domingo, 4 de janeiro de 2026

Nada como realmente




Sabia que os EUA não reconhecem o Tribunal Penal Internacional?

Por outras palavras, não aceitam julgamentos ou condenações neste tribunal de cidadãos norte americanos, sejam eles executantes ou mandantes, civis ou militares.

E no entanto... Bem, toda a gente sabe o que aconteceu ontem:

Forças militares entraram noutro país para capturarem a sua figura máxima para ser levada e julgada. Num julgamento que, não sejamos ingénuos, já tem a sentença lavrada.

Nada como realmente, como dizia o anúncio de antanho.

 

Pentax K7, Sigma 70-300


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sábado, 3 de janeiro de 2026

Desafios




Por vezes arranjamos lenha para nos queimarmos. Esta foi uma delas!

A maioria de quem fotografa procura locais que atraiam o olhar: perspectivas, luzes, acções. Eu não sou diferente.

Mas também gosto de, confrontado com um objecto, encontrar a solução que mais me agrade para o registo. Quer no exterior, tentando encontrar no local a luz, o fundo, a perspectiva possível, quer levando o objecto para casa, falar com ele e tentar perceber o que tem para me dizer e, só então, procurar a solução que ele me sugere.

Por isso vagueio por feirinhas de rua, lojas de inutilidades, farejo montras e escaparates, tentando que algo assobie para mim.

Entrei numa loja de ferragens e ferramentas para dar dois dedos de conversa com os donos, conhecidos de longa data.

A um canto isto, que me disse, sem mais delongas, “Vê lá se me entendes e vê lá se consegues.”

Caramba! Um fio de prumo tem muito para contar, seja qual for o tema da conversa. O problema é ele mesmo: latão polido e exclusivamente composto de curvas, excepção ao fio e à ponteira indicadora. Reflexos em cima de reflexos, sem planos paralelos nem linhas interuptoras.

Se joias e cutelaria, bem como relógios, são dos objectos mais “canalhas” de fotografar, devido aos reflexos que, tendo que existir, têm que ser controlados, este em redondo será uma das cerejas em cima de um desses bolos.

Vou ter que ter longas conversas com ele, com e sem luz, até encontrar mais soluções ou respostas. Esta foi a primeira tentativa.

Que me vai dar àgua pela barba, lá isso vai! Mas eu gosto de desafios.

 

Pentax K1 mkII, SMC Pentax-M macro 100 1:4


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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Compromissos




Por vezes atrasamo-nos.

Perante compromissos com outras pessoas, trabalho, a vida, nós mesmos, a morte…

Apesar de não gostar de chegar atrasado, alguns atrasos aplaudi. Com a morte, por exemplo, que já me pediu explicações e a mandei bugiar, dizendo-lhe que lá chegarei mas só quando eu quiser.

O tipo de atraso que mais me incomoda, que mais me chateia, que me deixa mesmo fora do sério é aquele comigo mesmo. Que podemos sempre arranjar umas justificações, umas desculpas esfarrapadas perante terceiros, mas é sempre muito complicado mentirmo-nos.

O tempo não perdoa! Chegar atrasado ao encontro que temos connosco mesmos é muito mau!

 

Pentax K7, Tamron SP Adaptall2 90 1:2,5


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Teimas ou apostas?




O caramelo teve azar: a história foi comigo.

Mas portou-se como um homemzinho, admitamos.

Eu conto:

 

Numa feira de velharias dou com este flash numa banca. Não funciona. Para além de já não se encontrarem lâmpadas, mais difícil será encontrar a pilha: 22,5 volts. Em qualquer dos casos, perguntei pelo preço. Simpático, mas não me apeteceu, sendo só para colecção.

O meu olhar caiu ao lado, num fotómetro. Abri o estojo e... Igual a um que tenho em casa. E a trabalhar, o meu.

"Mas tenho aqui outro fotómetro. Ora veja." atira-me o vendedor já velhote.

"Isso não é um fotómetro!"

"É sim senhor!"

"Nem pouco mais ou menos!"

"Ora essa! É um fotómetro!"

"Não é! E aposto consigo: se eu perder compro o flash, se eu ganhar oferece-mo."

"Combinado."

E apertámos as mãos.

Agora imaginem porque é que tenho o flash.

 

Fica o aviso para quem não me conhece bem:

Quando eu insistir que aposto, reponderem bem as variaveis que eu, sendo certo que tenho muitíssimo a aprender, também tenho algumas certezas.


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quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

O unicórnio




Recordo um livro de ficção científica: “O unicórnio”.

A trama, um bom bocado rebuscada, baseava-se no conceito dos universos paralelos. E como uma espécie de um outro planeta tinha conseguido dar um nó no continuo espaço-temporal para juntar todos os planetas Terra para se alimentar de seres humanos. Vale o que vale, o enredo.

