Há tarefas com as quais tenho uma relação amor/ódio em que o
ódio prevalece. Um bom exemplo é o emparelhar meias.
Com o passar dos anos acabei por encontrar uma solução que
me evita ter que o fazer: desfiz-me das meias que tinha, novas ou velhas, e
comprei vários pares de meias iguais. Todas iguais no tecido, na cor, no
padrão. Assim, quando as tiro do varal onde secaram depois de lavadas, vão a
monte para a gaveta. E quando vou por meias lavadas basta-me meter a mão e
tirar duas. Sei que serão iguais.
Mas há outras tarefas que não podem assim ser tratadas. Implicam
tempo disponível, disposição para as executar e tranquilidade no fazer. Um bom
exemplo é o limpar o sensor de uma câmara digital.
Sabemos que o sensor é uma parte delicada da câmara e que
qualquer poeira se nota na imagem final. E que qualquer risco no sensor é o seu
fim. Por saber da delicadeza da tarefa, de que não gosto pela dose risco que
implica, faço-a apenas em último recurso e quando me sinto suficientemente
tranquilo para tal. Foi o caso.
Sentado à mesa de trabalho do “estúdio”, o local tão
imaculamente limpo quanto o possível, deito mãos à obra. Cavidade da câmara
limpa antes de expor o sensor, espátula de limpeza retirada do invólucro
estéril e devidamente humedecida, faço a primeira passagem. A meio da segunda
passagem, em sentido inverso, aconteceu o mais improvável: fiquei sem energia
elétrica.
Não que processo implique eletricidade. De preferência até
não, para evitar estáticas. Mas convém que eu veja o que estou a fazer,
principalmente quando estou a intervir no sensor. E ficar às escuras com a
espátula nele encostada será algo de todo não recomendável.
Consegui retirar a espátula da cavidade sem com ela tocar o
que quer que fosse e desliguei a câmara. Às escuras fui em busca de uma luz
alternativa e tratei de aguardar tranquilamente pelo regresso da energia. O que
não demorou mais de meia hora.
Mas, ali mesmo quase às escuras, fiz uma jura solene: de
agora em diante ou faço esta limpeza de dia, perto de uma janela, ou faço-a à
luz de baterias devidamente carregadas. Sempre evito o susto, o risco e o
soltar uns valentes palavrões.
Nota adicional: o sensor ficou incólume.
Pentax K1
mkII, smc Pentax-M macro 100 1:4
By me


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