terça-feira, 20 de março de 2018

Feriado universal




Para os que não sabem, e admito que muitos sejam, hoje é dia de festejo.
Aliás, é dia de festejo no mundo inteiro. E é celebrado há muitos milhares de anos.
Trata-se do equinócio da Primavera, o dia em que a duração do dia é igual à da noite.
O momento da transição, na trajectória da Terra em redor do Sol, aconteceu pelas quatro e pouco da tarde, hora portuguesa.
Tenho que confessar que, de todos os feitos da Humanidade, saberem os pré-históricos destes dias e acharem-nos suficientemente importante para lhes erguerem monumentos megalíticos é do que mais me impressiona.
Numa sociedade em que os registo escrito era minimalista, se algum, em que a esperança de vida era reduzida, em que o conhecimento era transmitido por via oral, em que o movimento do universo era apenas constatável e não previsível, em que nada garantia que nos equinócios ou nos solstícios o céu estivesse descoberto para a constatação, saberem eles que isto acontecia e marcarem-no como datas importantes, é obra.
Tem-se discutido sobre quais os feriados a serem celebrados e quais os que podem cair no esquecimento. Mandasse eu alguma coisa e os solstícios e os equinócios seriam feriados oficiais, com direito a celebrações públicas à vida e ao universo.
Afinal, estes eventos são tão antigos quanto o sistema solar, transversais a todas as culturas e religiões, e continuarão a acontecer muito depois de o Homem ter sido esquecido na memória do tempo.
Por mim, celebrei-o por uns momentos ao sol quentinho, abrigado do vento. Vendo-o e à minha sombra, ponderando na minha efemeridade no universo, por muito que nos entendamos o seu centro.

By me

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