O que torna este livro digno de nota é que os herois, que se encontraram devido a esse nó, acabam numa terrola meio isolada, numa sociedade estilo vitoriana. Que os recebe com pompa e circunstância, oferecendo um jantar de elites em sua honra.

No decurso do jantar os criados de mesa despem-se até à nudez total e roubam todas as joias dos convivas, sem que estes protestem ou façam algo para o evitar.

Na manhã seguinte os herois são acusados do roubo e têm que fugir da turba enfurecida, até que um deles percebe o que se passa e despe-se, levando os outros a fazer o mesmo. E a multidão passa por eles sem os ver e segue.

A explicação é socialmente interessante: naquela sociedade castrante e castrada, o nú é tão inaceitável que nem sequer o veem, ignorando-o.

 

Por cá está a acontecer algo de semelhante, ainda que só embrionário por enquanto:

O crescimento da extrema direita, no que toca a regras e comportamentos sociais, com o conceito de elites genéticas e de excluídos, está a implantar-se devagarinho.

Os portugueses, não acreditando que se repita o que aconteceu e vai acontecendo, um pouco por todo o mundo, nos últimos cem anos, não o estão a ver. “Isso aqui é impossível, não vai acontecer!”, dizem.

 

Até que alguém dê um nó nas linhas do tempo ou se dispa em praça pública.

 

Pentax K7, Sigma 70-300


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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Dúvidas




Eis uma dúvida que volta e meia me assalta: isto é uma parede com uma boca de incêndio ou uma boca de incêndio encastrada numa parede?

 

Pentax K100D, Pentax 18-55


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segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Preferências




Nestes dias frios, uma bebida quente recomenda-se.

Não apenas pelo conforto que proporciona no momento em que a bebemos como o organismo agradece, fazendo subir a temperatura corporal. Um pouquinho que seja já é bom.

Com a idade, este conforto é mais relevante se usarmos uma caneca conhecida. Mesmo que tenhamos várias canecas diferentes, há sempre uma que preferimos.

Por mim, tenho duas preferências: uma caneca para o café, outra para o chá. Manias e luxos que o tempo de vida permite.

Tenho ainda uma outra preferência, no caso para chocolate quente: uma caneca preta fosca. Comprada há anos junto com uma igual, entraram em casa para efeitos fotográficos. Acabaram por se tornarem “as certas” para um chocolate quente, seja a meio da tarde, seja já de noite, antes de deitar.

Será que sou o único, ou também têm canecas favoritas em função da bebida?

 

Pentax K1 mkII, SMC Pentax-M macro 100 1:4


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O segredo




Caminhava decidido mas com calma. Havia tempo até chegar ao meu destino e ia observando o conteúdo daquele bairro suburbano, bem populoso e popular, daqueles que, apesar dos fluxos migratórios diários, consegue ter vida própria rica e activa. E eu ia alerta para essa vida até que…

Até que num passeio não muito largo, quase a chegar a uma esquina, aquela mulher me aborda.

Faz-me parar, com ambas as mãos afaga-me as barbas, e lança-me a pergunta:

“Com estas barbas, como fazes para beijar as mulheres? Como o fazes?”

Há coisas na vida para as quais não estamos preparados. Esta foi uma delas.

Olhei-a por uns segundos, tentando encontrar uma resposta. O sotaque, a tez e o cabelo indicavam que talvez fosse originária de Cabo Verde. Pela idade, nascida lá. E foi isso mesmo que me inspirou.

Sorrindo, disse-lhe baixinho:

“Sabe, é como os segredos das ilhas: só quem lá vive os conhece. Só quem lá vive!”

Olhou-me nos olhos e sorriu. Um sorriso doce, profundo, bonito. E privado, que creio que mais ninguém o viu.

Fez mais um afago e afastou-se-me do caminho. E eu segui, continuando a olhar em redor, mas quase que sem ver.

Na esquina, logo ali, parei e olhei para trás. Lá estava ela, com o peso da idade mas o sorriso no rosto, um sorriso que creio que só eu vi. Acenou-me, quase que como que continuando a acariciar as barbas, voltou-se e seguiu.

 

Talvez um dia ela descubra como nós, os barbudos, o fazemos. Ou talvez já saiba o segredo e seja só um recordar.

 

Pentax K7, Tamron 18-200


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domingo, 28 de dezembro de 2025

Depois da festa


 


Ou pós hipocrisias laborais: ou sobras de consumismo.

 

Pentax K1 mkII, SMC Pentax 28  1:2,8

 

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sábado, 27 de dezembro de 2025

Grito matinal




Quando fui ao frigorifico buscar a manteiga para a torrada matinal, ouvi uma voz que me gritou lá de dentro:

“Fecha isso que entra frio!”

 

Pentax K7, Tamron 18-200


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