domingo, 13 de julho de 2014

A objectiva



Um cão reconhece sempre outro cão. E eu ando sempre ao cheiro!
Ganhamos hábitos (ou vícios) que se tornam difíceis de perder. E eu, em andando na rua de olhar alerta, há coisa que não deixo escapar: uma Pentax nas mãos de alguém.
Já vão sendo tão raras de encontrar, por via dos marktings de outras marcas, que cada vez que vejo uma trato de fazer o registo da feliz ocasião.
No meio daquela maralha que se juntava para um “evento” musical e fora dos festivais da moda, o que me saltou à vista foi a objectiva.
Vi-a de lado, ainda antes de ver a câmara e a marca e apercebi-me logo que se tratava de uma “fixa” ou “primária”. Nos tempos que correm ainda é mais raro, mais a mais com este tamanho. O que está na moda são as pequeninas, focais curtas. Não as “meia-tele”.
E se fiquei de olho arregalado, suspeitando do que via, aquela bolinha branca tirou-me todas as teimas ainda antes de ver mais do conjunto.
Tinha que fazer o registo e meti conversa.
Fiz!
Calhou, durante o concerto, ficarmos perto um do outro. Ou talvez não tenha calhado, que a posição era sonoramente a melhor e fotograficamente também: de frente para o palco, logo atrás das cadeiras, ocupadérrimas que estavam.
E apercebi-me de uma coisa, interessante de denunciadora: Tal como eu, também ele estava bem mais preocupado em ouvir a música que ali se produzia que em fazer fotografia. Apenas nas pausas, e nem todas, aquela câmara subia à cara e se ouvia o clic do disparo. Bem ao contrario de muitas outras, caras e volumosas ou nem tanto, incorporadas em telemóveis ou quejandos, em que os seus utilizadores passaram quase mais de metade do tempo a fazer registos. Suponho que não tenham ouvido a música.

Parecerá talvez estranho o que vou dizer: mas certo é que quem usa uma Pentax tem um comportamento diferente da maioria de quem usa as marcas da moda.

Mas sou particularmente suspeito nesta afirmação.

By me

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