Quem faz fotografia gosta que o seu equipamento esteja em
boas condições. E está sempre alerta para as ocasiões em que o pode usar. Faz
sentido e eu faço fotografia.
Quem coleciona artigos de fotografia gosta que as peças que
possui estejam em tão boas condições quanto o possível, apesar da idade que
algumas já possam ter. E está sempre alerta para as ocasiões em que pode
completar ou melhorar a sua coleção. Faz sentido e eu sou colecionador.
Mas há um outro aspecto que conta para o colecionador e,
eventualmente, para quem faz fotografia: a história em torno da peças de
equipamento que possui. E eu pertenço aos dois grupos.
Lembro, por exemplo, de uma Pentax Super A, que me foi
vendida usada por alguém que me contou ter ela sido comprada pela filha quando
estudava na alemanha e que agora estava no fundo de um armário porque ela
preferia as câmaras digitais. E ele estava a precisar de dinheiro...
De igual modo recordo uma Pentax SFXn, comprada barata com
duas objectivas e alguns acessórios pouco comuns, sobre os quais quem me vendeu
me disse que tinham pertencido ao falecido pai que tinha tal estima no seu
equipamento que o guardava religiosamente numa divisão da casa fechada à chave
para que os filhos não lhe acedessem.
Eu gosto de conversar com quem vende para conseguir este
manancial de histórias.
O que se vê na fotografia junta também tem história. Aliás,
tem várias histórias.
Começa com a quase oferta da peça menor à direita, bem como
do respectivo estojo, junto com uma outra compra que fiz. Trata-se de uma
acessório a colocar num fotómetro Gossen Lunasix 3 para permitir fazer leituras
de luz no ampliador fotográfico. Eu não tinha o fotómetro mas sabia que cedo ou
tarde o teria, enquanto esta peça extra seria raro de encontrar. Esteve
bastante tempo guardada à espera do momento. Que veio agora.
O dito fotómetro estava acompanhado de dois outros
acessórios, à venda em Lisboa e por uma valor mais ou menos dentro dos
parâmetros habituais e compatível com a minha disponibilidade. E em excelentes
condições de funcionamento. Não me fiz rogado, já que o conjunto é invulgar, e tratei
de combinar o encontro de negócios.
Neste, fiquei a saber que pertenciam ao seu patrão, o
António Homem Cardoso, que estava a vender as peças mais antigas e que já não
usa, para ficar com um conjunto minimalista. Até por causa da sua idade. Sorte
a minha.
Sorte não apenas nas peças de per si mas com o acréscimo de
saber que que me chegam às mãos vindas de alguém que é alguém no panorama
fotográfico português.
Mas “cereja no topo do bolo” estava no aparelho, fabricado
em meados dos anos 60. E de que só me apercebi em chegando a casa. Usa ele, de
origem, pilhas que já não se fabricam porque baseadas em mercúrio. Há formas de
contornar o problema, umas mais complexas que outras. Uma delas é o recurso a
adaptadores para baterias actuais, vendidos pelo fabricante, caros e de
encomenda demorada. Pois o belo do aparelho já os tinha, o que diz do cuidado e
atenção do seu dono para com o que usava.
Todas as peças têm uma história, em que por vezes somos nós
que as vivemos. Mas, para mim, as que realmente são importantes são as que me
antecederam. É também com elas que se faz uma coleção.
Pentax K1 mkII, SMC Pentax-M macro 50 1:4
By me


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