sexta-feira, 12 de setembro de 2014

.

Advogados e juízes usam aquelas farpelas pretas, que conhecemos ao vivo ou dos filmes. Uma é toga, a outra beca, mas não sei qual é qual.
O simbolismo de tal indumentária é o anular a personalidade individual de quem as enverga, passando estes a assumirem apenas o papel que desempenham no exercício da justiça: julgando ou representando as partes.
Isto, claro, se excluirmos os protagonismos que são assumidos fora do tribunal.
De igual modo os carrascos usavam um capuz. O argumento, neste caso, era de não serem as suas caras as últimas que os executados viam, já que não eram assassinos mas tão só executores de sentenças.
Um destes dias passarei a usar algo de equivalente, mais notório ou não tanto. Um chapéu, uma capa, mesmo um lenço no pescoço.
Argumentarei, com isto, que quem ali está a fazer o trabalho em causa não serei eu enquanto cidadão mas tão só um técnico no exercício de funções e cumprindo ordens. Não sendo responsável pelo produto final, decidido por quem tem poder para tal.
Hipocrisia ou acto teatral, naturalmente. Que continuarei a ter vergonha de  e muito orgulho noutros.
Por muito que me mascare, nunca poderei fugir de mim mesmo!


.

Sem comentários: