terça-feira, 19 de setembro de 2017

Prendas



“Toys R Us pede insolvência para conseguir entregar as prendas de Natal”
Este é um título de um jornal de hoje.
E, sobre ele, duas cogitações:
E se fosse o Pai Natal a pedir insolvência?
E onde está a notícia sobre todos aqueles que, sem terem pedido insolvência, não têm como dar uma prenda de Natal?


Be me

In the dark



Em tempos recuados (caramba, como são recuados!) tive um t-shirt preta que mandei imprimir.
Em letras brancas podia ler-se “Photographers do it in the dark”.
Pese embora ser quase obsoleta tal afirmação, ando com vontade de mandar imprimir outra.
É que, e nunca nos esqueçamos, se a fotografia é a escrita da luz, ela só é perceptível havendo sombra, havendo ausência ou diminuição de luz.
É também por isso, mas não só, que tanto gosto de fotografar de frente para a luz.
Já o trabalho de laboratório, com a sua obscuridade quase total, os seus jogos tácteis e os seus cheiros intensos, é algo que só os mais antigos ou os praticantes das modas retro conhecem. E é pena, que a disciplina individual que tais práticas exigem bem falta fazem nos tempos que correm.



By me

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Informação minimalista sobre o estado do tempo



By me

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Numa entrevista publicada no jornal I, leio que:
Temendo que o partido se venha a “ruralizar”, deixando de ter influência nos grandes centros urbanos, ganhando mais câmaras pequenas do interior, Relvas acha que o PSD ainda não provou o sabor mais amargo

Fico elucidado sobre o que este senhor pensa ser o país e o que nele é importante.
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domingo, 17 de setembro de 2017

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E se te abstiveres nas próximas eleições autárquicas, por favor não venhas depois aqui queixares-te da ineficácia dos sistemas públicos.

Que dizer que o sistema não presta mas nada fazer de concreto para o mudar é a forma mais cómoda de não assumir as responsabilidades que se tem pelo simples facto de se estar vivo.
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Temp



Haverá quem diga que as temperaturas caíram brusca e acentuadamente.
Por sorte, cá em casa foi em cima de uma almofada.

Mas que está mais frio, lá isso está.

By me

Cores



Para muitos, a palavra “Kelvin” pouco dirá.
Para os curiosos ou profissionais da luz, tanto quem a cria como quem a capta, o termo define a unidade com a qual se mede a temperatura de cor da luz.
De uma forma mais simples, é a unidade que define se a luz é mais azul ou mais amarelada, mais “fria” ou mais “quente”.
Lidamos com isso no quotidiano ao escolhermos uma lâmpada de tom quente ou frio para as nossas casas. Ou quando ajustamos a nossa câmara fotográfica com aquele símbolo “sol”, “sombra”, “lâmpada” ou “auto” para ajustar a cor das nossas fotografias.
As mais das vezes não nos apercebemos muito destas mudanças ou nuances a olho nu: o nosso cérebro ajusta-se e “calibra-se” em função da luz existente e quase só por comparação directa nos apercebemos.
Um exercício divertido para vermos essas diferenças subtis, ou não tanto, na iluminação artificial é observarmos os prédios de habitação à noite, de preferência pela hora de jantar, e vermos como as janelas têm cores diferentes em função das luzes usadas. Salas, cozinhas, quartos, sanitários…
Do ponto de vista fotográfico, temos que ajustar os nossos modos de registo pelo tipo de luz existente. Os menus ajudam. Ou, para dar menos trabalho, colocar em automático e esperar que o japonês inteligente que vive no interior das câmaras faça o seu trabalho.
Ficamos com cores “naturais”, vivas muitas vezes, e os assuntos captados correspondem à imagem mental que temos deles. E gostamos do que vemos.
No entanto…
No entanto se essas imagens correctamente calibradas correspondem ao que o nosso sistema olho/cérebro viu, isso pode não corresponder ao que se sentiu no momento.
Um bom exemplo será ter a calibração ajustada em automático aquando do registar um bonito por do sol, com todos aqueles tons quentes que conhecemos e com a emoção de lá ter estado. Dificilmente obteremos isso na imagem resultante.
De igual modo as imagens nocturnas. Ter a câmara calibrada com rigor para a iluminação existente dá-nos a reprodução fiel e tecnicamente correcta. Mas as emoções, o calor da festa ou o frio da tempestade ficarão excluídos quase de certeza. Por muito simbólicos que sejam os conteúdos e as composições dentro do enquadramento.
Nos tempos em que se apenas se usava película por falta de alternativas, transportava eu um montão de filtros coloridos das séries 80, 81, 82 e 85 exactamente para, na tomada de vista, aquecer ou arrefecer a imagem, na busca da emoção pela cor. Quer em busca dos standards de interpretação, que procurando os seus opostos.
Hoje ando mais leve, bastando escolher no respectivo menu a calibração que quero para a emoção que tenho. Ou, posteriormente, ajustar no todo ou em parte essa mesma dominante cromática.
Dirão os puristas que isso será subverter o registo, transformando uma realidade numa outra adulterada, photoshopando o original.
Digo eu que, quer seja por um método (tomada de vista) ou por outro (edição), o que me interessa é transmitir emoções.
Que a minha câmara não é uma fotocopiadora nem os meus neurónios funcionam em modo automático.

