Hoje fui tratado de um modo quase indigno: fizeram-me uma
imagem!
É verdade que foi sugerida e eu aceitei mas, no final, nem
ma mostraram e muito menos se proposeram dar-ma ou enviar-ma. “Tá feito, tá
feito, venha outro!” como se eu estivesse na rua a acender um cigarro e viesse
alguém com uma câmara apontada para mim.
Pior ainda: desnudei-me a pedido para a imagem.
Não que isso me incomode por demais. Nunca fui exibicionista
ou envergonhado. Menos ainda com esta idade. No entanto, caramba: um tipo que
se desnuda assim sem preconceitos perante a máquina merece um pouco de
consideração. No mínimo deixarem-me ver aquilo que eles viram em mim que
justificou o quererem fazer uma imagem. Mas não: nadica de nada.
Quando vim embora, vinha de mãos a abanar. Enfim, não
completamente porque, liberto das restrições óbvias, vinha com um cigarro
aceso, bem seguro por via da ventania.
Mas na minha cabeça ainda ressoavam aquelas palavras de
antanho, que se repetem e que quase todos bem conhecem: “Encha bem. Não
respire. Pode respirar.”
Saudades dos tempos em que ficávamos com o positivo em
papel, à saída do fotógrafo. Ou a chapa em negativo à saída do consultório de
RX.
Olympus C3030Z
By me


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