sexta-feira, 9 de abril de 2010

O António do 44-42-PG


O episódio aconteceu rapidamente e com a naturalidade de uma consciência tranquila.
Atravessou o corredor de “BUS” na diagonal, em plena praça do Rossio, obrigando um autocarro a travar.
Subiu o passeio bem no meio dos semáforos de peões, levando a que quem ali estava à espera de poder avançar, se desviasse.
Percorreu o largo passeio, pejado de transeuntes, mesmo ao lado da Pastelaria Suissa entrou na Rua do Amparo. Os que ali estavam, vendedores de cautelas, plastificadores de documentos, passantes habituais e ocasionais, bem tiveram que se desviar. Aqueles que estavam de costas para o automóvel deram o respectivo salto para o lado quando avisados por aqueles que vinham de frente. O que não espanta, já que toda esta rua, quase tão comprida como larga, é reservada ao trânsito pedonal.
Entrou na Praça da Figueira, sempre em cima do passeio e afastando quem ali caminhava.
Cruzou o lajedo, mesmo ao lado da boca do metro, e foi imobilizar-se onde se vê na imagem.

Sendo que fui um dos que foi obrigado a desviar-se, apesar do reservado do local, fiquei pocesso!
Dirigi-me à viatura, aguardei que o seu condutor saísse e perguntei-lhe pelo primeiro nome. Ainda que surpreso, lá mo disse: “António”.
E continuei agradecendo, dizendo-lhe que gosto de saber o nome de quem me incomoda seriamente, como fora o caso.
Mas, e para não ficar por ali, e aproveitando ele estar de boca aberta, sempre lhe perguntei se não tinha vergonha do que tinha feito aos peões que ali estavam, se não teria já idade para ter juízo (ultrapassava largamente os sessenta anos), e se pensava que a cidade era só dele.
Respondeu-me que sim senhor, que tinha vergonha, que estava arrependido e se eu já teria acabado que ele estava com pressa.
Consegui manter a compostura e não deixar sair os impropérios que teimavam em bailar-me na ponta da língua. Afastei-me e tentei perceber o que se passava. Que, afinal, era simples: Entrou ele na Suissa, encostou no balcão e tomou um café. Minutos depois saiu, pediu a um carro que ali estava para se afastar e seguiu à sua vida.
Posso garantir que tanto o carro quanto o seu condutor, o António, se afastaram sem que eu lhes tocasse!


Texto e imagem: by me

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