sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

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Fui à varanda ver como estava o tempo e fiquei boquiaberto!
Então não é que estava um pinguim a subir a rua!?
Esfreguei os olhos, só para ter a certeza, e não hesitei um instante:
Voltei para dentro para ir buscar a câmara fotográfica com uma objectiva de jeito. Isto tinha que ficar bem registado.
Quando regressei já tinha passado.
Encostei-me à ombreira da janela frustrado, a pensar na coisa, e percebi tudo:

Eu estava com alucinações provenientes das baixas temperaturas. O que subia a rua era uma vizinha, que é freira.
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O meu tio



Os tios são aquela figura de que toda a gente fala. E eu não serei excepção.

O meu tio Artur era uma figura impar. E em boa verdade era meu tio-avô e faleceu era eu catraio pequeno.
Dele guardo algumas recordações. Não muitas, porque o nosso convívio foi diminuto, mas intensas. E histórias, que se contam ou contavam na família.
Uma delas refere a sua vida amorosa.
Namorava ele uma moça na sua juventude quando cometeu o erro de “dar uma facadinha no namoro”. E foi obrigado a casar com ela, que os tempos eram outros.
Mas afectos são afectos E mandam mais que regras sociais ou voltas de relógio.
E quando ele enviuvou, casou com a namorada da sua juventude distante.
O que recordo dele e dessa minha segunda tia é serem um casal de velhinhos muito velhinhos mas sempre felizes e sorridentes.

Se fosse vivo esse meu tio teria uma idade que o faria constar de um qualquer livro de records. E sendo certo que não sei a sua data de aniversário, daqui lhe acendo e apago umas velinhas.

Parabéns a você, nesta data………

By me

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Canecas



Parece ser uma obrigatoriedade que os apresentadores de “talk shows” que o fazem sentados em frente a uma mesa com os convidados num sofá tenham, para si, uma caneca na mesa. Suponho que para irem molhando a boca e garganta, que muito secará do muito que falam.
O que é interessante é que as canecas são invariavelmente opacas. De loiça. Impedindo-nos de saber, com rigor, aquilo que usam para se “hidratarem”.

Se calhar até é melhor assim.

By me

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Um dos requintes da chicana jornalística é vir a terreiro divulgar quais os bens que os filhos de Mário Soares irão herdar.

Mais ainda: a própria notícia diz que o testamento não é público.
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Política à margem de partidos



Esta senhora que conheço tem quase trinta anos e conta que é originária de uma família humilde, que o pai saiu do país cedo e que tem mais de onze tios, todos criados com muita dificuldade.
Apesar de tudo isso, e do mais que não contou nem conto eu, conseguiu concluir um curso superior. E que o trabalho que agora tem, apesar de ser na linha do seu curso, ainda não é o que ambiciona. Diz ela que não desiste de o conseguir.
Até aqui tudo bem. Só posso aplaudir o seu esforço e empenho, bem como o sucesso. E o não baixar os braços e continuar a lutar pelo seu sonho. É de gente desta que precisamos, aparentemente. É que…
É que me dói a alma, bem lá no fundo, o ela assumir-se de direita!
Não isso em particular, que muitos são os que afirmam e que parece que o praticam, mas que no fundo o fazem como forma de afirmação social ou de identificação grupal.
O que me dói é ela defender, convicta, a fractura social e a separação de classes. Bem como a indiferença para com os que não conseguem, por motivos endógenos ou exógenos, triunfar como ela.
Pior ainda, o afirmar sem pejo que aqueles que não têm capacidades que se cuidem. Que a sociedade não tem que os apoiar e que “Se não conseguem, temos pena!”
O que me assusta nesta senhora, quase que ainda mocinha, é que o mais natural é ela vir a ser “engolida” pela máquina trituradora que é a sociedade em que vivemos. E que mesmo que sobreviva (e desejo bem que sim e que concretize os seus sonhos) será sempre uma frustrada, que haverá sempre alguém que lhe provocará “inveja”, pois conseguiu ir ainda mais longe que ela.
É que, nesse seu anseio e frustração, aumentará o desprezo e indiferença para com aqueles que não têm a sua força e capacidade.
Tenho pena por ela, que irá sofrer, pois irá encontrar no seu caminho gente tão ou mais ambiciosa que ela pela vitória e poder. E que a tratará exactamente como ela trata os que lhe estão “abaixo”.
E tenho pena de todos nós, pois que ela não é caso isolado. É que não são tão poucos quanto isso os que ombreiam na sua forma de pensar e agir. Do mesmo grupo etário. E muitos com o mesmo tipo de origens humildes mas honrosas.

