quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Imagens pró e contra




A história passou-se há já mais de trinta anos, na praça do Rossio, em Lisboa.
Um polícia agarrou uma mulher jovem, que estava sentada numa esplanada, com o intuito de a levar para a esquadra, a uns trezentos metros de distância.
Em resposta, ela desferiu-lhe um potente pontapé entre penas que eu sei que não acertou em cheio porque ele ficou de pé, tamanha foi a violência.
Em resposta, recebeu um tabefe de tal forma que a virou a ela, à cadeira, à mesa, tudo de valente ferro como é hábito nas esplanadas.
A partir daí foi a confusão total, com agentes da PSP a surgirem nem sei de onde e um montão de civis a lutarem com eles. Um pandemónio!
Eu acabei por ser detido e levado também para a esquadra, pese embora não me ter envolvido no desacato que não apenas por o ter fotografado. E fui libertado passados poucos minutos, após ter esclarecido qual o meu papel naquilo tudo, com uma “ajudinha” do meu cartão profissional, que abre (ou abria) muitas portas. Incólume e sem agressões, ao contrário de todos os que ali vi entrarem.
Isso não me impediu, no entanto, de ser interpelado já cá fora pelo polícia com quem tudo aquilo tinha começado. Quis ele saber se eu havia fotografado o portentoso pontapé que havia recebido.
E, perante a minha negação, desabafou:
“Pois! Quando são os polícias a dar porrada há sempre fotografias! Quando são eles a apanhar, nunca há!”

Não serve este episódio para justificar coisa nenhuma, nem servir de exemplo a nenhuma moral que dele se queira retirar.
Mas certo é que ele, o polícia, estava correcto. E continua a estar, passados todos estes anos.

Nota adicional – A imagem não é desse episódio, arrumada que está num arquivo de negativos bem desorganizado e que não apenas não está digitalizado como não me apetece ir, agora, vasculhar.


By me

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