quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Quase que ao calhas





Quando acontece jantar sozinho em casa, coisa que as disparidades dos horários de trabalho não permitem lá muito, gosto de o fazer com a cabeça a trabalhar em qualquer coisa.
Claro que não há um TV ligado, apenas uma música de fundo vinda do lado, umas vezes escolhida, outras ao calhas, numa estação de rádio.
Uma das formas que tenho de o fazer é pegar num livro ao calhas e abri-lo em qualquer parte. E onde os olhos pousarem servirá de mote durante a refeição. Tenho tido algumas cogitações interessantes, assim. Mesmo que com literatura de cordel.
O que agora me calhou em sorte foi o que se copia abaixo, do livro “A prática da arte”, de Antoni Tàpies.
Achei que deveria partilhar. E, não querendo subverter a metodologia da leitura, fotografei quase ao calhas a parede deste meu canto, tendo apenas o cuidado de balancear os brancos.


“E nem falemos de todas as estéticas dos mercenários para acelerarem o consumo de certos produtos – hoje tão nervosos “à procura da respeitabilidade e de um estatuto finalmente artístico”, como diz Christiane Duparc; dos que hoje julgam que tem tanta importância um Gernica como um cartaz a anunciar umas calças ou uma marca de automóvel; dos estetas do “conforto”, material e espiritual, do ópio do falso “moderno” decorativo, da arte do xarope e do não dizer seja o que for que comprometa, que é o que mais adoram os vigilantes oficiais da cretinização sistemática da sociedade.”

By me

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