terça-feira, 31 de março de 2026

Golpes de sorte




Quem se interessa por fotografar não pode deixar de parte o aquilatar da luz. Quer seja com os sistemas inclusos na câmara, quer seja com fotómetros externos.

Eu gosto desses aparelhos, nas suas diversa valências, e uso-os, em casos de dúvidas, para ter algumas certezas no que faço. E gosto de os ir colecionando, numa coleção que é forçosamente diminuta pelos preços e pelo que há no mercado. Principalmente os mais antigos, alguns dos quais, por força do seu sistemas de medição de luz, já não funcionam.

Um destes dias apareceu à venda um aparelho que cobiçava para completar uma série de uma dada marca. E o preço era muito convidativo.

Combinado o encontro, quem o vendia confundiu-se e tinha consigo um completamente diferente. Na marca, na forma de funcionar, na forma de manuseio, no tamanho... meio em jeito de compensação por eu não levar o que queria, ofereceu-me este.

Fiquei a ganhar e nem quem vendia sabe quanto.

Se, por um lado, aquele que quero aparecerá cedo ou tarde, este é peça mais que incomum, ainda que não rara.

Podendo funcionar como todos os outros, na mão, tem um encaixe que permite ser colocado na sapata dita de flash, libertando a mão mas estando sempre disponível.

O sistema nem é novo, bem pelo contrário: se era usado na época em que os fotómetros tinham a célula sensível à luz em selénio e não usavam pilha, alguns hoje, com o revivalismo das câmaras de película, já são digitais com o mesmo sistema de suporte e vendem-se em lojas on-line.

Este pertence a um periodo intermédio (anos 1970), já com célula em silício (necessita de pilha) e com um sistema de medição equivalente ao das câmaras da época com fotómetro incorporado. Não terão existido muitos fabricantes a apostarem neste sistema, que foi rapidamente ultrapassado pelo usado nas câmaras reflex como as conhecemos, antes do advento do digital.

É assim que por vezes, “sem saber ler escrever” se encontram peças que marcaram a história da fotografia, mesmo que brevemente.

E uma das vantagens de as ir colecionando, ou juntando, é o irmos investigando o possível sobre o que adquirimos. E admirarmos a engenhosidade dos fabricantes e o complexo que era fazer as fotografias que hoje admiramos.

Mesmo que seja por uma pecinha do tamanho de meio maço de cigarros. E de borla.

 

Pentax K1 mkII, smc Pentax-M 100 1:4


By me

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