domingo, 6 de maio de 2018

O cúmulo da tranquilidade com o universo




Em fim de passeio higiénico matinal com o cãopanheiro, já sem pressas ou pressões, enquanto ele observa calmamente gente que passa no fundo da rua, uma borboleta castanha pousa-lhe na cabeça.
Vá-se lá saber porquê!
E desfio qualquer um, não estando prevenido para tal acontecimento, a conseguir fazer o registo fotográfico.
Nem tentei e limitei-me a usufruir do momento, forçosamente breve.



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sexta-feira, 4 de maio de 2018

Zé Carioca




Não creio que quando o Zé Carioca foi criado, nos anos 40, houve wi-fi.
Nem mesmo quando passou para a televisão, nos anos 60.
Aquando da sua popularidade por cá, também não haveria wi-fi.
 Modernices!

Nota adicional: objectiva Soligor 200mm, dos anos 70.



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200mm




Fotografar com uma objectiva fabricada em 1973 (quase meio século) é um prazer.
Não apenas pelo que sentimos quando a temos na mão, do ponto de vista de solidez, como o sabermos que, nestas coisas, a idade não é posto invertido.
Além do mais, fotografar com um 200mm fixa é saber olhar e compor sem ajustes. Para não falar na forma de calcular a exposição.
No caso, uma Soligor f/200 – 3,5. Acresce-se que tem montagem T4. Por outras palavras, o fabricante construía um conjunto óptico (lentes, diafragma, sistema de focagem) e o utilizador acrescentava atrás um anel para o sistema de câmara que usava (canon, nikon, olympus, pentax, m42, minolta, etc.)
Os únicos “defeitos passam por possuir um pára-sol incorporado que me parece pouco eficiente e ter um ligeiro e mínimo desvio para os magentas nas altas luzes. Nada que a edição actual não possa corrigir em menos de nada.



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Transparências




“Resolução da Assembleia da República nº 21/2009, de 26 de Março (TP)
6 - Os Deputados têm o direito de apresentar justificação para as faltas, nos termos estabelecidos no respetivo Estatuto e no Regimento, observando as respetivas exigências de fundamentação.
7 - A palavra do Deputado faz fé, não carecendo por isso de comprovativos adicionais. Quando for invocado o motivo de doença, poderá, porém, ser exigido atestado médico caso a situação se prolongue por mais de uma semana.
…”

E depois falam-me de subsídios e outras questões de lisura e transparência?
Quando “a palavra do Deputado faz fé”? Já minha ou a sua que me lê não “fará fé”, certo?
Ora batatas! Como diz o povo, “Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é tolo ou não tem arte”.


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quinta-feira, 3 de maio de 2018

Desgostos de estimação




Paro numa passagem de peões. Com semáforo.
Enquanto espero, reparo como é triste que tal pintura esteja nas costas dos condutores, já que a rua, com muito movimento, é de sentido único.
E, enquanto tento encontrar um enquadramento de onde estou, apercebo-me do que me estava a incomodar, mas que não sabia o que era.
Da esplanada de um café, mesmo ali junto à passagem de peões, os altifalantes emanam a transmissão radiofónica do terço, na rádio renascença.
E se eu já não gostava do lugar, pelo menos bom atendimento de quem lá trabalha, fiquei com a certeza de ali não voltar a entrar. Que isto de impingir missas e rezas a clientes e transeuntes fica muito para além do que considero tolerável.
Se as leis servissem para alguma coisa e fossem cumpridas, isto deveria ser proibido e punido com pena máxima, fosse ela qual fosse.


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quarta-feira, 2 de maio de 2018

Perdas e ganhos




Aquando de uma mudança é normal perder-se algo. Grande ou pequeno, importante ou nem tanto.
Já me aconteceu, em mudanças de casa que fiz.
Numa delas, acabei por encontrar o que pensava estar perdido passados uns quatro ou cinco anos, escondidinho que estava nas repregas de um saco.
Desta feita foi ainda mais caricato.
Uma peça de fixação de uma porta de vidro de um armário. Que sabia ter caído dentro de um carro.
Fui adiando a sua substituição, até por ser uma peça específica para este móvel, até que decidi improvisar o que faltava.
Ao juntar as peças que me restavam, acabei por constatar que, afinal, teria recolhido o que havia caído e que não faltava nada. Já o pó, é um misto de duas casas.
Não chegou a seis meses, a “perda”.



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Detalhes




Tanta gente a querer ir conhecer mundo, outras cidades e civilizações.
E, no entanto, não reconhecem o rosto dos vizinhos, a cor do prédio em frente de casa ou o som do riso de quem lhes vende o pão diariamente.
Provavelmente nem sequer sabem ou questionam a origem do nome da sua rua.



