terça-feira, 22 de agosto de 2017

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“No meio é que está a virtude”, diz o povo.

“Excepto na composição de imagem”, acrescento eu.
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Trocas



Em tempos conheci um fulano.
Com loja aberta no campo da fotografia, completando a sua actividade com aulas e formação na área.
De princípio achei-lhe graça, pese embora ser um tudo ou nada basófias. Apesar disso, fomo-nos encontrado quando os nossos percursos se cruzavam, conversando sobre os temas que nos interessavam.
Nestes temas incluíam-se, muito naturalmente, a formação em fotografia: métodos, estratégias, abordagens, objectivos… Chegou mesmo a comparecer em acções de formação que eu promovia.
Qual não é o meu espanto quando, a dada altura, encontro nas divulgações das suas formações, aquilo que com ele havia comentado e visto, assumindo como inovação pedagógica, quase ipsis verbis, aquilo que lhe havia dito ou a que havia assistido.
Caramba! Estava a assumir como seu, exclusivamente como seu, aquilo que havia aprendido com outrem.
Não gostei e fiz-lhe saber o meu desagrado. Não necessitaria de identificar as fontes do que propagandeava mas, ao menos, que não assumisse a autoria do que não tinha concebido.
A resposta roçou a má educação e a ordinarice. Não as tocou, mas ficou lá muito perto, negando por completo o que lhe dizia.
Encheu-me!
Cortei por completo relações, reais ou virtuais, e deixei de recomendar o seu estabelecimento. Não recomendo a ninguém o fazer negócio com alguém que tenha este comportamento.

Infelizmente, neste mundo desenfreadamente competitivo, o que mais há é quem se aproveite do esforço e boa-vontade dos outros em proveito próprio, incapazes de reconhecer os benefícios que recebem.


Nota adicional: Desceria ao seu nível se aqui identificasse de quem falo. Até porque continua activo no seu negócio.

By me 

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O píncaro do absurdo:
Ficarmos satisfeitos porque alguém tem como ganhar a vida durante quase um ano.

Em tempos havia as vendas em prestações. Agora é a vida em prestações.

Eventuais.
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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

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A vida está cheia de coisas divertidas e ternurentas, capazes de encher e alegrar o coração de qualquer um.
O problema está em que os maldispostos de nascença e os diplomados em pessimismo não são qualquer um.

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O ceptro do cobrador



Era um símbolo da tirania! Quando o trinca-bilhetes, agora chamado de pica, se aproximava, todos sacavam do porta-moedas para o óbvio pagamento. A menos que…
A menos que fosse um borlista! Nesse caso não se estava nos bancos, ou de pé, nos quatro lugares marcados junto a varões de ferro plastificados. Mas pendurado na porta, em equilíbrio instável e dependendo dos dedos e da sua força, bem como dos solavancos do autocarro ou carro eléctrico.
E era aqui que a tirania se manifestava, com um valente carolo na cabeça ou uma traiçoeira pancada nos nós dos dedos. O alicate era terrível nas mãos dos façanhudos cobradores da Carris.
Já na ferrovia a coisa era – é – diferente: nem sempre há a garantia de o ver ou ouvir a trincar bilhetes, pelo que era – é – um jogo de caça e caçador o conseguir viajar de borla. Em o ouvindo numa das portas de extremo da carruagem, discretamente os borlistas vão passando para a carruagem seguinte. A menos que já se esteja na última, o que leva a esperar que se pare numa estação para aí sair e esperar pelo comboio seguinte.
Hoje começa a ser raro, pelo menos aqui na capital alfacinha, ver ou ouvir o trinca-bilhetes.
A actual bilhética magnética não se coaduna com os furinhos do alicate, sejam estes redondos, quadrados ou em estrelhinha. Na Carris já não existem e na CP, a breve trecho, também não. Será um símbolo de tirania que desaparecerá, não criando mais histórias ou estórias para recordar.
Porque, de uma forma ou de outra, a simples visão do alicate tem provocado sorrisos francos e nostálgicos. Não sei se das vivências se da vingança de o ver nas mãos de um “civil”. Que o encontrei na feira da ladra, adquirido depois de algum regateio com o velhote que o vendia.
Excepção feita, quanto a sorrisos, a um colega excêntrico que é. Depois de um leve esboço de sorriso, atirou-me com um “Para que queres tu isso?” Mas é um excêntrico!
Das várias estórias que a memória me conta, ressalvo agora uma, mais sensação que acção:
A inveja que sentíamos quando se via algum passageiro confrontar o trinca-bilhetes com o conteúdo da carteira ou o revirar da lapela do casaco. Que, acto continuo, recebia um sorriso de condescendência do cobrador e não lhe tirava o bilhete. Ou obliterava com o malfadado alicate.
Claro que, à época, não me passava pela cabeça que alguns desses passageiros especiais seriam membros da PIDE-DGS de má memória e bem mais tirânica que o alicate, fazendo tremer o pica bem mais que o alicate os borlistas.
Quando, já rapazola e após a revolução, surgiram os passes sociais comprados mensalmente, que alegria ter também algo para mostrar e, assim, fugir do alicate, dos “clac” da furação e dos seus carolos.

