sexta-feira, 21 de março de 2014

Verdade insofismavel



Aquilo que me apetece escrever ou fotografar, não posso ou não devo. Por questões pessoais, por questões éticas, por barreiras ainda intransponíveis.
Aquilo sobre o qual poderia ou deveria escrever ou fotografar, não me apetece. Por questões pessoais, por questões éticas, por barreiras ainda intransponíveis.

Resta-me socorrer-me do que alguém escreveu e eu fotografei, faz tempo.

By me

Colectivo



Ponham-me o carimbo que puserem, tenham lá paciência, mas esta é a minha opinião.
O sistema ensino/aprendizagem deveria ser gratuito!
Não tendencialmente gratuito!
Não subsidiado!
Gratuito!
Pago pelo colectivo!
Em todos os graus, do pré primário ao superior!
Em todas as instituições e para todos os estudantes/aprendizes!
Em todos os aspectos: frequência, material didáctico, alojamento inclusive!

Eu explico o porquê:
Um cidadão válido na sociedade é aquele que, tendo um elevado grau de autonomia e estabilidade material, emocional e intelectual tem, para além disso, uma contribuição útil no e para o grupo em que se insere.
Esta contribuição pode ser através de uma actividade física, intelectual ou mista. E será tanto mais útil quanto melhor preparado estiver e, consequentemente, melhor o desempenhar.

O fazer um curso, seja de que grau for, não apenas lhe permitirá ter uma vida mais confortável e tranquila como, com o resultado do seu trabalho, contribuir para que a sociedade evolua no mesmo sentido.
Logo, ter um curso (tecnológico, profissional, superior) é uma mais valia para a sociedade onde se insere, e não apenas para ele.
O paradigma desta afirmação é a actual carência de médicos pediatras, obstetras e geriatras que grassa em Portugal. Tal como de calceteiros, canalizadores e mecânicos.
Ao limitar-se o acesso a esses mesmos cursos e preparações através das condições materiais do estudante ou da sua família, está-se a cercear o desenvolvimento social.
E isto constata-se através da quantidade crescente de alunos que, todos os anos, deixam o ensino superior e politécnico por falta de meios económicos. Veja-se um relatório recente da Universidade do Minho. E as estatísticas sobre a redução do número de estudantes nos cursos profissionais.

Os cursos que permitem o exercício de um oficio ou profissão reflectem-se mais na sociedade que no individuo. É uma questão de qualidade de vida. É um investimento da sociedade nela mesma.
Ao exigirem-se pagamentos para frequentar esses mesmos cursos, está-se a fomentar e existência de elites, não pelos seus potenciais intelectuais ou de desempenho e habilidade, mas antes pelos seus antecedentes familiares e condições sócio-económicas.
E, naturalmente, a reduzir a qualidade de vida de todos.


Na sociedade actual, pautada basicamente pela competitividade desenfreada e pelo sucesso económico, limitar o acesso à preparação técnica e cientifica do jovem é um suicídio colectivo, lento, metódico e consciente.

By me

Confrontos



O texto e a fotografia datam de 2007. Faz hoje exactamente sete anos que o escrevi e publiquei.
Infelizmente, para a questão que nele coloco ainda não encontrei solução útil. De uma forma ou de outra, tem sido o “nada fazer” que tem sobrevivido.
(Como nota extra, e a título de curiosidade, repare-se como o número sete acaba por ser importante nas nossas vidas, de uma forma ou de outra. E, se não for no calendário (dias de semana) acaba por ser em tantas outras. Repare-se também como sete é um quarto de vinte e oito e que vinte e oito dias correspondem ao ciclo lunar completo.)
Mas passemos ao assunto importante:


Por vezes somos apanhados nestas encruzilhadas!

Há mais de trinta anos que vou lidando com imagem, fotográfica, videográfica e, muito esporádica e pouco profundamente, cinematográfica.
Tenho-a feito, degustado, analisado, estudado, sendo que continuarei a fazê-lo enquanto tiver forças para tal.
Apesar de nunca me ter preocupado - e continuarei a não me preocupar - com títulos académicos, canudos ou certificados, o certo é que volta e meia sou chamado a dar formação sobre o pouco que sei, tentando passar para os alunos ou formandos o que de teórico e prático tenho vindo a aprender. Com o que tenho feito, com o que tenho aprendido e com aqueles que me têm dado a honra e prazer de me ensinar.