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O das fotografias




O que é uma boa fotografia?
Esta é uma questão que assola muitos dos que à fotografia se dedicam. Para melhorarem o que fazem, para melhor apreciarem o que vêem, para sobre o tema discorrerem…
Sou abordado na rua por este nosso conterrâneo. Vendo-me com uma câmara na mão, pergunta-me se me interesso sobre fotografias antigas. Ainda pensei que mas quisesse vender, mas nada disso.
O seu objectivo era mostrar fotografias, umas em cores, outras em preto e branco, umas amadoras, outras postais ilustrados, mostrando a zona central e oriental da cidade nos anos cinquenta a setenta do séc. XX.
Sabia de cor o que existe e já não existe e desfiava-me a identificar o local de cada uma.
Nascido em ’51, aquela era parte da sua infância e juventude, urbana, desportiva, rodoviária. E ria-se ficava maravilhado quando eu conseguia identificar algum largo ou rua já demolidos, sobre os quais ainda contava uma ou outra estorieta breve de poucas palavras.
Tinha consigo bem de uma centena de imagens, todas mais ou menos do mesmo tamanho, numa bolsa. E ora tirava um molho delas, ora outro, sem que eu conseguisse descortinar alguma ordem ou lógica em cada um deles. Haveria, com toda a certeza, mas não dei com isso.
Para o registo, escolhi eu a fotografia que haveria de exibir. Ratada em baixo e de um largo que já não é assim, com um autocarro que já não circula nas nossas ruas.
Fez ele questão, depois de surpreendido com o facto de ele mesmo ser objecto de fotografia, de virar o boné ao contrário, com a pala para trás. Não sei se numa atitude de moda, se em memória de ciclistas, se por via da sombra que haveria de provocar.
Disse-me o nome, que não fixei. Mas a sua alegria em mostrar o passado através de fotografias, isso não esquecerei. E partilho-o, que também é para isso que servem as fotografias.

Nota pessoal: O carregar a mochila com a “tralha” ainda me é interdito. Por isso decidi, neste passeio higiénico, breve e tranquilo, abordar o mundo com um 28mm f/2.8, montada na Pentax. Para quem esteja habituado a full frame ou película, corresponde a uma 42mm.
É uma nem-nem, nem a grande angular para estes locais apinhados, nem a tele de que gosto para isolar pormenores. Mas é um exercício divertido abordar o mundo com uma focal fixa, ao invés das zooms tão disseminadas. Com a determinação de que a imagem final não seria objecto de cortes posteriores: o que visse na ocular da câmara seria o resultado final.
A diversão é a gestão dos centros de interesse, a exposição (neste caso parcialmente manual, já que a objectiva tem quase 40 anos na minha mão), a decisão do que conseguimos fotografar e do que não é possível fazer. E das situações intermédias, em que temos que recorrer a subterfúgios de composição para evidenciar o que queremos.
Todos os meus alunos e formandos passaram por este exercício. E todos os que venha a ter passarão por ele certamente. Que a melhor ferramenta de composição funciona a dois tempos: pé direito e pé esquerdo!



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terça-feira, 1 de maio de 2018

1º de Maio 2018


Conta um jornal que gente de todas as idades desfilou na avenida, concentrando-se depois na Alameda, para marcar presença no Primeiro de Maio.
Será verdade que sim.
Até eu, mesmo muito limitado e que restringi a esperar por eles no fim do desfile, me apercebi da heterogeneidade de idades. De bebés quase de mama até idosos bem idosos, houve de tudo este ano.
Aquilo que o jornal não conta é de que modo as diversas idades estavam distribuídas em número.
Numa abordagem por alto, sem nenhum rigor estatístico, eu diria três quintos dos presentes estavam acima dos 35 anos. E destes, mais de metade tinham os cabelos bem grisalhos ou mesmo completamente brancos.
Dos dois quintos restantes, mais de metade estaria abaixo dos doze anos, acompanhando pais e vós. Os restantes, adolescentes e jovens adultos como hoje se diz, eram uma minoria. Demasiadamente em falta.
Numa sociedade em que se fala em precariedade, desemprego jovem, salários no limite do legal, falta de perspectivas para o futuro, casamentos e descendência adiadas por limitações económicas, seria de esperar que estivem mais presentes numa jornada de luta por trabalho justo e justamente regulado e remunerado. Faltaram em massa.
Pergunto-me quem estará em manifestações e revindicações com estes conteúdos daqui por dez ou quinze anos.







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Surpresas




A grande surpresa do dia, em indo passear o cãopanheiro, foi ver um casal de perdizes por perto, em zona de parqueamento automóvel, agora quase vazio.
Ariscas, como não poderia deixar de ser, temerosas de nós ambos, não se deixaram fotografar pelo meu inseparável telemóvel. E não tinha melhor comigo.
Não mais darei estas voltinhas quotidianas sem estar devidamente equipado. Quem sabe se, da próxima, não tropeçarei num pavão. Ou avestruz.



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