Deixo o rigor da reprodução cromática para publicitários e profissionais de informação, pese embora vezes demais não o sejam e não por descuido.

By me 

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

15 - Setembro



Celebram-se hoje cinco anos que o povo saiu à rua.
A 15 de Setembro de 2012 cerca de um milhão de cidadãos, dos quais 500 mil em Lisboa, manifestaram-se por todo o país sob o lema “Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!”
Por objectivo, o protesto contra a forma como o resgate financeiro a Portugal estava a decorrer, com medidas de austeridade inauditas e draconianas.
Nos anais da história ficarão dois factos:
- Foi a segunda maior manifestação popular da nossa história, apenas ultrapassada pela que aconteceu no 1º de Maio de 1974, logo a seguir à revolução;
- Foi organizada por um grupo pequeno de cidadãos, bem à margem de partidos e organizações sindicais.
Do que recordo de ter vivido em Lisboa, e para além a enormidade de gente em protesto que esmagava qualquer imaginação possível, foi a velocidade inimaginável com que os cidadãos se deslocaram nas ruas e avenidas, numa ânsia de que qualquer coisa acontecesse.
O habitual por cá é as manifestações acontecerem ordeira e organizadamente, com gente a gerir velocidades e ocupação de espaço, promovendo palavras de ordem previamente pensadas ou de improviso. Naquele dia nem isso aconteceu nem seria possível acontecer, que os cidadãos responderam em massa e para além de qualquer controlo.
Indo mais longe, não recordo de ter visto em manifestações (e já estive em muitas) tamanha quantidade de crianças e idosos, numa demonstração mais que evidente de ser o país ali representado, pacífico mas para além das previsões e organizações habituais.
Das suas consequências também rezará a história, com as opiniões óbvias em função do quadrante que opine.
Mas certo é que naquele dia 10% dos portugueses saíram às ruas para protestar contra um governo que foi eleito apenas por estar em contra-ciclo com o anterior e que geria o país como os cidadãos não queriam.
E num país pacato como o nosso, ter dez por cento dos seus habitantes na rua em protesto é obra, diga-se o que se disser.

Estou certo que nenhum dos que lá estiveram esquecerão as emoções vividas.

By me

Pinturas



Acredito que existam bons e sólidos motivos para se pintar de verde aquilo que era cor de tijolo: as ciclovias.
Talvez que se suje menos e a cor permaneça em evidencia mesmo com lixo.
Talvez que a psicologia da cor transforme o verde em ecológico, condicionando os transeuntes a respeitar o espaço.
Talvez que seja dar um toque de verdura num espaço onde o vegetal escasseia.
Talvez que seja um aproveitamento de tintas existentes em armazém, evitando comprar novas ao restaurar a cor perdida.
Mas não quero crer que se trate de uma intervenção de campanha eleitoral, o repintar a ciclovia recente numa zona objecto de intervenção urbana há tão pouco tempo e tão polémica que foi.
Em qualquer dos casos, pergunto:
Com tantos e tão bons urbanistas e engenheiros não poderiam ter logo começado por esta cor aquando da sua construção inicial?


By me

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

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Sabemos que algo de muito errado acontece neste país quando as organizações da indústria desportiva se entendem acima das orientações das entidades oficiais.
Exemplo?
O insistirem em marcar jogos de futebol em dia de eleições, mesmo quando os estádios estão demasiado perto das assembleias de voto.
Outro exemplo?
Pode um jogador, treinador ou equivalente recusar participar num jogo alegando que a deslocação o impedirá de exercer o seu direito de voto?
Provavelmente pode, mas põe em risco o seu posto de trabalho aquando de uma eventual renovação de contrato.

