quarta-feira, 11 de março de 2026

Crimes domésticos

A limpeza de minha casa é feita por uma senhora contratada para o efeito.

Damo-nos bem, é eficiente no que faz e a quase única restrição ao seu trabalho é o espaço a que chamo pomposamente de estúdio. É o espaço que, regra geral, é usado como sala de estar e de refeições num apartamento normal mas que, e por ser a de maior área, foi desde logo reservada para o efeito. E a restrição é simples: deste espaço cuido eu!

Não que tenha algum receio por questões de segurança, mas porque os acidentes acontecem a qualquer um e uma vassoirada num tripé de iluminação ou quejando seria um desastre.


Quanto ao resto da casa deixo-a trabalhar à-vontade, deixando eu o escritório livre quando toca a vez dele. Não nos atrapalhamos.

Da última vez que cá esteve eu ía ficando com os cabelos em pé.

Estava ela a cuidar do pó no escritório e eu tive que lá ir em busca já nem sei de quê. E em cima de uma das pilhas de livros que lá tenho por já não caberem nas estantes (por ler, já meio lidos, a reler ou de consulta) havia ela colocado uma embalagem de limpar vidros. Mesmo em cima da capa de um deles.

Não lhe disse nada, apenas ficando uns segundos na porta a ponderar o que fazer. Aproximei-me do lugar do crime, peguei na embalagem e tratei de a colocar diretamente no tampo da mesinha onde se encontravam. E levei comigo o bendito livro, na esperança de poder reparar algum dano que pudesse ter havido. Não havia, por sorte, e a capa com fotografia impressa estava incólume.

Eu sei que a culpa é parcialmente minha, pois nunca lhe disse que em cima de livros apenas se colocam livros. E deixar uma marca de produto químico num livro é uma acto tão criminoso quanto o deixar cair uma câmara. Ou mudar de objectiva no meio de uma tempestade de areia. E a estima que tenho por livros só é suplantada pela estima que tenho ao equipamento fotográfico. É que tanto uns quanto os outros me permitem viajar ou fazer outros viajar por outros mundos ou realidades.

E vou passar a estar de olho sempre que ela for trabalhar para o escritório.

Nota – A imagem aqui exibida não é a do “crime” mas apenas uma reconstituição, com a segurança de ter colocado sob a embalagem algo onde se ficar uma mancha me é indiferente.

 

Pentax K1 mkII, smc Pentax-M macro 100 1:4

 

By me

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