Mas, nesta actividade didáctica a que me tenho dedicado, um dos problemas com que me tenho debatido é a falta de bibliografia adequada para recomendar. Os textos e assuntos que interessam (teóricos, práticos ou subjectivos) estão distribuídos por muitas e variadas obras, algumas muito superficiais, outras demasiado profundas ou complexas. E, pior ainda que isso, a grande maioria são de autores de língua estrangeira, editados nela ou traduzidos para português nem sempre com o maior dos cuidados.
Já me aconteceu ver-me em tamanhos assados que me vi na contingência de criar sebentas ou, se preferirem, conjuntos de textos retirados daqui e dali, alguns de minha própria e pobre autoria, tentando que, para o grupo de trabalho do momento, contivessem a informação pertinente. Com as certezas que a ciência permite e exige e com o grau de complexidade que os alunos atinjam e digiram.

Para minha alegria, chegou-me um dia às mãos uma obra de um autor português que abrange as matérias que interessam. Como formiga por açúcar, logo nele mergulhei, primeiro superficialmente, de seguida mais em profundidade. E fiquei seriamente frustrado.
A obra em questão contém tantos e tamanhos erros científicos e conceptuais que quase me sinto envergonhado de a possuir. Para já não falar em conceitos mais subjectivos e, por conseguinte, discutíveis.
Depois de a ler de imediato fiquei com uma certeza: este livro nunca o recomendarei e, provavelmente, alertarei eventuais alunos que venha a ter para que não o considerem, face à quantidade e calibre desses mesmos erros.

Mas se a coisa ficasse por aqui, não seria mau.
Acontece que a obra em causa é publicada com a chancela de uma instituição de ensino superior e assinada por quem tem graus académicos de alto gabarito. O que lhe confere uma credibilidade que não merece.
Face ao perigo de desinformação e desensino que esta obra é, se cair em mãos de estudantes desavisados ou curiosos em livrarias, ignorantes do seu conteúdo, fico sem saber o que fazer.
Ou coisa nenhuma e correr o risco de, num futuro, ser com ele confrontado por alunos que o possam vir a ler;
Dar-me ao trabalho de o corrigir, ponto por ponto, e de enviar essa correcção para a universidade em causa, levando a que essa obra seja eventualmente reeditada com as correcções, e os créditos atribuídos a quem não os merece;
“Pôr a boca no trombone” nos média e alertar para o seu risco, criando assim um inimigo para o resto da vida e ter, ainda por cima, que confrontar os seus graus académicos com os que eu não possuo.

Qualquer uma das soluções me dará muito trabalho e canseira, a curto, médio ou longo prazo, quer seja confrontando-me com o autor, com a instituição ou com alunos. E eu não sei que fazer, honestamente.

Aceito sugestões!

By me

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Há ocasiões em que me sinto ainda mais estúpido que o habitual.
Então não é que pago o salário daqueles que estão a destruir a minha vida e o meu futuro?
Porque, e não nos enganemos, o salário (gordo) de ministros e deputados sai do que pagamos de impostos.
E se não é parvoeira pagar a quem nos faz mal, não sei o que o seja!

Já agora: tu, que me lês, és tão parvo quanto eu.
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quinta-feira, 20 de março de 2014

Lucubrações



Por vezes acontece: acordar de manhã com uma ideia fixa, uma dúvida, e não encontrar descanso enquanto não a esclarecemos. Foi o caso de hoje!

Ainda o primeiro cigarro não ia a meio, já eu folheava uma enciclopédia em busca de satisfação. E nada!
Higiene, vestuário, dejejum, café e vários cigarros depois, continuei as pesquisas: dois almanaques, três agendas, quatro jornais diários pagos, três jornais gratuitos, dois folhetos de supermercado, a montra de uma papelaria e coisa nenhuma. A dúvida mantinha-se!
No meu desassossego, alarguei o âmbito da busca e envolvi terceiros: a coscuvilheira do prédio, dois militares da GNR, três serviços informativos telefónicos, quatro jornalistas, três políticos, duas vendedoras de rua e um chefe de serviço.
Continuei sem ficar esclarecido. Aparentemente ninguém sabia nada sobre o assunto: ou nunca tinham ouvido falar ou nem sequer se tinham preocupado com o tema.
Devo dizer que esta pesquisa teve resultados funestos: De manhã, a caminho da estação, passei numa repartição pública e expus a minha dúvida. Há pouco, ao regressar a casa vi por lá as luzes ainda acesas, um montão de papeis e caixas na rua e uma grande algazarra no interior. Suponho que ainda estejam à procura do impresso adequado à minha questão.