O direito e dever de participar nas actividades cívicas do país não podem nem devem ser postas em causa por questões de tão somenos importância quanto jogos de futebol.

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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Sombras



Sabemos que as sombras são fugazes, à medida que as relatividades astrais se modificam.
Que se há algo que não podemos possuir mas tão só usufruir são mesmo elas, as sombras.
Mas podem ficar na nossa memória, real ou virtual, muito depois de as vermos ou gerarmos. As nossas sombras do que somos ou fomos.
E saber que elas deixarão de ser reproduzíveis, que aquelas condições não se repetirão, faz com que as memorizemos com mais segurança.

Para mais tarde recordar, bem mais na alma que nos registos fotónicos.

By me

terça-feira, 12 de setembro de 2017

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Cão que ladra não morde, diz-se.
É natural!
Não é fácil ladrar enquanto se dá uma dentada numa canela.
Ora tentem lá!

Mas escolham uma canela limpa.
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Academizo-me



É daquelas coisas estranhas mas divertidas e assustadoras ao mesmo tempo:
Um tipo perceber que aquilo que faz tem cunho pessoal, identidade própria. E que, mesmo quando o não quer, acaba por deixar uma assinatura na sua criatividade.
Não sei se será coisa de que goste.
Ainda que possa ser o resultado de se ir afinando gostos e abordagens ao longo dos anos, também pode ser o recorrer a fórmulas feitas, ao facilitismo da execução, à falta de originalidade.
Apesar de andar com o espírito e a alma bem ocupados com outras coisas bem mais importantes, tentarei a partir de agora encontrar uma outra linguagem, uma outra estética, uma outra forma de me exprimir fotograficamente.
Entre outros motivos para tal, o facto de pensar que se não faço algo de novo, de diferente do que tenho feito, acabarei por “morrer”, “enquistar”, “academizar-me” do ponto de vista criativo.
Li algures faz tempo que um fotógrafo, se quer ter sucesso no mundo comercial da fotografia tem que definir um estilo próprio que o diferencie dos demais e que seja uma mais valia para os clientes.
Não estou no mercado, não tenho que agradar a clientes. E não quero estagnar, fazendo sempre “igual”.

Agora não me perguntem como e se conseguirei mudar, que não faço a mais pequena ideia.

By me

Alcunhas



Aqui e ali, nos meios políticos e jornalísticos, fala-se no programa “Portugal 2020”.
Por aquilo que soube, trata-se de um programa de apoios comunitários – muito dinheiro – para serem investidos no desenvolvimento do país tendo por meta o ano 2020.
Nada de novo, portanto, já que se trata de um programa que remonta ao ano de 2014.
Aquilo que estranho é ouvir uns e outros falar em “Portugal vinte vinte”.
Caramba! Aquilo que leio é dois mil e vinte.
Ou será que a forma de pronunciar os números mudou desde os meus bancos da escola e não dei por isso? Talvez se trate antes de medidas de pneus, ainda que eu tenha dificuldade em perceber o que isso tem a ver com política. Ou ainda uma alcunha, com um significado meio obscuro.
Neste último caso, o que estará escondido na alcunha do ano 2069?

São estas algumas das inquietudes que tenho, no ano da graça vinte dezassete, no mês zero nove. Já o dia um dois pode ser o início de uma contagem crescente de qualquer coisa. Disparates por dia, por exemplo.

By me

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

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A Bíblia incita-te a amar.

O Kamasutra explica-te como.
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O Ministério Público abriu um inquérito formal a André Ventura, na sequência das suas declarações sobre a comunidade cigana.
Não faz sentido perseguir alguém por dizer o que pensa. Ou pela sua etnia.
O problema levanta-se quando um candidato a um cargo público político (central ou local) baseia o seu programa de acção na perseguição a uma etnia.
Aqui, cidadãos e justiça não podem ficar indiferentes.

E quando as organizações partidárias se solidarizam com tal discurso, a coisa ainda fica mais feia.
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Ecos



As coisas que nos passam pela cabeça e que temos que as manter lá…
Porque são só nossas… porque não é “correcto” divulga-las… porque são “segredos”… porque não as entendemos… porque não as queremos pensar…

Ainda se estivesse cheia de areia para que tudo isso não fizesse eco…

By me

Sóc Català


Efemérides

Para que conste:
Hoje é dia 11 de Setembro em Barcelona, Santiago do Chile e Nova York.
Sê-lo-á também noutros locais, mas a memória e os media se encarregarão de apenas referir o que mais lhe convier.