O Homem é o único que mata o seu igual por “dá cá aquela palha”. E esta mulher e os seus semelhantes, são bons representantes do género humano como o conhecemos hoje.
Mas, apesar disso, ainda somos bastantes os que por cá andamos a fazer o possível para que, se ela falhar ou se ela necessitar, tenha o apoio de que irá precisar por parte de quem a cerca: todos nós. Esse mesmo apoio que ela agora nega aos outros.
Tal como farei – faremos – os possíveis por inverter este processo social e transformar o mundo num local onde gostaria que os meus filhos vivessem.

Que não o é hoje por causa de pessoas como ela.  

By me

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Quebrando a rotina



By me

Contestação



Num fórum a que pertenço, li que:

“A arte é uma impossibilidade, uma coisa inútil. Que alguém me diga como através de alguma obra de arte conseguiu-se algum objectivo social ou massivo. Que através do "Guernica" de Picasso (uma das obras mais belas do autor) conseguiu-se parar alguma guerra. Ou através de alguma foto se obteve algum tipo de consciencialização de alguma coisa. Fotos são premiadas, obras (pinturas, músicas, obras literárias o que for) são aclamadas, distribuídas e visitadas, porém, nossas sociedades se atem a outro tipo de influências onde a arte está tão longe quanto a bela lua.”

Vou deixar de parte a enorme dificuldade que eu tenho em saber o que é uma “obra de arte”, quanto mais uma “fotografia artística”!
Entendo que a arte, nas suas manifestações efémeras como o canto ou o bailado, nas suas manifestações portáteis, como a literatura, a pintura e, porque não, a fotografia, ou nas suas manifestações inamovíveis, como a arquitectura, será o alimento que nos distingue dos demais seres vivos.
Não será um quadro, uma balada ou um palácio que matará a fome de quem está a morrer dela. Muito provavelmente, todo o investimento pessoal e material na sua criação evitariam essa mesma morte.
Mas quantos são aqueles que, para se expressarem, para criarem, para conceberem e materializarem uma obra de arte, roçam o limiar da morte? Quer seja a “fome física” (veja-se Miró e as suas abstinências quase limite), quer seja a “fome intelectual”, quase raiando ou mesmo ultrapassando o chamado “limiar da sanidade”.
Efectivamente, não será por se ouvir uma sinfonia, ver uma fotografia ou mergulhar num poema que enchemos a barriga, ou curamos uma doença. Mas, garantidamente, ao confrontarmo-nos com uma “obra de arte”, aquele outro aspecto de nós, aquele que não quer saber de comida, de saúde ou de abrigo, se aquece, cresce, alegra e fica feliz.
Mal comparado (ou talvez não tanto), e que me perdoem se ofenderei alguma sensibilidade, a arte poderá comparar-se ao conceito de religião, em que o ir ao templo, o orar, o possuir um ícone, conforta os crentes, aliviando-lhes a alma das maleitas terrenas.
O criar ou admirar uma “obra de arte” tem ou pode ter o mesmo efeito. A paz, o confronto de ideias, a surpresa de quem vê ou o esforço de quem a cria, com as tentativas e erros, os esboços, o tempo de meditação em torno da forma ou do conteúdo, tudo isto de alguma forma conforta a alma, seja qual for o nível de sofrimento físico que se possua.

Dizer que “A arte é uma impossibilidade, uma coisa inútil” será remetermo-nos a um estado meramente animalesco, em que nascemos, crescemos, reproduzimo-nos e morremos. E nada mais!
Na sociedade em que vivemos, com o imediatismo dos media e das velocidades de comunicação e de consumo, a produção e o usufruto da “arte” estão em risco.
Ainda mal acabámos de ver um quadro, ouvir uma voz ou apreciar um filme, já aí está outro que o substitui, que tenta ir mais além e vender mais. E aquele que acabámos de ver já se diluiu confrontado com o novo.
Porque o problema, se o houver, nos tempos que correm no que à criação de “arte” diz respeito, prende-se com o seu valor comercial. Produzir e vender!
Tal como a “fast food”. Comer e defecar. O prazer e a satisfação do palato pouco ou nada contam. Assim é com as “criações artísticas”. Aos consumidores não é dado tempo de as apreciarem, de as deglutirem, de as mastigarem e encherem a “boca da alma” com os seus paladares. Considera-se uma “obra de arte” a que mais zeros tiver no seu preço e mais guardas à sua volta.