Em breve será completamente obsoleto! Ficará aqui este, arrumadinho a um canto, para obliterar ou validar as memórias. E os sorrisos também.

By me

domingo, 20 de agosto de 2017

O copo



Conhecem aquela do fulano que era tão pacato, mas tão pacato mesmo, que nem partia um prato?
Pois!
Cá em casa é mais copos.


Nota adicional: Aqueles que dizem que não têm assunto para fotografar deviam procurar bem mais perto da sua própria existência.

By me

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Sobre o dia de ontem, o Dia Mundial da Fotografia



O actual uso da fotografia recorda-me os maus filmes de cow-boys:
Todos possuem pistolas e todos disparam inconsequentemente sobre todos.
Sem um pingo de responsabilidade, sem um grama de respeito por quem os cerca, sem uma sombra de escrúpulos.
As consequências do acto fotográfico não se resumem a demonstrar a terceiros as eventuais qualidades do fotógrafo, ao ter aquele visão e aquela mestria em registar o que viu.
São também o exibir ao mundo as poses, as expressões, os actos dos fotografados, vezes demais sem sua permissão ou mesmo conhecimento.
Recuso fazê-lo e condeno veementemente quem o faz.

O uso de uma câmara implica responsabilidades éticas que a maioria desdenha em prol de eventuais troféus pendurados na parede ou no mural.
Também os tais cow-boys faziam marcas na coronha da pistola.


Para os quer acham que o mundo é uma coutada de caça e que todos os seres humanos são presas a capturar com os disparos indiscriminados das suas câmaras, os meus sinceros desejos que nunca sejam vítimas dos disparos de outros. E que não acabem embaraçados com a exposição pública do que pensavam ser a vossa vida privada.

By me

Segurança



Foi um destes dias.
Liguei o televisor num desses canais temáticos e foi mesmo a tempo de apanhar o fim de um programa. A voz masculina que se ouvia afirmava, em tom apocalíptico, que devemos usar as tecnologias para vivermos em segurança contra o terror.
Mudei de canal para um outro que nos mostrava uns quaisquer animais que, com a tranquilidade secular, comiam, trepavam às árvores e cuidavam das crias.
É que tenho para mim que esse tal terror se diverte à brava com as tais medidas de segurança da tecnologia – vigilância, inspecção, suspeição – já que elas, as medidas, mais que garantirem a segurança de quem nelas confia, alimentam o tal estado que o terror deseja: medo.
A cada passo que damos, em cada palavra que proferimos, por cada pensamento que temos, ficamos sempre com a sensação que o terror deles se poderia aproveitar contra nós, mas que os vigilantes, que cada vez mais tudo conseguem saber e sobre tudo conseguem agir, nos garantem que podemos estar descansados que eles nos protegem.
E vamos dando graças por eles, os vigilantes, lerem a nossa correspondência, escutarem as nossas conversas, espreitarem os nossos gestos, escrutinarem as nossas bagagens. E os nossos medos, assim alimentados e assim tranquilizados, mantêm-nos na dependência deles, dos vigilantes, para gáudio do tal terror.
Que já nada precisa de fazer, que nós mesmos nos encarregamos de nos aterrorizar.
Paulatinamente vamos cedendo na nossa privacidade, na nossa condição de indivíduos autónomos, capazes de decidir das nossas vidas, em prol de uma sociedade castrante e castrada, qual rebanho que deixa os cães morder as canelas, conduzindo-nos para um redil gradeado e farpado.

Cada vez mais tenho a certeza que os tais do terror vestem fatinhos caros, falam para as câmaras e assinam decretos.

By me

sábado, 19 de agosto de 2017

Crónica sobre uma crónica



Tropeço num artigo de um jornal intitulado “Ladi Di: nem princesa nem do povo”.
Confesso que não me costumo preocupar nem com as questões reais nem com os artigos cor-de-rosa. Mas como não tinha muito que fazer, fui ler esta partilha numa rede social.
Quem o escreveu faz uma longa análise à genealogia da princesa de Gales, falando nos títulos de seus avós e bisavós, chegando mesmo a dar-lhe um parentesco distante com D. Afonso Henriques. Não o discuto porque nada sei da matéria e porque me é muito pouco importante a ascendência, real ou outra.
No entanto, quando o articulista fala em “sangue azul”, não pude deixar de me recordar do absurdo da cor e dos episódios passados em canais televisivos sensacionalistas que atribuem a realeza e a sua importância a uma eventual descendência de extra-terrestres.
Ia lendo e ia sorrindo daquilo que preocupa, eventualmente, aqueles que pouco mais têm para se preocuparem. Inofensivo e inútil.
“Saltou-me a tampa”, no entanto, quando o autor do artigo afirma que “Mais importante que a nobreza do sangue é a do espírito, que se mede pelas acções e, sobretudo, pela atitude de serviço a Deus e à Pátria: ser nobre é, numa palavra, servir.” E continua, referindo a linhagem de Cristo.
“Eh lá! O que é lá isto?”, pensei deixando de sorrir. “Eu sei que este artigo foi publicado no jornal “Observador”, mas isto vai um nico para além do que esperava: é catequismo puro e duro!”
E fui ao cimo da página ver quem o assina e com que título.
Percebi tudo quando li que o autor é Gonçalo Porcarrero de Almada, titulado de padre.