Em caso de dúvidas, compare-se o número de vítimas insulares e continentais na sequência do furacão Irma e de onde obtemos maior destaque.
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domingo, 10 de setembro de 2017

Educação



Ele há coisas tão certas como o natal ser em Dezembro e a Páscoa calhar a um domingo:
É todos os anos haver milhares de pessoas que são ou querem ser professores e que não são colocadas no sistema público de ensino.
Sendo que este é muito maior e com muitos mais funcionários que o privado, o certo é que estas pessoas ou ficam sem trabalhar ou vão exercer qualquer outra actividade, a título provisório ou definitivamente.

Além do incómodo que me provoca saber do desespero destes milhares de concidadãos, há uma coisa que me provoca raiva:
Quem não os contrata é o estado, gerido pelo governo. Este tem por função organizar a coisa pública em função da eficácia, dos custos e da vontade do povo.
A maioria destes candidatos a um cargo de professor é formada nas escolas públicas, pertença do estado e geridas pelo governo.
Também é o estado que detém o instituto nacional de estatística, que todos os anos nos informa da explosão demográfica negativa, ou seja, da diminuição do número de crianças nascidas. Estes nascimentos acontecem uns cinco ou seis anos antes dos seus ingressos nas escolas.

Então, sabendo-se sem grande dificuldade que a necessidade de professores está a diminuir, porque motivo todos os anos o ensino superior coloca no mercado de trabalho mais e mais jovens formados para essa actividade? Em maior número do que as necessidades resultantes do número de crianças nascidas e dos que se reformam?
Ou seja, porque motivo o estado, pela mão do governo, mantém nesta actividade lectiva uma oferta de mão-de-obra substancialmente superior à da procura?

Está-me a parecer que o governo, que são pessoas contratadas pelo estado para o gerir, está a fazer mal o seu trabalho. Não o tem feito ou desempenhado correctamente ao longo dos últimos talvez trinta anos as tarefas para as quais tem sido contratado, resultando daí o sofrimento e a frustração de milhares de cidadãos.
O que é grave nesta gestão danosa, é que os danos não são apenas materiais mas, e principalmente, de ordem humana. Afectando com isso, e com carácter regular, muitos milhares de pessoas todos os anos e de uma forma regular. Na sua vida actual e futura.

Se os feriados podem ser criados ou eliminados, de acordo com os interesses políticos e as tradições populares, também esta rotina anual de incerteza e desespero de umas dezenas de milhar de pessoas, jovens ou não tanto, pode ser anulada ou substancialmente minimizada.
Basta para isso saber gerir e prever cientificamente o futuro. O que, na prática, é o que se pede a um governo. Qualquer que seja a sua cor partidária! 


By me

Avaliações

Repare-se como a violência da natureza (inundações, sismos, tempestades, incêndios…) são aquilatadas em dinheiro e valores dos estragos.
Ficam para segundo plano as mortes, as vidas destruídas, as perdas de habitações e trabalho…
Avaliar da importância de um furacão pelos milhões de euros ou dólares de prejuízo é o mesmo que qualificar a importância de uma pessoa pelo que se gastou no seu funeral: hipocrisia.

Mas nem políticos nem jornalistas conhecem outra forma de medir a vida. Ou a morte.
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heuh - shall we?



Temos a idade que sentimos, somos aquilo que fazemos.
O resto são calendários, adjectivos e advérbios.

E sabemos que palavras leva-as o vento.

By me

Receitas



Mau humor?
Irritação?
Complicações sociais?
Deixe-se disso!
Gaston La gaffe é a solução!
O relaxe.
O desopilar o fígado.
A risada total.
Uma dose de Gaston La Gaffe por dia, nem sabe o bem que lhe fazia!