Dir-me-ão alguns que os escravos que ergueram o que nos resta da arquitectura ou escultura Grega ou Romana, que os mortos que inspiraram a “Guernica”, que as crianças de dez anos e que pesam 6 quilos nos terceiros mundos deste mundo e os que desfalecem a 50 metros de um hospital por não terem como pagar a conta, nada se importam com a “arte”. Com a “arte” como a conhecemos e aqui a descrevemos. Verdade! Ou talvez não!
Porque esses mesmos, nesse sofrimento que só conhecemos por ouvir falar ou pouco mais, trauteiam uma música, moldam um pedaço de barro ou misturam algumas cores. Procuram, de alguma forma, materializar o seu estado de alma sem saber o que é “arte”, “correntes estéticas” ou “galerias e galeristas”. Procuram, desta forma humilde e nada académica, um escapismo, um exorcismo ao que pensam, sentem e sofrem. É uma forma de fugir ao mero animal que não somos, é o ultrapassar o físico em busca de uma outra satisfação de necessidades.

A isto, poderia eu chamar “uma manifestação artística”, se soubesse o que é arte.


Texto: by me

Imagem: “Cabbage Leaf”, by Edward Weston, 1931

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

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Com a sua "Alegoria da caverna", Platão foi o primeiro a debater a importância da imagem na sociedade.
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Está a fazer-me falta ver o trabalho de outros.
Não apenas dos meus patrícios, por muito bons que sejam e são, mas os trabalhos feitos noutros lugares, onde outras vivências conduzem a outras concretizações.
Na fotografia também.
Em tempos ia-se a algumas casas em Lisboa e encontravam-se revistas Francesas, Inglesas, Norte Americanas, Italianas, Espanholas, até Alemãs.
Tinham artigos técnicos, divulgavam fotógrafos internacionais mas também nacionais, permitindo que ficássemos com uma ideia do que se ia fazendo naquele país.
Hoje o que encontramos por cá são revistas portuguesas e francesas.
Para mim é curto!
É que, e não nos enganemos, ver fotografias numa revista ou livro ou vê-las no ecrã de um computador é tão semelhante quanto comer um cozido à portuguesa num restaurante ou um hambúrguer num fast-food.


Faz-me falta ver o trabalho de outros!

By me

Conflitos



Esta é uma teoria minha, velha de quase uma dezena de anos.
Claro está que sempre foi olhada de lado, classificada de “conspiração” e eu encarado com olhares condescendentes.
Mas aqui fica, uma vez mais:

Atravessamos nós, seres humanos, aquilo a que se pode chamar de “terceira guerra mundial”.
Será mundial porque cobre todo o planeta; Será terceira porque já aconteceram duas; Já o ser “guerra” é-o, ainda que não o pareça.
São três as potências que se batem pelo controlo total: Europa (ou EU), China e USA. Poderia incluir-se a Rússia, mas a forma de “combater” ainda não foi assumida por eles.
Porque o combate não acontece com armas e explosões. As munições são económicas e o objectivo será cumprido quando o adversário estiver economicamente dependente do vencedor. O resto, as leis e as ordens, surgirão como que naturalmente, ditadas por quem estiver a decidir o que vestir, o que comer, quantas horas e dias e anos de trabalho, o que pensar ou não pensar…
Acontece que é difícil, para não dizer impossível, que três adversários se combatam entre si em permanência e sem alianças. O esforço de guerra é particularmente elevado e as probabilidades de vitória de qualquer um deles muito diminuta.
A alternativa é o que sucede agora e desde há uns anos: dois deles, em conluio ou não, atiram-se ao mais fraco até o aniquilarem ou deixarem em estado de não provocar estragos. Só depois tentam resolver as coisas entre si.
Repare-se como a Europa tem sido agredida, enfraquecida, minada, tanto do ponto de vista político como económico, pelos outros dois gigantes.
E agora, que por cá se entrou num curso descendente quase sem paragem possível, começam os outros dois a digladiarem-se. Com questões políticas, com questões económicas, envolvendo mesmo alguns aspectos militares.


É triste constatar que se tem razão em situações como esta.

By me