sábado, 3 de janeiro de 2026

Desafios




Por vezes arranjamos lenha para nos queimarmos. Esta foi uma delas!

A maioria de quem fotografa procura locais que atraiam o olhar: perspectivas, luzes, acções. Eu não sou diferente.

Mas também gosto de, confrontado com um objecto, encontrar a solução que mais me agrade para o registo. Quer no exterior, tentando encontrar no local a luz, o fundo, a perspectiva possível, quer levando o objecto para casa, falar com ele e tentar perceber o que tem para me dizer e, só então, procurar a solução que ele me sugere.

Por isso vagueio por feirinhas de rua, lojas de inutilidades, farejo montras e escaparates, tentando que algo assobie para mim.

Entrei numa loja de ferragens e ferramentas para dar dois dedos de conversa com os donos, conhecidos de longa data.

A um canto isto, que me disse, sem mais delongas, “Vê lá se me entendes e vê lá se consegues.”

Caramba! Um fio de prumo tem muito para contar, seja qual for o tema da conversa. O problema é ele mesmo: latão polido e exclusivamente composto de curvas, excepção ao fio e à ponteira indicadora. Reflexos em cima de reflexos, sem planos paralelos nem linhas interuptoras.

Se joias e cutelaria, bem como relógios, são dos objectos mais “canalhas” de fotografar, devido aos reflexos que, tendo que existir, têm que ser controlados, este em redondo será uma das cerejas em cima de um desses bolos.

Vou ter que ter longas conversas com ele, com e sem luz, até encontrar mais soluções ou respostas. Esta foi a primeira tentativa.

Que me vai dar àgua pela barba, lá isso vai! Mas eu gosto de desafios.

 

Pentax K1 mkII, SMC Pentax-M macro 100 1:4


By me

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