sábado, 9 de setembro de 2017

Memórias



Numa estação de caminho-de-ferro de Lisboa, um diagrama da rede.
Para além das linhas e cruzamentos, os nomes das estações acompanhados de símbolos relevantes nesses locais.
Em baixo, uma legenda identificava o significado de cada um desses ícones.
Esta é uma imagem de parte dessa legenda.
Repare-se como os “locais de interesse” estão identificados com uma câmara fotográfica.
Pouco importa o que possamos ouvir, cheirar, palpar ou degustar nesse local: se é de interesse é para fotografar. E mais tarde recordar.
Talvez que nem se recorde do que se sentiu no local: o aroma de um restaurante próximo ou maresia, o ruído do tráfego ou pássaros, a aragem a incidir na pela ou aspereza do muro em que nos encostámos. Desde que a câmara possa registar é quanto importa.
A este respeito, recordo dois textos lidos ainda não há muito tempo:
Num deles contavam-nos como algures nos anos cinquenta, aquando do boom do turismo nos EUA, se assinalavam nas estradas os locais de interesse com um sinal de trânsito contendo uma câmara fotográfica. Se bem recordo do que li, esta campanha terá sido promovida por uma conhecida marca de películas, papeis e câmaras fotográficas. Já então se entendia que o que era “bonito” era para ser fotografado e alguém se encarregava de informar o público do que merecia ou não uma fotografia “para mais tarde recordar”.
No outro texto falavam-nos de uma experiência ocorrida na Grã Bretanha: dois grupos equivalentes de estudantes universitários foram convidados a fazerem um trabalho escrito sobre um tema dado. A diferença estava em que a um dos grupos era pedido que consultassem apenas o constante na respectiva biblioteca e ao outro para consultarem em exclusivo o conteúdo da internete.
Depois do trabalho feito, foram os grupos testados sobre o que a sua memória havia retido do estudado. O grupo da biblioteca tinha uma memória razoável do lido e onde e o grupo da web havia fixado os locais onde havia pesquisado mas pouco dos respectivos conteúdos.
A nossa memória, aos poucos, vai-se transferindo dos neurónios para os digitais, fazendo mesmo colocar de parte os sentidos e os sentimentos.
Confiamos nas memórias artificiais, na imagem que é a imperatriz autocrática desta geração e que até são particularmente frágeis e passíveis de serem perdidas. E, para as alimentar, deixamos de parte o que elas têm de mais importante: os prazeres dos sentidos.

Diz-vos isto alguém que faz da fotografia o “alimento da alma”. Mas que se recusa a fazer fotografias de férias ou de as usar para mais tarde recordar.

Por muito que goste de fotografia, viver é muito mais importante!

By me

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Pergunto se o presidente norte-americano, ao ver uma das suas propriedades destruídas por um furacão “de proporções épicas” (sic) e sabendo que ele resulta de temperaturas anormalmente elevadas do oceano atlântico, manterá a sua posição sobre o aquecimento global e as medidas para minimizar tal fenómeno.
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Normalidades democráticas



Enquanto por cá se vão discutindo as próximas eleições autárquicas, com episódios em torno da legalidade de algumas das candidaturas, monarquias locais e discursos xenófobos, aqui ao lado a coisa é diferente.
No mesmo dia os catalães serão chamados às urnas para se pronunciarem sobre a possibilidade de a Catalunha se separar da Espanha e assumir a independência.
As ameaças do governo central espanhol a tal consulta popular e as divisões no seio da região autónoma fazem abanar opiniões e aumentar os receios sobre as consequências de organizar ou mesmo comparecer ao acto. Pondo em causa conceitos globalmente aceites como o direito à autodeterminação dos povos e a livre expressão de opinião dos cidadãos.
No próximo dia um de Outubro viveremos mais um dia de normalidade democrática.

Não se poderá dizer o mesmo dos nossos vizinhos espanhóis.

By me 

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Verso e reverso



A principal diferença entre uma moeda e um candidato a um cargo político é que elas mostram a cara ou a coroa aleatoriamente, enquanto que eles mostram-se de acordo com as conveniências.

By me 

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Embirrações

Embirro!
Embirro solenemente!
Fico com paletes de embirração quando entro no meu prédio ou no elevador, cruzo-me com um vizinho ou vizinha, ponho um sorriso e dou a saudação e em resposta obtenho coisa nenhuma!
Não espero da vizinhança que andemos aos beijos ou em casa uns dos outros. Mas um nico de cordialidade é o mínimo admissível.

Felizmente que aqui está por pouco.
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Estatísticas



Diz o povo que “Uma desgraça nunca vem só!”
Sejamos honestos: do ponto de vista estatístico acontece exactamente a mesma coisa com as alegrias.

Só que não lhes damos o mesmo valor.

By me

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

O par



Por vezes ainda se encontram.
Mesmo à porta de casa e sem motivo aparente.

