Chateia-me
solenemente que o calendário me imponha estados de espírito.
Que me diga que
nestes dias tens que estar alegre e feliz; ou que me diga que naquela época
tens que alinhar na folia e quase disparate, agindo no faz-de-conta; ou que me diga que naqueles dias tens que
estar calmo, quase triste e comedido.
Chateia-me que
me imponham estados de alma.
Também me
chateia que me digam que, por estes dias, tens que dar tratos de polé à imaginação
para decidires como vais gastar o pouco dinheiro que tens em prendas a
terceiros, próximos ou não tanto. Porque se não percorreres ruas e vielas,
centros comerciais e lojas de bric-a-brac procurando inspiração, quem não receber
uma prenda vai sentir-se menosprezado, quiçá mesmo ofendido.
Também me faz
sair do sério os jantares e reuniões de dezembro, onde todos sorriem para
todos, simulando uma proximidade que não existe, parecendo estarem num concurso
de hipocrisia.
E, no meio disso
tudo, quase ignorarem a razão de ser da festividade. Que para cada vez menos
gente tem significado real.
Este agnóstico
convicto deseja a todos os crentes ou não crentes, não importa em quê, que tenham
uma época de boas festas e que elas se prolonguem no seu espírito original por
mais 52 semanas.
Pentax K1 mkII, SMC Pentax-M macro 100 1:4
By me


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