Faltavam 25 minutos para me encontrar com um desconhecido
que me iria vender mais uns itens para a minha colecção. Nada de muito
dispendioso, mas fazia-me falta.
Apesar de ter a câmara no saco, não estava lá com muita
vontade de a tirar, pelo que, para matar o tempo, entrei naquela livraria. Fica
num centro comercial e só lá vai quem for à sua procura. Fui.
Passei pelo balcão, onde confirmei a localização dos livros
de fotografia, e fui sózinho pois já sabia o caminho. A secção era pequena,
isso já eu esperava, mas acabei por ficar com um na mão. E um ensaio de uma
autora portuguêsa, veja-se lá a coisa.
Regressei ao balcão para pagar e dou comigo numa fila de
gente com o mesmo fito, bem como para encomendar obras de outros lados. Quatro
pessoas.
Dá gosto ver fila de gente para pagar numa livraria. Ainda
por cima num centro comercial, num recanto de uma esquina. É bom indicador,
ainda que as idades fossem de meio para cima.
A minha impaciência agudizou-se, vendo o tempo a passar e a
hora do negócio a aproximar-se.
Tentando distrair-me, fui vendo que obras estavam ali perto,
na secção das compras por impulso. Sim, por uma livraria também tem disso, não
são apenas os supermercados.
Dou com os meus olhos nisto e pensei demasiado alto, a ponto
de vocalizar o pensamento: “Há muito que não leio Kafka. Nos tempos que correm
faz falta um pouco de lucidêz”.
Quem estava à minha frente, já com o cartão na mão para
pagar, olhou a tempo de me ver pegar nele e juntar ao outro. Não sei o que
aquele cota como eu pensou, mas gostei de ver o discreto sorriso antes de se
voltar para a frente.
Juntei os dois na mão, para não perder tempo a abrir o saco,
e cheguei mesmo na hora combinada para o negócio cá fora.
Será a terceira obra a que me vou dedicar, que a vida não
pode ser só fotografia.
Mas sempre com aquela dúvida: “Que escreveria ele, se
vivesse hoje?”
Pentax K1
mkII, smc Pentax-M macro 100 1:4
By me


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