Por vezes arranjamos lenha para nos queimarmos. Esta foi uma
delas!
A maioria de quem fotografa procura locais que atraiam o
olhar: perspectivas, luzes, acções. Eu não sou diferente.
Mas também gosto de, confrontado com um objecto, encontrar a
solução que mais me agrade para o registo. Quer no exterior, tentando encontrar
no local a luz, o fundo, a perspectiva possível, quer levando o objecto para
casa, falar com ele e tentar perceber o que tem para me dizer e, só então,
procurar a solução que ele me sugere.
Por isso vagueio por feirinhas de rua, lojas de
inutilidades, farejo montras e escaparates, tentando que algo assobie para mim.
Entrei numa loja de ferragens e ferramentas para dar dois
dedos de conversa com os donos, conhecidos de longa data.
A um canto isto, que me disse, sem mais delongas, “Vê lá se
me entendes e vê lá se consegues.”
Caramba! Um fio de prumo tem muito para contar, seja qual
for o tema da conversa. O problema é ele mesmo: latão polido e exclusivamente
composto de curvas, excepção ao fio e à ponteira indicadora. Reflexos em cima
de reflexos, sem planos paralelos nem linhas interuptoras.
Se joias e cutelaria, bem como relógios, são dos objectos
mais “canalhas” de fotografar, devido aos reflexos que, tendo que existir, têm
que ser controlados, este em redondo será uma das cerejas em cima de um desses
bolos.
Vou ter que ter longas conversas com ele, com e sem luz, até
encontrar mais soluções ou respostas. Esta foi a primeira tentativa.
Que me vai dar àgua pela barba, lá isso vai! Mas eu gosto de
desafios.
Pentax K1
mkII, SMC Pentax-M macro 100 1:4
By me


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