terça-feira, 7 de abril de 2009

Seca política e a participação dos cidadãos


O instituto nacional de meteorologia fala-nos do mês de Março como o mais seco dos últimos onze anos.
Curiosamente, vem na mesma linha do relatório sobre o ano de 2008, em que o classifica como particularmente seco, chegando mesmo a considerar algumas zonas do território nacional como em “seca severa”.
Nenhuma destas observações tem qualquer tipo de cariz político ou equivalente. Baseiam-se em medições de pluviosidade actuais e nas estatísticas dos anos em que houve estatísticas. E “contra factos não há argumentos”.
Há antes, ou pode haver, medidas de contenção e de boa gestão dos recursos que a Mãe Natureza nos disponibiliza. Economia no consumo doméstico, parcimónia no consumo industrial, reduções de perdas na distribuição, boa gestão por parte das entidades públicas.
Mas aquilo que tenho ouvido das entidades governamentais (afinal eleitas para gerir os recursos e bens públicos) em pouco ou nada referem esta situação de escassez. Não vejo campanhas apelando à redução ou racionalização do consumo de água por parte dos cidadãos, privados, públicos ou empresariais.
Claro está que nos encontramos em ano de eleições – várias – e não ficaria bem na fotografia que os poderes actuais viessem pedir mais sacrifícios para além dos já exigidos pela crise económica.
Já basta a baixa do poder de compra, as restrições aos créditos, os despedimentos e lay off, encerramento de empresas e a afins.
A menos que surja algum argumentista político a discursar, usando a Mãe Natureza por todos os males e acusando a falta de chuva como responsável pelo estado de crise que vivemos. Escusando assim os poderes públicos e responsabilidades nas tarefas de regular actividades, bancárias incluídas, e de providenciar o bem-estar dos cidadãos, eleitores ou não.
A seca, que se evidenciará mais lá para o verão nos preços dos supermercados e nas dificuldades em tomar duche, será uma dor de cabeça para as forças políticas no poder, ao tentarem re-eleições. E uma bênção para as forças da oposição, que explorarão até ao tutano as mesmas circunstâncias.


No entanto:
Quando foi a última vez que VOCÊ poupou água?


Texto e imagem: by me

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Livres? Claro!


Seja qual forma como tentemos abordar o tema, a verdade é que estamos sempre e eternamente presos.
Confinados a uma cela ou na superfície do planeta, com horários, cartões identificativos e códigos de conduta.
A qualidade da prisão é que varia. Alguns vêem no abrir da fechadura a sua liberdade, outros no vencer a atracção terrestre. Uma chave uns, asas outros. Há quem vá mais longe e não possua relógio ou recuse o bilhete de identidade.
Mas depois de cada fronteira, depois de cada quebrar de grilhetas, apenas constatamos que continuamos presos. Por outras grades, por outros conceitos, por outras obrigações.

Quando, há uns anos largos, conversava com um Argentino, logo a seguir à guerra das Malvinas ou Faulkland, dizia-me ele: “Nós? Somos livres! Podemos sair à noite e tudo!”
Ou ainda aquele outro jovem que dizia: “Esta semana estou livre. Os meus pais vão de férias para fora.”

Mas a liberdade não é um estado legal ou material. É um estado de espírito!
O exercício da liberdade começa, antes de mais, dentro de nós. Por aceitarmos ou não por limite o que nos impõem. O deixarmos ou não a nossa mente vogar e decidir o que fazemos. O termos ou não uma verdadeira consciência de nós mesmos e do que nos cerca.
A nossa verdadeira prisão somos nós próprios, na nossa condição de seres humanos de carne, osso e sangue. Pensantes e conscientes.

Quando formos capazes de saber e não apenas dizer, “eu posso”, com toda a plenitude do que isso significa, então seremos realmente livres.
Até lá, enquanto nos sentimos limitados por um planeta, regulamentos ou grades, mais não seremos que sempre prisioneiros daquilo que os nossos sentidos nos transmitem.
E tanto assim é que somos obrigados a comunicar codificando e descodificando estas letras e imagens, presos que estamos a estas convenções.

E enquanto você o faz, vou ali dar corda ao relógio e trancar a porta.