Vá-se lá imaginar (ou sonhar) porque estão os dois aqui e assim!

By me

O apito



A luz de que gosto.
No caso, numa acção de formação informal, com uma câmara de bolso e sem edições posteriores.
Exactamente para demonstrar que não são precisos grandes meios na tomada de vista ou tratamentos complexos no computador para se obter o que queremos, mesmo que fora do vulgar.

E tirar partido do contra-luz, das suas características tangenciais e da translucidez dos objectos é uma das minhas abordagens preferidas.

By me 

terça-feira, 5 de setembro de 2017

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Que não se confunda a tolerância com a falta de personalidade, a conciliação com a mansidão, a vontade de construir o colectivo com o anular do indivíduo.
Que mesmo as montanhas floridas e férteis se podem revelar vulcões devastadores.

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Especulações

Sobre aquilo que se vem insinuando ou mesmo afirmando no tocante aos donativos para as vítimas dos incêndios, recordo o já distante ano de 1978 e a “Operação Pirâmide” então realizada em Dezembro.
Muito se disse e acusou mas, ao certo, nunca se soube de factos que dessem solidez a tais dizeres.
Falharam as investigações ou erraram as acusações?

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O porta-chaves



Há objectos que possuímos e usamos e que, de tanto o fazermos, se tornam como que uma segunda pele.
No meu caso específico, e pondo de parte o que se relaciona com fotografia, tanto pode ser uma carteira, um porta-moedas, uma caneta, um porta-chaves…
São objectos mais ou menos banais, que escolhemos pela sua funcionalidade. Claro que o seu aspecto ou estética, as memórias que eventualmente nos despertem ou o hábito que já possuímos por aquele modelo, são importantes no momento da aquisição.
Depois, com o passar do tempo e o uso amiúde, deixamos de pensar neles, forma ou função, manuseando-os com o mesmo automatismo com que coçamos o nariz ou levamos um garfo à boca.
Mas há momentos, porém, em que parece que acordamos para a realidade, sendo obrigados a pensar seriamente neles.
Ou bem porque, pela idade e uso, ganharam deficiências funcionais, ou bem porque algo nas nossas rotinas faz com que o seu manuseio deixe de ser inconsciente e passe a ser bem concreto e definido.
Acordei hoje a pensar que terei que substituir este. Em breve, que a sua capacidade será insuficiente.
É estranho pensar como um simples objecto do quotidiano, com mais de uma dezenas de anos de uso, pode provocar tanta nostalgia por antecipação.
Mas, ao mesmo tempo, tanta satisfação na necessidade da substituição.
Dada a dificuldade que tenho em deitar fora objectos, sei que este acabará por ser guardado numa caixa, em jeito de recordação. E que com o tempo e falta de uso, ganhará verdete no latão a ponto de, daqui por uns anos, me perguntar porque ainda o tenho.
Talvez que então, em dando com ele, me surja uma qualquer ideia para um qualquer conjunto de palavras mal alinhadas como este, referindo um ponto específico de viragem na vida (este) ou um qualquer outro episódio com ele relacionado.

Vivam os porta-chaves e a necessidade de os mudar!

Nota adicional:
Esta é a tal luz de que tanto gosto. De lá para cá, ao invés de ser de cá para lá.
Dá muito mais trabalho no controlo de contrastes e pode ser um bico-de-obra no tocante a flares e luzes parasitas. Frequentemente o párasol original é insuficiente, obrigando a recorrer a “bandeiras” ou palas adicionais, quantas vezes improvisadas com a mão ou um qualquer papel que esteja a jeito.
Mas a ambiência criada, quer se trate de luz difusa ou de luz pontual, permite-me ir mais longe que apenas as superfícies, formas e cores dos assuntos fotografados.

Não pretendo fazer “fotografias de catálogo”, mas tão só a interpretação visual do que sinto e penso. Se o consigo ou não é uma questão de eu me sentir ou não satisfeito com o resultado e quem as vê ter ou não sensações similares às minhas.

By me

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Desilusão



Um tipo acorda de manhã, vai à janela e pensa:
“Pronto! É hoje! Daqui a nada chega o D. Sebastião e tudo fica resolvido.”
Passado meia hora, banho e desjejum, volta lá e nada. Nem D. Sebastião, nem nevoeiro, nem chão molhado… nada.

Já não se pode acreditar no que se vê de manhã pela janela!

