quinta-feira, 24 de julho de 2014

O banco



Nos céus do meu bairro vejo dois aviões da força aérea evoluindo em manobras conjuntas.
O ruído dos seus potentes motores ecoa nas paredes circundantes e no telhado da estação. Os mais que aqui estão sorriem, talvez que satisfeitos por saber que os nossos pilotos militares estão treinados para as missões que lhes sejam atribuídas.
Excepto aquele homem, tão bem ou tão mal vestido quanto eu, que também levantara o olhar, deixando de contar as poucas moedas que extraíra do bolso. O seu olhar nada tinha de sorridente. Nem o meu.
Que tentei fazer contas mas não soube como a quantos homens e mulheres não estariam tão tristes se aqueles motores não estivessem a trabalhar e o seu custo fosse distribuído pelas suas mesas.

Não tive coragem de fotografar os aviões. Muito menos o homem, no seu recolhimento. Também ignoro quanto teria na mão, que eram poucas as moedas.

Fiquei-me pelo banco perto do dele, por mero acaso verde, que sei que não atraiçoará ninguém nem provocará pânico entre os que vivem da desgraça alheia.

By me 

Sem comentários: