quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Velhote (ou a fotografia de uma fotografia)



Pouco me importa que esteja já velhote. Eu também não vou p’ra novo.
E se é certo que já me acompanho, tal como a minha sombra há um ror d’anos, também este poster o faz há quase quarenta.
Entrou-me na vida na adolescência, na idade das utopias, dos sonhos, das revoluções, na idade de saber que o futuro era eu e seria eu que o faria.
E se tudo isso nunca me abandonou, também este cartaz, solidamente colado em madeira e implantado na alma, me tem acompanhado, sempre em local visível e de destaque.
O tempo descoloriu-o um nico e as viagens e arrumações fizeram-lhe algumas mossas nas bermas. Mas também eu ganhei peso e barriga, se me encaneceram as pilosidades e os olhos já não são o que foram.

Os da cara! Que os da alma, esses, estão cada vez mais argutos. Acreditando entre outras, que “O amor é um pássaro verde, num campo azul, no alto da madrugada”.

By me 

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