sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018
Prazeres
Talvez que me esteja a repetir. Melhor: sei que me estou a
repetir.
Mas desculpem lá isso.
É que estar ainda com atavios de falar com Morpheu, numa
madrugada fria de Fevereiro, com uma chávena de café acabadinho de fazer nas
mãos…
Faltava-me apenas um solzinho a entrar pela janela, mas não
é coisa que me atrapalhe. E, fazendo de deus, tratei de o simular.
É um daqueles prazeres que faço questão de ter antes de sair
de casa e enfrentar tudo aquilo que me espera lá fora.
No entanto, tenho uma confissão a fazer: esta é a segunda
chávena, que a primeira foi um prazer egoísta e privado.
By me
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018
Saber optar
Um dos “truques” surgidos
com a fotografia digital é, mais que saber o que ou quando fotografar, decidir
o que ou quando não fotografar.
Que a facilidade e o
baixo custo da obturação digital, junto com o terrivelmente fácil destruir de
imagens, leva a que muitas fotografias sejam feitas quase que sem pensar no
resultado final.
Saber fazer e quando
fazer é importante. Saber quando não fazer, é igualmente importante!
By me
quarta-feira, 31 de janeiro de 2018
Segredos
Isto é uma violação do segredo de justiça:
Hoje o cão cá de casa fez uma mija onde não devia,
alegadamente por ciúmes. E, além dos ralhetes e impropérios, ainda levou umas
palmadas nos quartos traseiros.
Quando, quem, o quê, onde e porquê.
Responde a todos os quesitos do jornalismo. Acrescidos das
consequências.
E é uma violação do segredo de justiça porque, mesmo tendo
sido aplicada a justiça, o que acontece em casa deve ficar em casa.
As demais violações do segredo de justiça, que os pasquins
ou não tanto vão fazendo, são ignóbeis e criminosas. Ao escarrapachar em
público aquilo que não passa de eventuais suspeitas, sem acusação formada nem
provas apresentadas.
Na ânsia de vencer a concorrência, arrastam os jornalistas na
lama reputações que, a verificarem-se as suspeitas infundadas, nunca têm
direito ao mesmo nível de divulgação a inocência dos que sujaram.
E, de caminho, arrastam-se os jornalistas na mesma lama.
Mas, de tanto e tão repetidamente nela chafurdarem, agarra-lhe na pele e dificilmente
sai.
Ainda há os que não o fazem. Mas são raros!
By me
terça-feira, 30 de janeiro de 2018
Cívicos
Junto a uma
importante estação ferroviária e em frente a um cosmopolita centro comercial,
um carro de polícia. Com as luzes de emergência acesas.
Pensei tratar-se
de alguma intervenção mas, afinal, mais não era que uma acção de policiamento de
rotina: os agentes patrulhavam em redor, fora do meu alcance visual, e deixaram
as luzes acesas para reforçar a visibilidade da sua presença.
Até aqui nada de
anormal.
Mas eu pensei que
bem fariam eles em terem atitudes pedagógicas para com todos os peões que,
ignorando heroicamente os semáforos, atravessam a passadeira por entre os
carros. Alguns de bengala, outros com crianças pela mão ou em carrinho.
Em havendo algum
acidente, bem que podem dizer que tiveram pouca sorte, que o que tiveram foi
falta de juízo!
Pensava eu isto
quando passam por mim outros dois agentes da PSP.
Desta feita de
bicicleta regulamentar, com tudo o que é suposto terem no cinto mais o capacete
na cabeça.
Fiquei a vê-los a rolar
no largo passeio até que em chegando eles a um outro semáforo, o ignoraram como
os demais, passando o vermelho enquanto outros cidadãos aguardavam o verde.
Ainda pensei
tratar-se de uma emergência, mas estava enganado. Enquanto um ficava cá fora
guardando as biclas, o outro foi ao interior de uma loja de telecomunicações
tratar de um qualquer assunto relacionado com o seu telemóvel.
Pergunto-me como
se pode ter uma sociedade cívica e segura quando são os próprios cívicos que
ignoram as regras e os códigos. Das estrada ou outros.
By me
segunda-feira, 29 de janeiro de 2018
Do contra
Em torno de tudo se pode
contar uma estória. Basta olhar para o que quer que seja e dar asas à
imaginação.
Sobre esta metade de
laranja posso imaginar como as flores que lhe deram origem escaparam a um
casamento e foram objecto de uma salutar orgia de insectos que as polinizaram.
Posso ainda imaginar mãos a colhe-las e depositá-las em caixotes, que seriam
levados para calibre e posterior venda. E ainda posso imaginar estar ela, junto
com irmãs e primas num escaparate de um mercado ou lugar de hortaliça e a ser
apalpada, metida num saco, pesada e trocada por dinheiro. Até chegar aqui e ser
violentamente seccionada e esburacada.
Só parte desta estória é
passível de ser verdade. A partir do momento em foi colhida não foi enviada
para escolha e venda, mas sim amavelmente trocada por um pouco do sei sobre
fazer esta e outras fotografias.
E o estar aqui desta
forma impede-a de ser comida. Foi cortada e colocada neste pires, tal como a
sua outra metade, e cravada com estes cravinhos de cabeça, com o único fito de
aromatizar a casa. Que a combinação do aroma da laranja com o dos cravinhos é
fresco e agradável. E não provem de uma lata nem consome energia eléctrica.
Quanto ao porquê de usar
a luz assim: Bem, por um lado é a primeira fonte de luz que concebo – o chamado
contra-luz. As demais que coloco são apenas para a controlar e às sombras que
ela provoca.
Em seguida, porque
permite delinear razoavelmente bem alguns volumes e texturas.
Depois porque eu mesmo
sou “do contra” e usar a luz ao contrário do habitual é algo que me agrada.
Por fim, porque cria uma
certa dose de mistério, se pouco atenuada, o que se adequa ao deixar a
imaginação voar.
Manias!
domingo, 28 de janeiro de 2018
sábado, 27 de janeiro de 2018
Amor e sexo
Porquê “fazer” e não “tirar” uma fotografia?
Bem, “tirar” implica algum tipo de intrusão, de agressão, de subtracção, de minorar algo ou alguém em favor da nossa fotografia.
Por seu lado, “fazer” uma fotografia implica uma relação positiva com o assunto fotografado, um acréscimo, um afecto que se demonstra.
Talvez que a melhor comparação entre o “tirar” e o “fazer” uma fotografia seja a comparação entre praticar sexo e fazer amor.
By me
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