanhado, oferecida como recompensa da minha presença (a minha ida lá tinha sido “de borla”).
O vigor, a alegria e o grito à liberdade desta imagem e o facto de a terem feito, escolhido e tratado para ma darem tornou-a imensamente mais valiosa que qualquer pagamento em dinheiro que pudesse ter recebido.

O vidro original já sofreu uns desaires e a luz já reduziu um pouco o contraste original. Mas das raras fotografias que tenho expostas aqui em casa, esta estará sempre em lugar de destaque!


Uma imagem vale mais que mil palavras!

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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Ilustração



Esta é a imagem que é hoje publicada no jornal “Diário de Notícias” para ilustrar um artigo sobre os artigos estranhos que são recolhidos na Estação de Tratamento de Águas Residuais de Lisboa.
Digamos que não será um tema fácil de ilustrar sem recorrer a fotografias de detritos. O que não é algo bonito de registar e menos ainda de ver num jornal. Papel ou net.
Mas é também difícil de encontrar uma correspondência directa entre o tema da reportagem e o que nos mostram. Presumimos que seja um dos locais da instalação técnica, mas é apenas uma presunção. A nossa imaginação fará o resto do trabalho.
Mas o que me fez parar para ver a fotografia e ler o texto foi a invulgaridade cromática.
Fico na dúvida se será natural ou se terá tido uma “ajudinha” de um editor de imagem. Mas, e ao contrário do que se possa pensar, não é assim tão incomum quanto isso o encontrar situações em que tudo ou quase é monocromático. As mais das vezes não damos é por isso.
Está a fotografia assinada por Jorge Firmino/Global Imagens.

E fica o elogio a uma boa fotografia sobre um assunto difícil.

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quinta-feira, 5 de outubro de 2017

República



Surge o conceito de República, tal como o de Democracia, na Grécia antiga.
No entanto convém não esquecer que a Grécia era um país com escravos, que só alguns cidadãos podiam eleger ou ser eleitos e que, garantidamente, as mulheres não podiam nem uma coisa nem outra.


Em qualquer dos casos, acho que ainda precisamos de uns bons outros três milénios para chegarmos a uma sociedade realmente justa e equilibrada.

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Detalhes



Porque um amigo sugeriu, fui experimentar.
Abri o tradutor automático do Google, escrevi a palavra “catalão” e fui vendo como esta palavra é referida em diversas línguas.
Catalan para Francês, Catalan para Inglês, Katalan para Maltês, Katalonsky para Croata, Catálan para Gaélico…
Agora imaginem qual o resultado para “Catalão” em língua Espanhola.
“Español”.


Talvez que isto sirva para entender muita coisa.

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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Pentax



Por causa de um artigo meio fútil de um jornal, dou comigo a procurar na net imagens de Brigitte Bardot.
A ideia era aperceber-me do como uma pessoa que foi um ícone pode envelhecer de aspecto.
E eis que dou com esta fotografia.
Nada de especial teria ela, não fora… Não fora a câmara.
Disseram-me os olhos, disse-me o coração e confirmou-me o que fui depois encontrar ao pesquisar: trata-se de um dos primeiros modelos da Pentax, um daqueles em que ainda não tive o privilégio de por os olhos.
Para além desta, encontrei diversas outras da mesma actriz com a mesma câmara nas mãos. O que me leva a concluir que seria dela ou, em alternativa, que estaria a fazer campanha pela marca. Mas não sendo ela fotógrafa de nomeada…
Não adianta virem-me com conversas disto e daquilo!

A Pentax foi e é uma boa câmara, profundamente inovadora quando surgiu e agora só é suplantada porque o marketing mega agressivo das suas rivais a tem deixado ofuscada.

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Estou a tratar disso




By me

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A vida é um improviso constante até o manual de instruções estar concluído.
Nessa altura é tarde demais para o ler.
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terça-feira, 3 de outubro de 2017

Verduras



Foi um destes dias.
Apareceu por lá uma novata, uma no feudo dos uns, a cometer algumas gafes.
Percebi que não era desleixo ou incompetência, como com alguns outros que vão aparecendo, mas tão só o natural da sua tenra inexperiência.
Comecei por mandar recados por interposta pessoa, que aquela situação não era comigo (já não era comigo), mas percebi que de pouco teria servido. Ou que as bases faltavam ali em demasia. E perdi a vergonha.
Meti conversa, apresentámo-nos, puxei de galões e estivemos um pedaço de paleio, com umas dicas e soluções a questões concretas, com explicações e exemplos práticos.
A dado passo, entre justificações sérias entremeadas com outras de brincadeira, oiço algo como “Mas isso é uma justificação psicológica para a composição de imagem!”
Parei um nico e respondi: “Claro que é! Aquilo que fazemos, mesmo que banal e simples como neste estúdio, é levar o público a ter as reacções que queremos com as imagens que fazemos. E há que saber como o público lê o que lhes apresentamos para conseguirmos o que queremos. Fazer imagem, profissionalmente, é manipular opiniões e condicionar reacções.”
E continuámos com a gestão do “ar”, com o equilíbrio das importâncias e com o mandar ás urtigas a regra dos terços.

Gostei de ver o resultado prático pouco depois.

By me 

domingo, 1 de outubro de 2017

Liberdade



Entre a livre expressão da vontade popular e o seu impedimento pelas forças policiais, exibem-se cravos.

Gosto de ver.
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