terça-feira, 1 de setembro de 2026

Amores




Não tenho pressa. Nem cliente, nem prazos, nem encomenda. Não tenho urgências, portanto vou com calma.

Quando estou para aí virado, vou para o estúdio e viro mais algumas fotografias. Com tudo o que isso implica de preparação técnica, de preparação e verificação dos assuntos, de tratamento de imagem e de pesquisa posterior com o respectivo arquivamento. Uma hora cada, se tudo correr muito bem. Bem mais, se tudo correr muito mal.

Refiro-me à criação de uma espécie de catálogo das peças fotográficas que por aqui há. Para minha organização e organização de quem nisso pegar.

Desta feita estou de volta dos aparelhos de medição de luz, a que toda a gente chama de fotómetros. De tantos géneros e modos de utilização que são que, genericamente lhes podem chamar de “fotómetros”, ainda que tenham nomes específicos, em função da idade, do método e tecnologia, e da região do globo de onde são originários.

Hoje calhou que, de entre os que tirei da gaveta para fotografar viesse este. Um Quantum de sua marca, “calcu-flash-II” de seu nome.

Foi o meu terceiro aparelho de medida no campo fotográfico e não me recordo onde o comprei. Sei, antes sim, que tinha uma necessidade tremenda de aquilatar as luz emitida pelas unidades de luz instantânea: quantidades e qualidades, zonas iluminadas e zonas sombreadas. Não havendo lâmpadas piloto, isto é vital.

Acontece que de tanto usar e medir, de bem conhecer as fontes de luz, fui deixando de necessitar do aparelho, passando a confiar mais na minha experiência e colocando o “flashmeter” primeiro no saco, depois mesmo em casa. Dei-me mal algumas vezes, que a arrogância do “eu sei fazer” nem sempre resulta. Medir e ter certezas é importante.

Há anos que não lhe pegava, até porque uso outro, mais moderno e multifuncional.

Mas hoje, depois de ter verificado a ausência de baterias, ter limpo os contactos e colocado baterias novas, as minhas mãos sabiam o que fazer e o que procurar, mesmo antes de a minha mente se aperceber do que estava a fazer. Incluindo a escala adicional que lhe tinha acrescentado então e que permite ler as relações de contraste no quadrante de leitura.

Foi com carinho que o usei, foi com gentileza que o fotografei pensando na utilização da imagem, e foi com amor que decidi que, em terminando esta sequência que tenho entre mãos, merecerá uma abordagem mais cuidada e desligada de um catálogo.

Afinal, uma ferramenta como esta, com bem mais de quarenta anos, em perfeito estado de conservação estético e funcional, e sendo a primeira do seu género nas minhas mãos, merece um tratamento especial.

É que, digam o que disserem, não há amor como o primeiro!

 

Pentax K1 mkII, smc Pentax 100-M macro 1:4


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