Não costumo ler este jornal. As suas tendências ideológicas, não assumidas estatutariamente, situam-se do outro lado da barricada. E os meus arcabuzes e mosquetes estão atestados sobre quem lá perora. Mais para mais se pensarmos que a sua figura de proa defendia ferozmente, até há não muito tempo, o encerramento da estação pública de televisão e que passou a estar caladinho sobre o tema quando se transformou em comentador regular por lá. Muito provavelmente bem pago para tal.
A liberdade de expressão é constitucional e bater-me-ei para que continue viva e de boa saúde. Tal como o direito a informar e ser informado.
Mas vou ter ainda mais cuidado ao aceder aos escritos de quem se bate por extinguir ou impedir o meu ideal de sociedade, igualitária, fraterna e democrática.
Que é disso que sou feito, com o meu sangue vermelho e proletário.


By me

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

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Há coisas boas na vida.
Uma delas é sair de um local com os olhos a brilharem de esperança no futuro e ver esse mesmo brilho nos olhos de quem te acompanha.

Hoje o dia acabou assim.
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O roubo na esquadra



Quem me contou a estória afiançou-me como sendo verdade e tendo acontecido aqui, algures nos finais dos anos 40, princípios dos anos 50. E como quem ma contou morava nas imediações, até acredito nela.
Um dia o chefe da esquadra da zona terá dito para um seu subordinado que passasse na relojoaria ali da rua para que eles fossem buscar o relógio de parede da esquadra. Andava ele a atrasar-se (ou seria adiantar-se?).
Certo é que, mais tarde nesse mesmo dia alguém se apresentou na esquadra de polícia, dizendo que vinha buscar o dito relógio. E levou-o. Para onde ninguém sabe, que o tipo não vinha a mando do relojoeiro. Seria um larápio que estaria na loja quando o recado foi dado, a preparar talvez um trabalhinho, e ouvindo o recado aproveitou a ocasião.
Falsa ou verdadeira, a estória, serve ela para mostrar que as coisas mais audazes se fazem quando menos se espera e com a maior das naturalidades, ou tudo falha.
Mas, a ser verdadeira a estória, 50 anos depois alguém roubou este prédio mesmo ao lado da esquadra onde se teria passado o insólito acontecimento. A pressão urbanística e imobiliária, aliada à idade provecta do edifício, fez com que fosse derrubado – só ele – para criar este simulacro de rua, que nem sei se terá ao menos nome, para acesso ao bairro das Olaias, por trás.
Ficou assim, com este aspecto, como se alguém tivesse tirado uma fatia do bolo mesmo antes de o colocar na mesa.

O relógio terá ido, até porque efémero o tempo; o imóvel também, até porque já não fazem prédios como antigamente. Ficou a memória de uma estória rocambolesca que, sendo verdade, é divertida; não o sendo, ficamos todos com pena que não o seja.

By me

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Automatismos? Não, obrigado.



Tive um Tio.
Era eu pequenote quando morreu.
Mas recordo ele possuir uma agenda de secretária, grande, muito grande para os meus olhos de então, onde ele tinha anotado tudo quanto considerava de importante. E todos os anos lá copiava ele da velha para a nova.
Pois todos os dias, antes de sair de casa pela manhã, consultava ele a sua agenda e dirigia-se à estação de correios ao fundo da rua. Daí, enviava um telegrama de parabéns a quem quer que nesse dia fizesse anos. Mesmo que o ou a não visse há muito.
Um acto deliberado, consciente, trabalhoso e oneroso.
Hoje temos os “Outlooks”, os “E-Mails”, os “FaceBooks” que nos recordam, queiramos ou não, dos aniversários de quem lá conste. E usando da mesma tecnologia de informação e a custo zero, lá gastamos uns 10 a 15 segundos a mandar os tais “parabéns” descaracterizados, frios, impessoais, electrónicos.
Sendo que acho que não deverá ser uma máquina ou um calendário que deva dizer quando me devo divertir ou cumprimentar quem quer que seja, ignoro esses avisos automáticos.

Quanto ao resto, nada melhor que uma festa de desaniversário, para citar Lewis Caroll. Que, por sinal, até foi também um dos grandes fotógrafos do seu tempo.

