É verdade que sim: eu gosto de brincar com as palavras.
Por vezes, quando estou de maré, vou buscar termos mais
antigos, arcaicos mesmo. Outras, mais frequentemente, uso as parábolas ou
analogias para contar o que quero ou sinto. Outras ainda recorro a segundas
leituras ou mensagens subliminares para que a mensagem passe sem ser sob a
forma de mensagem.
Na fotografia, que é uma forma de escrita, acontece-me o
mesmo: a mensagem principal está lá, ainda que meio escondida para não ser muito
evidente mas que, de algum modo, fique retida na mente de quem a possa ver.
Por vezes “estico-me”. Está tão dissimulada (ou o mais
notório tem tanta força) que se perde no meio de tudo o resto. E só eu, que a
concebi, entendo isso.
Foi agora o caso.
Quis mostrar que tinha um brinquedo fotográfico novo aqui em
casa. E quis brincar com o conceito de “brinquedo” usando brinquedos reais na
imagem, bem à vista, em evidência na composição e na luz. E deixei a mensagem
principal em segundo plano, escondida pelos reais brinquedos, e fora de foco. Só
alguns poucos, se alguns, se aperceberiam que estava ali uma referência a uma
câmara fotográfica.
A imagem está técnicamente correcta, tem um primeiro plano
forte, divertido, apelativo... mas falhou liminarmente no seu objectivo: todos
repararam nos bonecos e ninguém se apercebeu do que está escrito lá atrás, na
caixa.
Por vezes, de tanto querermos fazer, desfazemos no objectivo
principal. E eu sei isso, o que me leva a ficar ainda mais frustrado comigo
mesmo.
Mas há lições negativas que temos que viver ou reviver para
não nos esquecermos delas.
Pentax
K-S2, SMC Pentax-M macro 100 1:4
By me


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