Não! Por muito que insistam, não consigo gostar deste tipo
de edifícios.
Destes assim, relativamente pequenos, ou dos outros,
monstros na vertical em algumas superpopuladas
cidades do mundo.
Em olhando para os esquiços dos autores, para as maquetas
dos promotores ou bem à distância, parecem casinhas de bonecas, arranjadinhos,
cores suaves, tão imaculados quanto prédios feitos com peças do lego.
Mas depois, em nos aproximando, essa beleza inicial
transfigura-se, dando lugar à desumanização do local. Não se encontram
diferenças entre eles, todos iguais entre si ou dentro de si, não se
encontrando vestigios de serem habitados. Janelas iguais, varandas iguais,
portas iguais, telhados iguais, habitados por humanos iguais, sem sombra de
individualidade. Residentes em prédios tão iguais quanto os tijolos que os
construiram. Tão isentos de manchas ou grafitis grupais ou territoriais quanto
uma caixa de pregos, que primam pela ausência de personalidade.
Olhando para estes prédios ou bairros, informes na sua
uniformidade, tão ausentes de personalidade quanto os corredores de uma
penitenciária, pergunto-me se quem aqui está preso tem a noção de assim estar
condenado, algemado a um número de porta, reduzido a um número de cidadão, tão autónomo
ou livre quanto uma formiga num carreiro.
Não! Estas caixas de fósforos sobrepostas, todas da mesma
fábrica, todas com 40 amorfos, desagradam-me fenomenalmente. Tal como me
desagrada residir numa delas como resido.
Olympus SP-570UZ


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