By me

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Passagem



O que é idade?
É bem mais que aquilo que medeia entre este momento e aquele em que nascemos.
É aquilo como nos sentimos, bem para além daquilo que o corpo sente.
É aquilo que nos apetece fazer, apesar do que aprendemos, do que nos ensinaram, do que impõem.
É o que leva a que os nos olhos brilhem de desejo, mesmo que proibido.


Que idade tenho, eu que passei para o outro lado, que conduzia a local algum e sem que coisa alguma lá fosse fazer, nem mesmo fotografar?

By me

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

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Parece que Pedro Passos Coelho terá dito que:
“O que é que vai acontecer ao país seguro que temos se se mantiver essa possibilidade de qualquer um viver em Portugal?”
Concordo com ele em pleno!

Só não sei que outro país o acolheria.

"Penso eu de que"



O estado é a maior empresa do país. São centenas de milhar os assalariados que prestam serviços nas diversas áreas, da saúde à justiça, da educação à segurança, da higiene à cultura.
O objectivo desta empresa é a prestação destes serviços aos seus sócios – os cidadãos – e os meios de o fazer provêem das contribuições dos mesmos.
É um sistema em circuito fechado em que, quanto mais ricos forem os sócios e maiores as contribuições, mais e melhores são os serviços prestados! E o contrário é igual e lamentavelmente verdade.
Em princípio mas não inalteravelmente! Mas isto já é outra conversa.

As contribuições dos “sócios” desta empresa fazem-se sob a forma de dinheiro, numa pequena, ou não tanto, percentagem dos seus proventos.
Este dinheiro mais não é que o símbolo do poder ou riqueza de quem o possui, representando os bens detidos ou produzidos pelo seu detentor. É uma forma de fazer equivaler uma vaca a um saco de trigo ou uma dúzia de ovos a um aconselhamento médico ou um par de sapatos a um jogo de copos.
Mas cada vez menos se produzem bens e se aumentam os serviços. Há cada vez menos pessoas a criar vacas ou fazer sapatos ou cultivar trigo. Em compensação, há cada vez mais gente a prescrever medicamentos, a fazer aconselhamento jurídico ou a gerir firmas. A quantidade de serviços prestados aumenta na mesma proporção em que diminuem as produções de bens.
Por outro lado, e para aumentar este desequilíbrio, a população está a envelhecer, o que aumenta o número de consumidores em relação aos produtores.
Consequentemente, sendo o dinheiro uma representação dos bens produzidos e possuídos, este vale cada vez menos, visto que há mais gente a usar que a fazer. E o valor dos bens aumenta em relação ao do dinheiro.

O estado, enquanto maior e principal empresário, regulador da actividade colectiva e grande exemplo para os indivíduos, é, proporcionalmente, o maior prestador de serviços e menor produtor de bens. De riqueza.
Na sua actual filosofia de uma sociedade aberta à iniciativa privada vai, regular e continuadamente, alienando os seus próprios meios de produção de bens, afastando assim a possibilidade de ele mesmo criar riqueza ou, pelo menos, ser auto-suficiente nas suas despesas obrigatórias.
Está dependente da riqueza dos cidadãos, que estão cada vez mais pobres!
O aumento da eficácia na cobrança de impostos e contribuições dos cidadãos é uma medida recomendável mas ineficaz a longo prazo (para não dizer a curto prazo!). É a manutenção de um sistema autofágico que, gradual e inevitavelmente, se deteriorará até à falência total.

A solução passa, parece-me, por o estado, enquanto maior empresário e representante da sociedade, passar a produzir bens, introduzindo-os no mercado e, com isto, não apenas aumentar a riqueza existente em circulação, como dela retirar as mais valias para a sua própria manutenção.
Os grandes empresários, nesta sociedade virada para a iniciativa privada e o lucro, diversificam os seus investimentos, da produção aos serviços. E o resultado é que se vê: sucesso! Porque não fazer o mesmo por parte do colectivo, aprendendo com quem obtém bons resultados?
E com isso manter o principal objectivo do estado enquanto organização que é, em última análise, manter em boas condições e melhorar a vida dos seus “sócios”!

Se, para tal, tiver que ser mudada a lei, tanto a avulsa como a fundamental, faça-se!
Urgentemente!


E contratem-se (ou elejam-se) bons gestores desta mega empresa!

By me

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Porquê fotografar



Nem sempre o tempo ou a inspiração do momento é suficiente para explanarmos tudo o que queremos ou como queremos.
Mas porque mo perguntaram, aqui fica o resumo de um sumário minimalista de tópicos das razões de fotografarmos.
Entenda-se que cada um dos temas abordados daria para muitos livros de grossa lombada: alguns que já li, outros que ainda não li e outros que eu mesmo ainda não acabei de escrever.

