domingo, 19 de abril de 2026

Fosforeira nacional




Não! Por muito que insistam, não consigo gostar deste tipo de edifícios.

Destes assim, relativamente pequenos, ou dos outros, monstros na vertical em  algumas superpopuladas cidades do mundo.

Em olhando para os esquiços dos autores, para as maquetas dos promotores ou bem à distância, parecem casinhas de bonecas, arranjadinhos, cores suaves, tão imaculados quanto prédios feitos com peças do lego.

Mas depois, em nos aproximando, essa beleza inicial transfigura-se, dando lugar à desumanização do local. Não se encontram diferenças entre eles, todos iguais entre si ou dentro de si, não se encontrando vestigios de serem habitados. Janelas iguais, varandas iguais, portas iguais, telhados iguais, habitados por humanos iguais, sem sombra de individualidade. Residentes em prédios tão iguais quanto os tijolos que os construiram. Tão isentos de manchas ou grafitis grupais ou territoriais quanto uma caixa de pregos, que primam pela ausência de personalidade.

Olhando para estes prédios ou bairros, informes na sua uniformidade, tão ausentes de personalidade quanto os corredores de uma penitenciária, pergunto-me se quem aqui está preso tem a noção de assim estar condenado, algemado a um número de porta, reduzido a um número de cidadão, tão autónomo ou livre quanto uma formiga num carreiro.

Não! Estas caixas de fósforos sobrepostas, todas da mesma fábrica, todas com 40 amorfos, desagradam-me fenomenalmente. Tal como me desagrada residir numa delas como resido.

 

Olympus SP-570UZ

 

By me

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