Fiquei assim convencido, depois de tanto procurar, que tinha razão.
Desapercebido, este dia 20 de Março tinha caído no esquecimento e não tinha sido declarado dia do que quer que fosse, entalado que está entre a hipocrisia do dia do pai e a marca astronómica do equinócio de Março (da Primavera para uns, do Outono para outros).

Fútil ilusão!
Ao sentar-me aqui, em frente ao teclado, pensado em declarar o 20 de Março como o dia mundial do JC (e porque não?), constatei, logo no primeiro motor de busca, que já tinha sido ocupado!
É o dia mundial da Felicidade.
Também… e porque não? No meio de tanta data e festejo, suponho que também este tema tem direito a ter um dia.
Eu a pensar que ainda ia encontrar um livre para ocupar e afinal estavam mesmo todos já preenchidos. Com o Dia Mundial disto, o Dia Mundial daquilo…. Com todo o comércio, propaganda e interesses mais ou menos escondidos neles.


Para Felicidade de todos nós, ainda restam aqueles, o de hoje e os restantes três do ano, que não dependem de uma qualquer arbitrariedade humana para serem especiais.

By me

Equidades



Fugiram quando iam ser fiscalizados por uma patrulha da GNR.
Detidos uns quilómetros depois com o auxílio de reforços policiais, constatou-se que os quatro ocupantes da viatura, com idades entre os 19 e os 21 anos, estavam já referenciados por furtos em estabelecimentos comerciais na zona de Santarém. O carro em que se faziam transportar fora roubado há dois meses e no seu interior encontravam-se objectos normais para a actividade de roubos e furtos.
Após terem sido constituídos arguidos e ser-lhes imposto o termo de identidade e residência, foram libertos.

Suponho que se fossem accionistas do BPN ou membros do governo não teriam melhor tratamento.



By me

Pensando



Já o tenho dito, pese embora sem grande acolhimento:
A fotografia é, entre outras coisas, um acto de cobiça!
Ou de apropriação.
Fotografamos os espaços, a luz, os sorrisos, os objectos, porque não os podemos possuir, não os podemos levar para casa. Cabem, certamente, na alma ou coração de cada um, mas não na parede ou numa gaveta.
Nós, os fotógrafos, somos uns invejosos e cobiçadores! Entre outras coisas.

E se tiverem dúvidas sobre tamanha afirmação, consultem os vossos arquivos bem como os trabalhos de fotógrafos conceituados.
Irão constatar, sem surpresas, que poucos são os que fotografam ou exibem fotografias das pessoas que lhes são afectivamente próximas.
Não precisam!
Aquilo de que realmente gostam ou amam está ali, permanentemente, ao alcance de um olhar ou na superfície da memória.
Ou, talvez, sejam os fotógrafos uns seres muito egoístas. E queiram guardar só para si, para a sua intimidade, os tesoiros que têm. Sem artifícios ou tecnologias.

Grandes pensadores se debruçaram sobre o acto de fotografar e os motivos que estão por detrás disso.
Interessante mesmo é verificar que raríssimos são os que afirmam tal coisa.

Ou bem que estou completamente enganado ou então tiveram eles medo de serem apedrejados na praça pública.