O fazer de fotografia pode ter vários motivos, uns mais bonitos que outros.
Em primeiro lugar, e para alguns, é um modo de vida, de garantir o pão de cada dia.
Mas pode querer apenas criar algo que não existe: um jogo de luz, cor e formas que, de algum modo, satisfaça a necessidade criativa de quem fotografa.
Pode ser apenas uma moda. Há uns anos, quando comecei, a fotografia era particularmente cara, o suficiente para ser chamada de “hobby”: algo que se faz por gosto mas que esgota os recursos materiais e intelectuais. Agora, qualquer um a pode fazer, que o equipamento de captura e processamento está ao alcance de qualquer um (ou quase). “E se um fotógrafo de renome pode fazer, porque não eu, que basta apontar e disparar?”, será o que muitos pensam ou sentem.
Pode ainda ser uma necessidade de comunicar, que outras formas não satisfaçam. Mostrar o que de belo ou de horrendo vemos é comunicar sentimentos.
Pode ainda ser um acto de exibicionismo, que ao mostrar o que fizemos podemos estar a dizer “vejam como penso e sinto isto!” E, com isto, afirmar a nossa forma de pensar.
Por outro lado ainda, a febre das tecnologias de comunicação fazem com que a imagem faça parte do nosso quotidiano. E comunicar sem se usar imagens é ser-se “out” nas modas modernas. Boas ou más, há que fazer fotografia, de preferência com câmaras ou caras ou vistosas. Será, no entanto, fácil de ver que os bons fotógrafos raramente se exibem falando do que têm mas tão só do que fazem.
Há também um outro motivo possível: cobiça! Não podemos possuir tudo o que gostamos: o pôr-do-sol, o carro, a pessoa. Vai daí, fotografa-se e fica-se com o seu ícone. Não será bem o mesmo, mas é o mais próximo possível.
Ainda se pode acrescentar outra razão: a vida actual é vivida em frenesim, rapidamente e esquecendo com facilidade os momentos que vamos vivendo. A fotografia permite, mesmo que inconscientemente, abrandar o tempo e “guardar para mais tarde recordar”. Claro que, com os Gb dos cartões, câmaras e sistemas de arquivo, não se recorda coisa nenhuma, que tantas se fazem que cada uma deixa de ter importância.
Por fim (ou talvez não) faz-se fotografia porque sim. Pelo mesmo motivo pelo qual se trauteia uma musiquinha, ou se fica parado a olhar uma borboleta no verão, ou porque se dá um beijo: porque nos apetece, nos dá prazer, nos satisfaz naquele pedaço de nós que não tem razão ou, como diria o poeta, “tem razões que a razão desconhece.”
Criar, para alguns, é uma necessidade afectiva; para outros, uma necessidade cultural; para outros ainda, uma necessidade social; e para outros, uma necessidade intelectual. O que diferencia uns de outros é que alguns fazem-no para serem mais que outros. Outros para serem mais que si mesmos.
Em qualquer dos casos, o mais importante será, creio eu, que encontremos satisfação no que fazemos. Porque o fazemos e não porque outros o fazem.

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Umas horas valentes depois de ter escrito o acima exposto, recordei-me de um aspecto, tão ou mais importante que todos os demais por junto: o vício.
Como qualquer outra coisa na vida que se faça amiúde, a dado passo passamos a fazê-la sem que disso os apercebamos. Excepto quando o não fazemos e sentimos que algo nos falta. Entramos, nessa altura, num estado de carência, como se de droga se tratasse.
A partir de certa altura, o fazer fotografia torna-se parte integrante da vida, como pele ou ar e fazê-lo é tão natural como usá-los. Mas é também nessa altura que não o fazer é como ter comichão e não coçar ou querer respirar de boca e nariz fechados.
Digo isto com o saber da experiência feita, mas também com o conhecimento de saber que outros sentem e agem como eu.
A partir de certa altura na vida, fazer um registo de imagem, por mais absurdo que possa ser, é como um corrimão a que nos apoiamos quando estamos em desequilíbrio: vital.
Como que a consubstanciar esta teoria, recordo um velho fotógrafo de imprensa, que conheci no jardim da Estrela. Passeava ele quase todos os dias o seu cão, sempre com uma velha Nikon F, a 50mm e um párasol metálico pendurados no ombro. Ombro esse cuja posição francamente subida bem denunciava o quanto estava habituado a usar aquilo ali pendurado.
Pois este velho fotógrafo, com quem conversei umas duas ou três vezes apenas, já não conseguiria fotografar grande coisa, que bem lhe vi os sintomas da doença de Parkinson. Mas não creio que alguma vez lhe passasse pela cabeça sequer o vir para a rua sem a sua velha companheira. Mais fiel que o canito, p’la certa.

Ser fotógrafo, ou fazer da fotografia a base da existência, é também isto.