Texto e imagem: by me

Músicas


Noutros tempos, algumas noites eram passadas assim:
Direitos a Campo D’Ourique, jantar no Velha Goa. Cozinha indiana que se recomendava, apesar de não ser barato, na altura.
Depois de excitadas as papilas gustativas e apaziguadas com um bom vinho – regra geral do Dão – descíamos para a cave.
A conversa continuava entre copos, as mais das vezes os que trazíamos de cima.
Até que as luzes baixavam e ficávamos a ouvir.
Rão Kyao.
Umas noites a solo, outras com acompanhamento.
Não havia quem não se deixasse levar pelo seu ritmo, pela alma que impunha no seu sax.
Quando acabava, encostava-se aos clientes e com eles fica à conversa um pouco. E voltava ao minúsculo palco para mais um bom pedaço de prazer acústico.
Saíamos sempre com pena de ter terminado.

É este tipo de música que também podemos encontrar nas Ramblas ou no Barri Gotic de Barcelona.
Sem nos esforçarmos muito.
Sem termos que pagar bilhete.
Pagando apenas aquilo que o nosso prazer nos mandar.
Como este saxofonista em que tropecei.
E onde me deixei ficar, sentado nuns degraus de pedra. Com mais não sei quantos mais que ali estavam. Sorrisos cúmplices entre a plateia e de agrado para o artista quando parava para descansar.
O tempo parou ali, entre aquelas pedras centenárias.



Texto e imagem: By me

domingo, 5 de abril de 2009

Paradinho da Silva


A estória que a seguir conto foi por mim protagonizada faz já uns bons anos. Só por si ela, a estória, nunca deveria ter acontecido, já que os comportamentos descritos – o meu e o do automobilista envolvido – não serão dos mais edificantes.
Mas aconteceu e tudo acabou em bem, sendo hoje motivo de risota ou, pelo menos, de sorrisos.
O que eu não sabia, na altura, é que já alguém tinha tido o mesmo problema cívico e tinha tido uma abordagem equivalente à minha. Bem mais elaborada, por sinal. Visivel AQUI - CLICK.
E a conclusão que daqui se pode tirar, para além dos conteúdos óbvios dos relatos, é que o ser humano, perante os mesmos problemas, acaba por encontrar soluções equivalentes, seja qual for o ponto do planeta em que se esteja.

Em tempos dei aulas numa escola profissional localizada no centro de Lisboa. Ficava ela numa curva de uma rua por onde passavam – e passam – os eléctricos da Carris.
Pois havia aquele cidadão, que nunca cheguei a conhecer, que costumava estacionar o carro, como muitos outros, em cima do passeio. O que não seria grave, visto este ser bem largo e permitir a passagem de peões, não fosse o facto de ser na curva. E, devido aos eléctricos, ele tinha que chegar o carro bem à frente, mesmo até tocar na parede, ou o amarelo não passaria.
Um dia, talvez devido a uma noite menos bem dormida ou a pressa de conseguir ainda um cafezinho antes da primeira aula, dei de novo com o tal carro. E entendi que não deveria por a minha vida em risco por causa da sua atitude egoísta. Vai daí, pus um pé em cima da roda e, usando-a como degrau, icei-me e passei-lhe por cima do capot. Não andei aos saltos em cima dele, mas também não tive qualquer tipo de cuidado com a forma de caminhar.
Claro está que alguns alunos bem como o funcionário da porta me viram e não faltaram alguns comentários jocosos.
No dia seguinte o carro lá estava de novo. Aliás, o local era tão reservado ao seu dono que já havia marcas do pára-choques no estuque da parede do prédio. E, tal como o carro, havia também um número anormal de alunos, dentro e fora do portão, à espera de verem o que se passaria. E, como o que mais custa é sempre a primeira vez, passei-lhe por cima de novo.
Ao terceiro dia a coisa repetiu-se, apenas com uma diferença: tinha boa parte da população estudantil à minha espera e, incluso, alguns professores que, discretamente, espreitavam por algumas janelas. E passei-lhe por cima mais uma vez, por entre a gritaria de aplauso da malta nova e uns sorrisos dos colegas.
Nunca aconteceu a quarta vez. O carro nunca mais ali estacionou e não mais alguém da escola teve que vir para o asfalto, calçada para ser exacto, por via daquela figura. Mas também nunca ninguém me veio pedir contas sobre os danos no capot do carro, que as chapas hoje pouco mais são que papel. E, no entanto, o meu acto e a minha figura em nada primaram pela discrição. Terá sido, certamente, a vergonha e o receio de ser confrontado com o que costumava fazer que o ou a terá impedido de me procurar.
Tudo isto antes da introdução dos parquímetros e dos amaldiçoados (por alguns) fiscais da EMEL. É que, as mais das vezes, só à bruta ou com medo algumas pessoas aprendem a respeitar os seus concidadãos.


