domingo, 25 de novembro de 2012

Regras e afectos




Fico assustado quando vejo “profissionais” da imagem, estática ou animada, a levarem ao extremo a aplicação da “regra dos terços”.
Se as regras fossem para serem aplicadas assim, com rigor, no fazer de imagem, todos aqueles que fazem disso ofício estariam sem trabalho e, pior que isso, sem emprego. Que bastaria um qualquer algoritmo e alguma tecnologia para os substituir.
O equilíbrio entre os centros de interesse, as manchas de luz, sombra e cor, as linhas por elas criadas, as perspectivas, os sentidos de leitura, a profundidade do espaço, a harmonia de tudo isso com a nossa própria cultura e forma de interpretar aquilo que vemos e fazemos…
Se tudo isto fosse passível de ser objecto de regras e matemáticas, julgadas por juízes imparciais e infalíveis…
A arte não existiria, a vida seria uma sucessão de linhas e planos de projecção e os afectos, esses, seriam aplicados de acordo com os tomos escritos p’los lentes e sabedores.

Por mim, quero quebrar as regras, mesmo aquelas que eu mesmo concebo. E fico enfadado, de um tédio mortal, quando vejo profissionais aterem-se a regras como lapas na rocha.
Pobres diabos, incapazes de amar para além da família!

By me

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