By me

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

As mamas e a fotografia

Imaginemos que estou numa esplanada. Numa praça ou à beira-mar.
Duas mesas ao lado está uma mulher com uma T-shirt justa e bonita.
Imaginemos que me levanto, com a minha câmara na mão, que me dirijo a ela e, com toda a frontalidade, lhe digo:
“Posso fotografar-lhe as mamas? São bonitas e apelativas e gostaria de as mostrar ao mundo.”
O mais provável seria eu ouvir uma recusa, quiçá pouco simpática. Talvez mesmo com um copo ou chávena voando na minha direcção.
E quem estivesse nas mesas circundantes haveria de me apupar, com apodos pouco reprodutíveis junto da minha avozinha.
Mas se conseguisse eu fazer essa fotografia sem dizer coisa alguma a essa mulher e teria mais tarde um coro de aplausos pela beleza da imagem e seu conteúdo.
Agora imagine que essa mulher é você mesma. Ou a sua esposa. Ou filha, ou irmã.


Termino aqui, com este exercício de imaginação, o expor as minhas opiniões sobre o caso da supertaça.

By me

Superlux



Mão amiga fez chegar à minha este aparelho.
Trata-se de um fotómetro que, em boa verdade, é um exposímetro, já que não indica candelas por pé quadrado mas tão só permite calcular a exposição em função da luz existente.
A sua marca é “Superlux”, tendo atrás a referencia adicional “Edla”.
Nunca tinha eu visto ou lido sobre este aparelho, que se encontra num estado quase perfeito. Uma análise mais atenta informa-nos que foi objecto uma tentativa de abertura, já que lhe falta um parafuso minúsculo. Talvez que procurando colocá-lo em funcionamento, o que seria impossível. O seu sistema de reacção à luz é antigo e a célula tem uma capacidade limite, naturalmente já extinta.
E este “naturalmente” advém deter sido fabricado nos anos trinta do séc. XX. Por aquilo que consegui apurar, foi fabricado na Hungria, tendo a Kodak usado a patente e o mesmo modelo sob o nome de “Kodalux”.
Acrescente-se que este aparelho possui uma característica invulgar para a época: permite medir a luz reflectida (ou calcular a exposição) num ângulo muito restrito (oito graus, pelas minhas contas) usando um sistema muito simples de favo-de-abelha no seu interior. Com o adicional de possuir um sistema de mira, permitindo-nos saber que zona em frente de nós estaria a ser medida. Engenhoso e funcional.
Claro está que ter nasmãos este aparelho arcaico e bonito (muito bonito) me levou a partilhar a sua existência com diversas pessoas, em particular com quem está ligado ao uso da luz no seu ofício.
Que desencanto!
A maioria dessas pessoas pouca importância lhe atribuiu. Nem à sua beleza, nem à sua antiguidade e menos ainda à forma original de funcionamento. Para essas pessoas, o mais importante no que toca a equipamentos é a modernidade, a novidade, o último grito. O que passado, mesmo que já tenha sido o último grito, é passado e pouco importa. Mesmo que de ontem.
Quem deu mais valor ao aparelho, enquanto ferramenta e enquanto objecto, foram pessoas que pouco se relacionam com o ver, analisar e captar luz. Entenderam estas pessoas o “valor” histórico, a raridade do seu funcionamento e ficaram solidariamente satisfeitas comigo por ele ter sobrevivido à voragem do tempo.

Fica um aviso a todos aqueles para quem o último grito da tecnologia é o mais importante:

Todos esses “últimos” em breve, muito breve, serão passado e arcaicos. E quem não souber dar valor ao que fomos, às raízes do que somos, dificilmente será um bom utilizador da modernidade. Mais não será que um consumidor compulsivo daquilo que os fabricantes colocarem no mercado, correndo ao ritmo das vendas e dos lucros.

E essas mesmas pessoas mais não virão a ser que passado e arcaicas.

By me

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Papa-açorda



Todos os ofícios têm o seu quê de rotineiro. Mesmo os mais criativos, no quotidiano têm rotinas, actos ou métodos que são iguais em cada dia, em cada truque.
Mesmo um actor, dos que trabalham na rua interagindo com o público e dele dependendo para a sua perfomance, tem rotinas, deixas, gestos, reacções que são previsíveis porque iguais e repetidas. Já tive oportunidade de ver alguns a representar e, passado algum tempo e por muito bons e divertidos que sejam, acabamos por saber o que irá fazer com este ou aquele transeunte, o que lhe irá dizer, de que forma o irá mimar ou provocar. E trata-se de uma actividade bem criativa, onde o improviso é, em boa parte, a chave do sucesso.
O invés também é verdade. Por muito rotineira que possa ser uma profissão, há sempre oportunidade de se ser criativo, inovador, marcar pela diferença no que é feito. Quantidade, qualidade, perfeição. Querer e conseguir ir mais longe e melhor, nem que seja pelo simples, se simples é, de fazer de cada dia um diferente, competindo consigo mesmo e conseguir surpreender-se com os resultados.