By me 

Um olhar - Sofia



Foi ontem.
Estava sentado num café, já tinha degustado o bolo, já tinha fotografado o garfo, já tinha escrito umas tretas em torno disso mesmo e em frente ao computador, tentava que a rede funcionasse.
Bonitinha, sem ser uma estampa, aquela mocinha abordou-me.
Tentava ela vender-me uns relógios de pulso. Apesar de, logo no início, lhe ter dito que não tencionava comprar nada, ela continuou com a sua abordagem e pôs-me à frente a caixa que continha um deles.
Gostei do parlapié dela e dei-lhe algum do meu tempo. E também gostei dos seus olhos, que eram lindos.
Mas o gastar dez euros num relógio da treta, principalmente quando não me faz falta nenhuma, não me convenceram e disse-lho.
Sorriu e seguiu para outras mesas. E eu fiquei a observar a sua técnica de trabalho, que merecia ser vista. Incipiente, via-se que não tinha grande experiência nestas coisas de vendas na rua e nos cafés, tinha potencial e simpatia.
Quando acabou aquela mesa onde três idosas, naturalmente, não quiseram comprar o relógio nem o estojo de lápis e canetas infantis, e tornou a passar por mim, não resisti:
Interrompendo-lhe a marcha, convidei-a a sentar-se um nico, que não aceitou. E, com ela de pé e comigo sentado, propus-lhe um negócio alternativo: talvez eu lhe comprasse um relógio se ela me deixasse fotografar-lhe os olhos.
Ficou meia atrapalhada e eu ajudei, dizendo-lhe que seria lá fora, em acabando eu e ela o que estávamos a fazer. Anuiu.
Já no exterior, tive tempo de fumar todo um cigarrinho, enquanto ela fazia p’la vida lá dentro. E, quando saiu, conversámos.
Quis eu ver o relógio e confirmar preço: era um relógio por dez euros, com oferta de um segundo. Ainda pior do que eu tinha imaginado.
Tentei reajustar a coisa: eu dava-lhe cinco euros por um, sem oferta. Que não, disse, que aquilo não era dela e tinha que ser assim.
E fiquei com a sensação que a venda assim seria para que, em se avariando ao fim de duas semanas o primeiro, se pudesse usar o segundo por outro tanto. Não acedi.
Mas insisti na fotografia, usando agora eu as minhas técnicas e eventual charme para a convencer. Nada feito.
O negócio seria os relógios p’la fotografia, disse ela, e não havendo os primeiros não haveria o segundo.
E afastou-se, fazendo virar a cabeça a quem passava. Que, não sendo uma estampa, estava ataviada para o parecer. E tinha uns olhos lindos, daqueles que dizem mais do que a boca se atreve.
Quedei-me um pouco ali, no meio da rua, a pensar. Afinal, ainda bem que assim fora. Que não havia eu quebrado um hábito velho de anos: não pagar para fotografar.
Já tenho feito trocas: por conversa, por um cigarro pedido, até por um café oferecido. Agora envolvendo dinheiro… Isso nunca.
Porque, saiba-se, as coisas boas da vida fazem-se devagarinho e são de borla.

Quanto à fotografia, como se deduz não é a da mocinha de ontem.

É uma das primeiríssimas deste meu projecto, que celebrou há uns dias sete anos.

By me

quarta-feira, 19 de março de 2014

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As palavras são, em regra, bonitas.
O que me atrapalha são os seus significados.
Os significados que lhes dou e os significados que outros lhes dão.

Mas, bem mais complicado que isso, são os significados que são atribuídos às palavras que não são ditas.
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A entalada



Porque gosto de desafios, fui à procura. E encontrei.
O número 287 de uma rua em Lisboa que possua uma estátua como esta fica na Estrada de Benfica. Quase em frente do chafariz que se vê à direita e que ostenta o texto “ Real obra de agoas livres anno d’1817”. Acrescento que tanto o prédio como o chafariz ficam pertinho, pertinho, do Jardim Zoológico.
É um de três prédios de três andares, irmanados no local e na arquitectura mas diferenciados no formato da porta e na estatuária que se lhe sobrepõe.
Saiba-se (e eu soube-o vindo de quem me desafiou) que estas estátuas por sobre as portas devem-se, citando, “ao Plano Director da Cidade de 1948, que preconizava que as construções mais caras deviam exibir uma obra de arte na fachada.
O Arquiteto Keil do Amaral baptizou-as ironicamente como “as entaladas ”, dado o pouco espaço disponível para as figuras representadas.”

Acrescento que a Estrada de Benfica tem hoje a sua numeração a começar em “251”.
Não se trata de um erro mas antes do que sobra da estrada original. Começava ela, em tempos de antanho, em Palhavã, hoje conhecida por “Praça de Espanha”. O desenvolvimento urbano da zona, e consequentes construções, levaram a que parte dela assumisse outros nomes, nomeadamente, “Rua Professor Lima Basto” e “Largo de Sete Rios”.


Fica a resposta ao desafio e venham mais destes que eu gosto.

By me