quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Lojas e caixeiros



Procurava eu algo de muito concreto e especializado. E fui a uma loja do centro da cidade, conhecida por ter uma secção dedicada a este tipo de artigos.
Ao entrar, e olhando em redor, vi o que procurava, mas de um tamanho que, de forma alguma, me convinha.
Dirigi-me ao balcão e disse ao caixeiro que aí estava:
“Bom dia. Procuro uma coisa daquelas, mas de tamanho bem menor, que aquilo é um “monstro” para o quero fazer.”
“Não temos.” disse-me ele, olhando para o expositor em causa.
“Ah! E sabe quem possa ter?”
“Não sei.”
“Ah! E sabe se a loja “Tal”, no Chiado, terá disso?”
“Não, não sei.”
“Certo. Então, bom dia.” e saí. Saí e bem chateado com a falta de assistência que aquele homem, numa loja especializada, me tinha dado. Ter entrado nela, casa específica e de renome, com porta para a rua e tudo, ou ter entrado numa indiferenciada de um qualquer centro comercial foi a mesma coisa em termos de tratamento.
Fui à tal outra loja “Tal”. Aí, a menina disse-me que não tinham, que já era peça difícil de encontrar porque a procura diminuta, e que a loja “Coiso” talvez tivesse. Acabei por trazer dali mesmo métodos alternativos que, não sendo exactamente o que procurava e implicando um pouco mais de trabalho da minha parte, haveriam de fazer o que eu queria. Que ainda sei da poda o suficiente para tal.
Horas depois, e por mero acaso, passo, no Rato, por outra loja do mesmo grupo da primeira. “Mal não tem que pergunte!”, disse com os meus botões. E entrei.
Não tinham. Mas a senhora não me deixou sem resposta e pediu-me para aguardar um nico, indo consultar o computador.
Levantou os olhos, sorridente, e disse-me:
“Na nossa loja junto ao Técnico há um. Quer que mande vir?”
“Deixe estar. É mais fácil se eu passar por lá, que não é longe.”
“Então deixe-me só confirmar.”
E ligou para a loja, confirmou, reservou, perguntou-me em nome ficaria e desligou, sempre sorridente.
Agradeci-lhe, contei-lhe o episódio da loja da Baixa que lhe apagou o sorriso, fiz um elogio ao seu desempenho, demos mais dois dedos de conversa e umas larachas que lho acenderam de novo e saí.
Fui onde combinado, encontrei, e a bom preço, o que procurava, ainda tive oportunidade de saber que fazem ali um outro artigo incomum mas que gosto e consumo (a Âmbar, a fábrica que os fazia, fechou), e continuei o meu passeio, já em fim de tarde.
Tenho para mim que um caixeiro, empregado de balcão, vendedor, o que lhe queiram chamar, tem que deixar o cliente satisfeito. Mesmo que não tenha para venda o que o cliente procura, deve encontrar modo de o deixar satisfeito. Se não com o artigo, pelo menos com alternativas possíveis e um sorriso. Ou, no mínimo dos mínimos, com algo mais que o laconismo que recebi na primeira loja.
Falta referir que a cadeia de lojas dá pelo nome de “Papelaria Fernandes”, uma das referências da cidade, que esteve em graves dificuldades económicas, a ponto de ter que fechar algumas das lojas que possuía e que, por aquilo que vou sabendo, está a conseguir reorganizar-se pela positiva. Hajam bons exemplos de sucesso.
Mas, claro, sendo que continuarei cliente desta loja à da baixa não voltarei.


By me

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