segunda-feira, 15 de julho de 2013

Recomenda-se a introspecção



“…
Nessas circunstâncias de absoluta saturação icónica, porque continuamos fotografando? Quais são hoje os usos predominantes da fotografia? Para responder, vamos a dados sociológicos disponíveis. Tanto pesquisas de mercado efectuadas por empresas do sector quanto estudos académicos demonstram que antigamente o grosso da produção de fotos instantâneas compendiava cenas familiares ou de viagens: era uma forma de proteger vivências felizes, oásis no deserto de uma existência tediosa. Hoje os que mais fazem fotos já não são os adultos, mas os jovens e os adolescentes. E as fotos que eles fazem não são concebidas como “documentos”, mas como “diversão”, como explosões vitais de autoafirmação: já não celebra a família nem as férias, mas as salas de festas e os espaços de entretenimento. Constituem a melhor plasmação das imagens-kleenex: usar e descartar. Produzimos tanto quanto consumimos; somos tanto homophotographicus quanto simples viciados em fotos, quanto mais fotos melhor, nada pode saciar a nossa sede de imagens, o soma da pós-modernidade.
…”


Texto de Juan Fontcuberta
In: “A câmara de Pandora”

Imagem: by me, made with a cellphone

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