Um destes dias tive uma dúvida de trabalho. Aquilo que venho fazendo faz algum tempo é ligeiramente diferente do que os meus companheiros fazem. É só um niquinho, mas é diferente.
Nestas circunstâncias sou assaltado por dúvidas: sei justificar o que faço mas, sendo diferente dos demais, estarei a fazê-lo bem feito? Ou estarei a cometer sistematicamente um erro?
Para tirar estas dúvidas (e criar novas, em regra) o melhor mesmo é trocar opiniões com companheiros de ofício. Ventilar ideias, criar conclusões, nem que sejam que estamos todos certos, ou todos errados, e que a diferença não é nem boa nem má.
Pois de um dos que consultei recebi como resposta que preferia a outra solução. E, questionado sobre o porquê da preferência, deixou-me esclarecido a seu respeito:
“Foi assim que me ensinaram!”
Emitir uma opinião com base no “sempre assim se fez” é mau! Denota incapacidade de ponderar, evoluir, mudar, procurar algo de melhor que, quanto mais não seja, possa não ser rotineiro.
Mas dizer “foi assim que me ensinaram” em vez de “foi assim que aprendi” é um transpor de responsabilidades, é um assumir não ter opinião própria, é um aceitar que faz o que faz apenas como imitador dos restantes, pouco lhe importando a validade do que está a ser feito.

Este exemplo, lamentavelmente real, é apenas mais um no meio de tantos outros que podemos encontrar a cada passo: o alijar de responsabilidades, o dar continuidade apenas porque é tradição, o não aceitar nem nada fazer em prol da inovação, da evolução. E o conformar-se com uma rotina cinzenta e entediante. Ser-se estático na vida!
Um pouco como uma refeição tomada num restaurante franshisado: tanto o conteúdo da ementa como paladar do que engolimos, não nos surpreende, nem pela negativa nem pela positiva.

Uma papa-açorda sempre igual, até ao tédio final!

By me

terça-feira, 8 de agosto de 2017

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

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“Ver uma bancada de trabalho muito arrumadinha não me dá grande confiança em quem nem trabalha!”, dizem os que têm a sua própria mesa de trabalho desarrumada.

Um livro



Na era da globalização escapam a quem não estiver atento as subtis ou nem tanto as diferenças culturais.
Claro que a língua, a indumentária, a gastronomia, a religião, as convenções sociais, nos saltam à vista.
Mas aquilo que se entende por “universal” – a fotografia – não é realmente universal.
A abordagem fotográfica ao que nos cerca não é igual pelo planeta. E isto mesmo excluindo aquilo que se fotografa: edifícios, gentes, comportamentos…
O clima, os hábitos, a vegetação, a exuberância ou a falta dela nas cores da paisagem, a forma como os sentimento são expressos… tudo isto acaba por moldar a forma de ver fotográfica.
Por muito científica que seja a perspectiva óptica, por muito idênticos que sejam os rendimentos cromáticos dos suportes, a escolha do local e do momento, do assunto, da relação do fotógrafo com o que fotografa não é universal. Mesmo que semelhante.
Isto é divertido de constatar e não perco uma oportunidade de me deliciar quando me apercebo de tal.
Aos poucos tenho tido oportunidade de ir conhecendo o que se faz ou fez por esse mundo fora. Quer através de exposições, quer através de livros. Claro que a net também o permitiria, mas não o sinto ou não gosto de igual forma quando vistas num ecrã.
É evidente que esta “visão” desta visão fotográfica depende dos editores e curadores de livros e exposições. Das suas selecções e das suas próprias visões da fotografia. Mas, mesmo levando isso em linha de conta, é um “estudo” divertido e que nos abre a mente para outras formas de fotografar. Para a nossa própria forma de fotografar.
Agora chegou-me às mãos um pequeno livro, da colecção “photo poche”, com um belo conjunto de fotografias de Martín Chambi. Imagens feitas no seu país natal, o Peru, nos anos 20 a 40 do séc. XX.
A quem se interessar sobre fotografia e na forma como os fotógrafos nos mostram o mundo, afeitos que estão às suas culturas e origens, recomendo. Este e tantos outros equivalentes.
Como cultura fotográfica e como ferramenta para o que fazemos.


By me

domingo, 6 de agosto de 2017

ÚLTIMA HORA

Não há últimas hora nos nossos jornais.
É Domingo, é Agosto, é a Silly Season, com jornalistas e políticos de férias.

Claro que os caixotes do lixo continuam a ser revolvidos diariamente pelos mesmo andrajosos, mas isso não importa.
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Arrumações



Odeio arrumações!
Não apenas pelo trabalho que dão. O braçal e as decisões que se tomam.
O problema mesmo é que depois das arrumações há coisas a que perdemos o rasto, que colocamos noutro local fruto de outro critério.
Levei quase duas horas a dar com isto. Um caderno de receitas de cocktails, apontamentos que fui fazendo ao longo dos tempos e que, por pouco uso nestes últimos, não sabia onde estava.
Acabei por dar com ele, e o mais que com ele se relaciona, no local onde sempre esteve, com o critério de arrumação inalterado, mas escondido por pilhas de livros à sua frente.
Não vou voltar às “artes”. Mas queria refrescar a memória. Do conteúdo e da localização.

