A limpeza de minha casa é feita por uma senhora contratada
para o efeito.
Damo-nos bem, é eficiente no que faz e a quase única
restrição ao seu trabalho é o espaço a que chamo pomposamente de estúdio. É o
espaço que, regra geral, é usado como sala de estar e de refeições num
apartamento normal mas que, e por ser a de maior área, foi desde logo reservada
para o efeito. E a restrição é simples: deste espaço cuido eu!
Não que tenha algum receio por questões de segurança, mas
porque os acidentes acontecem a qualquer um e uma vassoirada num tripé de
iluminação ou quejando seria um desastre.
Quanto ao resto da casa deixo-a trabalhar à-vontade, deixando eu o escritório livre quando toca a vez dele. Não nos atrapalhamos.
Da última vez que cá esteve eu ía ficando com os cabelos em
pé.
Estava ela a cuidar do pó no escritório e eu tive que lá ir em
busca já nem sei de quê. E em cima de uma das pilhas de livros que lá tenho por
já não caberem nas estantes (por ler, já meio lidos, a reler ou de consulta)
havia ela colocado uma embalagem de limpar vidros. Mesmo em cima da capa de um
deles.
Não lhe disse nada, apenas ficando uns segundos na porta a
ponderar o que fazer. Aproximei-me do lugar do crime, peguei na embalagem e
tratei de a colocar diretamente no tampo da mesinha onde se encontravam. E levei
comigo o bendito livro, na esperança de poder reparar algum dano que pudesse
ter havido. Não havia, por sorte, e a capa com fotografia impressa estava
incólume.
Eu sei que a culpa é parcialmente minha, pois nunca lhe
disse que em cima de livros apenas se colocam livros. E deixar uma marca de
produto químico num livro é uma acto tão criminoso quanto o deixar cair uma
câmara. Ou mudar de objectiva no meio de uma tempestade de areia. E a estima
que tenho por livros só é suplantada pela estima que tenho ao equipamento
fotográfico. É que tanto uns quanto os outros me permitem viajar ou fazer outros
viajar por outros mundos ou realidades.
E vou passar a estar de olho sempre que ela for trabalhar
para o escritório.
Nota – A imagem aqui exibida não é a do “crime” mas apenas
uma reconstituição, com a segurança de ter colocado sob a embalagem algo onde
se ficar uma mancha me é indiferente.
Pentax K1
mkII, smc Pentax-M macro 100 1:4


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