segunda-feira, 20 de agosto de 2018

A menina da fotografia




As coisas são o que são na net. E uma meia mentira, repetida até à exaustão, transforma-se numa verdade incontestada.
A menos que alguém que tem boa memória visual se sinta incomodado e gaste algum tempo a pesquisar.

Esta fotografia está repetida vezes quase sem conta com a seguinte legenda (mais ou menos): “Esta pequena palestiniana fugia de um bombardeamento. Quando o fotógrafo da Reuters a quis fotografar, ela tentou esboçar um sorriso.”
Não ponho em causa a fotografia nem o dramatismo nela expresso, mas algo na cronologia e/ou geografia me levou a ter dúvidas sobre a verdade da legenda nesta fotografia.
De facto, apesar de a maioria dos sites (muitas dezenas) referirem a legenda em causa e a data (2018) fui encontrar esta mesma fotografia em sites Turcos, datada de Março de 2017 e referenciada como tendo sido feita no Iraque.
Da Palestina ao Iraque vai muito terreno. Bélico, já agora. E publicar em 2017 uma fotografia de 2018… Talvez o professor Pardal.

São muitos os casos de fotografias que, podendo ser enquadradas numa determinada história, têm uma outra verdade factual sobre o momento, o local e as circunstâncias em foram feitas.
A manipulação da informação é fácil: basta apelar à lágrima sobre o sofrimento alheio, no caso real, e contar sobre ela a estória que se quiser.
Poderia eu, em o querendo, dizer que se trata de uma menina cigana, fotografada numa das nossas feiras, depois de ter feito uma birra e ter levado umas palmadas da mãe. Seria talvez aceite o embuste e eu ganharia uns likes por aqui.
O meu mal é que não apenas não o digo como tenho boa memória visual. E quando algo não bate certo com o que julgo saber, vou tratar de averiguar. Dá trabalho, é certo, mas gosto de ver a verdade fotográfica reposta.


By me

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