Esteve assim durante mais de uma hora.
Com o solzinho a bater-lhe nas costas, com as pernas em cima
do banco, cabeça protegida por um lenço, o livro na mão.
Lendo devagar, mudando as páginas com calma e concentrada no
que fazia, ao princípio nem dei por ela. Mas sendo que o meu artefacto, se não
tiver “clientes”, não exige atenção, acabei por me aperceber da sua
imobilidade. E fiquei curioso.
Ainda fiquei curioso com aquela figura, com um aspecto já
não trivial, a ler num jardim. Afinal, não é todos os dias que se vê um idoso a
ler um romance num banco de jardim, por muito apetitoso que possa ser o calor
solar neste Fevereiro de noites frias.
E a curiosidade aumentou com o passar do tempo. E a falta de
vergonha também, a ponto de fazer a foto que aqui se vê. E ainda fui mais
longe:
Fazendo de conta que estava apenas num dos meus deambulares
de cigarro na mão, aproximei-me o suficiente para ler o título do que ela lia.
Nem Condessa de Ségur, nem Richard Bach, nem um opúsculo religioso.
Tratava-se, afinal, do “Guia prático da Artrose”.
Pentax K100D, Sigma 70-300
By me


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