quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

O fiasco




É verdade que sim: eu gosto de brincar com as palavras.

Por vezes, quando estou de maré, vou buscar termos mais antigos, arcaicos mesmo. Outras, mais frequentemente, uso as parábolas ou analogias para contar o que quero ou sinto. Outras ainda recorro a segundas leituras ou mensagens subliminares para que a mensagem passe sem ser sob a forma de mensagem.

Na fotografia, que é uma forma de escrita, acontece-me o mesmo: a mensagem principal está lá, ainda que meio escondida para não ser muito evidente mas que, de algum modo, fique retida na mente de quem a possa ver.

Por vezes “estico-me”. Está tão dissimulada (ou o mais notório tem tanta força) que se perde no meio de tudo o resto. E só eu, que a concebi, entendo isso.

Foi agora o caso.

Quis mostrar que tinha um brinquedo fotográfico novo aqui em casa. E quis brincar com o conceito de “brinquedo” usando brinquedos reais na imagem, bem à vista, em evidência na composição e na luz. E deixei a mensagem principal em segundo plano, escondida pelos reais brinquedos, e fora de foco. Só alguns poucos, se alguns, se aperceberiam que estava ali uma referência a uma câmara fotográfica.

A imagem está técnicamente correcta, tem um primeiro plano forte, divertido, apelativo... mas falhou liminarmente no seu objectivo: todos repararam nos bonecos e ninguém se apercebeu do que está escrito lá atrás, na caixa.

Por vezes, de tanto querermos fazer, desfazemos no objectivo principal. E eu sei isso, o que me leva a ficar ainda mais frustrado comigo mesmo.

Mas há lições negativas que temos que viver ou reviver para não nos esquecermos delas.

 

Pentax K-S2, SMC Pentax-M macro 100 1:4


By me

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