quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

António Conselheiro



Toda a história tem pormenores originais, uns divertidos, outros não tanto.
A fotografia aqui exibida é de António Conselheiro, um activista político-religioso que liderou um movimento ao estilo dos “sem-terra” no Brasil, no final dos anos oitenta do séc. XIX.
Ficou o movimento, e a guerra, conhecida por “A guerra dos Canudos”. E que terminou com aquilo a que se pode chamar de “massacre” dos “revoltosos” por parte do exército Brasileiro.
Nada tem de especial isto. Aconteceu um pouco por toda a parte ao longo dos tempos.
O que é realmente original é ter sido o líder, que morreu na véspera do combate final, ter sido desenterrado duas semanas depois para ser fotografado. Essa fotografia foi feita pelo fotógrafo brasileiro Flávio de Barros, ao serviço do exército.
O objectivo de tal macabro registo foi o divulgar a imagem pela imprensa nacional com o fito de demonstrar que o político e santo (ou vice-versa) mas rebelde, estava morto e, com ele, o movimento.

Há quem seja ”morto” nas fotografias (apagado delas) para que não haja provas públicas da sua envolvencia nas situações retratadas.
Esta intervenção fotográfica é, para mim, única na história.
Descoberta num pequenino livro sobre a história da fotografia no Império brasileiro, levantou-me suficientes desconfianças na sua veracidade a ponto de ter procurado outras fontes que o confirmassem.

Estranho mundo o nosso, o dos fotógrafos!


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Quando, de manhã, fui buscar o leite ao frigorífico, ouvi a manteiga gritar-me:

“Fecha a porta que entra frio!”
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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

MGF



Assinalou-se ontem o dia contra a Mutilação Genital Feminina.
Prática horrenda, com vítimas um pouco por todo o mundo, maioritariamente em África. Mas por cá também.
No entanto, não nos enganemos, não basta proibir e perseguir quem o pratica. Haverá que abordar a questão sob todos os pontos de vista, directos ou indirectos.
Até porque, e como diz o povo, tão ladrão é o que vai à vinha como o que fica a ver.
Sobre o assunto, uma história que me foi contada em 2006 por alguém que esteve por perto da situação.
Num país africano, francófono e de forte influência islâmica, uma mulher enviuvou. De acordo com as normas locais, deveria casar-se em segundas núpcias com o cunhado.
A base para esta norma, antiga de séculos, é o facto de não deverem existir mulheres sós que deverão estar sob a “protecção” de um homem. E, sendo tarefa masculina a guerra, com a morte associada, é admissível a poligamia, desde que o homem prove poder sustentar a mulher.
Podemos discordar disto, mas é o que vigora.
Tal como vigora, nesse país, que o novo marido pode exigir que a nova mulher seja mutilada no seu clitóris. Mutilação que a senhora em causa não possuía e que, ainda de acordo com as normas locais, seria obrigada a fazer.
Como se entende, ela não quis e, clandestinamente, fugiu com ajuda de amigos.
Nessa sua fuga veio parar a Lisboa, onde pediu asilo invocando a situação e alegando que se tivesse que regressar seria presa e mutilada.
O asilo foi-lhe negado!
E com a argumentação de não constar a situação nas normas e códigos portugueses.
Ficou retida na zona internacional do aeroporto à espera de um voo que a levasse de volta ao seu país e a um destino trágico.
Por sorte o caso transpirou e alguém com conhecimentos e influência movimentou-se. E a senhora acabou por cá ficar.

Para esta história de final feliz quantas outras não terão um infeliz?
Será que nos artigos da lei casos como este já são automaticamente reconhecidos como dando direito a asilo?
Ou será que o que lá se passa é condenável mas é lá e não temos que nos meter nisso?

Os actos ficam para com quem os pratica. E não me é agradável viver num país que não acolhe e protege as vítimas ou potenciais vítimas de tal barbárie!

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terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Regras privadas?



Alguém me sabe dizer da validade disto, visto num táxi em Lisboa?

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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Disfarce



Nesta época carnavalesca, eis-me com a minha máscara habitual: político.

Profissional ou ocasional, fica ao vosso critério.

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Significados



Em frente ao supermercado, junto ao estacionamento, uma “barraquinha” de farturas.
Confesso que me é difícil resistir a tal apelo e, nesse dia, caí na esparrela: comprei uma. Não eram grande coisa, mas lá fiquei a roer a que me calhou.
Enquanto o fazia, junto à porta, duas velhotas saíram, empurrando um carrinho meio de compras.
Pararam a meu lado e uma propõe à outra, apontando a barraquinha:
“Vamos comer um biróti?”
Não conhecia o termo e, pelos vistos, a outra velhota também não, que perguntou o que era. E foi-lhe explicado.
Entretanto, do meu outro lado, ouvi uma gargalhada. Forte, franca, realmente motivada por um motivo divertido.
Olhei. Melhor dizendo, olhámos os três, que as velhotas também.
Era uma senhora, algures pelos quarentas, mulata, que, encostada na grade das garrafas de gás, comia uma sandes. E ria a bom rir.
Questionada por elas, disse-lhes que na terra dela, “biróti” significava outra coisa, bem “diferente”. Sem explicar o quê.
Riram as velhotas, dizendo uma que na terra dela era o nome dado às farturas. E afastaram-se, sem passar pela barraquinha.
“Ainda bem”, pensei, que não eram grande coisa.
A minha, biróti ou fartura, entretanto acabara e acendera eu um cigarro. E, tendo tempo antes de entrar para as compras, meti conversa e questionei-a sobre o significado do termo na terra dela e qual era a “terra dela”.
“Cabo Verde”, disse-me. Quanto ao termo acrescentou que era palavra feia, a não dizer em público. E agora com um sorriso maroto a brincar-lhe no rosto.
Ficámos de conversa e, mesmo sem explicar e com a analogia da forma, percebi o que me dizia. E falámos sobre as belezas do seu arquipélago, que por barco são dez dias de viagem, que os aviões são insultuosos com as revistas de segurança…
Acabou o meu cigarro e o bate-papo terminou pouco depois. Com um remate da minha parte:
“Já sei uma palavra a não usar quando for a Cabo Verde!”.


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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Lar



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Prazeres



Talvez que me esteja a repetir. Melhor: sei que me estou a repetir.
Mas desculpem lá isso.
É que estar ainda com atavios de falar com Morpheu, numa madrugada fria de Fevereiro, com uma chávena de café acabadinho de fazer nas mãos…
Faltava-me apenas um solzinho a entrar pela janela, mas não é coisa que me atrapalhe. E, fazendo de deus, tratei de o simular.
É um daqueles prazeres que faço questão de ter antes de sair de casa e enfrentar tudo aquilo que me espera lá fora.

No entanto, tenho uma confissão a fazer: esta é a segunda chávena, que a primeira foi um prazer egoísta e privado.

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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Alguns libertam-se



Outros são coniventes

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Saber optar



Um dos “truques” surgidos com a fotografia digital é, mais que saber o que ou quando fotografar, decidir o que ou quando não fotografar.
Que a facilidade e o baixo custo da obturação digital, junto com o terrivelmente fácil destruir de imagens, leva a que muitas fotografias sejam feitas quase que sem pensar no resultado final.

Saber fazer e quando fazer é importante. Saber quando não fazer, é igualmente importante!

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