quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Diatribes (ou não)




Foi há já uns anos valentes. Há quase vinte anos.

A câmara guardo-a, tal como quase todas as outras. As que não guardo foram as que vendi em momentos de grande aperto. Lamento cada uma delas.

A objectiva guardo-a, com os mesmos argumentos e lamentos que as câmaras. Com a diferença que, em tendo avariado, comprei uma igual tal o gosto que tinha e tenho pela sua flexibilidade.

Da barcaça nada sei. Passado todo este tempo, talvez esteja ainda a subir e descer o rio, fazendo pausa aquando do anoitecer, como era quase o caso.

A margem continua lá, com fauna e flora variavel de acordo com a estação do ano e aquilo que o ser humano vai deixando, com as suas travessias anunciadas e as suas construções efémeras.

O rio, esse, continua a correr debaixo das pontes como se nada fosse, escasseando uns anos, superabundando outros, como sempre fez desde o rio é rio. Alargando-se aqui, estreitando-se acoli, continua a fazer de fronteira aquém e além, dando nome a terras, barragens e pontes, como se disso dependesse alguma coisa. É-lhe indiferente.

A lua lá continua, ora tapada ora destapada, na sua quase sempierna revolução e servindo de mote a poetas e enamorados. Também serve de objectivo, como que primeira fronteira para o espaço infinito, aquele que queremos conquistar como quem quer conquistar uma praça forte ou uma medalha. Como se isso a importunasse, excepto a expectactiva de vir a ser o quintal das trazeiras onde iremos deixar os dejectos da humanidade, já que mais não conseguimos estragar este pedaço de rocha a que chamamos planeta terra.

Por mim, entre o agora e o agora cosmico, vou tentando registar os pedaços que vejo ou penso, transformado, como dizia o mestre, num taxidermista do tempo. Como se isso abalasse o cosmos ou a vida de alguém.

 

Pentax K100D, Sigma 70-300


By me

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