Tinha comprado a Pentax K100D há umas duas ou três semanas.
A minha primeira Reflex Digital.
Saíra de casa para ir tomar um café e, por qualquer motivo,
tinha-a pendurada no pescoço e não no ombro como é meu hábito.
De súbito oiço um “plink” violento vindo do meu ventre. Como
nada me doía, olhei para a câmara. Estava o filtro neste estado!
Doeu-me a alma! Coisa nova assim estragada! Depois de pensar
um pouco, acabei por perceber o que se passara: uma pedrinha, que seria
pequena, saltara de sob a roda de um carro ao passar e acertara mesmo em cheio
na objectiva.
Por sorte, tinha e tenho o hábito de usar um filtro de
protecção nas objectivas. Se assim não fosse, teria sido a objectiva a sofrer
os danos.
Este é um dos argumentos a favor do uso de filtros de
protecção: protegerem!
Não apenas de situações como esta, muito raras que são, mas
também da água, das poeiras, de pancadas acidentais. E, igualmente importante,
de riscos ínfimos que acontecem na sua superfície quando fazemos limpeza. Não
damos por eles mas existem e, de algum modo, afectam a qualidade da imagem.
Os detractores do uso de filtros UV argumentam e com razão,
que qualquer filtro que se coloque em frente da objectiva, por muito bom que
seja, altera sempre a imagem. Tal como cumpre a sua função de filtrar parte da
luz, no caso os ultra-violetas, alterando a fidelidade da cor resultante.
Assm, há quem argumente com fervor o uso de filtro, tantos
quantos, com o mesmo fervor, argumentam contra.
A minha posição, tão válida quanto a oposta, é simples: a
menos que não confie no estado de conservação do filtro, uso-o quase sempre. A
excepção é em estúdio, onde tudo acontece com mais calma e onde a probabilidade
de acidentes ou sujeira é muito pequena.
Por acréscimo, um alerta que me foi dado por um mecânico
fotográfico há uns tempos:
Dizia-lhe eu que todas as minhas objectivas têm um filtro
colocado, mesmo as que estão guardadas. E ele avisou-me que a caixa de ar
criada entre ele e o elemento frontal da objectiva pode ser propício à criação
de fungos, coisa que evitamos a todo o custo.
Pensei no que ouvira e, em chegando a casa, tomei cautelas:
retirei todos os colocados, mantendo
apenas naquelas que tenho a uso. Em querendo usar, é só colocar o respectivo
filtro.
Fiquei, assim, com quatro tipos de filtros arquivados: os UV
de protecção, os específicos para usar com preto e branco, os de correção ou
compensação de cor, hoje pouco usados porque o digital já permite esses
ajustes, tanto na tomada de vista como na edição, e os quadrados, de acrílico
ou de gelatina, com funções específicas e que raramente uso.
Claro que, para além dos filtro quadrados que são colocados
usando um suporte especial, dos outros tenho vários repetidos devido à
variedade de diâmetros frontais das diversas objectivas. Em alguns casos, aneis
de adaptação permitem usar filtros maiores em objectivas menores, mas isso vai
obrigar a mudar de pára-sol.
Mas uma coisa é certa, e para além das posições radicais que
os defensores de uma ou outra abordagem possam ter:
Seja o que for que coloquemos à frente de uma objectiva vai
alterar o resultado final. As mais das vezes essas alterações são as desejadas.
Por vezes temos surpresas desagradáveis.
A sugestão que posso dar, para satisfazer ambas as partes, é
usar um filtro protector e, dependendo do uso que é dado, substituí-lo de
quando em vez por um novo, mesmo que não se notem riscou ou outros problemas.
A fotografia tem uns vinte e cinco anos, foi feita com a
Pentax K100D e, provavelmente, com a Tamron SP Adaptall2 90mm 1:2,5.
Hoje não a poderia fazer porque, apesar de todo o cuidado
que fui tendo, o vidro acabou por cair do aro.
By me


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