Odeio arrumações!

By me

Imagem



"Se atendermos a que a imagem não é “o duplo de uma coisa, mas sim um jogo complexo de relações entre o visível e o invisível, entre o visível e a palavra, entre o dito e o não dito", entendemos melhor como as imagens têm que ser repensadas na sua relação moralizante com o mundo."

In “Mandei-o matar porque não havia razão”, by Emília Tavares

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sábado, 5 de agosto de 2017

Obscenidades

Continua a ser emitido por uma estação de televisão um programa sobre fotografia.
Agrada-me que isso aconteça, muito naturalmente.
Já não me agrada mesmo nada que o seu autor-apresentador-realizador entenda que, ao mostrar fotografias de outros fotógrafos, as pode re-enquadrar para caberem em ecrã inteiro no formato 16/9, cortando com isso um pedaço da imagem original.
Alguém deveria dizer a este senhor que está autorizado a fazer o que entender no seu próprio trabalho, mas não dos outros, devendo respeitar a criatividade ou arte de quem a pratica.
Em alternativa, alguém deveria explicar aos responsáveis dessa estação de televisão que estão a ser cúmplices ao permitirem o abastardamento do trabalho intelectual e criativo desses fotógrafos.


Indo mais longe, este desvirtuar da arte de terceiros redunda em lucro material para quem o faz ou difunde, o que torna o acto ainda mais obsceno.

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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

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“Coiote raivoso com o carácter de uma tarântula hepática”.
É o que uma personagem do Luky Luke diz sobre um bandido.

E é o que penso de alguns que conheço.
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A moral pública



Está meio mundo escandalizado com o que vai acontecendo na Venezuela.
Mas não vejo nem um décimo desse mesmo meio mundo a comentar sobre países onde as mulheres não podem conduzir automóveis.
Ou sobre países onde a homossexualidade é punida com pena de morte.
Ou sobre países onde não venerar o deus oficial é crime capital.
Ou sobre países onde o dinheiro compra o poder e a justiça.
Ou sobre países onde diariamente há gente a morrer de desnutrição.

Já agora:
Sabiam que por cá também se pratica a excisão genital feminina? É proibida, claro, mas pratica-se.
Já agora também:
Tentem lá encontrar pessoas que não caucasianas a trabalhar nos centros comerciais atrás dos balcões.


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Rabiscos



O título do jornal “Diário de Notícias” diz-nos que “Inspectores do SEF avançam para greve geral”.
Será que quem escreveu a notícia saberá que uma greve geral abrange todos os cidadãos, todos os sindicatos, todas as actividades, a nível nacional? Saberá que uma greve geral não é sectorial nem restrita ao ou aos sindicatos de um sector específico?
Será que quem escreveu esta notícia saberá alguma coisa de sindicalismo, direitos e deveres de organizações sindicais e entidades patronais?
Ou será que sabe e a escolha do seu rabisco não foi nem inocente nem acidental?

Quando jornalistas e jornais ditos “independentes” tomam posições politico-partidárias sub-reptícias “salta-me a tampa”.

By me

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Jornaleiros



A fechar um noticiário televisivo, informam-nos que existiu um concurso de fotografia mundial, com mais de 590.000 imagens candidatas, produzidas por mais de 88.000 fotógrafos de 150 países.
Dizem-nos ainda que a vencedora será anunciada em Setembro, em Berlim.
Curiosamente, não nos contam qual o nome do concurso ou quem o promoveu, o que significa que tanto pode ser algo de enorme qualidade como um mero concurso publicitário de um qualquer produto lácteo.
Mas o que me fez “saltar a tampa” foi que decidiram mostrar-nos “algumas das melhores” de entre as cem apuradas para a fase final.
E fiquei a saber que quem fez o vídeo com elas, sonoramente ilustrado, se entendeu mais artista que os artistas a concurso, fazendo reenquadramentos às fotografias originais, definindo com isso novos centros de interesse, insuspeitas linhas de fuga, equilíbrios não imaginados pelos autores. Tudo isto bem patente nos movimentos de “zoom out” com que as imagens nos foram apresentadas.

A classe de jornaleiros de serviço entende-se acima de qualquer crítica e dona da verdade. E já não lhe basta relatar com adjectivos e juízos de valor os acontecimentos políticos e sociais: Agora também se imiscui nos valores estéticos, subvertendo-os e adaptando-os aos seus interesses e gostos pessoais.
Imagine-se que “dançavam” dentro de um Adams, ou de um Weegee, ou de um Weston ou de um Hockney, ou de um Kappa, ou de um…


Na imagem: “Joiners”, por David Hockney