sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Dúvidas e saberes




Adoro ler notícias, não importa onde, que me suscitem dúvidas.
Ou dúvidas que entrem em confronto com o que julgo saber ou dúvidas porque confrontado com assuntos sobre os quais nada sei.
No caso específico, as dúvidas surgiram com uma notícia que falava sobre a orientação de sepulturas antigas e como elas ajudaram a definir qual a religião e datas dos envolvidos.
E fiquei a saber que as sepulturas medievais cristãs tinham em comum o estarem com os pés virados para sudeste, com o objectivo de o corpo, num momento de ressurreição, ficar de frente para Jerusalém, a terra sagrada dos cristãos. Sabia eu que havia uma tradição equivalente mas nas sepulturas dentro das igrejas, em que os corpos ficavam orientados para que, em regressando à vida, ficassem de frente para o altar. Não o sabia em relação à Terra Santa.
E fiquei a saber que as sepulturas islâmicas se orientavam de modo rigorosamente oposto – com a cabeça virada para sudeste – com o fito de, em regressando do mundo dos mortos, a primeira coisa que vissem fosse Meca, a cidade santa para os islâmicos.
Isto no que toca a sepulturas na Península Ibérica, que noutros locais seriam outras orientações mas com os mesmos motivos.
Como complemento, fiquei a saber que a existência de pequenas capelas nos cemitérios cristãos é coisa relativamente recente. Ter-se-á prendido com a interdição das igrejas como local de sepulcro, em Portugal e em meados do séc. XIX, e por motivos de higiene. Mas haveria a necessidade, em função da crença religiosa, de os corpos estarem perto dos santos ou de um altar aquando da ressurreição. Daí o construírem-se capelas, com ou sem santos, dentro dos cemitérios.

É isto importante para a minha felicidade? Factualmente não!
Mas o ter esclarecido um campo do saber, mesmo que muito pela rama, e que ignorava quase por completo, não apenas satisfez a minha curiosidade perante o desconhecido como me ajuda a entender melhor a sociedade em que vivo. E perceber certas necessidades que muitos têm, mesmo que não saibam o porquê de as ter.
Para quem gosta de retratar o mundo em que vive, entendê-lo é vital.

By me

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