segunda-feira, 12 de outubro de 2026

D'impulso




Faltavam 25 minutos para me encontrar com um desconhecido que me iria vender mais uns itens para a minha colecção. Nada de muito dispendioso, mas fazia-me falta.

Apesar de ter a câmara no saco, não estava lá com muita vontade de a tirar, pelo que, para matar o tempo, entrei naquela livraria. Fica num centro comercial e só lá vai quem for à sua procura. Fui.

Passei pelo balcão, onde confirmei a localização dos livros de fotografia, e fui sózinho pois já sabia o caminho. A secção era pequena, isso já eu esperava, mas acabei por ficar com um na mão. E um ensaio de uma autora portuguêsa, veja-se lá a coisa.

Regressei ao balcão para pagar e dou comigo numa fila de gente com o mesmo fito, bem como para encomendar obras de outros lados. Quatro pessoas.

Dá gosto ver fila de gente para pagar numa livraria. Ainda por cima num centro comercial, num recanto de uma esquina. É bom indicador, ainda que as idades fossem de meio para cima.

A minha impaciência agudizou-se, vendo o tempo a passar e a hora do negócio a aproximar-se.

Tentando distrair-me, fui vendo que obras estavam ali perto, na secção das compras por impulso. Sim, por uma livraria também tem disso, não são apenas os supermercados.

Dou com os meus olhos nisto e pensei demasiado alto, a ponto de vocalizar o pensamento: “Há muito que não leio Kafka. Nos tempos que correm faz falta um pouco de lucidêz”.

Quem estava à minha frente, já com o cartão na mão para pagar, olhou a tempo de me ver pegar nele e juntar ao outro. Não sei o que aquele cota como eu pensou, mas gostei de ver o discreto sorriso antes de se voltar para a frente.

Juntei os dois na mão, para não perder tempo a abrir o saco, e cheguei mesmo na hora combinada para o negócio cá fora.

Será a terceira obra a que me vou dedicar, que a vida não pode ser só fotografia.

Mas sempre com aquela dúvida: “Que escreveria ele, se vivesse hoje?”

Pentax K1 mkII, smc Pentax-M macro 100 1:4


By me

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