By me

Once upon a time



Uma câmara quase que arcaica nos tempos que correm e com menos resolução que muitos telemóveis de hoje;
Uma objectiva de entrada, das baratinhas;
Um tripé;
Um candeeiro de secretária;
Uns pedaços de cartolina preta;
Uma folha cartolina branca segura com a mão. 



Mais para quê?

By me

domingo, 3 de setembro de 2017

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Ficam muitos surpreendidos com os resultados anunciados pelo governo e por agências internacionais.
Provem esta surpresa da capacidade de o país recuperar da crise, mesmo que devagarinho.
Nem sei de que se admiram!

Quase qualquer governação consegue ser melhor e com melhores resultados que a da anterior coligação governamental.
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Pontos



A vida é uma enorme interrogação, pontuada aqui e ali com exclamações entremeadas de reticências.

By me 

sábado, 2 de setembro de 2017

Oportunidade

Vendo o meu juízo.
Quase nada usado, não é entregue na embalagem original porque esta é velha e está em mau estado.

Motivo: Tem-me sido inútil no passado e antevejo o mesmo para o futuro.
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Pertinência sólida



Há uns anos ouvi a pergunta mais pertinente de sempre sobre o meu ofício.
Numa visita de estudo de jovens estudantes, perguntou-me um moço, aí dos seus quinze anos:
“Como é que sabem que as notícias que contam são verdadeiras?”
Fiquei passado com a pergunta e a maturidade daquele adolescente.
Mas tratei de lhe responder, questionando-o sobre o que fazia se lhe contassem uma história pouco abonatória a propósito de um amigo. Se iria ou não saber junto dele a sua versão dos acontecimentos. E a conversa evoluiu a partir daqui.
Mas bem que gostaria que fosse verdade o que argumentei.

Tal como gostaria que esta fosse uma prática comum nas redes sociais, ao invés de divulgarem o que quer que seja sem confirmarem da sua veracidade primeiro.

By me

Medo



Ontem foi dia de aniversário. Um triste aniversário.
Foi no dia primeiro de Setembro, de 1939 que a Polónia foi invadida pela Alemanha, dando início àquilo a que se convencionou chamar “segunda guerra mundial”. Com tudo o que daí resultou, tanto militar como civil.
Hoje leio como notícia de abertura num jornal português: “Governo quer que Censos tenha dados étnicos da população”.
E não posso deixar de fazer algum tipo de paralelismo.
Longe de mim pensar que este governo (ou algum outro do passado recente nacional) de algum modo se possa incluir na lista dos que fazem da cor da pele ou origens geográficas motivo de discriminação ou segregação. Talvez que menos este governo que qualquer outro, pelos motivos óbvios da sua constituição.
Mas fico arrepiado ao pensar que este tipo de informação possa ficar registada algures, mesmo que numa base de dados considerada segura, ao alcance de um qualquer grupo xenófobo, governamental ou não.
Sabemos o que têm sido os discursos extremados e as práticas “discretas” pela europa fora no tocante a migrações, religião e mesmo etnias. Os arames farpados e milícias armadas a bloquear os migrantes, o desmantelar acampamentos e consequente expulsão de comunidades ciganas na europa ocidental, os protestos civis e as decisões governamentais sobre a construção de templos que não cristãos, os candidatos políticos de extrema direita e as suas posições étnico-religiosas, os guetos suburbanos, as discriminações no acesso ao trabalho…
Não me apetece que as autoridades possam tratar e possuir dados que permitam ir ainda mais longe nesta matéria.

Por muito cheios de boas vontades que possam estar quem tal pensou e divulgou.

By me

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Dúvida cinematográfica



Tenho uma dúvida existencial de cariz cinematográfico:
Como é que eles conseguem, nos filmes, que um casal depois de uma noite de amor acordem penteados, barbeados e maquiados?
Ou bem que o conceito de “noite de paixão” não corresponde ao meu ou então dormem ao fundo da cama um cabeleireiro, um barbeiro e um maquiador.

Pouco prático, admito, tanto uma coisa como outra.

By me

Aviso



Em caso de sinistro (sismo, incêndio, visitas ministeriais):

A) Mantenha a calma;
B) Avise os serviços de segurança;
C) Use escadas e nunca o elevador;

D) Não faça selfies nem publique em redes sociais antes de se encontrar no exterior e em local seguro.  

