sábado, 18 de janeiro de 2020

Gritos




Quem cirandar pela cidade verá, se estiver com os olhos abertos, inúmeros escritos nas paredes.
Alguns foram elevados à categoria de arte, passando da clandestinidade a trabalhos encomendados, não sei se bem pagos.
Outros não passam de tags, afirmações territoriais ou grupais, as mais das vezes juvenis. Clandestinos ou ilegais, possuem códigos de conduta que passam, as mais das vezes, por não se sobrepor a outros já existentes.
Outros ainda são de cariz político ou social. Mais elaborados ou mais simples, com desenhos ou simples frases, são as mais das vezes protestos contra imposições ou condicionantes governamentais. Alguns nomeiam alguém, passando pelo insulto ou votos pouco simpáticos.
Tal como existem aqueles que serão incentivos a comportamentos  político-sociais, como eleições ou manifestações. A favor ou contra, explícitos ou implícitos, há de tudo.
Aquilo que é menos habitual de ver são inscrições como esta: de afectos.
Bem sei que o amor é algo privado. Mas é algo que, sendo-o, apetece gritar ao mundo.
Talvez que se houvesse mais grafittis de afectos no lugar de protesto ou competição, o mundo fosse melhor.

Nota adicional: este muro ainda existe, num recando esconso em Lisboa. O tempo ou uma camada de tinta terão apagado a inscrição. Espero que não o expresso.



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