Texto e fotografia: by me

sábado, 4 de abril de 2009

Se quereis alguma coisa bem feita...


… fazei-a vós mesmos!

Assim diz o povo e tem toda a razão.
Estes três da direita quiseram ser fotografados pela minha câmara mas não por mim, que me queriam na imagem também.
Acedi, desde que alguém fosse simpático o suficiente para premir o cabo disparador, depois de eu tudo preparar.
A primeira abordagem foi a dois agentes da PSP que patrulhavam o jardim. Azar, que de cívicos e com vontade de ajudar o próximo pouco tinham e recusaram liminarmente o pedido.
Acabou por ser uma dona, com ar de Hippie, o que quer que isso seja por cá que não seja uma forma de vestir que se espera encontrar nos vendedores de artesanato em feiras. E decorria uma feira de artesanato mesmo ali ao meu lado.
Pois tudo deixei preparado, corri ao local e fizemos pose. E a dona premiu o botão do cabo disparador.
Não sei se tremendo de excitação por o estar a fazer, se de inveja por não estar no lugar de algum de nós, se por inépcia total, conseguiu fazer aquilo que eu pensava não ser possível, usando um cabo disparador numa câmara bem assente num tripé: produzir uma fotografia tremida.

Se é verdade que todos os dias aprendemos qualquer coisa, para nosso bem e da humanidade, desta lição ainda não consegui tirar o sumo. A menos que o lugar do fotógrafo seja sempre, mas sempre, atrás da câmara e nunca, mas nunca, à sua frente, pois obterá resultados desastrosos.



Texto: by me
Imagem: by a desconhecida

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Desabafos!

By me

29-28-HA

Do I need to say anything?

CLICK


By me

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Um já está


Agora só faltam cinco pontos para a árvore voltar a ser livre e crescer como entender.


Texto e imagem: by me

Alguém me explique...


... que raio quer isto significar!
Cartaz supostamente incitador à participação dos cidadãos nas eleições para o parlamento europeu que em breve teremos.
Texto e imagem: by me

quarta-feira, 1 de abril de 2009

On photography - curvilinear truth


For more than 20 years we had this almost annual photographic meeting.
Named “Encontros de Fotografia de Coimbra”, it spreaded through the city of Coimbra, in churches, public buildings, universities, art galleries, bars and coffee shops, hospitals, museums, hotels and so on.
There we could see exhibitions covering all kinds of photography, from some of the XIX century to some done on propose to the event. Known or unknown photographers, nationals or not. From classic approaches to experimental photography. At the same time, we could attend to some conferences or workshops about the main subject of that year.
If I do well remember, I missed just two of them: the first because I didn’t knew of its existence, the other because I was sick. And, if I was working with some classes, I went there twice the same year: one, during two days, to see, taste and fell photography and to chose from all of them those that we could attend with the class, next week end, in just one day, after a trip of 200 km by bus. The options were of location, importance of author and work, subjects and their own interests, since they had the chance of chose some of them.
It was a very nice and fun day, all together, thinking, talking and breathing photography!
As everything else in life, those meetings faded away until they died. And I miss them!

Among all of those exhibitions, there is this one that I remember well.
It was a mixture of photographs and objects and was about a Russian cosmonaut.
We could see him as a baby, as a teenager, as a student, as a civilian and as a military officer. Wearing uniform or his space suit.
And they showed us as well his watch, his pen, some of his notebooks, parts of his uniform, medals, wallet and others.
At the end, they had this huge card waiting for us. There we could read that everything see before in that room was a fake. A huge cheat! The man wasn’t a cosmonaut, not even a Soviet citizen. It was Spanish (Catalan, if I well remember) and all the photographs and objects were build on propose for that exhibit.
Most of the public was chocked. They felted they had been taken as fools, believing in all that.
Some others gave felted laughers, understanding that as a big joke. I even heard some applause.
Most of them discovered there that photography is not a copy of the reality! And that the only truth we can find in photographs is the one the public take for guaranteed. Being not important the fidelity of the image with the original subject or the message.

As for the picture above, I can imagine what you have seen there.
But I can assure you that it is the inner curve of an elbow, belonging to a friend. It was done with a pocket camera and thinked for this text, or some alike.
And where is the truth in photography? In our minds, I guess!


Texto e imagem: by me