By me

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Desgosto fotográfico



A história tem perto de quarenta anos.
Vi no peitoril da janela um insecto. Pequenito e não voador, recordo que tinha cores bonitas e diferentes. E achei que era um bom assunto para fotografar.
Mas vários problemas se levantavam.
Desde logo o seu tamanho. Os menos de dez milímetros que possuía implicavam recorrer a técnicas de macro fotografia, pelo que decidi usar a objectiva de 50 mm invertida no corpo da Pentax LX. Esta técnica, que permite uma escala de reprodução bem grande, implica uma igualmente grande proximidade ao assunto, uns 20 mm, mais coisa, menos coisa.
Para a iluminação, haveria que recorrer à luz natural e reflectores, já que a proximidade inviabiliza o uso de flash, anelar ou clássico.
Assim, e decididas estas questões de cariz técnico, usei de um copo de vidro para evitar que o bichinho se fosse embora. Não me passaria pela cabeça fazer-lhe mal e iria liberta-lo assim que o fotografasse.
Mas o coitado não estava lá muito pelos ajustes, e não havia forma de estar parado. Fora do copo fugiria, dentro dele, e visto da abertura, ficava fora de foco e através do vidro com distorções de imagem. Que fazer?
Usando dos recursos existentes em casa e de um pouco de imaginação, concebi um dispositivo:
Sacrifiquei uma caixa de filtros, com uns 60 mm de diâmetro e, numa das metades, cortei-lhe o fundo. No seu lugar, colei-lhe uma placa de vidro, do tamanho dos filtros Cokin, que tinha mandado fazer para uma experiências com filtros neutros feitos com negro de fumo. (São fáceis de fazer mas um cuidado se impõe: a chama muito próxima pode partir o vidro com o calor)
Fiquei assim com o que necessitava: um recinto para conter o bicharoco e com altura e luz suficiente.
Montei todo o dispositivo (câmara em tripé, caixa, luz), assegurei-me da quantidade e qualidade de luz e foco e tratei de transferir o animal do copo para a caixa.
Quando coloquei esta sob a objectiva e espreitei pelo visor, ainda fui a tempo de ver os últimos estertores do pequenote. Esperneava e contorcia-se, enchendo com a sua agonia todo o enquadramento. E morreu!
Doeu-me! Juro que me doeu fundo na alma! Pela sua morte não desejada e que procurara evitar e por não perceber o que se passara. Só após uma análise aprofundada da situação dei com a coisa: os vapores da cola que tinha usado tinham intoxicado o insecto.

Até àquela data nunca tinha pensado seriamente no assunto. Mas os conceitos estavam cá, não teorizados ou definidos. Mas ficou perfeitamente claro para mim na altura:
O meu prazer fotográfico – egoísta, pela certa – não justifica em nenhuma circunstância a morte de animal ou planta!
Ou bem que consigo a imagem pretendida respeitando a vida e a integridade do ser vivo a fotografar, ou vou à procura de qualquer outra coisa onde assentar a minha objectiva.

Que a ética e o respeito pela vida não passa apenas pelos humanos!

By me

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

CMYK




E se não virem bem o K calibrem o monitor, desligando-o.

By me

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Aborrecimentos



Na antecipação das eleições autárquicas, vieram asfaltar a minha rua.
Em boa verdade não a vieram asfaltar mas antes colocar um tapete de asfalto novo em cima do já existente. E só em parte da rua, onde alguém decidiu que faria mais falta. Ou onde seria mais notória a intervenção.
Nada que nos surpreenda, que esta é a época de oiro dos empreiteiros e de quem para eles trabalha, que obras e remendos é o que não faltam pelo país fora.
A maior parte das pessoas agradecem estas obras. O espaço público fica melhorado e todos esperam que não piore durante os próximos quatro anos.
Mas eu tenho um protesto a fazer!
Com esta renovação do tapete rodoviário acabaram as covas, depressões, afundanços e afins. Ou, em alternativa, surgem novas, maiores ou menores dependendo da qualidade do trabalho.
E é aqui que a porca torce o rabo!
Que eu já estava habituado às covas existentes, conhecendo-lhes as profundidade e a quantidade de água que acumulavam após as chuvadas. E o quando ou quanto me desviar em passando um carro, para evitar os borrifos ou verdadeiras molhas consequentes.
Agora… Agora vou ter que estar mais atento, com um olho no asfalto e outro no trânsito, até aprender de cor qual ou quais os pontos negros da minha rua.

Isto das eleições autárquicas é cá um aborrecimento!

By me